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  Matérias :: História :: Brasil

  Autoria: José Carlos Alves Ferreira 


 


O Estado Novo chega ao fim 

Sempre houve oposição à ditadura. Mas o controle do governo sobre a sociedade era muito forte, perseguindo e prendendo quem era contra. Com toda a repressão existente, a oposição quase não podia se manifestar. Uma das primeiras manifestações claras a favor da redemocratização do país foi o chamado Manifesto dos Mineiros, lançado em 1943 por políticos de Minas, do qual surgiu a União Democrática Nacional (UDN), partido de oposição a Getúlio.

Já em 1945, em São Paulo, o I Congresso Brasileiro de escritores defendeu a posição de que a cultura só poderia existir num clima de liberdade, sendo portanto necessário o fim da ditadura. No mesmo ano, José Américo de Almeida (homem de confiança de Getúlio que, em 1937, fora candidato a presidente) deu uma entrevista contra o Estado Novo que teve muita repercussão.

A população, principalmente os estudantes e os trabalhadores, sempre que podia se manifestava a favor da redemocratização. Foi o que aconteceu com a volta dos soldados brasileiros que lutaram na Itália. Na festa da vitória, muitas faixas apareceram nas manifestações, pedindo democracia, Constituinte e anistia para os presos políticos.

Diante das pressões, Getúlio Vargas convocou eleições para dezembro de 1945. Além disso, concedeu anistia aos presos políticos e deu liberdade para a organização dos partidos que pretendessem participar das eleições. Mas, ao mesmo tempo, estimulou seus partidários a realizarem manifestações públicas favoráveis a sua continuação no poder. Nessas manifestações a palavra de ordem era "Queremos Getúlio". Por isso, o movimento foi chamado de Queremismo.

O ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, que era um dos candidatos à Presidência, ficou preocupado. E se Getúlio continuasse? Iam por água abaixo suas pretensões de ser presidente do Brasil. Mais do que depressa, conversou com seus colegas militares e juntos decidiram dar um basta àquela situação. Em outubro de 1945 forçaram Getúlio a deixar a Presidência. Quem assumiu o governo foi o presidente do Supremo Tribunal, José Linhares, que governou até a posse do presidente eleito em dezembro de 1945.

Quem pensou que Getúlio, com sua destituição pelas Forças Armadas, em 1945, estava afastado para sempre do poder, enganou-se. Nas eleições de 1950, Getúlio Vargas concorreu à Presidência pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e derrotou facilmente seus adversários.

Foram dois os fatos apontados como importantes para a volta triunfal de Getúlio Vargas ao poder:

A propaganda foi feita para criar uma imagem favorável do presidente junto ao povo. Além disso, ninguém podia negar que Getúlio fora o presidente que mais benefícios tinha concedido aos trabalhadores. Ele era considerado realmente o "pai dos pobres" e ninguém tirava isso da cabeça do povo, que o admirava.

Getúlio assumira posições claramente nacionalistas, a favor das empresas brasileiras e contra as estrangeiras. Na época, a campanha "O petróleo é nosso" estava nas ruas, e muitos acreditavam que só Getúlio seria capaz de estabelecer o monopólio da exploração desse produto: o petróleo brasileiro devia ser explorado por brasileiros. Getúlio Vargas ganhou as eleições e voltou com força total, "nos braços do povo". A partir do momento em que assumiu novamente a Presidência, 31 de janeiro de 1951, começou a colocar em prática sua política popular e nacionalista, que consistia em medidas que beneficiavam os trabalhadores e favoreciam as empresas nacionais. A principal dessas medidas foi o seguido aumento do salário mínimo, que no dia 1º de maio de 1954 foi de 100%.

Essa atitude de Getúlio deixou muita gente descontente: os grandes empresários, que achavam que seus lucros iam diminuir; alguns chefes militares, que achavam que Getúlio estava se aproximando dos comunistas; a classe média alta, que se via ameaçada em seus privilégios pelos benefícios que Getúlio estava concedendo aos trabalhadores, o que poderia aumentar a agitação e as reivindicações por melhores salários.

A política nacionalista de Getúlio ficou evidente sobretudo em outubro de 1953, quando criou a Petrobrás, a maior empresa do Brasil. Os inimigo que arranjou, porém, eram bem poderosos: as empresas multinacionais, como Esso, Shell, Texaco, queriam explorar o petróleo brasileiro.

Um tiro no coração: o fim da Era Vargas – É claro que com os inimigos poderosos que arranjou seria muito difícil para Getúlio manter-se no poder. Carlos Lacerda, deputado da UDN e dono do jornal A Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, foi o que mais se empenhou em combater Getúlio. Lacerda não passava um dia sem atacar o presidente, por meio de seu jornal ou em seus discursos na Câmara dos Deputados. Acusava-o principalmente de corrupção, pois isso repercutia muito entre a classe média.

Carlos Lacerda sofreu um atentado, no qual morreu seu guarda-costas, o major da Aeronáutica Rubem Vaz. Lacerda afirmava que o atentado fora ordenado por Getúlio, pois fora cometido por pessoas da guarda presidencial.

As pressões contra o presidente aumentaram: os grandes empresários, as multinacionais, a embaixada dos Estados Unidos, os grandes jornais, alguns chefes militares, todos estavam contra. Os trabalhadores não tinham força para sustentá-lo.

Os chefes militares reuniram-se com o presidente para obrigá-lo a renunciar. Ele respondeu: "Daqui só sairei morto!". Por fim, concordou em licenciar-se do governo. A manhã de 24 de agosto de 1954, veio a notícia: "O presidente suicidou-se com um tiro no coração!". As razões do seu último gesto foram deixadas por escrito numa carta-testamento.

 
 

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