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Escravidão
A
escravidão
- Inicialmente usavam a mão-de-obra indígena, como escrava.
Depois traziam negros da África como escravos, só nós
séculos XVI e XVII foram trazidos aproximadamente 1,3
milhões de africanos ao Brasil. Utilizados em todo tipo de
trabalho, foram os responsáveis pela riqueza produzida
durante o período colonial. A principal razão da adoção do
trabalho africano foi o fato de que seu tráfico rendia
vultosos lucros para a metrópole portuguesa e para os
comerciantes.
Tráfico
negreiro
- A expansão da escravidão africana no Brasil deveu-se sobre
tudo, aos grandes lucros proporcionados pelo tráfico
negreiro. Os portugueses eram mais importantes comerciantes
de africanos. Os africanos eram capturados em sua terra
natal, muitas vezes com ajuda de membros de tribos rivais, e
embarcavam em navios que os traziam para a América. As
condições que viajavem eram tão ruins que muitos morriam,
antes de pisar em solo americano. A escravidão, que não é só
culpa do europeu, porque tribos rivais da África entregavam
seus rivais para os europeus, isso quer dizer que os negros
também tinham culpa, pode ser definida como uma relação em
que a pessoa que trabalha é de propriedade de seu patrão.
Isso mostra que a escravidão é um coisa errada por essa
razão, mesmo que a pessoa não sofresse castigos sem razão.
Transformando uma pessoa em coisa.
As
condições de vida -
Não tinham direito a nenhum tipo de liberdade. Eram expostos
no mercado como animais. Muitas escravas eram submetidas aos
caprichos sexuais dos senhores. Contrariando a tese "vocação
para miscigenação", observamos que as escravas eram apenas
usadas sexualmente pelos senhores: elas não eram vistas como
parceiras
Fim da Escravidão
Em 1850, Eusébio de Queiroz
motivou a lei contra o tráfico negreiro, entre outras
coisas, pelo medo de o grande número de negros ( 3.500.000
para 1.500.000 brancos ) viesse a perturbar a ordem
estabelecida. Queiroz chegou a propor a contratação de um
exército de mercenários estrangeiros para manter submissos
os escravos, pois os soldados brasileiros se recusavam a
cumprir tal oficio. Na verdade, boa parte dos escravos
estavam se insubordinando
Em 1821, os pretos ocuparam Vila Rica, após sangrentos
combates, declarando sua liberdade e igualdades aos brancos
Em 1849, em Queimados, Espíritos Santo, 200 escravos
tentaram um levante, visando atingir todo o estado
Lei do Ventre Livre
- Em 28 de setembro de 1871 o governo conservador do
Visconde do Rio Branco promulga a Lei do Ventre Livre. De
poucos efeitos práticos, a lei dá liberdade aos filhos de
escravos, mas deixa-os sob tutela dos senhores até 21 anos
de idade
Lei dos
Sexagenários
-
Em 28 de setembro de 1885 o governo imperial promulga a Lei
Saraiva-Cotegipe, conhecida como Lei dos Sexagenários, que
liberta os escravos com mais de 65 anos. A decisão é
considerada de pouco efeito, pois a expectativa de vida do
escravo não ultrapassa os 40 anos
Abolição no Ceará
- A campanha abolicionista no Ceará ganha a adesão da
população pobre. Os jangadeiros encabeçam as mobilizações,
negando-se a transportar escravos aos navios que se dirigem
ao sudeste do país. Apoiados pela Sociedade Cearense
Libertadora, os "homens do mar" mantêm sua decisão, apesar
das fortes pressões governamentais e da ação repressiva da
polícia. O movimento é bem sucedido: a vila de Acarape
(CE), atual Redenção, é a primeira a libertar seus escravos,
em janeiro de 1883. A escravidão é extinta em todo o
território cearense em
25 de março de 1884.
O Brasil foi o último país do continente a
abolir formalmente a escravidão mas, a liberdade veio mesmo
por motivos econômicos.
Entre estes, os historiadores apontam a
necessidade da criação de um mercado consumidor para os
produtos industrializados, provenientes da Inglaterra. Os
portos brasileiros foram, então, abertos aos imigrantes
europeus, tendo sido permitido aos escravos alforriados, ou
libertos, que retornassem à África.
