Ciclo da Borracha e a Amazônia Atual

Recriando historicamente o período da borracha até o 3º ciclo

Esse trabalho visa expor a história da Amazônia a partir do 1º ciclo, que é o da borracha, até o atual 3º ciclo econômico, que vem como o desenvolvimento sustentável e a Zona Franca de Manaus.

Serão abordados todos os sub-temas de forma implícita na redação e também de forma clara e objetiva.

A história a seguir estará sendo descrita com palavras próprias do autor sem que haja plágio de nenhuma obra didática, mostrando assim uma outra visão do que foi e do que ainda é a economia da Amazônia brasileira.

Introdução

SeriingueiroO apogeu da borracha deu-se, em torno de 1870, no Brasil República, serviu de vestuário até pneus de automóveis estrangeiros com o seu aperfeiçoamento em técnica de vulcanização. Mas caiu com a plantação da seringueira em outra localidade com um melhor plano de manejo, e por causa de uma guerra se reergueu durante esse período e finalmente depois, voltou a sua insignificância.

A estrutura econômica interna da borracha funcionava da seguinte maneira:

As casas de fornecimento de mercadorias a crédito forneciam mantimentos a certas pessoas que poderiam ser: um aviador menor, o regatão, ao seringalista e ao seringueiro. As casas aviadoras também eram responsáveis pelo transporte e distribuição dos migrantes nordestinos que vinham para trabalhar nos seringais. Financiavam várias expedições exploratórias em busca de mais seringueiras. Na verdade, essas casas eram nada mais que representantes de grandes empresas estrangeiras que compravam a nossa borracha principalmente nas bolsas de Nova Iorque e Liverpool, evidenciando assim a forte presença do capital estrangeiro na nossa economia.

Quando descobriram o método da vulcanização, a borracha começou a ser utilizada para fins industriais e como as grandes empresas como a “Goodyear” ou “Pirelli” tinham clientes que almejavam muito mais a qualidade e a durabilidade que qualquer outra coisa em um pneu, a demanda externa pelo produto da Hevea brasiliensis aumentou, a economia daquela época elevou-se extraordinariamente.

Para ligar a Bolívia ao oceano, para esta ter acesso ao rio Madeira e por pressões de alguns políticos do Amazonas foi assinado o Tratado de Petrópolis que anexou o Acre ao Brasil. Para escoar a produção da borracha da Bolívia e do estado do Mato Grosso foi projetada a estrada de ferro Madeira-Mamoré, esta que originalmente teria 600 km e que teria uma empresa inglesa como sua construtora.

Em 13 anos de obras, várias empresas assumiram a construção da ferrovia, mas apenas 364 km ficaram prontos, e ainda assim foi durante a decadência do ciclo da borracha, ligando o nada a coisa nenhuma e matando mais de 20.000 pessoas. Essa parte da história ficou para sempre imortalizada na obra “Mad Maria” de Márcio Sousa.

O Acre se tornou o maior produtor mundial de borracha, mas não viveu o auge pois em pouquíssimos anos a produção asiática passou a produção brasileira por estarem mais bem organizados.

A única coisa que o lucro da borracha deixou para a Amazônia foi a primeira universidade do Brasil cujo objetivo era o de melhorar o intelecto das pessoas que aqui viviam.

Teatro AmazonasOs ingleses queriam que Manaus se tornasse a “Paris dos trópicos”, pois assim os barões não investiriam em avanços tecnológicos, só iriam querer saber de realizar grandes edificações como o Teatro Amazonas e ostentar o dinheiro ganhado com coisas e costumes inapropriados para a região.

Na década de 20 houve as políticas de recuperação econômica da Amazônia. Henry Ford cria a Cia. Ford Industrial do Brasil, estabelecendo a criação racional de seringais na Amazônia. O governador brasileiro entrega Glevas na região do rio Tapajós pois acreditavam que as melhores sementes vinham de lá.

No alto Tapajós o primeiro projeto foi criado, a “Fordlândia” que tinha por objetivo plantar 8 milhões de seringueiras e fazer uma comunidade agrícola. Após o mal das folhas ocorrido nesses seringais, ergueu-se um novo projeto chamado de “Belterra” onde foram plantadas apenas 2 milhões de mudas no baixo Tapajós próximo à cidade de Santarém.

