Colonização
A
expansão colonial iniciada pelos países europeus no século XV constitui um
dos capítulos mais importantes da história moderna. Se, por um lado, seus
defensores vêem nela uma incontestável ação civilizadora, é certo que, por
outro, ela acarretou a desaparição de importantes culturas e a sujeição de
numerosos povos às necessidades e interesses coloniais.
Chama-se
colonização o processo de ocupação de uma região do globo - em geral
habitada por povos não integrados à civilização cristã e ocidental - por
populações provenientes de países mais poderosos, com objetivos políticos e
econômicos.
O
vocábulo colonização engloba também o conceito de migração. O afluxo de
gente para uma região pode dar-se de maneira espontânea, sem que por ele se
interessem os governos ou organizações especializadas de capital privado
(companhias de colonização). Nesse caso, é preferível referir-se ao
fenômeno sob a designação de povoamento. Quando o governo de um país não
interfere na administração de colônias de imigrantes, mas baixa leis que
regulam a entrada desses trabalhadores e a distribuição de terras e faz
cumprir essa legislação, já não é correto falar em povoamento espontâneo:
trata-se de imigração livre e colonização livre.
Embora
o governo, em tais casos, faça substanciais investimentos para o controle
sanitário e policial dos imigrantes e efetue despesas com a demarcação de
terras, diz-se que a colonização é gratuita. O melhor exemplo de imigração
e colonização gratuitas se encontra nos Estados Unidos. A política oposta é
a da imigração e colonização dirigidas e, por conseguinte, subvencionadas.
Quando isso ocorre, o governo do país interessado financia a propaganda no
país de emigração, a seleção dos emigrantes, a viagem das famílias dos
futuros colonos e sua hospedagem nos portos de chegada. Os melhores exemplos de
colonização dirigida se encontram no Brasil e na Austrália.
Causas
de deslocamentos populacionais. Os deslocamentos demográficos apresentam, em
geral, causas sociais: são, quase sempre, resultado de guerras ou crises
econômicas. As regiões que recebem imigrantes têm, por sua vez, um poder
maior ou menor de atração, seja pela abertura de frentes pioneiras (Estados
Unidos, Canadá, São Paulo), seja por um surto industrial (Alemanha), seja,
enfim por uma política desenvolvida pelo governo para ocupar efetivamente uma
região (caso do planalto central do Brasil).
São,
mais especificamente, causas de deslocamentos populacionais: (1) alta densidade
demográfica, que acaba por exigir a ampliação do espaço ocupado e ocasiona a
expansão territorial; (2) necessidade de obter produtos alimentares e
matérias-primas para a indústria; (3) necessidade de criar mercados para os
produtos da indústria e áreas onde seja possível investir, com o máximo de
garantia, os capitais acumulados pelo desenvolvimento econômico-financeiro; (4)
possibilidade de instalação de bases militares navais ou aéreas, decorrente
da posse do território colonizado.
Classificação
morfológica. No início do século XX, o geógrafo alemão Alexander Supan
elaborou uma tipologia das colônias, segundo seus traços morfológicos.
Dividiu as colônias européias, disseminadas pelo mundo a partir do século
XVI, em três classes: (1) as Punktkolonien (colônias em ponto); (2) as
Linienkolonien (colônias lineares); (3) as Raumkolonien (colônias espaciais).
As
colônias em ponto foram criadas pelos portugueses com o nome genérico de
feitorias e, mais tarde, adotadas pelos ingleses sob a denominação de
trade-posts. As feitorias consistiam numa praça forte, cercada de uma paliçada
de madeira, junto a um ancoradouro. No centro da praça colocavam-se as
mercadorias a trocar, como ferramentas, tecidos e bebidas. Os nativos das
redondezas eram convocados para trazer seus produtos: ouro, pimenta, cravo,
canela, noz-moscada, gengibre, tapetes, sedas, chá, marfim, peles, madeiras de
lei e de tinturaria, penas etc. Praticava-se o escambo, ou seja, a troca direta,
sem interferência de dinheiro.
