A escravidão no Brasil
Introdução:
Ao falarmos em escravidão, é difícil não
pensar nos portugueses, espanhóis e ingleses que
superlotavam os porões de seus navios de negros africanos,
colocando-os a venda de forma desumana e cruel por toda a
região da América.
Sobre este tema, é difícil não nos lembrarmos
dos capitães-de-mato que perseguiam os negros que haviam
fugido no Brasil, dos Palmares, da Guerra de Secessão dos
Estados Unidos, da dedicação e idéias defendidas pelos
abolicionistas, e de muitos outros fatos ligados a este
assunto.
Apesar de todas estas citações, a escravidão
é bem mais antiga do que o tráfico do povo africano. Ela vem
desde os primórdios de nossa historia, quando os povos
vencidos em batalhas eram escravizados por seus
conquistadores. Podemos citar como exemplo os hebreus, que
foram vendidos como escravos desde os começos da História.
Muitas civilizações usaram e dependeram do
trabalho escravo para a execução de tarefas mais pesadas e
rudimentares. Grécia e Roma foram umas delas, estas detinham
um grande numero de escravos; contudo, muitos de seus
escravo eram bem tratados e tiveram a chance de comprar sua
liberdade.
Até o século quinze, os europeus só tinham
contato direto com o litoral Norte da África. Mas, a partir
de mil novecentos e quarenta e cinco, os navegadores
portugueses aprenderam a contornar todo o continente
africano.
Depois os portugueses, os holandeses, os
ingleses, os espanhóis, os franceses e até os dinamarqueses
também enviaram seus navios para a costa africana.
Inicialmente, os negócios europeus adquiriram
marfim, pimenta e ouro. Depois quando teve início a
colonização da América, passaram a ter um grande e terrível
interesse: Obter escravos.
A escravidão não era novidade na África.
Desde o século onze os árabes adquiriram escravos africanos.
Mas os árabes tinham poucos escravos já eram quase livres.
De acordo com alguns historiadores, os europeus retiraram
cerca de dez milhões da África para levá-los a América!
Havia duas maneiras de os comerciantes
europeus obterem escravos africanos. O primeiro era direto:
Desembarcavam soldados que invadiam uma aldeia e capturaram
seus moradores. O segundo modo era indireto. Os povos
africanos faziam guerras uns contra os outros e vendiam os
prisioneiro para os comerciantes europeus. Algumas nações
africanas chegaram a enriquecer atacando outras nações e
vendendo os habitantes aos traficantes de escravos árabes e
europeus.
No Brasil, a escravidão teve início
porque os brancos tentaram obrigar os índios a trabalhar nos
engenhos de açúcar na primeira metade do século dezesseis.
os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias
na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos
engenhos de açúcar do Nordeste. Os comerciantes de escravos
portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias
aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro
daqueles mais fracos ou velhos.
Alem disso, nem a igreja nem a coroa se
opuseram a essa escravização. A escravidão dos negros era
justificada pela sua preexistência na África. O negro era
considerado não civilizado e racional mente inferior. A lei
protegia de certo modo os índios, mas o escravo negro não
tinha direito algum, e era juridicamente considerado como
coisa, e não como pessoa.
Depois de aprisionados em guerras entre
os diversos povos na África, os africanos eram acorrentados
e marcados com ferro em brasa, como forma de identificação.
Então, eram vendidos aos comerciantes europeus, americanos
ou africanos que se estabeleciam no litoral da África e
vinha para a América nos navios negreiros.
Os navios negreiros saiam da África com
seiscentos escravos em média, embora esse numero variasse de
acordo com o tipo e o tamanho das embarcações. Receando as
possíveis revoltas dos africanos durante a viagem, os
traficantes trancavam eles nos porões dos negreiros.
A viagem de Luanda (África) ate Recife
(Brasil) durava geralmente trinta e cinco dias. Até a Bahia,
quarenta dias; até o Rio de Janeiro, cerca de dois meses.
Nos escuros porões dos navios, o espaço era
reduzido e o calor, quase insuportável. Alem disso, a água
era suja e o alimento, insuficiente para todos.
