Alemanha
Da divisão à reunificação.
Do ano zero às duas Alemanhas – 1945 – 1949.
Os alemães precisaram de quatro anos para sair do pesadelo em
que a derrota nazista os mergulhara. Vencidos, ocupados por
potências estrangeiras, divididos, exauridos, condenados pela
Historia e pelos sobreviventes do genocídio, seu destino
dependia da vontade dos Aliados. As divergências que minaram a
aliança antinazista e desembocaram na guerra fira contituiram
excelente oportunidade para os alemães, tanto no Oeste quanto
no Leste, reivindicassem o direito a um papel ativo no novo
jogo internacional.
O ano zero.
Nos dias 7 e 8 de maio de 1945, quando os chefes de Estado
Maior aliados e alemães, assinaram o documento de capitulação,
o regime nazista, já desmoronara. Adolfo Hitler, com a
ocupação de Berlim pelos soviéticos suicidou-se em 30 de
Abril.
As grandes cidades industriais estavam destruídas, os portos
impraticáveis e as grandes fabricas, fora de operação. A
população estava aterrorizada, milhões de homens longe de
casa, mulheres e crianças fugiam do avanço soviético. As
perdas humanas chegaram a 8% da população. Os lideres nazistas
desapareciam na enorme massa de prisioneiros de guerra ou
tentavam fugir, através da Espanha e Portugal, para a América
do Sul. Por esse motivo 1945 é o ano Zero, quando começaram a
reconstruir dos escombros a vida nacional.
Quatro zonas de ocupação.
A capitulação incondicional de 1945 implicou o desarmamento e
a dissolução de todas as Forças Armadas, a SS e a policia. Nas
conferencias de Teerã 1943, e de Ialta 1945, ficou
estabelecido por EUA, URSS, Reino Unido, a divisão alemã, para
enfraquece-la territorialmente, ocupa-la, impor-lhe
indenizações de guerra e impedi-la de voltar a ser uma
potência econômica.
Na conferencia de Potsdam, julho e agosto de 1945, Truman,
Churchill e Stalin decidiram tirar da Alemanha os territórios
a leste dos rios Oder e Neisse, anexados por URSS e Polônia. A
superfície alemã, ficou ¼ do que era em 1937.
As três grandes potências determinaram que a autoridade
suprema seria exercida em três, depois quatro zonas de
ocupação – A França seria admitida na partilha graças aos
esforços do general De Gaulle-. Berlim também seria divida em
quatro setores de ocupação.
Modos divergentes de ocupação
Os aliados em sua zona de ocupação se lançaram a tarefa de
restabelecer a democracia.
Em sua área, os soviéticos criaram o Bloco de Partidos
Antifascistas. Este foi colocados sob a direção dos comunistas
alemães , que estavam refugiados na URSS e retornaram a
Alemanha com o exercito vermelho.
A criação da Bizone.
No decorre de 1946, as autoridades políticas alemãs nomeadas
pelos Aliados ocidentais deram lugar a governantes eleitos. Na
realidade, os EUA esforçavam-se por fazer com que os alemães
aceitassem a divisão do país. As zonas americanas e britânicas
fundiram-se numa nova entidade, a Bizone. Esse território
voltou a ter administração alemã, liderados por Konrad
Adeanuer. Começavam os preparativos para a convocação de uma
Assembléia Constituinte.
Para impedir a adoção dessas medidas que resultariam no
surgimento de um Estado alemão separado, a partir de 23 e 24
de junho de 1948 os soviéticos organizaram um bloqueio da
antiga capital. Os acessos rodoviários e ferroviários foram
fechados ate maio de 1949. Para suprir a cidade de alimentos e
outros artigos básicos, os americanos e britânicos montaram
uma ponte aérea de quase duzentos mil vôos.
Começa a nascer a Alemanha Ocidental – RFA.
A questão das indenizações de guerra também constituía um
ponto de discórdia entre ocidentais e soviéticos. Os
soviéticos alem de praticarem a política de terra arrasada em
seu setor, exigiam ser indenizados com os equipamentos das
industrias situadas nas regiões mais ricas da Alemanha.
Americanos e britânicos perceberam que este desmantelamento
transformariam as zonas de ocupação em desertos industriais e
os obrigariam a gastar enormes quantias para sustentar o país.
Dessa forma se declaram prontos devolver responsabilidades
econômicas aos alemães, para que estes assumissem seu próprio
destino. Apesar de algumas reservas e apreensão foi permitida
o estabelecimento de uma economia social de mercado alemã, e a
criação de uma zona econômica com uma nova moeda, o marco
alemão –Deutschmark. Essa reforma monetária de 1948
pode ser considerada a etapa mais importante para a criação de
um e depois de dois Estados alemães. De fato, com ela o
Ocidente confirmou a divisão da nação alemã. Nesse contexto de
guerra fria, só restou aos soviéticos responder com medidas
que tiveram por conseqüência a criação do segundo Estado
alemão.
