AMÉRICA PRÉ-COLOMBIANA
Antes de Incas e
Astecas, importantes grupos se desenvolveram na
Mesoamérica, como os Olmecas e os Maias,
estes últimos conhecidos como "os gregos do Novo Mundo".
1.1 – OS OLMECAS
A cultura olmeca, que
se originou na costa sul do Golfo do México (La
Venta, San Lorenzo, Tenochtitlán, Três Zapotes), é
considerada a primeira cultura elaborada da Mesoamérica,
e matriz de todas as culturas posteriores dessa área.
Quem foram os olmecas? A sua antigüidade
remonta á época em que na Europa, depois de invadirem
Creta, os aqueus se preparavam para conquistar Tróia.
Portanto, por volta do século XIII a.C., surgiu na
América a primeira civilização. Que durou até cerca do ano
100 a.C.. As características marcantes do Império
Olmeca, que se estendeu desde o México Ocidental
até, talvez, a Costa Rica - foram a escultura
monumental (colossais cabeças de pedra) e a presença de
centros cívicos religiosos a que se subordinavam áreas
periféricas (satélites).
Tem razão o historiador
mexicano Ignacio Bernal em declarar que
''para nós, americanos, ainda é melhor conhecida a vida de
Roma que a de Tenochtitlán ou de Cuzco".
Embora já se conheça razoavelmente bem a vida econômica e
sócio-política dos astecas e incas, a
mesmo não acontece com relação aos olmecas. Recentes
pesquisas arqueológicas, realizadas em San Lorenzo,
um dos principais centros Olmecas e, provavelmente, o
primeiro centro civilizada da Mesoamérica, nos dão
conta da existência de colinas artificiais, com
desaguamentos subterrâneos que funcionariam como sistemas
para controle da água. A costa meridional do Golfo do
México é uma área pantanosa, irrigada por numerosos
rios. Nesse ambiente tropical, os olmecas cultivaram milho,
feijão e abóbora, complementando a subsistência com os
produtos obtidos através da caça e da pesca.
Além de talhar monumentos
gigantescos, feitos de pedra, os olmecas também
destacaram-se no artesanato de jade. Nem pedra, nem jade
existiam no litoral do Golfo. Os olmecas iam
buscar essas matérias-primas em regiões distantes. Como não
conheciam a roda, nem possuíam animais de carga, a pedra era
transportada em balsas, por via fluvial. A procura do jade
deve ter servido como estimulo ao comércio, que se fazia
através de numerosas rotas. Acredita-se que a notável
influência olmeca na Mesoamérica seja devida á
extensão desse comércio. A organização social dos olmecas
era bastante desenvolvida. A população, espalhada pelo
Império, dividia-se entre urna minoria (sacerdotes,
artífices de elite), que habitava os centros cerimoniais, e
a maioria do povo - camponeses - que vivia nas aldeias. Nos
centros cerimoniais, como o de La Venta, havia
altos cômoros, em forma de pirâmide truncada, construídos
sobre grandes plataformas de terra, organizadas ao redor de
plazas, segundo um plano sistemático. Esses montículos de
argila eram rodeados de enormes fossas, onde foram
encontradas máscaras religiosas profundamente enterradas. Ao
que parece, os cômoros tinham funções primordialmente
funerárias é de se supor a existência de Chefias ou
Estados incipientes (como em Três Zapotes),
devido á necessidade de supervisão e planejamento, além de
recrutamento de numerosa mão-de-obra, para a construção das
pirâmides, plataformas e aterros.
O valor dominante do religioso
caracterizou a Arte olmeca. A
escultura era
bastante desenvolvida: monumentais cabeças de pedra, com
rosto redondo, lábios
grossos e nariz achatado; estatuetas com formas humanas; e
outras apresentando
uma mistura de traças humanos e felinos (aguar).
Todas caracterizavam-se pela
boca retorcida - típica da Arte olmeca.
São freqüentes as representações do jaguar, a
principal divindade, sendo que o homem-jaguar
representaria, provável.
mente, o deus da chuva. Quanto a pintura, dela
encontraram-se poucas exemplares, em locais distantes.
Sabe-se que tinham conhecimentos de Astronomia - basta
observar-se o traçado das suas cidades, obedecendo aos
pontos cardeais (como La Venta) e um
calendário, pois foram encontrados, em alguns monumentos,
registros de datas muito antigas. Também conheciam a escrita
e possuíam sistemas matemáticos. Muitos traços e tradições
dos olmecas sobreviveram entre as diversas culturas
que os sucederam, como é o caso das culturas dos maias
e astecas.
1.2 – OS MAIAS
Os maias - que ocuparam
as planícies da Península do Iucatã, quase
toda
a Guatemala, a parte ocidental de Honduras e
algumas regiões limítrofes constituíam povos que
falavam línguas aparentadas, e elaboraram uma das mais
complexas e influentes culturas da América. Alguns
historiadores, para quem a Europa é o centro do
mundo, chegaram a comparar os maias aos gregos,
em termos de importância cultural. Estes Gregos do
Novo Mundo possuíam uma economia agrícola baseada na
produção do milho, considerado alimento sagrado, pois dele
se teria originado o homem, segundo a mitologia maia.