Em
1888, a Princesa Isabel assinou a lei que abolia a
escravidão
Lei
Áurea
- Em 13 de maio de 1888, o gabinete conservador de João
Alfredo apresenta, e a princesa Isabel assina, a Lei Áurea,
extinguindo a escravidão no país. A decisão, porém, não
agrada aos latifundiários, que exigem indenização pela perda
dos "bens". Como isso não acontece, passam a apoiar a causa
republicana. Em 1899 partiu o último navio - " o Aliança "
- levando de volta à África um grupo de ex -escravos. Uma
criança que seguiu para a África naquele navio, Maria Romana
da conceição, chegou a visitar o brasil em 1963.
A
lei Áurea não indenizou os escravos pelo trabalho realizado.
Assim, abandonadas a própria sorte, a maioria caiu na
miséria da mendicância e vão compor a camada mais miserável
das classes populares .
Imigrantes
Embora vinculada ao problema da abolição, a imigração
estrangeira para o Brasil tem outros condicionamentos
externos. O esgotamento das terras na Europa, as tensões
entre traba1hadores e grandes proprietários, as crises
agrícolas, a opressão fiscal, o desflorestamento, a política
comercial, o desemprego, as deficiências dos sistemas
econômicos, incapazes de garantir trabalho para todos, o
grande "negócio" em que a imigração transformou-se para o
Estado, a expectativa de melhoria de vida na América, as
flutuações do mercado mundial de trabalho, entre outras
causas, determinam o fluxo imigrat6rio para o nosso país.
Da
parte do Brasil contribuem para o estímulo à imigração toda
uma gama de causas mais imediatas, que vão da propaganda,
particularmente das companhias de navegação, interessadas no
transporte dos imigrantes, até as notícias enviadas pelos
emigrados, excitando a imaginação dos parentes e amigos, a
demanda de mão-de-obra graças à expansão da lavoura,
provocada pelos preços compensadores, as facilidades
concedidas pelo governo, o interesse dos grandes
proprietários, etc.
Embora as primeiras notícias sobre imigrantes vindos para o
Brasil datem de 1817, somente na década de 1850 é que há
maior incremento da imigração.
Por
motivos de ordem externa e interna, a política imigratória
adotada pelo Brasil não conseguia índices regulares nesse
deslocamento demográfico.
Na
lavoura cafeeira, as dificuldades encontradas pelos
imigrantes, no seu processo de adaptação, chegavam a ser até
de ordem natural: exuberância do solo, com plantas de
extraordinário e rápido vigor, etc.
Uma
viagem desconfortável e com restrições a bordo. Chegavam ao
porto brasileiro, onde permaneciam algum tempo praticamente
confinados, sendo objeto de "negociações", intermediadas por
intérpretes, entre os fazendeiros interessados ou seus
prepostos e os colonos e suas famílias.
Não
transcorria em melhores condições a viagem dos imigrantes do
porto de desembarque no Brasil até a fazenda onde iriam
trabalhar. As estradas eram precárias e o que se chamava de
albergues para pernoitar não eram mais do que simples
ranchos desabrigados. Embora a fazenda pudesse fornecer
carros-de-boi ou tropas para o transporte dos colonos, não
era raro terem que caminhar a pé, quando então as crianças,
em grupos de 4, eram acomodadas em cestas que as mulas
carregavam. Para os velhos e doentes também eram reservados
animais ou carros-de-boi.
Como os imigrantes recebiam rações de alimentos durante a
viagem, havia parada para as refeições, que eram preparadas
por eles próprios. Geralmente eram compostas de carne,
arroz, feijão, café, açúcar e toucinho. O preparo da comida
exigia a busca de lenha e água, o que resultava em não pouco
trabalho. À noite não era raro dormirem no chão, em leitos
de folhas. Os mais afortunados traziam arranjos de cama, o
que permitia relativo conforto. Havia fazendas que
forneciam, à chegada, esses arranjos, bem como os trens
necessários ao estabelecimento da família dos colonos. Claro
que tudo era debitado em suas contas. Sem entender muito o
que se passava, famintos e cansados, tomavam conhecimento do
"regulamento da fazenda", do qual geralmente recebiam c6pia.
