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A CRISE DE 1929 – A GRANDE DEPRESSÃO (1929 –
1933)
A Economia Ocidental no Período Pós-Primeira Guerra Mundial;
1. Aumento da Interdependência
Econômica: Um traço distintivo do período
pós-Primeira Guerra Mundial foi o aumento da interdependência econômica entre
os países. Por um lado, aumentava a circulação geral de bens e fundos; por
outro, na hipótese de uma crise, esta teria também caráter mundial. Até o
inicio da Primeira Guerra, as grandes potências industriais reservavam mercados
para obter matérias-primas e colocar seus produtos manufaturados. A Primeira
Guerra mudou esse panorama. Os países aliados passaram a depender dos Estados
Unidos, como fornecedores de capitais e produtos para o esforço de guerra.
Ao
término da Primeira Guerra , a Europa dependia muito dos Estados Unidos.
Participação
das Potências em % na Produção Industrial Mundial de 1929
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Países
|
%
|
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Estados
Unidos
Alemanha
Grã-Bretanha
França
URSS
Demais
Países
Total
Mundial
|
44,8
11,6
9,3
7,0
4,6
22,7
100,0
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2. A Prosperidade Norte-Americana e a Recuperação Econômica Européia:
Durante
a Primeira Guerra após o término do conflito, os estados Unidos forneceram
capitais para a reconstrução da economia européia que, num intervalo
relativamente curto (1918 – 1924), conseguiu recuperar-se. Essa recuperação
provocou efeitos diretos na economia norte-americana. Os países europeus
procuraram dinamizar suas respectivas produções e tronar-se menos dependentes
dos produtos norte-americanos.
3. A Crise na Agricultura Norte-Americana: Durante e logo após a guerra os
empresários agrícolas norte-americanos haviam investido muito na aquisição
de terras, equipamentos, e todo o necessário para atender à demanda crescente
dos mercados internos e externos. A partir de 1924, após exuberantes colheitas,
há uma queda na procura e os preços começam a cair. Os agricultores
precisavam vender seus produtos para saldar dívidas e hipotecas, mas não
conseguem fazê-lo, o que agradava o quadro.
4. A Especulação Financeira:
No mercado de títulos e valores havia um
clima de euforia.
Facilitava-se
o crédito para que pequenos investidores comprassem ações na bolsa. Os
grandes investidores especializaram-se no negócio de compra e venda de ações
fazendo fortunas de um dia para o outro. Dinamizava-se o mercado financeiro e
investiam-se menos no setor produtivo
Nessas
situações, dinheiro circula com uma grande velocidade, sem corresponder
efetivamente ao que ocorre na produção, que não possui o mesmo dinamismo.
Entre 1925 e 1929, o índice geral dos títulos do setor industrial estava
cotado em Wall Street (localização da Bolsa de Nova Iorque) em um valor duas
vezes maior que o da produção industrial. Aumentavam sem que um correspondente
crescimento no consumo justificasse tão altas cotações. Essas cotações
elevadas eram produtos de atividade meramente especulativa. um conjunto de
grandes investidores comprava grandes quantidades de títulos em baixa, o que
induzia outros a comprar mais daqueles títulos. No momento que aumentava a
procura elevam-se seus preços. Os especuladores colocavam seus títulos à
venda e, na diferença entre o valor que desembolsaram para a compra e o valor
que estavam obtendo pela venda, obtinham lucros.
5.
O Crack de 1929: No dia 24 de outubro de 1929, a "Quinta-feira
negra", 16 milhões de títulos foram colocados à venda sem que
aparecessem compradores. Os preços dos títulos desabaram. A queda se acelerou
e, no começo de novembro, os títulos perderam mais de um terço de seu valor.
Acreditava-se que a crise era passageira. O presidente norte-americano, Hoover,
afirmava tratar-se de uma simples recessão: "Comprem, a prosperidade está
na próxima esquina". No começo de 1930, ocorreu uma melhora nas cotações.
Os grandes especuladores aproveitaram para despejar no mercado os títulos que
possuíam. Novo pânico se instaura arruinando milhares de pequenos
investidores, que pegavam prestações de empréstimos pela compra de ações de
que eram portadores mas que não tinham mais valor. A queda nas cotações
disparava: as ações da US Steel, de 250 passaram a valer 22 pontos. As ações
da Chrysler, de 135 passaram a 5 pontos, segundo os índices de valores da Bolsa
de Nova Iorque.