As
colônias lineares correspondem às plantations, isto é, vastas propriedades
monocultoras e agro-industriais, cuja produção se destinava aos grandes
mercados. Supan chamou-as lineares porque elas se estendiam em faixas estreitas,
paralelas às costas marítimas, visto que sua produção era quase totalmente
embarcada para o mercado europeu. Mais uma vez foram os portugueses os criadores
dessa forma de economia. Os engenhos de açúcar, implantados no fim do século
XV, na ilha de São Tomé, com mão-de-obra de judeus condenados pela
Inquisição, disseminaram-se também pela costa leste do Nordeste brasileiro,
com escravos negros oriundos da África.
A
terceira categoria é a das colônias espaciais, assim chamadas porque ocuparam
de maneira contínua uma vasta área. Exemplo disso é o que ocorreu nas
planícies centrais dos Estados Unidos, onde europeus
instalaram pequenas propriedades familiares.
Classificação
econômica. Sem se preocupar com questões relativas à forma de povoamento, o
economista francês Leroy-Beaulieu estabeleceu, no século XIX, três classes
fundamentais de colônias: (1) colônias de povoamento; (2) colônias de
plantations ou de exploração; (3) colônias de comptoirs
("balcões").
As
colônias de povoamento ou colônias agrícolas ordinárias eram terras de
ultramar escassamente povoadas de nativos, de condições ecológicas
semelhantes às da Europa, para onde se transferiram colonos europeus, que
constituíram uma nova sociedade, semelhante à do país de origem, como ocorreu
nos Estados Unidos e no Canadá.
As
colônias de plantations ou de exploração eram especialmente dotadas pelas
condições naturais para fornecer aos grandes mercados produtos agrícolas de
muita procura, como café, açúcar, cacau. Leroy-Beaulieu incluiu nessa
categoria a Austrália, por sua aptidão para a produção de lã.
As
colônias de comptoirs correspondem a áreas já densamente ocupadas por
agricultores nativos. A intervenção da metrópole se resumiu à instalação
de usinas de beneficiamento de produtos agrícolas regionais, ligadas a
escritórios técnicos e comerciais que orientavam os nativos no cultivo dos
produtos que interessavam à metrópole. Os melhores modelos desse tipo de
colônia se encontravam no Sudão, ao norte do golfo da Guiné.
Os
historiadores, no entanto, admitem apenas duas categorias de colônias: as de
exploração e as de povoamento.
Colonização
na antiguidade. Os fenícios foram os primeiros povos a realizar uma obra
colonizadora de envergadura. Viviam em estreita faixa de terra, cortada por
vales abruptos e apertada entre o mar Mediterrâneo e a cadeia do Líbano.
Dispunham de um litoral recortado, com uma série de ancoradouros naturais onde
se localizaram cidades-portos e possuíam excelente madeira para a construção
de barcos, o cedro do Líbano. Em conseqüência, tornaram-se marinheiros e
mercadores e estabeleceram colônias às margens do Mediterrâneo e do mar
Negro, transpondo o estreito de Gibraltar e atingindo as ilhas Britânicas e o
mar Báltico. Suas colônias não passavam de entrepostos comerciais, que
vendiam púrpura e compravam estanho e âmbar.
Também
os gregos notabilizaram-se pela expansão colonial, embora por motivos
diferentes. A Grécia é cheia de montanhas estéreis e de ancoradouros
naturais. O gosto pelo comércio estimulava os gregos, e acontecimentos
políticos e invasões forçaram-nos à emigração. Além disso, precisavam de
terras mais férteis onde pudessem praticar a agricultura. Daí a chamada
diáspora grega e a multiplicação de colônias às margens do Mediterrâneo e
do mar Negro, cidades-filhas das metrópoles do continente, de que eram meros
prolongamentos, com os mesmos deuses e costumes. Os gregos espalharam-se para
além de Gibraltar, seguindo as pegadas dos fenícios, rumo ao mar do Norte, na
rota do estanho e do âmbar.
Colonização
moderna. O fenômeno da colonização repetiu-se na época dos descobrimentos, a
princípio estimulado pelo mercantilismo e, no século XIX, em virtude da
revolução industrial. Assim surgiram os impérios coloniais de Portugal,
Espanha, França, Países Baixos e Reino Unido.
Colônias
portuguesas. Em relação a seus recursos, nenhum outro país realizou obra
colonizadora tão extensa quanto Portugal. Aberto por seus navegadores o caminho
marítimo para as Índias, mais tarde prolongado até as costas da China e do
Japão, Portugal procurou conservar o monopólio do comércio europeu com essas
regiões graças a uma ampla rede de feitorias no litoral da África e da Ásia.