Surge a Alemanha Oriental - RDA.
Desde cedo os soviéticos encorajaram a formação de um bloco
antifascista na Alemanha Oriental. Três anos mais tarde o
bloco transformou-se na Frente Nacional que constitui-se na
espinha dorsal do novo Estado, criado a 7 de outubro de 1949.
Constituía-se também de organiçoes de massa, sobretudo a
federação sindical, o movimento feminino e o juvenil. A frente
desenvolveu um programa antifascista e democrático, comandado
por Walter Ulbricht, que voltou a Alemanha (zona soviética) em
1945. Tal estratégia subordinava inteiramente aos desejos e
necessidades do ocupante soviético. Porem, para responder ao
Plano Marshall e a garantia de um poder sem contestação sobre
as nova nações socialistas , já que o dirigente iugoslavo Tito
traçava uma política interna e externa independente de Moscou,
o partido comunista adotou a ideologia marxista-lenista
endurecendo seu controle sobre as nações sob seu domínio.
Duas Alemanha em busca de reconhecimento 1949-1972
Uma vez constituídas, as duas Alemanhas se engajaram por
completo na área de influencia de seus respectivos protetores.
A guerra fria eliminou rapidamente qualquer esperança de
reunificação alemã. Em 1961, a construção de um muro que
isolava Berlim Oriental pareceu selar a divisão definitiva da
Alemanha em dois Estados distintos. A RDA E A RFA tentaram ser
reconhecidas pela comunidade internacional, também
profundamente dividida.
RFA-RDA: historia de uma separação – 1949-1955.
Tanto no leste quanto no oeste, nenhum político alemão admitiu
que a divisão de seu povo fosse permanente. A Alemanha
Ocidental afirmava representar todo o povo alemão e decidiu
atribuir-se o privilegio de representar a continuidade de
Estado alemão. Na disputa áspera e sem concessões que opôs a
RFA e a RDA, foi a Alemanha Ocidental a que obteve mais
depressa os resultados visíveis.
A opção ocidental e européia de Adenauer.
Entre 1951 e 1955, o chanceler Adenauer ocupando também a
função de ministro do Exterior objetivou sua política externa
em fazer da novíssima RFA uma potência de âmbito
internacional. Assim, adotou uma política de alinhamento com
as condições impostas pelos aliados e não uma política de
oposição buscando o alinhamento com a política dos Estados
Unidos ou o estabelecimento de um eixo franco-alemao, em torno
do qual se inscreveria a unidade européia em 1958-1963.
A RFA aprovava as grandes decisões ocidentais, mas para ela
era ponto de honra que essas decisões levassem em conta um
ponto de vista simultaneamente alemão e europeu. Isso
constituía uma oportunidade de afirmar sua soberania e ser
considerada uma entidade política igual a seus parceiros.
Dessa forma foi aceita em 1954 na OTAN.
O Leste limita-se a reagir.
No Leste, a situação se apresentava de maneira totalmente
diversa. Os dirigentes comunistas alemães não tentaram obter
autonomia em relação aos soviéticos. Alem disso, todas as
medidas que provocaram a mudança do estatuto jurídico da zona
de ocupação soviética foram apenas respostas a decisões
ocidentais: a RDA foi fundada alguns meses depois da RFA, a
Alemanha Oriental se integrou na aliança militar do Pacto de
Varsóvia após a adesão da Alemanha Ocidental a OTAN. Essas
decisões sempre se fizeram acompanhar de declarações que
denunciavam a política revanchista dos alemaes-ocidentais.
Às medidas políticas se juntavam aquelas destinadas a dar
credibilidade à idéia de que a Alemanha Oriental, pacifica por
natureza, era forçada a se transformar numa fortaleza para
proteger-se do expansionismo das forças capitalista que a
assediavam. Assim em 1952, uma zona proibida de cinco
quilômetros de largura ao longo de toda a fronteira do oeste
foi criada.
A Alemanha Ocidental alcança a soberania.
Diante de uma garantia , a da integração da RFA na Comunidade
Européia de Defesa (CED) que deveria agrupar também a França,
Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo, a Alemanha Ocidental
consegue sua soberania. Os únicos limites impostos eram a
permanência de tropas estrangeiras no país, a continuação da
divisão de Berlim em quatro zonas e a impossibilidade de
concluir tratado de paz. Essa medida, considerada unilateral
pelas autoridades soviéticas, fez com que a Alemanha Oriental
imediatamente fechasse as fronteiras entre as duas zonas.