Esse documento tratava dos direitos e deveres de cada
colono, compreendendo desde os negócios até os festejos.
Na
fazenda, a vida dos colonos era objeto de toda uma série de
normas, que restringiam os próprios movimentos. A obediência
às normas era sob pena de multa, que muitas fazendas faziam
reverter para uma caixa em benefício dos colonos.
A
distribuição de moradias era feita por sorteio, sendo que
muitas casas por terminar exigiam dos colonos esse trabalho,
em troca de certas compensações. Para os padrões de moradia
do camponês europeu, as residências no Brasil eram bem
deficientes. Dependendo do contrato, a moradia era cedida
gratuitamente por certo período, ou então cobrava-se aluguel
desde o início.
Um
dos regimes de trabalho que mais se propagou, num certo
período, entre os imigrantes nas fazendas de café foi o
contrato de parceria. Implicava um acerto, pelo qual o
fazendeiro cedia ao colono determinada área de sua
propriedade, com o respectivo cafeza1, para ser cultivado,
colhido e beneficiado, repartindo-se os resultados entre
ambos, na proporção que fosse estipulada pelo contrato.
Na
verdade, era um sistema adotado como intermediação entre a
escravidão e o trabalho livre. Mal protegido pela legislação
que não garantia ao colono liberdade, segurança e acesso à
propriedade, o sistema mostrou-se vulneráve1, com
deficiências que comprometiam o seu funcionamento. As partes
contratantes defrontaram-se desde 1ogo com um conflito de
interesses, marcado pela mútua desconfiança. O colono partia
do pressuposto, válido muitas vezes, de que o fazendeiro
aproveitava-se de todas as operações, como por exemplo
pesagem, despacho, vendas, etc., para locupletar-se. Do lado
dos fazendeiros, estes exerciam excessivo patriarcalismo,
revoltando os colonos não acostumados a esse controle.
Habituados a tratar com os escravos, a quem forçavam a
longas jornadas de trabalho diário, com custo mínimo para
sua alimentação, vestuário e alojamento, além do exercício
de severo controle sobre sua movimentação, os fazendeiros
não aceitavam a apresentação de reivindicações pelos
colonos, portadores de um elenco maior de necessidades, de
certo grau de cultura e politização que dificultavam as
relações sociais de produção baseadas na exploração
selvagem. A própria vida privada dos imigrantes era objeto
do "zelo" do fazendeiro. Enganados pelos agenciadores de
viagem e recrutamento nas aldeias, os imigrantes construíam
uma expectativa de rápido e relativamente fácil
enriquecimento, que logo se desvanecia em esperanças
perdidas.
Num
contexto diverso, mas em seguimento de certa prática que já
vinha da escravidão, inclusive reconhecida como uma "brecha
campesina", os fazendeiros concediam aos colonos o plantio
de cereais entre os pés de café, assegurando assim o
abastecimento das fazendas. Em áreas menos pr6prias ao café,
plantavam batata, milho, tendo também criação e vendendo o
excedente aos domingos, nas feiras das vilas, depois do
culto. A parceria foi marcada pela rápida percepção de
ambas as partes de que os seus interesses eram prejudicados.
Os fazendeiros alegavam, diante dos resultados que não
correspondiam, que entre os colonos vinham vagabundos,
condenados, enfermos, ve-1hos, inválidos, etc. Da parte dos
imigrantes, a falta de garantias e a realidade de sua
redução a escravos estavam entre os motivos mais fortes para
sua revolta.
O
mercado internacional de trabalho permitia recrutamento sem
muito critério de racionalidade e seleção. Dessa maneira,
não se levava em conta hábitos, habilidade profissional,
códigos morais, idade, condições de saúde. Essas ocorrências
eram agravadas por uma legislação falha, executada e
fiscalizada precariamente. Os intérpretes abusavam de ambas
as partes: fazendeiros e colonos.
Em
tese, alegavam seus defensores, o sistema de parceria
oferecia ampla liberdade ao empregado, reduzindo os
conflitos de tradições, costumes e convenções, não
permitindo quistos raciais, vitalizando novas regiões.