A
ocupação e exploração do Brasil constituíram a obra colonizadora mais
relevante de Portugal e um dos maiores empreendimentos do gênero em todo o
mundo. Desde a descoberta até 1530, a intervenção de Portugal na América do
Sul resumiu-se no envio de algumas esquadras para a exploração da costa
atlântica, na fundação de algumas feitorias e no combate ao comércio
clandestino de pau-brasil por barcos estrangeiros. Quando finalmente posta em
prática, a política de ocupação agrícola nas capitanias de Pernambuco e
Bahia foi coroada de êxito em poucas décadas. As plantations açucareiras do
Nordeste contribuíram para popularizar o consumo do açúcar, para baixar seu
preço e transformar a colônia em maior produtor mundial.
Os
holandeses, distribuidores do açúcar na Europa, logo compreenderam a
importância econômica que o produto vinha adquirindo. Pretextando as lutas com
a Espanha, durante a fase de unificação das coroas ibéricas (1580-1640),
tentaram por duas vezes apoderar-se das regiões açucareiras do Brasil. Antes
de sua expulsão definitiva, aprenderam as técnicas da agroindústria
açucareira, que aplicaram nos engenhos construídos nas Antilhas e em Java.
Ingleses e franceses também se apropriaram da técnica e montaram seus
próprios engenhos nas ilhas antilhanas que controlavam. Como países
industriais, aperfeiçoaram a fabricação do açúcar e afastaram gradualmente
o produto brasileiro do mercado internacional.
Na
última década do século XVII, os filões auríferos de Minas Gerais já
atraíam empresariado e mão-de-obra antes dedicados ao açúcar. Tomou tal
vulto a corrente de imigrantes do norte de Portugal que o governo lusitano
adotou medidas para restringir a evasão para a colônia. O imigrante português
miscigenou-se com negras e índias, fato que deu ao colonizador português não
só o papel de explorador, mas também o de povoador. Diversamente do que
ocorreu em outras possessões portuguesas, onde a colonização foi
principalmente oficial, no Brasil ela assumiu um caráter eminentemente popular.
Em
vez de racionalizar a mineração, Portugal limitou-se a garantir a drenagem das
riquezas para a metrópole por meio de dispositivos fiscais. Os pesados tributos
cobrados pela metrópole provocaram levantes políticos e inspiraram os
primeiros movimentos independentistas. Originaram também a busca de novas
áreas auríferas livres de fiscalização e assim foram povoadas extensas
regiões dos atuais estados de Mato Grosso e Goiás.
Na
Índia, Portugal cometeu o erro de substituir a orientação colonial de mero
controle do comércio local pela ocupação efetiva do país manu militari. Seu
envolvimento em guerras na Ásia consumiu todos os lucros do comércio e os
portugueses acabaram praticamente banidos da exploração econômica desse
continente, restando-lhes apenas as velhas feitorias de Goa, Damão e Diu (costa
da Índia), Macau (China) e metade da ilha de Timor.
No
século XVII, Portugal voltou-se para a África, cujas feitorias lhe
proporcionavam sobretudo pequenas quantidades de ouro e marfim. As feitorias
africanas tornaram-se ativos portos negreiros, sobretudo na costa da Guiné, de
Angola e de Moçambique. A concorrência da Inglaterra e da França eliminou os
portugueses da parte mais rica do oeste africano: a costa da Guiné. Além de
algumas ilhas do Atlântico (Açores, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe),
sobraram a Portugal, na África: Angola, Moçambique e a Guiné portuguesa.
Colônias
espanholas. Na partilha política do mundo colonial que entre si fizeram
Portugal e Espanha pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494, coube à última a
quase totalidade da América. O império colonial espanhol nesse continente ia
desde a Califórnia até a Terra do Fogo. O enfraquecimento da metrópole,
ocupada pelas tropas de Napoleão, favoreceu as lutas pela independência. O
Reino Unido, os Países Baixos e a França apoderaram-se das Guianas e de parte
das Antilhas. No fim do século XIX, a Espanha perdeu Porto Rico para os Estados
Unidos e Cuba obteve virtual independência.