A terra era cultivada coletivamente, obrigando-se os
camponeses ao pagamento do imposto coletivo. A caça e a
pesca eram atividades complementares, sendo desconhecida a
pecuária.
A organização social dos
maias ainda é, em grande parte, desconhecida.
Entretanto, através do estudo da Arte maia,
sobretudo de sua Pintura, pode-se caracterizar essa
civilização como uma sociedade de classes. Uma elite
(militares e sacerdotes) constituía a classe dominante, de
caráter hereditário, que habitam as numerosas centros
cerimoniais, circundados pelas aldeias onde vivia a numerosa
mão-de-obra composta por camponeses submetidos ao regime da
servidão coletiva. Os centros maias não eram apenas o
lugar da administração e do culto, mas também exerciam
funções comercias: trocas de produtos cultivados e de
artigos do artesanato, (objetos de ouro e cobre, tecidos de
algodão, cerâmica), sendo muito importante o ofício de
mercador. Havia ainda os escravos, cujas figuras apareciam
em numerosos monumentos do Antigo Império Maia.
"Estas figuras de cativos certamente são uma representação
dos prisioneiros de guerra reduzidos á escravidão, ainda que
possam representar também as pessoas de todo um povoado ou
aldeia, coletivamente, melhor do que a um indivíduo em
especial, as vezes, os rostos dos prisioneiros são
diferentes dos das principais figuras, diferença que
possivelmente indica que os senhores pertenciam a uma classe
hereditária especial."
Politicamente, acredita-se que
o governo maia fosse uma teocracia, exercida
pelo Halach Uinic, de caráter hereditário, incumbido
da política interna e externa,
e do recolhimento do imposto coletivo das aldeias. Uma
espécie de Conselho assessorava esse governante. As
chefias das aldeias eram exercidas pelos Batab, com
jurisdição local e submetido ao supremo governante, como,
aliás, todos os habitantes das aldeias e os funcionários
reais. Estas chefias locais poderiam ser constituídas pelas
antigas aristocracias tribais, cooptadas pelo Estado para
melhor afirmar sua autoridade sobre as aldeias. Havia ainda
os Nacom, chefes militares eleitos por um período de
três anos, que intervinham nos assuntos da guerra,
organizando o exército; e funcionários menos categorizados,
os Tupiles, que zelavam pela ordem pública.
Os maias na verdade,
nunca chegaram a constituir um Império: cada cidade.
com suas respectivas aldeias, formava um Estado
independente: Palenque, Copán, Tical e outras.
Do ponto de vista religioso,
os maias acreditavam que o destino do homem era
controlado pelos deuses, e, assim, toda sua produção
cultural foi nitidamente influenciada pela religião. A
arquitetura era sobretudo religiosa. Utilizando
principalmente pedra e terra como materiais, e trabalho
forçado da numerosa mão-de-obra camponesa, construíram-se
templos, de forma retangular, sobre pirâmides truncadas, com
escadarias, e estendendo-se ao redor de praças. Também se
edificaram palácios, provavelmente para residência dos
sacerdotes, em que os interiores , geralmente longos e
estreitos, eram cobertos por uma falsa abóbada,
característica desse tipo de edificação. Todas as
dependências revestiam-se de elaborada decoração -
esculturas, pinturas murais, geralmente representando cenas
guerreiras ou cerimoniais (altos dignitários sendo
homenageados ou servidos por súditos). A escultura em
terracota foi outro exemplo notável da Arte
maia, enquanto a Pintura, utilizando cores vivas
e intensas, atingiu alto grau de perfeição.
A preocupação religiosa também
estava presente nas realizações dos maias
no campo do registro do tempo. Uma das grandes realizações
devidas aos sacerdotes foi o calendário da América
Central. Todas as religiões se interessam pela
determinação do tempo. Elas ligam o ciclo vital da indivíduo
aos atos rituais que revivem periodicamente na sociedade e
sincronizam este tempo social com a marcha do tempo. O
calendário cíclico, que abrangia um período de 52 anos, era
um sistema complexo de contagem do tempo, agrupando três
ciclos, com número diferente de dias e com múltiplas
combinações. Esse calendário orientava as atividades humanas
e pressagiavam as vontades dos deuses. Os maias
fizeram notáveis progressos na Astronomia. (eclipses
solares, movimento dos planetas). Também adquiriram
avançadas noções de Matemático, como um símbolo para o zero
e o principio do valor relativo.
Embora não esteja ainda de
todo decifrada, já se sabe que a escrita maia, considerada
sagrada, não se baseava em um alfabeto: havia sinais
pictográficos e símbolos apresentando sílabas, ou
combinações de sons.
No que restou da produção literária, sobressai o Popol
Vuh, livro sagrado dos
maias, que contém numerosas lendas e é considerado um dos
mais valiosos exemplos de Literatura indígena.
