Comunidade
Britânica de Nações
Entre
1649 e 1660, o governo de Oliver Cromwell já utilizava na Inglaterra o termo
Commonwealth, em referência à comunidade dos povos que integravam o reino
britânico.
Denominada
em inglês The Commonwealth of Nations ou simplesmente The Commonwealth, a
Comunidade Britânica de Nações é uma associação de estados soberanos
formada pelo Reino Unido e por algumas de suas antigas colônias, que por
espontânea vontade decidiram manter laços de amizade e cooperação mútua,
reconhecendo como chefe simbólico o monarca britânico. Em sua primeira fase,
entre 1931 e 1946, a entidade chamou-se British Commonwealth of Nations. O
adjetivo "britânica" foi excluído do nome oficial, mas continuou a
ser usado extra-oficialmente.
A
Comunidade Britânica de Nações nasceu da evolução histórica do império
britânico. A tradicional política inglesa no sentido de admitir um alto grau
de autonomia nas colônias levou já no século XIX à formação de verdadeiros
estados dependentes -- em grande parte povoados por europeus acostumados ao
governo parlamentar -- que desfrutavam de razoável soberania. Em 1931, foi-lhes
reconhecido um status especial no seio do império, graças ao Estatuto de
Westminster, que se referiu especificamente a uma "Comunidade Britânica de
Nações".
Paralelamente,
a rápida ascensão do nacionalismo em muitas partes do império, a partir da
década de 1920, levou uma série de colônias a tornarem-se independentes.
Primeiro foi a Índia em 1947, o que exigiu uma redefinição da Comunidade. Em
1948, a Índia, o Paquistão e o Ceilão (posteriormente Sri Lanka) tornaram-se
membros. Foram eles os primeiros cuja população em sua grande maioria não era
predominantemente européia. No mesmo ano, a Birmânia (posteriormente Myanmar)
conquistou a independência, mas recusou-se a participar. O sentido dado à
palavra Commonwealth depois ampliou-se, facultando a seus membros a escolha
entre formas republicanas ou não-parlamentares de governo, bem como o direito
de abandonarem a associação, como foi o caso da Irlanda em 1948, da África do
Sul em 1961 e do Paquistão em 1972.
Os
laços que uniram os membros da comunidade sempre foram muito diversos:
vínculos históricos e sentimentais, sobretudo nas antigas colônias; o
comércio, os investimentos e os acordos monetários; e finalmente as
migrações, as tradições culturais, profissionais, jurídicas, esportivas e
outras. A maioria dos países que obtiveram a independência nas décadas de
1950, 1960 e 1970 decidiu aderir à entidade. Em 1965 instalou-se em Londres uma
secretaria para organizar e coordenar as atividades da Comunidade de Nações,
inclusive as reuniões regulares de seus representantes.
A
Comunidade tem apoiado nas Nações Unidas a política de seus membros, desde
que haja uma justificativa para suas ações. Em 1982, a reação britânica à
ocupação das ilhas Malvinas pela Argentina contou com a solidariedade dos
países membros, principalmente dos que eram alvo de reivindicações
territoriais por parte de vizinhos (Guiana, Belize etc.) e, portanto, temiam que
a iniciativa Argentina abrisse precedentes. Além disso, o fato de Granada ser
membro da Comunidade favoreceu uma saída institucional para a crise provocada
pela invasão das ilhas pelos Estados Unidos, apoiados pelos países do Caribe,
em outubro de 1983.