Colônias
holandesas. Em 1602, os holandeses fundaram a Companhia das Índias Orientais,
cujos principais acionistas eram as câmaras municipais das maiores cidades dos
Países Baixos. O século XVII foi o período áureo do comércio holandês na
Ásia por meio dessa companhia, que agia segundo princípios mais liberais que
os do mercantilismo ibérico e explorava os ódios e ressentimentos contra os
portugueses. Obteve assim dividendos elevadíssimos, ao mesmo tempo que os
lusitanos eram praticamente afastados do comércio asiático.
Nas
ilhas de Sonda e no Ceilão, contudo, seduzidos pelos altos rendimentos do
comércio de especiarias, os holandeses se empenharam em monopolizá-lo. A luta
contra os concorrentes e a baixa dos preços os forçaram a restringir a cultura
de pimenta, cravo e noz-moscada ao centro de Java e a transformar essa ilha numa
colônia de plantations. A sorte de Java não melhorou, porém, com a
introdução das plantations. A colônia de povoamento implantada pela companhia
no cabo de Boa Esperança também não prosperou e foi, finalmente, ocupada
pelos ingleses. Problemas financeiros acabaram por levar a Companhia das Índias
Orientais à dissolução.
Colônias
inglesas. As primeiras emigrações em massa de ingleses datam dos séculos XVI
e XVII, e foram conseqüência das transformações econômico-sociais ocorridas
no país. Grupos descontentes, como os presbiterianos e os quakers, resolveram
criar na América do Norte uma nova sociedade de hábitos mais simples e
liberais. Quando os Estados Unidos proclamaram a independência, os colonos que
desejavam manter a cidadania britânica emigraram para o Canadá.
A
ocupação das Antilhas inglesas começou no século XVII com as primeiras
colônias particulares. Em meados desse século Barbados já alcançara grande
progresso graças à liberdade de comércio. Em 1655, os ingleses conquistaram a
Jamaica, que se tornou grande produtora de açúcar. A organização de
plantations foi difundida em todas as Antilhas inglesas.
A
penetração dos ingleses na África começou com a conquista da colônia
holandesa do Cabo (África do Sul), no início do século XIX. A conquista de
outras colônias africanas, como o Egito, Nigéria e Costa do Ouro deu-se,
sobretudo, em detrimento de portugueses, franceses e alemães, derrotados
militarmente no local e depois levados a reconhecer a soberania britânica, em
decorrência de tratados. Em outros casos, os nativos foram diretamente
dominados, como na Rodésia do Norte (hoje Zâmbia) e Rodésia do Sul
(Zimbábue).
A
decadência da Companhia das Índias Orientais, holandesa, ofereceu oportunidade
aos ingleses para se expandirem na Índia e, por fim, dominarem todo o país.
Fundando a English East India Company, sob a bandeira da liberdade de comércio,
terminaram por afastar seus competidores. Colonizaram também a Austrália e a
Nova Zelândia.
Colônias
francesas. A França centralizou suas aspirações no continente europeu, onde
buscou a hegemonia até o começo do século XIX. Somente quando a derrota final
de Napoleão dissipou seus sonhos de domínio da Europa é que se erigiu em
potência colonizadora no ultramar.
A
emigração francesa foi sempre difícil. A exceção é o Canadá, onde os
colonos franceses se instalaram lentamente na costa atlântica e no vale do São
Lourenço (província de Québec), nos séculos XVI e XVII. Como reflexo das
lutas que se travaram na Europa, no século XVIII, entre franceses e ingleses, a
França perdeu o Canadá. O que lhe sobrou deste, as ilhotas de Saint-Pierre e
Miquelon, bem como o numeroso grupo de franco-canadenses de Québec
(politicamente subordinado ao Reino Unido), subsistiu apenas à custa de
sacrifícios.
Também
as Antilhas francesas tiveram, a princípio, povoamento lento. No entanto,
valendo-se das restrições impostas às indústrias e ao comércio das Antilhas
inglesas, sobretudo após a emancipação dos Estados Unidos, as Antilhas
francesas floresceram. No Haiti, as plantations de café tiveram notável
impulso até o fim do século XVIII.
A
colonização da Guiana Francesa, que pretendia compensar a perda do Canadá,
redundou em fracasso. A transformação da região em colônia penal, até 1960,
explica o atraso que ali subsiste. As colônias conquistadas pela França na
África negra -- Guiné, Senegal e Madagascar -- começaram como feitorias e
evoluíram para colônias de comptoirs, à semelhança das que obteve depois:
Gabão, Costa do Marfim etc.