Poderia ser, continuavam, nessa linha de argumentos, uma
oportunidade para adaptação à plantagem. O empresário não
passaria de simples rendeiro, repartindo o trabalho de
administração e planejamento, bem como os riscos com o
trabalhador rural. Embora o sistema de salários prefixados
fosse oferecendo mais garantias aos colonos contra as
oscilações do preço do café e de outros riscos, outros
regimes de pagamento foram sendo praticados.
Enquanto os colonos viveram com as suas famílias dentro da
fazenda, comumente um simples ajuste verbal com o fazendeiro
fixava o número de pés de café que competia a cada família
cuidar, havendo aquelas que, por numerosas e/ou capazes,
encarregavam-se de 8 a 10 mi1 pés. O cumprimento da tarefa
que 1hes cabia, no que se incluíam o trato do cafeza1 e a
colheita, determinava o pagamento que recebiam, tendo por
base um ano agrícola, mas sendo feito mensalmente (mesada),
em geral no primeiro sábado de cada mês. O controle contábil
desse pagamento era feito precariamente, em cadernetas.
Nesse processo incluíam-se o crédito dos colonos pela venda
do excedente de sua produção ao fazendeiro, bem como as suas
dívidas para com este. O regime de colonato comporta
geralmente três formas de pagamento:
1)
fixo, por 1000 pés, sendo o colono obrigado a manter limpo e
preparado o terreno para a colheita;
2)
por dia de trabalho, para os serviços de poda, adubação,
reparos no equipamento de produção, etc. e
3)
proporcional ao número de sacas colhidas. O salário assim
recebido é complementado pela lavoura de subsistência
consentida ao colono, dentro das ruas do cafezal ou em
terreno separado, pela criação doméstica, lenha, café para o
consumo, etc. O colonato configura-se como exploração
tipicamente capitalista, na qua1 o fazendeiro é o empresário
que
assume todos os riscos do negócio.
O
sistema de contratos também era objeto de crítica das
partes. Quando os colonos conseguiam liquidar seus débitos
até o fina1 do contrato, deslocavam-se em massa, levando o
fazendeiro a ficar exposto a sérios prejuízos. Eram ainda os
fazendeiros que afirmavam sobre a relutância dos colonos em
pegar a quantidade de cafeeiros que podiam tratar,
destinando mais o tempo para suas lavouras e criações, o que
nos mostra o atrativo que a comercialização da economia de
subsistência passa a ter diante do desenvolvimento do
mercado interno.
Vindos muitas vezes de países frios do Norte da Europa, os
colonos estranhavam os costumes, a alimentação e as formas
de vida. O asseio corporal que o tr6pico exigia parecia
diminuir-1hes a resist8ncia. A sabedoria popular apontava,
por exemplo, a alta incidência de bicho-de-pé à falta de
lavarem os pés todas as noites.
O
imigrante jovem e sadio fazia-se às vezes acompanhar de
velhos e doentes, de quem não queria apartar-se,
responsabilizando-se então pelo seu sustento, mas onerando,
naturalmente, sua produtividade para o fazendeiro.
Os
compromissos que o governo assumia nem sempre eram
cumpridos, ao passo que, originários de regiões
superpovoadas, onde já haviam desenvolvido técnicas agrárias
e de aproveitamento do solo, os colonos viam aqui inoperante
a sua experi8ncia nesse sentido, isto é, davam-se melhor com
terrenos mais cansados, onde podiam usar fertilização e
arado. Terras excessivamente ricas e vegetação exuberante
exigiam uma reciclagem nas suas práticas.
Visto este capítulo de dificuldades, temos que reconhecer
que a imigração possibilitou a continuidade da expansão
cafeeira, após a abolição. Dignificou o trabalho manual,
aviltado pela escravidão. Introduziu certos tipos de
veículos rurais e instrumentos agrícolas europeus, ensinando
novos métodos de utilização dos animais. Revolucionou a
dieta alimentar brasileira: introduziram-se o consumo diário
da manteiga fresca, do leite, etc., e as massas de farinha
de trigo e fubá ingressaram definitivamente em nossa
cozinha.
