- Fernando Collor de Mello
- 1990-1992
Primeiro governo civil brasileiro,
eleito por voto direto desde 1960. Foi também o primeiro escolhido dentro das
regras da Constituição de 1988, com plena liberdade partidária e eleição em dois
turnos. Collor, ex-governador de Alagoas, político jovem e com amplo apoio das
forças conservadoras, derrotou no segundo turno da eleição, Luiz Inácio "Lula"
da Silva, migrante nordestino, ex-metalúrgico e destacado líder da esquerda.
Entre suas promessas da campanha estão a moralização da política e o fim da
inflação. Para as elites, ofereceu a modernização econômica do país consoante a
receita do neoliberalismo. Prometeu a redução do papel do Estado, a eliminação
dos controles burocráticos da política econômica, a abertura da economia e o
apoio às empresas brasileiras para se tornarem mais eficientes e competitivas
perante a concorrência externa.
Plano Collor - No dia
seguinte ao da posse, ocorrida em 15 de março de 1990, o Presidente lançou seu
programa de estabilização, o plano Collor, baseado em um gigantesco e inédito
confisco monetário, congelamento temporário de preços e salários e reformulação
dos índices de correção monetária. Em seguida, tomou medidas duras de
enxugamento da máquina estatal, como a demissão em massa de funcionários
públicos e a extinção de autarquias, fundações e empresas públicas. Ao mesmo
tempo, anunciou providências para abrir a economia nacional à competição
externa, facilitando a entrada de mercadorias e capitais estrangeiros no país.
Os planos de modernização
econômica e de reforma administrativa são bem recebidos, em geral. As elites
políticas e empresariais apoiaram a desregulamentação da economia e a redução da
intervenção estatal no setor.
Corrupção - Mas, já em
1991, as dificuldades encontradas pelo plano de estabilização, que não acabou
com a inflação e aumentou a recessão, começaram a minar o governo. Circulam
suspeitas de envolvimento de ministros e altos funcionários em uma grande rede
de corrupção. Até a primeira-dama, Rosane Collor, dirirgente da LBA, foi acusada
de malversação do dinheiro público e de favorecimento ilícito a seus familiares.
As suspeitas transformaram-se em
denúncias graças a uma intensa campanha da imprensa. Em 25 de abril de 1992,
Pedro Collor, irmão do Presidente, deu uma explosiva entrevista à revista
"Veja". Nela, falou sobre o "esquema PC" de tráfico de influência e de
irregularidades financeiras organizadas pelo empresário Paulo César Farias,
amigo de Collor e caixa de sua campanha eleitoral. A reportagem teve enorme
repercussão e a partir daí surgiram novas revelações sobre irregularidades no
governo. Em 26 de maio, o Congresso nacional instalou uma Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de irregularidades. Logo depois, a
revista "ISTOÉ" publicou uma entrevista de Eriberto França, motorista da
secretária de Collor, Ana Acioli. Ele confirmou que as empresas de PC faziam
depósitos com regularidade nas contas fantasmas movimentadas pela secretária.
Essas informações atingiram diretamente o Presidente.
Impeachment - Surgiram
manifestações populares em todo o país. Os estudantes organizaram diversas
passeatas pedindo o Impeachment do Presidente. Depois de um penoso processo de
apuração e confirmação das acusações e da mobilização de amplos setores da
sociedade por todo o país, o Congresso Nacional, pressionado pela população,
votou o impeachment (impedimento) presidencial. Primeiramente, o processo foi
apreciado na Câmara dos deputados, em 29 de setembro de 1992, e, depois, no
Senado Federal, em 29 de dezembro de 1992. O Parlamento decidiu afastar Collor
do cargo de Presidente da República e seus direitos políticos são cassados por
oito anos. Foi também denunciado pela Procuradoria-Geral da República pelos
crimes de formação de quadrilha e de corrupção.