6. A Propagação da Crise: Para saldar compromissos, os bancos
norte-americanos deixaram de abrir linhas de crédito aos países estrangeiros e
passaram a repatriar os capitais que tinham investido no exterior. Esses
capitais haviam sido reinvestidos a longo prazo e na maior parte das vezes não
se encontravam imediatamente disponíveis. Empréstimos não eram renovados e as
dívidas passaram a ser executadas. A seqüência de falências é
impressionante. Quebram bancos, e com eles as companhias que neles faziam seus
depósitos em conta-corrente. A onda de desemprego aumenta exponencialmente. Sem
empregos, não há rendas disponíveis, não há consumo, não há procura e,
por conseguinte, não há produção e não há empregos. Este é o ciclo terrível:
a crise a alimentar a crise que adquire uma dimensão mundial. Queda na produção
industrial, queda no preço de produtos agrícolas. Países como Brasil, México
e Argentina chegaram a Ter que destruir estoques agrícolas para tentar
sustentar preços no mercado mundial. O comércio internacional ficou totalmente
desorganizado.
O
desemprego mundial, que era avaliado em 10milhões em 1929, atinge a cifra de
30milhões em 1932 – cifra que está aquém da realidade, pois trata de
empregos e desemprego registrados. As tensões sociais aumentam gravemente.
A
Superação da Crise
Maior
Intervenção do Estado: Cada país, em função de seus problemas específicos,
encaminhou de maneiras diferenciadas as medidas para superar a crise. Comum a
todos foi um maior dirigismo econômico. Exceto na URSS , onde a economia era
centralmente planificada, prevalecia até então o regime de livre-concorrência
e o Estado interferia muito pouco nas atividades econômicas. Dentre as medidas
para superar a crise, foi marcante a presença do Estado. O economista britânico
John Maynard Keynes foi o grande teórico que advogou uma maior presença do
Estado nas economias de mercado. Em 1936 era publicada sua obra que tomou-se
um clássico do pensamento econômico – A Teoria do Emprego, do juro e da
Moeda.
Superação
da Crise nos EUA: o New Deal; Nas eleições de novembro de 1932para
a presidência dos Estados Unidos, Herbert Hoover, do Partido republicano, não
foi reeleito como esperava. Sucedeu-o o integrante do Partido Democrata,
Franklin Delano Roosevelt, que governou o país de 1933 a 1945. Sua plataforma
eleitoral estava baseada num programa de recuperação da economia do país, que
foi chamado de New Deal.
Reforma Monetária
e Intervenção na Agricultura: Roosevelt considerou, ao assumir o poder,
que a medida mais importante seria provocar uma alta nos preços para que os
produtores, vendendo mais caro, pudessem honrar suas dívidas. Para isso, fez
desvalorizar o dólar. Os portadores de dólares, que os usavam em especulações,
trataram de empatá-los em mercadorias, o que provocou um aumento na procura. As
cotações na bolsa de valores voltaram a aumentar. Além da reforma monetária
, providenciou uma reforma no setor agrícola por meio do AAA (Agricultura
Adjustment Act – Ato de Ajustamento na Agricultura). Garantiu uma moratória
da dívida dos empresários agrícolas, facilitou o crédito para saldar dívidas
anteriores e tratou de racionalizar a produção para que não houvesse
superprodução. A renda dos agricultores aumentou.
Ataque ao
Desemprego e Auxílio ao Setor Industrial: Foram abertas ‘frentes de
trabalho" para os desempregados. A coordenação desses trabalhos foi dada
ao CWA (Civil Work Administration – Administração do Trabalho Civil):
construção de estradas, de prédios públicos. Um projeto mais vasto, que se
tornou um símbolo do programa de recuperação nacional, foi o TVA ( Tennessee
Valley Authority) visando valorizar o vale do Tennessee, com a criação de
condições para sua navegabilidade: barragens e usinas, garantindo muito
emprego de mão-de-obra. Era necessária uma "nova repartição"(New
Deal) da renda nacional e a garantia do poder de compra do consumidor
norte-americano. O NIRA (National Industrial Recovery Act – Ato de
restabelecimento industrial Nacional), de junho de 1933, visava eliminar o
desemprego no setor industrial, dando à indústria "uma certeza de lucros
razoáveis e aos trabalhadores um salário suficiente". cada ramo de
atividade industrial deveria estabelecer um "código de concorrência leal
que garantisse aos trabalhadores um salário mínimo, limitação de horas de
trabalho (para absorver um número maior de desempregados) e um preço mínimo
de venda dos produtos. Roosevelt conseguiu com seu programa recuperar a economia
norte-americana. A partir de 1937, a atividade produtiva cresce ainda mais com o
desenvolvimento da política armamentista, que está associada aos problemas
internacionais que levaram à Segunda Guerra Mundial.
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