Contrariando os objetivos soviéticos, que queriam uma Alemanha
desmilitarizada e neutralizada no centro da Europa, Adenauer
consegue o rearmamento da Alemanha Ocidental integrando seu
exercito na OTAN, em outubro de 1954. Acabava também o regime
de ocupação, e os altos comissários foram substituídos por
embaixadores. Os ocupantes de antes se transformaram em
aliados que defenderiam a Alemanha Ocidental do perigo
comunista.
Conseguido a soberania a RFA inicia um crescimento econômico
ininterrupto, o Milagre Alemão. Esse se deu devido ao modelo
econômico, onde existia total liberdade aos agentes econômicos
na condução de seus negócios, a ajuda financeira do plano
Marshall e a moderna legislação trabalhista sindical
introduzida no país. Isso permitiu uma taxa de crescimento
superior a 10% durante 10 anos.
A soberania Ampliada da RDA.
Os soviéticos, por sua vez, concederam `soberania ampliada`
aos alemães orientais, em marco de 1954. Um ano depois, em
maio de 1955, a RDA se tornou membro pleno do Pacto de
Varsóvia.
No entanto, para não ser considerada apenas uma das duas
Alemanhas, a RFA pos então em pratica a chamada doutrina
Hasllstein: todo reconhecimento diplomático da RDA por um
Estado soberano implicaria a ruptura de relações diplomáticas
com a RFA. A Alemanha Ocidental reinvidiacava o direito de
representar unilateralmente a Alemanha. A doutrina seria
aplica duas vezes: em 1957 contra a Iugoslávia e em 1963
contra Cuba.
Economicamente , o objetivo era levar a zona oriental a adotar
os princípios de coletivizado que vigoravam na União
Soviética: a intervenção do estado na economia mediante a
planificação e a transformação do conceito propriedade e uma
política de coletivizaçao dos diferentes ramos econômicos.
Ideologicamente, houve a imposição de uma identidade comum a
população, que ao sair da guerra ainda não havia aderido aos
ideais comunistas. Baseado no marxismo-leninismo, essa
ideologia era veiculadas em todas as atividades sociais
–escolas, universidades, clubes esportivos e associações
culturais.
Dada a natureza do regime, em que a ideologia desempenhava um
papel fundamental, resistências fizeram-se sentir nos meios
políticos, científicos e culturais. Assumiram a forma de fuga
constante de operários e outros profissionais – técnicos,
administradores, médicos, professores – para a Alemanha
Ocidental. O fechamento das fronteiras em 1961-62 com a
construção do muro de Berlim, salvou o regime de um
desmoronamento quase inevitável. Sem qualquer esperança de uma
reunificação rápida, os alemães orientais aderiram a idéia de
se tornaremos trabalhadores mais eficientes do mundo
socialista, objetivo que alcançaram com relativa rapidez.
A caminho do reconhecimento mutuo.
Ao longo de toda a sua historia, a Alemanha freqüentemente se
voltou mais para o lestes do que para o oeste. Dessa forma a
RFA rapidamente desenvolveu uma política independente para o
leste conhecida como Ostpolitik. Ela resultou no
estabelecimento de relações comerciais com diversos países do
leste: Polônia, Romênia, Hungria em 1963 e Bulgária em 1964.
Pouco a pouco, a doutrina Hallstein foi sendo abandonada, e a
Alemanha Ocidental estabeleceu relações diplomáticas oficiais
com a Romênia em 1965, Iugoslávia em 1966 e Tchecoslováquia em
1967. Por fim, em 1973 rejeitaram definitivamente o passado
hitlerista, reconhecendo de modo oficial a nulidade dos
acordos de Munique de 1938, que haviam levado a destruição do
Estado tchecoslovaco.
Em 1970, uma troca de visitas de chefes de governo de RFA e da
RDA simbolizou a aproximação entre os dois países. Em dezembro
de 1972, com a assinatura de um tratado entre as duas
Alemanhas, chegou-se ao fim de 23 anos de hostilidades. Os
dois países garantiam imutabilidade de suas fronteiras e
reconheciam a independência de ambos os Estados. Cada uma se
comprometia a instalar no vizinho uma representação
permanente. Assim os dois Estados alemães foram
conjuntamente admitidos na ONU em 1973.