Com a segunda guerra mundial a Cia Ford Industrial do Brasil ordenou que explorassem o que fosse possível do seringal onde metade das árvores se perdeu por serem jovens demais. Deu 10 anos de lucro, mas durante a guerra fracassou.

Ainda durante a década de 20 foi alavancado o projeto Vila Amazônia na região Bragantina no Pará próximo à cidade de Parintins onde japoneses de formação superior cultivavam a Juta e a Malva. A pimenta-do-reino decaiu por causa dos conservados. Durante a segunda guerra mundial os japoneses foram expulsos da vila Amazônia pelo motivo de uma suposta espionagem.

O segundo ciclo da borracha deu-se durante a segunda grande guerra enquanto a rota malasiana estava fechada pelo Japão.

Os Estados Unidos da América investiu 300 milhões de dólares na Amazônia e criou o B.C.B. (Banco de Crédito da Borracha) para administrar esse dinheiro e para influenciar politicagens futuras.

O acordo de Washington, fruto dessa politicagem, serviu para o Brasil vender mais barato para os E.U.A.: aço, ferro e borracha. Com isso houve a criação dos “soldados da borracha” para uma produção em grande escala com a finalidade de sustentar os soldados na Itália.

Com a reabertura da rota malasiana, os Estados Unidos suspenderam os investimentos na Amazônia e para completar a desgraça, ainda inventaram a borracha sintética.

Na década de 50 houve um outro incentivo à produção de borracha, pelo governo brasileiro, para abastecer o mercado interno e a criação de um pólo calçadista, afinal os europeus pagavam caro por um luxo a mais.

A Zona Franca de Manaus, que fazia parte de uma política nacional de integração da Amazônia ao Brasil,  iniciou-se como uma área de livre comércio que pela ausência de política se tornou uma área de contrabando.

Com a criação da SUFRAMA, a ZFM teria 30 anos de incentivos fiscais e territórios doados pelo governo federal. A Zona Franca de Manaus teve duas fases: a implantação do parque industrial, mão-de-obra barata e a fase comercial, reserva de mercado.

Fernando Collor de Melo decretou o fim da nossa reserva de mercado, acarretando assim uma grande perda de emprego, mas estamos ainda nos reerguendo.

O terceiro ciclo da borracha tem como um plano central o programa Agro-alimentar de onde saem vários subprogramas voltados para promover a interiorização da economia de base primária no Amazonas.

Esse novo ciclo tinha como objetivos principais:

  1. Interiorizar o desenvolvimento;
  2. Conter e/ou reverter o fluxo migratório;
  3. Proporcionar o desenvolvimento-sustentável;
  4. Aumentar a qualidade de vida e elevar a casta educacional.

O terceiro ciclo pode ser considerado com uma nova etapa da economia voltada para o interior em busca de um autodesenvolvimento a partir de diferentes vias econômicas como a pesca e derivados de peixe.

Cogita-se hoje que o próximo produto que terá um ciclo importante para a região será o petróleo e o gás-natural.

O Programa de Desenvolvimento-sustentável Gasoduto Coari-Manaus, viabiliza a todas as comunidades distantes 5 km de onde irá passar o gasoduto tenham um aprendizado de como sobreviver de produtos originários da localidade referente para que não passem a depender exclusivamente do Gás natural.

Conclusão

A visão geral a que chegamos só pode ser a de que por mais que haja qualquer investimento em produtos da selva amazônica, jamais conseguiremos ser independente de políticas externas e nunca deixaremos de ser apadrinhados pelo governo federal.

Mesmo com dois adventos da borracha, nunca nos preocupamos em determinarmos outras vias para a economia para sermos independentes de um só produto.

Agora, com a ZFM está acontecendo o mesmo, apesar de projetos como o terceiro ciclo, continuaremos a mercê da paciência do governo federal.

Vejo, que a única saída é investirmos em educação, não só na capital, mas também no interior, pois só com o nível da educação elevado é que podemos tornar possível algum sonho para um futuro auto-sustentável.  

Bibliografia 

1. Uma síntese da história do Amazonas, Lenílson Melo Coelhho;

2. Estudos da história do Amazonas, Pontes Filho.

Por: Diogo Gomes dos Santos


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