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O
FUTURO PERTENCE À JOVEM GUARDA

A TV
Record levou a termo o projeto de criar um programa capaz de
derrotar o Festival da Juventude, o líder de
audiência da Excelsior desde 1964.
Às 16:30
do domingo 22, de 1965, foi ao ar o primeiro programa
Jovem Guarda, ao vivo, do auditório da Record, na rua da
Consolação.
A imprensa noticiou assim:
Vai ao ar
o primeiro programa Jovem Guarda. Roberto Carlos arrumava
seu microfone, e seus dedos exibiam anéis de ouro e jade.
Após uma dose de San Raphael, diz algumas gírias, curva o
tronco até a altura dos joelhos. O medalhão de ouro salta da
camisa. Ele estica o braço e anuncia - "O Meu Amigo Erasmo
Carlos!" Tinha início O Maior Show da Música Juvenil. Assim
foi classificada a estréia do Jovem Guarda, sob o comando de
Roberto Carlos. Das 16:30 até as 17:30, o público que
superlotou o Teatro ficou aplaudindo, assobiando e cantando
e berrando. Mas quem arrancou maior vibração da platéia
foram Os Incríveis, que "mandaram brasa". Participaram do
programa de estréia Tony Campello, Wanderléa, Rosemary,
Ronnie Cord, The Jet Blacks, Erasmo Carlos e Prini Lorez.O
público que assistia não passava dos 20 anos.
Roberto Carlos foge para não
ficar nu!
Esta foi a manchete que
resumiu como foi a estréia de Roberto e seu programa Jovem
Guarda, na Record de São Paulo. Ele ficou todo arranhado,
quando fugiu em um Volkswagem verde, enquanto mais de trinta
meninas entre 12 e 16 anos, todas usando calças ou saias Lee
e o competente cinturão de vaqueiro americano, ficaram
gritando na porta do Teatro Record e brigando pelo que
restou da camisa vermelha do cantor.
Na
quinta-feira, dia 22 de agosto de 2002, será o aniversário
dos 37 anos deste que foi o maior programa jovem da TV
brasileira de todos os tempos . Muitas comemorações irão
acontecer por todos os cantos do país, fazendo justiça à
estes "jovens" que ainda embalam as nossas eternas Tardes
de Domingo.
De nossa
parte, estaremos trazendo muitas novidades aqui no site
do livro No Embalo da Jovem Guarda, em conjunto com
uma série de surpresas que iremos promover. Aguardem,
visitando sempre o site, em busca de notícias.
Na
Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, o garoto Erasmo
Esteves cresceu cercado por elementos que tornariam sua
identidade musical singular. Já adolescente, fez destacar
sua personalidade no meio de um bando de fãs de rock´n´roll
e bossa nova que se reunia no hoje famoso Bar Divino, na Rua
do Matoso. Tim Maia e Jorge Ben, ambos maníacos por música,
faziam parte dessa turma. Logo depois, conheceu o capixaba
aspirante a cantor Roberto Carlos, quando concerto de Bill
Haley no ginásio do Maracanãzinho. Aquela visão do herói do
rock americano em solo brasileiro abriu a mente de Erasmo:
de volta ao bairro, formou os Snakes com os dissidentes de
outro grupo local, os Sputniks - que encerraram atividades
após lendária briga entre dois de seus integrantes, Roberto
Carlos e Tim Maia.
O grupo
vocal de Erasmo estrelou algumas aventuras no underground do
mercado musical, até ser contratado pela gravadora
pernambucana Mocambo como "concorrentes" dos Golden Boys. Na
Mocambo, os Snakes gravaram um bolachão de 78 RPM e também
um compacto duplo em 1960, antes de chegarem, por fim, a um
único LP, Só Twist, pela CBS, em 1961. Como nem nesta
oportunidade o grupo alcançou o sucesso, seu final foi
decretado.
Sem seu
conjunto e sem a perspectiva de gravação como artista solo,
Erasmo foi arranjar trabalho como assistente do apresentador
e produtor Carlos Imperial - por intermédio de quem viria a
tornar-se crooner do grupo Renato & Seus Blue Caps, em 1962.