A partir de meados da década de 80, grandes empréstimos
oriundos de bancos alemães ocidentais e numerosos acordos
comerciais fizeram da Alemanha Oriental um membro associado –
embora oculto – da comunidade econômica européia. Entretanto,
o apoio econômico alemao-ocidental não foi acompanhado de um
controle orçamentário, que deveria ter limitado os gastos dos
setores improdutivos da Alemanha Oriental. Tal qual em todos
os países do bloco socialista o aparelho produtivo não foi
modernizado, e a passagem para a Era da automação industrial
se fez de forma bastante inadequada. Era uma situação ainda
mais embaraçosa porque, anos após ano, a Alemanha Oriental
afirmava-se ser o país mais avançado do Leste europeu no que
referia a industrialização e ao domínio da tecnologia moderna.
O ano 1 da nova Alemanha.
Em 1989, alguns meses de manifestações populares conseguiram o
que quarenta anos de intermináveis negociações internacionais
não tinha alcançado: a reunificação da Alemanha.
Enquanto na União Soviética e nos outro países comunista a
abertura política e as reformas da perestroika
avançavam, na Alemanha Oriental o governo criticava
violentamente essa abertura. Mais uma vez, foi abandonando o
país que os alemães – orientais mostraram seu repudio ao
socialismo.
O desmoronamento de um regime.
No fim de 1988, os ventos de liberdade e democracia já haviam
abalado os regimes comunistas da Polônia e da Tchecoslovaquia.
Em eleições livres e limpas os partidos comunistas foram
varridos desses países. Essa abertura política foi muito mal
recebida pelos dirigentes da RDA que não estavam dispostos a
aceita-la na Alemanha Oriental. Mas a grande maioria da
população não pensava assim e fugiram do país quando em agosto
de 1989, a Hungria abriu suas fronteiras com a Áustria. Uma
onda de emigração apanhou o governo de surpresa: enormes filas
de carros atravessaram a Tchecoslovaquia, a Hungria e depois a
Áustria, para chegara a Alemanha Ocidental.
A revolução pacifica
A partir de setembro, quando o grosso dessa evasão já acabara,
os habitantes da Alemanha Oriental se mobilizam em grandes
manifestações, exigindo que a RDA seguisse o exemplo dos outro
países da Europa oriental e concedesse liberdade e democracia
com o lema `O povo somos nós. As tentativas de conter as
manifestações por meio de repressões violentas e intimidações
fracassaram e Honecker, no poder desde 1971 é destituido.
Cai o muro de Berlim.
A 9 de novembro de 1989, convencidos de que não havia outra
saída o Partido Comunista ordenou que se abrisse a fronteira
berlinense e se derrubassem o muro. Na euforia do momento, em
tres dias cerca de 3 milhões de alemães orientais foram a
Berlim Ocidental. Como presente de boas vindas, o governo da
Alemanha Ocidental ofereceu a cada visitante dezenas de
marcos. Dali a menos de um ano, viria a reunificação.
O Partido Comunista ainda tentou dominar a situação
organizando eleições livres. Elas foram marcadas para a
segunda metade de março e teriam a participação dos dois
grandes partidos da Alemanha Ocidental.
Porém para evitar que a RDA reformada sobrevivesse e que uma
confederação de dois Estados alemães se concretizassem, Helmut
Kohl, chanceler da RFA, acelerou o processo de reunificação.
Se declarou a favor da rápida abertura de negociações entre as
duas Alemanhas, da unificação monetária, qualificando como
dramática a situação econômica da Alemanha Oriental propondo
que o Deustschmark se tornasse a moeda comum de
reunificação. Mas, se recusou a conceder ajuda econômica se
nas eleições de março, a RDA voltasse a ser governada por
comunistas. Porem, estas deram vitoria arrasadora aos
democratas cristãos em todas as regiões da RDA.
Novamente um só país.
Com a união monetária e econômica entre as duas Alemanhas e a
entrada da antiga RDA na OTAN – por meio da incorporação do
país `a Alemanha Ocidental a União Soviética cedeu aos apelos
da Alemanha Ocidental aceitando retirar suas tropas da antiga
Alemanha Oriental, após 45 anos de ocupação. Ficou acertado
que as forcas militares soviéticas se retirariam dali ate
1994. Os custos dessa retirada seriam bancados pela Alemanha
Ocidental.
Em setembro de 1990, em Moscou, a Alemanha Ocidental assinou
com os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a
França um tratado que punha fim à tutela dessa potências sobre
a Alemanha, a qual voltava a ser plenamente soberana.
A reunificação entrou em vigor a 3 de outubro de 1990, com a
transformação da antiga RDA em cinco Lânder
da Alemanha Ocidental.
Emancipada, a Alemanha, antes uma gigante econômica e anão
político, passou a se afirmar não apenas como a terceira
potência econômica mundial, mas também como a mais rica e
populosa nação da nova União Européia, formada a partir do
Tratado de Maastricht, que entrou em vigor em novembro de
1993.