A queda da Bastilha e o fim do regime
absolutista
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Franceses comemoram o dia 14 de julho, em Paris |
A Bastilha é uma fortaleza parisiense que foi
usada como prisão estatal na França durante os séculos 17 e
18. Mantinha principalmente prisioneiros políticos que
contestavam o poder absoluto do rei. Os franceses celebram a
queda da Bastilha, ocorrida em 14 de julho de 1789, como um
marco da Revolução Francesa, que levou ao fim do regime
absolutista.
Entre os séculos 15 e 18, o absolutismo foi o sistema
político e social que vigorou na maior parte da Europa.
Também denominado Antigo Regime, consistia na centralização
do poder político nas mãos do monarca. Todas as esferas da
vida nacional, da cobrança de impostos à declaração de
guerra, dependia de decisões unilaterais do rei. Além dele,
apenas a nobreza, detentora de terras, gozava de algum poder
e prestígio social. O sistema gerou muitos protestos de
outras classes, principalmente da burguesia.
A Burguesia
Os burgueses enriqueciam por meio de atividades como o
comércio e a indústria. Embora estivessem acumulando
crescente poder econômico, não tinham o poder político, por
causa do absolutismo. Com o tempo, as arbitrariedades do rei
e a insatisfação provocaram a eclosão de protestos.
Durante a segunda metade do século 18, a França atravessou
diversas crises. Era um país endividado, entre outros
motivos, por causa da derrota para Inglaterra na Guerra dos
Sete Anos (1756-1763) e a conseqüente perda de colônias e
mercados. A situação levou o rei a aumentar os impostos,
provocando ainda mais insatisfação popular. No final da
década de 1780, o país teve péssimas colheitas e enfrentou
invernos rigorosos, o que aumentou o preço dos produtos
alimentícios. O povo temia a fome e, manipulado pela
burguesia, passou a participar dos protestos por maior
participação política.
Em maio de 1788, o rei convocou os Estados-Gerais para
tentar debelar a crise. Os Estados-Gerais represetavam os
segmentos da sociedade francesa. O primeiro Estado era
composto pela nobreza, o segundo pelo Clero, e o terceiro
pelo povo, formado pela burguesia, por trabalhadores urbanos
e por camponeses. A votação era feita por Estado, o que
facilitava as coisas para a nobreza. Aliando-se ao Clero
(uma instituição historicamente conservadora), ela conseguia
fazer 2x1 e impedir que as mudanças propostas pelo terceiro
Estado fossem adotadas.
A Revolução
O povo e a burguesia exigiam que a votação não fosse mais
por Estado, mas por cabeça, o que foi negado pelo rei.
Revoltas eclodiram em todo o país. Os produtos alimentícios
começaram a faltar. O terceiro Estado deixou de participar
dos Estados-Gerais e converteu-se em uma Assembléia Nacional
Constituinte. O rei Luís 16 cedeu e aceitou ter seus poderes
limitados por uma Constituição. Mas em 1789 as perseguições
políticas, o agravamento da crise econômica e a concentração
de tropas em Paris causaram na população o "Grande Medo" do
Estado. Todos temiam que o absolutismo voltasse.
Foi um passo para a mobilização popular que, em 14 de julho
de 1789, tomou a Bastilha, onde eram mantidos os presos
políticos. Era a própria Revolução. Na Bastilha, estavam
apenas sete prisioneiros, mas ela era vista como símbolo do
despotismo e onde, acreditava-se, eram guardadas armas e
munição. Foi atacada por multidões, incluindo amotinados da
Guarda Francesa. O comandante, De Launay, rendeu-se. Mas ele
e seus homens foram mortos e a fortaleza, demolida.
Revoltas e saques contra o Clero e a Nobreza sacudiram o
país. Temendo por suas vidas, os nobres aboliram os direitos
feudais, aliviando a situação dos camponeses (que pagavam
pesados impostos). Em agosto, era lançada a Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão. Faltava apenas a
participação de trabalhadores e camponeses no poder
político. Mas, embora tenha sido beneficiada pela revolta
deles, a burguesia não se mostrou disposta a dividir o poder
político.
Ainda sofrendo privações, e não vendo atendidas suas
demandas, as camadas mais pobres da população radicalizaram
a Revolução, na fase da Convenção e do Terror. Mas essa é
uma outra história.
*Alexandre Bigeli é professor e jornalista