Com Erasmo dividindo os vocais com o baixista Paulo César,
Renato & Seus Blue Caps publicaram seu primeiro LP para a
Copacabana. Curiosamente, não muito depois, os Blue Caps
acompanhariam o próprio Roberto Carlos na gravação de "Splish
Splash", numa versão para o português feita por Erasmo. O
sucesso do disco garantiu não só a contratação de Renato &
Seus Blue Caps pela CBS, como também o nascimento da
lendária parceria entre Roberto e Erasmo.
Ao
mesmo tempo, Erasmo - já com o nome artístico Erasmo Carlos
- tornou-se versionista para diversos artistas. Isso, somado
ao sucesso de suas parcerias com Roberto, o levou no final
de 1964 até a gravadora RGE (mais direcionada à MPB e ao
samba), para ser o nome do selo no já disputado mercado do
iê-iê-iê. O pop-rock brasileiro, que começara com o
rock´n´roll dos anos 50 e havia passado pelo twist do início
dos anos 60, chegava ao iê-iê-iê naquele 1964 como um
reflexo comportamental local à beatlemania. A Jovem Guarda
agrupou as influências do pop britânico e ganhou
popularidade definitiva a partir de setembro de 1965 -
quando a TV Record estreou o programa Jovem Guarda.
Apresentado por Roberto, Erasmo e Wanderléa em São Paulo por
três anos seguidos, o programa deu visibilidade para que
Erasmo e Roberto se tornassem os principais nomes e também
compositores da Jovem Guarda, com talento de sobra para
garantir material de qualidade até para os colegas.
Em
pouco mais de cinco anos na RGE, que se estenderam até o
final dos anos 60, Erasmo gravou discos com acompanhamento
dos amigos Renato e seus Blue Caps, os Fevers, The Jet
Black´s e The Jordans, além do Som Três de César Camargo
Mariano. Com o fim do programa (e do movimento) Jovem
Guarda, Erasmo mergulhou ainda mais na bossa e na MPB que
vinha tangenciando ao longo dos anos. Ele, que havia
composto para festivais e até gravado "Aquarela do Brasil"
em 1969 -, voltou a morar no Rio de Janeiro e foi contratado
pela PolyGram.
Naquele
início dos anos 70, a gravadora formou um elenco invejável
de MPBistas e lá Erasmo deixaria gravados discos que bem
mesclaram suas raízes roqueiras com as tendências da MPB.
Influenciado pelo movimento tropicalista e pela música negra
americana, cravou seqüência antológica de discos durante
toda a década de 70, como Carlos, Erasmo... (1971),
Sonhos & Memórias 1941-1972 (1972) ou Pelas
Esquinas de Ipanema (1978). Tal fase desembocaria, já no
início dos anos 80, em período de grande sucesso comercial,
com os discos Erasmo Carlos Convida... (1980),
Mulher (Sexo Frágil) (1981) e Amar Pra Viver ou
Morrer de Amor (1982).
Após
trabalhar mais esporadicamente durante a década de 90
(quando regravou antigos sucessos, participou de homenagens
à Jovem Guarda e de discos-tributos vários), Erasmo adentrou
o terceiro milênio contratado pela Abril Music. Em 2001,
completou 60 anos e lançou seu 22o disco, Pra Falar de
Amor. "O melhor amigo do Rei recupera, enfim, o lugar a
que faz jus", saudou a revista Época; "Erasmo ainda é
demais para nossos pobres corações", deliciou-se a Folha
de S. Paulo. O show desse álbum está sendo lançado agora
em cd e dvd: Erasmo Ao Vivo, que, além de registrar
um momento histórico de um mito da música brasileira, ajuda
a compor um painel de sua vasta obra.
Silvinha
Araújo
Se
Silvinha Araújo tivesse optado pelo repertório do
rock´n´roll certamente sua voz de potência rascante, nos
lembraria que havia no Brasil uma cantora como Janis Joplin.