O
cultivo de hortas, pomares e jardins foi desenvolvido. No
meio urbano os imigrantes influenciaram os costumes e usos,
a indumentária, as atividades lúdicas, a arquitetura, o
lazer. Com a imigração uma série de novas ocupações foram
sendo criadas, além do que a pequena e a média indústria,
origens dos grandes estabelecimentos fabris, foram-se
desenvolvendo, muitas vezes a partir de um modesto atelier.
O constante fluxo imigrat6rio, uma vez incorporado ao
mercado de trabalho, vai formando também um mercado
consumidor, capaz de gerar ocupações e um elenco de
necessidades.
Tanto os interesses do Estado quanto os dos fazendeiros
convergiam para a introdução de famílias, uma vez que era
uma forma de prender o imigrante à terra, não alimentando
esperanças de volta rápida, diante da responsabilidade de
mantê-1os aqui. Permitia também para o fazendeiro um
trabalho suplementar barato, isto é, das mulheres e
crianças.
Não
se tratava de uma concessão do sistema de imigração, com o
sentido de abrir livremente a oportunidade de
enriquecimento, tornando os colonos proprietários e
promovendo a sua ascensão social. O próprio sistema
engendrará novas formas de apropriação do trabalho do
imigrante, mitificando então as oportunidades e elaborando
um discurso ideológico que vendia a riqueza e a felicidade,
desde que trabalhassem mais...
A
grande imigração, particularmente de italianos, foi
fortemente estimulada e subvencionada pelos cofres públicos,
ficando o governo encarregado do pagamento das passagens dos
imigrantes e muitas vezes dos primeiros serviços de
assistência quando de sua chegada.
Em
nosso século a economia cafeeira contará,, no seu primeiro
quartel, com a força de trabalho representada pelos colonos
estrangeiros, e, como já afirmamos, a partir da década de
30, com a redução substancial do afluxo externo, o
recrutamento no mercado do trabalho voltar-se-á para os
descompassos do próprio mercado interno, dando margem a
permanente migração de trabalhadores dos estados do Nordeste
para São Paulo e Paraná, o que, se eliminou alguns
problemas, criou entretanto novas dificuldades.
A
exploração da força de trabalho é feita através de
diferentes formas contratuais de trabalho ou de acerto
verbal. No Paraná, difundiu-se muito o sistema de meias,
incluindo a formação e/ou condução dos cafezais, ficando 50%
da produção para cada uma das partes. Ao meeiro cabe também
a exploração das culturas de subsistência.
Para a lavoura cafeeira particularmente, o problema da
mão-de-obra marca toda a sua história. A mobilização de um
grande efetivo de força de trabalho, bem como as
dificuldades naturais da mecanização, levam a lavoura
tradicional a despender em mão-de-obra 30 a 50% do custo de
produção
A industrialização tardia
A indústria brasileira começou
no setor de bens de consumo produzindo tecidos de algodão,
chapéus, bebidas, produtos químicos: fósforo, cosméticos,
produtos farmacêuticos. No setor de alimentos desenvolveu-se
a indústria de carne, e açúcar e no setor metal- mecânico
produzia-se pregos, parafusos, porcas e latas.
O país importava de tudo: máquinas, ferrovias, artigos de
ferro como cobre, folha de flandres, foices, pregos,
parafusos, tesouras, canivetes; vidros de todos os tipos,
papel, tintas, artigos de alimentação como: salames,
batatas, água mineral, rum, queijos londrinos, manteiga,
mostarda, vinagre, cerveja, ervilhas, biscoitos além de
outros produtos ingleses como: botas, toalhas, meias, lãs,
móveis, pianos, relógios, chapéus, conservas, chá, rapé,
brinquedos, faqueiros, agulhas, alfinetes, cornetas, flautas
e inúmeros outros produtos.
O governo republicano
brasileiro adotou uma política econômica voltada para os
interesses agro-exportadores, principalmente o café, sem
preocupação com o setor industrial, considerado secundário e
desnecessário num país de tradição agrícola.
Essa política econômica do
governo republicano oligárquico estava de acordo com os
interesses do capitalismo internacional. Em São Paulo
desenvolveu-se a grande indústria, "estabelecimentos que
empregam um capital igual ou superior a 1.000 contos", com
capital disponível acumulado pela cafeicultura. Os primeiros
industriais - os "capitães de indústria" - eram grandes
fazendeiros e alguns poucos imigrantes que dispunham de
algum capital e ou conhecimento técnico.