Na
Ásia, os franceses dominaram o Camboja, Anam, Tonquim e o Laos, formando a
Indochina francesa. A princípio colônia de comércio, a Indochina tornou-se
depois sobretudo uma colônia de plantations de borracha.
Em
1830, após a derrota de Napoleão, a França invadiu e ocupou a Argélia. Ainda
no século XIX, expandiu-se para o Marrocos e a Tunísia. Apesar do Saara, suas
tropas chegaram até o Tchad. No Pacífico, atingiram a Nova Caledônia e as
ilhas de Taiti.
Colônias
alemãs e italianas. Unificadas em 1871, a Alemanha e a Itália tiveram de
contentar-se com as sobras dos impérios coloniais. A primeira conquistou
Tanganica, o Sudoeste Africano (Namíbia) e, no Pacífico, as ilhas Carolinas e
Marianas. A Itália açambarcou a Tripolitânia (incluindo a Cirenaica), a
Eritréia, a Somália e a Abissínia, esta por pouco tempo, entre meados da
década de 1930 e o fim da segunda guerra mundial.
Colônias
japonesas e belgas. Depois de tornar-se uma potência industrial e militar no
último quartel do século XIX, o Japão lançou-se à colonização de outros
países. Conquistou a Coréia, Formosa, metade da ilha Sakalina, as ilhas
Carolinas e Marianas e, de 1931 em diante, a Manchúria e a China, mas perdeu
todas as colônias na segunda guerra mundial. A colonização belga no Congo,
pelo tratamento cruel dispensado aos nativos, gerou um permanente estado de
insubmissão, que durou até a independência daquele país africano.
Colônias
russas. A Rússia dilatou suas fronteiras para leste, no século XIX, até
chegar ao Alasca, mas vendeu esse território aos Estados Unidos em 1867. A
dominação dos povos siberianos foi feita por expedições militares, mas o
governo não intervinha com freqüência naquelas regiões remotas e os poucos
russos ali radicados miscigenavam-se com os nativos. Nessas condições, a
dominação russa foi aceita sem resistência séria pelos povos siberianos.
Colônias
americanas. Os Estados Unidos, uma vez independentes, puseram em funcionamento
os princípios liberais de que estavam imbuídos seus primeiros colonos em
relação à imigração e à colonização agrícola. Ao longo do século XIX,
porém, assumiram posições diferentes não apenas em relação a seus vizinhos
como também na região do Caribe e no Pacífico. Estados da federação
americana, como Texas, Novo México, Arizona, Califórnia e partes de Utah e do
Colorado integravam o território mexicano e foram anexados ou cedidos por venda
em períodos difíceis da história do México.
Vitoriosos
da guerra com a Espanha, os Estados Unidos entraram na posse de Porto Rico e
Filipinas. Cuba tornou-se independente, mas inscreveu em sua constituição a
emenda Platt, que dava direito à intervenção de tropas americanas na ilha.
Para construir o canal do Panamá, os Estados Unidos fomentaram a separação do
Panamá da Colômbia. Transformado em república, o Panamá imediatamente cedeu
aos americanos a Zona do Canal, que corta o país do Pacífico ao mar das
Antilhas.
Conclusões.
A colonização no mundo moderno teve seus teóricos, especialmente no fim do
século XIX e no começo do século XX. Estes procuraram não somente dar
solução aos problemas coloniais, mas justificá-los do ponto de vista
econômico e ético. Seria inútil, entretanto, pretender justificar, nos dias
de hoje, as colônias de exploração e os fabulosos lucros das empresas
estrangeiras, seja pela exploração mineral (petróleo, ouro, ferro, manganês,
cobre, urânio etc.), seja por meio de feitorias, plantations ou comptoirs.
Os
efeitos da colonização repercutem até hoje, pela importância dos resultados
da expansão econômica, demográfica e cultural, e mesmo da miscigenação nos
países do Terceiro Mundo. São, no entanto, complexos os problemas que esses
países enfrentam para organizar suas economias em bases mais justas, modernizar
suas estruturas e assegurar o progresso social sem comprometer a independência,
nos moldes da cooperação internacional.
©Encyclopaedia
Britannica do Brasil Publicações Ltda.