Por volta do ano 900, o
Antigo Império Maia sofreu um declínio de população,
e teria iniciado um processo erroneamente confundido com
decadência. Alguns
estudiosos atribuem o abandono dos centros maias à
guerra, insurreição, revolta
social, invasões bárbaras etc. De fato, os grandes centros
foram abandonados, porém não de súbito. As hipóteses mais
prováveis apontam para uma exploração intensiva de meios de
subsistência inadequados, provocando a exaustão do solo e a
deficiência alimentar.
A cultura maia
posterior, fundindo-se com a dos Toltecas,
prolongou-se no
Novo Império Maia até a conquista definitiva pelos
espanhóis.
2.0
– MAIAS,
ASTECAS E INCAS
Antes da conquista européia, a
América conheceu o desenvolvimento de importantes
civilizações, que formaram-se ao longo de milhares de anos e
que possuíam complexa organização social, econômica e
política, que realizaram grandes obras públicas: sistema de
irrigação, assim como palácios e templos, tanto na
Mesoamérica, onde encontravam-se Maias e
Astecas, como no Altiplano Andino, onde
desenvolveu-se o Império Inca.
Essas três civilizações tinham
como base as características gerais do Modo de Produção
Asiático, possuindo portanto semelhanças com
civilizações mais antigas do Oriente Próximo, mas também
diferenças significativas entre si.
A economia era essencialmente
agrária, sendo a terra considerada como propriedade do
Estado e trabalhada pelas comunidades camponesas,
existindo atividades complementares como a criação de
animais, o comércio e a mineração, esta última especialmente
entre ao Astecas no México e os Incas no Altiplano
Andino.
Os Astecas
desenvolveram um sistema de plantio baseado nos "jardins
flutuantes", em região pantanosa que passou então a
produzir.
As comunidades camponesas
conservavam pequena parcela de terra para uso familiar, mas
a maior parte das terras pertencia à sacerdotes e elites
locais (líderes dos clãs) no caso de Maias a
Astecas. Entre os Incas a terra era divida em:
Terra do Estado, Terra dos sacerdotes
e Terra comunitária, onde cada família possuía
um lote para cultivo próprio, onde produziria após trabalhar
as terras do imperador e dos sacerdotes. A exploração do
trabalho dos camponeses pelo Estado ainda era realizada
através da mita , ou seja, toda comunidade estava
obrigada a fornecer homens para as obras públicas ou para o
trabalho nas minas.
Apenas os Incas
desenvolveram de fato um Império centralizado e
teocrático, onde o Imperador, chamado
Sapa Inca era considerado um deus,
descendente direto do sol, supremo legislador e comandante
do exército, suplantando a antiga unidade social, o
Ayllu, (clã). Na Península do Iucatã,
os Maias desenvolveram um tipo de organização, onde
cada centro urbano possuía autonomia e comandava as
comunidades camponesas ao seu redor.
Na região do México, em
uma ilha do Lago Texcoco, os mexicas ou
astecas construíram uma grande cidade, capital do
Império - TENOCHTITLAN - onde havia palácios,
templos, mercados e canais de irrigação, demonstrando grande
desenvolvimento. Apesar de considerado um Império, em parte
por suas conquistas e o domínio sobre vários povos, O
imperador possuía representação religiosa e militar, mas não
necessariamente política, na medida em que havia
anteriormente um grupo de uma camada de militares e
sacerdotes originários dos líderes das aldeias.
Na medida em que líderes
locais e sacerdotes se fortaleceram, essas sociedades viram
a formação de classes sociais, rigidamente estratificada,
consideradas portanto como estamental. Entre esses três
povos havia uma elite de sacerdotes, militares e artífices
do Estado e uma grande massa de camponeses responsável pela
produção de excedentes, que concentravam-se nas mãos da
elite.
A religiosidade
caracterizava-se pela crença em vários deuses, normalmente
vinculados a elementos da natureza, como sol, chuva ou
fertilidade, influenciando suas manifestações artísticas,
principalmente a construção de grandes templos.
Os povos da Mesoamérica
realizaram obras arquitetônicas colossais, representadas por
templos e palácios em terraços com forma piramidal, assim
como produziram objetos com caráter decorativo, obras de
ourivesaria de prata, ouro e pedras preciosas dos astecas,
utilizadas para decorar palácios e templos.
No Altiplano Andino,
os testemunhos mais importantes dessa cultura encontram-se
na arquitetura monolítica e despojada de ornamentos, na qual
demonstraram tanto uma técnica impecável quanto uma grande
frieza expressiva. Atribuíram também grande importância à
indústria metalúrgica, principalmente na fabricação de
armas, ao artesanato têxtil e à cerâmica. Nessa última,
dedicaram-se às peças pequenas e às estatuetas
antropomórficas.
3.0
– FOTOS








4.0
–
BIBLIOGRAFIA
HISTÓRIA DAS SOCIEDADES
AMERICANAS
Aquino, Jesus e Oscar
Editora Ao Livro Técnico
WEBSITE
http://www.historianet.com.br/