Apartheid
O
Apartheid foi um dos regimes de discriminação mais cruéis no mundo. Ele
aconteceu na África do Sul de 1948 até 1990 e durante todo esse tempo esteve
ligado à política do país. A antiga Constituição sul - africana incluía
artigos onde era clara a discriminação racial entre os cidadãos, mesmo os
negros sendo a maioria na população.
Em
1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança,
os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a
região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os
descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século
XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de
segregação racial, o apartheid, ganhou força e foi oficializado em 1948,
quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder.
O
Apartheid, atingia a habitação, o emprego, a educação e os serviços públicos,
pois os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham direito de
participação na política e eram obrigados a viver em zonas residenciais
separadas das zonas dos brancos. Os casamentos e relações sexuais entre
pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os negros geralmente trabalhavam nas
minas, comandados por capatazes brancos e viviam em guetos miseráveis e
superpovoados.
Para
lutar contra essas injustiças, os negros acionaram o Congresso Nacional
Africano, uma organização negra clandestina, que tinha como líder Nelson
Mandela. Após o massacre de Sharpeville, o Congresso Nacional Africano optou
pela luta armada contra o governo branco, o que fez com que Nelson Mandela fosse
preso em 1962 e condenado à prisão perpétua. A partir daí, o apartheid
tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios
tribais chamados Bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos e
ficavam amontoados nessas regiões.
Com
o fim do império português na África em 1975, lentamente começaram os avanços
para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a Organização das Nações
Unidas (ONU) faziam pressão pelo fim da segregação racial. Em 1991, o então
presidente Frederick de Klerk condenou oficialmente o apartheid e libertou líderes
políticos, entre eles Nelson Mandela.
A
partir daí, outras conquistas foram obtidas, o Congresso Nacional Africano foi
legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz em 1993, uma
nova Constituição não - racial passou a vigorar, os negros adquiriram direito
ao voto e em 1994 foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África
do Sul e Nelson Mandela se tornou presidente da África do Sul.