Mesmo não tendo escolhido esse caminho, a personalidade da
extensão vocal cristalina e versátil de Silvinha Araújo já
nos é familiar desde os saudosos tempos da Jovem Guarda. E,
há 35 anos o mesmo timbre inconfundível tem registro
garantido na galeria das grandes cantoras brasileiras. As
vozes do Brasil são muitas e as femininas, especialmente,
brilham com uma intensidade tão peculiar quanto à própria
história de vida de suas protagonistas. Para Silvinha, o
casamento e os filhos a tiraram do rumo comum de carreiras
semelhantes. Não importa. O fato de ouvir sua afinação
impecável em jingles de comerciais que alcançaram amplo
sucesso popular, já nos dá a grandeza e generosidade com que
essa cantora brasileira encara seu ofício. Suas incursões
pelo mundo do disco, embora econômicas -- e talvez por isso
mesmo -- soam como momentos de prazer, na intensidade de
quem abre o coração para sentir e interpretar sons e versos.
Uma mulher que canta desde os 15 anos e usou seus recursos
pelos vários gêneros pelos quais nossa música viajou por
todo esse tempo. Essa é a Silvinha Araújo que volta à cena
com todo o vigor de sua experiência e talento.
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"
O Movimento Jovem Guarda, que trouxe para o lares
brasileiros, via televisão que também estava
aparecendo na época a música de Roberto Carlos,
Erasmo Carlos, Wanderléia, Jerry Adriani,
Wanderley Cardoso, Martinha, entre tantos outros,
está completando 36 anos de idade.
Munidos de muito rock and roll, roupas coloridas em
tom de vermelho, azul, verde e abóbora, gírias e
muito bom humor, essa turma deflagou guerra à
caretice vigente da época, provocando comentários os
mais diveresos. Passado esse um quarto de século,
bate a saudade de um momento onde tudo era uma
brasa, mora?
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E as pessoas eram bem
mais simples, acreditando que se houvesse alguém
para aquecê-las no Inverno, o resto podia ir para o
inferno.
Em 1964, enquanto de um lado o Exército e as Forças
Armadas desencadeavam o processo que deu na
Revolução, Roberto Carlos deixava seu Cadillac no
mecânico e, ao lado de mil garotas, um incrementado
Calhambeque, mais a "Ternurinha" - "Wanderléia", e o
"Tremendão" Erasmo Carlos, armava uma festa de
arromba.
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Era a Jovem Guarda que chegava,
inspirada principalmente na euforia causada pelos
Beatles e seus "yeah, yeah, yeah", que
transformaram-se rapidamente em "iê-iê-iê, com
guitarras elétricas mandando pra bem longe o
banquinho e o violão da música característica de
então.
Roberto atirava sua granada invisível, provavelmente
contra a caretice da época, nos representantes da
resistência ao movimento de 64, seja na bossa-nova,
nos shows do teatro Opinião ne nos festivais da TV
Record, que brigavam contra.
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Conheça
algumas frases memoráveis da Época da Jovem Guarda
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Era a Jovem Guarda que chegava,
inspirada principalmente na euforia causada pelos
Beatles e seus "yeah, yeah, yeah", que
transformaram-se rapidamente em "iê-iê-iê, com
guitarras elétricas mandando pra bem longe o
banquinho e o violão da música característica de
então.
Roberto atirava sua granada invisível, provavelmente
contra a caretice da época, nos representantes da
resistência ao movimento de 64, seja na bossa-nova,
nos shows do teatro Opinião ne nos festivais da TV
Record, que brigavam contra.
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"Ternurinha"
Menininhas com pernas de pantera
e carinha de bebê Jhonson maquiado
"Caranga"
Carro grande
"Pão"
Garotão bonito
"Bokomoko"
Babaca, brega
"-Uma uva!"
Coisinha bonitinha |
"É
uma brasa mora!"
Um
tremendo agito!
"Broto legal"
Garota gente fina
"Pode vir quente que eu estou
fervendo"
Para os enfezados e bem dotados, algo como - "eu sou
mais eu".
Frases extraídas da Revista Contigo
n.745 Jan/90 |
O estrangeirismo, do rock.
Os jovem-guardistas não ligavam muito para o
papo de estética nacionalista: cabelos longos, calças
justas, minissaias, sedução e rebeldia marcaram essa fase
onde o que valia era o ritmo frenético e que tudo mais
fosse para o inferno."
A Tarde Lazer & Informação 03/12/89
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