Esses imigrantes começavam
como representantes comerciais de fábricas européias no país
para posteriormente criar seu pequeno negócio montando ou
adaptando componentes para o Brasil. Ao contrário dos países
capitalistas europeus, essa "burguesia industrial" ligada
diretamente ao setor agrícola não defendeu uma política de
industrialização do país, pois, a indústria era considerada
"artificial".
Nos Estados onde a atividade
exportadora não se desenvolveu, como em Minas Gerais, onde
predomina uma economia de subsistência (exceção das zonas da
Mata e do Sul de Minas), o aparecimento de indústrias
ocorreu no setor têxtil, artigo de uso popular e fácil de
obter a matéria prima o algodão.
A 1a Guerra Mundial que deu um
impulso a industrialização brasileira devido a dificuldade
da importação de manufaturados. Após a 1a Guerra Mundial
ocorreu uma maior sofisticação da indústria brasileira com o
funcionamento de fábricas de cimento, papel e celulose,
máquinas agrícolas e ferro.
O Operariado
Os primeiros operários eram
imigrantes italianos, que insatisfeitos com a exploração nas
fazendas de café, transferiam-se para as cidades de São
Paulo e Rio de Janeiro, os principais pólos econômicos do
país. Em 1900, 92% dos trabalhadores da indústria em São
Paulo eram constituídos de italianos, o que ocorria em
outras capitais. Em Minas Gerais onde a imigração não teve a
importância de S.P., recrutavam-se trabalhadores entre
órfãos, crianças abandonadas e indicação de políticos que
ofereciam famílias inteiras para trabalhar nas fábricas do
interior de Minas.
As condições de trabalho nas
fábricas eram duras: jornadas diárias que estendiam-se a 15
horas, salários sempre baixos, ausência de um sistema de
previdência social ou indenização em caso de acidente ou
invalidez. Nas fábricas, trabalhava um grande número de
mulheres e crianças, pois recebiam salários menores, e eram
mais fáceis de controlar. Durante a grande greve de 1917 em
São Paulo entre as reivindicações dos operários estavam: o
fim do trabalho de menores de 14 anos; a proibição de
trabalho noturno para os menores de 18 anos e mulheres.
Os trabalhadores inicialmente
defendiam-se através de organizações operárias
assistencialistas, cujo objetivo era amparar o trabalhador
em caso de doença e morte. A primeira organização operária
de luta foi a corrente anarquista cujo objetivo era a
formação de uma sociedade " sem governo e sem leis,
constituída por federações de trabalhadores que produzam
segundo sua capacidade e consumam segundo sua necessidade;
uma sociedade onde a terra e suas riquezas sejam de todos os
trabalhadores"; enfim uma sociedade sem opressão e miséria.
Os anarquistas defendiam a
organização dos trabalhadores em sindicatos e a "ação
direta" do povo contra a opressão e miséria recorrendo até a
atos de violência contra autoridades do Estado. As greves
constituíram-se em outro instrumento de luta dos operários,
que foram freqüentes mesmo com a repressão policial. O
governo da República Velha considerava as reivindicações
operárias como desordem e portanto, caso de polícia.
Com o advento do comunismo na
Rússia, liderado por Lenin e seu partido bolchevista de
estrutura centralizada e disciplinada, a corrente anarquista
cedeu terreno. Em 1922, fundou-se no Brasil o Partido
Comunista, que procurou unir todos os operários
especializados para dar mais força ao movimento dos
trabalhadores. O Partido, mesmo pequeno, foi duramente
perseguido pelo governo de Arthur Bernardes e lançado poucos
meses depois na ilegalidade.
O movimento operário
conseguiu, mesmo com grande resistência dos empresários,
algumas leis de proteção ao trabalho, principalmente após a
participação do Brasil na Conferência de Paz de 1919, que
pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Nesse encontro das
potências vitoriosas 10 pontos foram considerados
fundamentais: 8 horas por dia, 48 horas por semana;
proibição do trabalho de menores; auxílio a maternidade;
serviço de saúde etc. De todos esses direitos fundamentais,
apenas as 8 horas de trabalho foram aplicados no país
principalmente em São Paulo.
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