Devido aos maus tratos e as péssimas
condições do transporte, calcula-se que morriam de cinco a
vinte e cinco porcento dos negros durante a viagem, sendo
que os corpos eram lançados ao mar. Por isto, os navios
negreiros eram chamados de “tumbeiros” (palavra referente a
tumba) ou “túmulos flutuantes.
Supõe-se que entre mil quinhentos e cinqüenta
e mil oitocentos e cinqüenta e cinco, cerca de quatro
milhões de africanos foram trazidos para o Brasil.
Os atritos entre colonos e jesuítas, pois os
primeiros desejavam apenas escravizar os índios, enquanto os
segundos pretendiam educá-los e “convencê-los e colaborar”.
A catástrofe demográfica provocada pelo extermínio, e
doenças também influem para que a escravização indígena
ficasse em segundo plano, embora a prática só tenha sido
oficialmente proibida em mil setecentos e cinqüenta e oito.
A partir da década de mil quinhentos e cinqüenta cresceu a
importação de africanos.
As primeiras regiões do brasil a receberem
escravos africanos foram Bahia e Pernambuco, locais onde a
produção de açúcar mais prosperou. Ao longo do século
dezessete, o tráfico de escravos chegou a dar mais lucro
para a metrópole portuguesa do que o próprio negocio de
açúcar.
Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro
(a partir do século dezoito), os escravos eram tratados da
pior forma possível. Trabalhavam muito (de sol à sol),
recebendo apenas trapos de roupa e alimentação de péssima
qualidade. Passavam as noites nas senzalas (galpões escuros,
úmidos e com pouca higiene) acorrentados para evitar fugas.
Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o
açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia.
Eram proibidos de praticar sua religião de
origem africana ou de realizar suas festas e rituais
africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta
pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na
comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não
deixaram a cultura africana se apagar. Escondidos,
realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram
suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma
de luta: a capoeira.
As mulheres negras também sofreram muito com
a escravidão, embora os senhores de engenho utilizassem esta
mão-de-obra, principalmente, para trabalhos domésticos,
cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram
comuns naquele tempo da colônia.
No Século do Ouro (Dezoito) alguns escravos
conseguiram comprar sua liberdade após adquirirem a carta de
alforria. Juntando alguns “trocados” durante toda a vida,
conseguiam tornar-se livres. Porém, as poucas oportunidades
e o preconceito da sociedade acabavam fechando as portas
para estas pessoas.
O negro também reagiu a escravidão, buscando
uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que
grupos de escravos fugiam, formando na floresta os famosos
quilombos. Estes, eram comunidades bem organizadas, onde
imigrantes viviam em liberdade, através de uma organização
comunitária aos moldes do que existia na África. Nos
quilombos, podiam praticar sua cultura, falar sua língua e
exercer seus rituais religiosos. O mais famoso foi o
Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.
A partir da metade do século dezenove a
escravidão no brasil passou a ser contestada pela
Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no
brasil e no mundo, o Parlamento Inglês aprovou a Lei Bill
Aberdeen (mil oitocentos e quarenta e cinco), que proibia o
trafico de escravos, dando o poder os ingleses de abordarem
e aprisionarem navios de países que faziam esta prática.
Em mil oitocentos e quarenta
e cinco, o Brasil cedeu ás pressões inglesas e aprovou a Lei
Eusébio de Queiróz que acabou com o trafico negreiro. Em
vinte oito de setembro de mil oitocentos e setenta e um era
aprovada a Lei do Ventre Livre que dava liberdade aos filhos
de escravos nascidos a partir daquela data. E no ano de mil
oitocentos e oitenta e cinco era promulgada a Lei dos
Sexagenários que garantia que garantia a liberdade aos
escravos com mais de sessenta anos de idade.
Somente no final do século
dezenove é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui
no brasil sua abolição se deu em treze de maio de mil
oitocentos e oitenta e oito com a promulgação da Lei Áurea,
feita pela Princesa Isabel.
Bibliografia
COTRIM, Gilberto. Saber e fazer História,
6ª série. São Paulo: Saraiva, 1999.
SCHMIDT, Mario Furley. Nova História
crítica. São Paulo: Nova Geração, 1999.