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Conflitos Árabes-Israelenses

Os conflitos

Em 14 de maio de 1948, uma resolução da ONU dividiu o território da Palestina entre árabes e judeus, criando o Estado de Israel.

Todos os regimes árabes da época rejeitaram a criação de Israel, e prometaram destruir o novo Estado judeu. Era o começo do conflito que já dura mais de 50 anos.

Após vários anos de guerra, em 1967, Israel invadiu e tomou a Margem Ocidental (controlado pela Jordânia), incluindo a cidade de Jerusalém, as colinas de Golã (que pertenciam à Síria), e a Faixa de Gaza (Egito).

A bem-sucedida invasão, que durou apenas seis dias, criou uma enorme quantidade de refugiados palestinos, que viviam nas áreas invadidas.

A partir da década de 70 começaram a surgir importantes grupos terroristas, como o Hamas e o Hizbollah, que, segundo Israel, têm o financiamento e a colaboração de países como Líbano, Irã e Síria.

Com a finalidade de se proteger de ataques terroristas contra o norte de seu território, Israel invadiu o Líbano, para onde os grupos terroristas fugiram depois de terem sido expulsos pela Jordânia. Desde então, as tropas israelenses ocupam uma faixa de 15 km no sul do país.

Em 1993, o então primeiro-ministro israelense Yitzak Rabin (assassinado em 1995 por um extremista judeu) e o líder palestino, Iasser Arafat, fecharam o primeiro acordo que daria o controle da Margem Ocidental e da Faixa de Gaza aos palestinos. Conhecido como o Acordo de Oslo, é a base para o processo de paz discutido entre Israel e a Autoridade Palestina.

As conversas sobre o processo de paz foram interrompidas por Israel em 1997, após a explosão de uma bomba em um mercado de Jerusalém que matou várias pessoas.

Em janeiro de 1998, o presidente norte-americano, Bill Clinton, recebeu na Casa Branca Iasser Arafat e Benjamim Netanyahu. Era o recomeço da conversas sobre o processo de paz entre palestinos e israelenses, que foram retomadas em Camp David.


O processo de paz

Jerusalém

Israel conquistou Jerusalém Oriental e a Cisjordânia na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Tradicionalmente afirma que Jerusalém é sua capital eterna e indivisível. Na cúpula de Camp David, pela primeira vez, um governante seu aceitou negociar alguma forma de soberania compartilhada na cidade. Os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade como capital de seu futuro Estado.

Os assentamentos

Mais de 170 mil judeus vivem em assentamentos nos territórios ocupados por Israel na Cisjordânia e na faixa de Gaza. Israel diz querer manter os assentamentos sob soberania israelense. Os palestinos afirmam que os assentamentos devem deixar os territórios.

Água

Israel reivindica controle total dos recursos hídricos, incluindo os lençóis subterrâneos na Cisjordânia, cuja administração é reivindicada pelos palestinos.

Refugiados palestinos

Há mais de 3,5 milhões de refugiados palestinos em países da região. Israel rechaça a idéia de permitir a volta de todos eles a seu território.

Fronteiras e segurança

A Autoridade Nacional Palestina quer uma Palestina independente, com poderes soberanos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e faixa de Gaza. Diz que as fronteiras em relação a Israel devem voltar ao que eram antes de junho de 67. Israel diz que não voltará às fronteiras de 67.


Acordo

As perspectivas de paz no Oriente Médio

Egito

Foi o primeiro país da região a desafiar o boicote do mundo árabe e assinar, em 1978, um acordo de paz com Israel. Em troca da normalização de relações, recebeu de volta a península do Sinai e passou a ser aliado estratégico dos EUA. Atualmente, mantém uma ‘paz fria‘ com Israel: a cooperação econômica e cultural entre os dois países é bastante limitada

Líbano

Diz que aguarda retirada israelense sem condições do sul do país, onde há uma faixa territorial ocupada pelo Exército de Israel, para negociar um acordo de paz. O governo atual se diz cético em relação ao reinício das negociações

Arábia Saudita

Critica o governo israelense pela ‘ocupação de terras árabes‘. O país, que é forte aliado dos EUA, poderia assinar acordo com Israel após a resolução das negociações com os palestinos e a Síria

Turquia

Aliada estratégia dos EUA e de Israel no Oriente Médio. Mantém relações diplomáticas e comerciais com Jerusalém e é um dos principais destinos turísticos entre os israelenses

Iraque

Foi, ao lado do Irã, um dos piores inimigos históricos de Israel. Durante a Guerra do Golfo (1991), o ditador Saddam Hussein lançou mísseis contra território israelense.

Irã

É um dos maiores inimigos de Israel. Teerã financia os principais grupos terroristas que combatem Israel (Hamas e Hizbollah). O processo de paz, que costuma trazer uma abertura em relação ao Ocidente, é visto como uma ameça pelo clero conservador iraniano, que adota discurso anti-sionista e anti-EUA para justificar uma ameaça externa e se manter no poder

Jordânia

Em 1994, o rei Hussein firmou um tratado de paz com Israel, o que possibilitou o fim da tensão e a abertura de pontos de passagem na mais extensa fronteira israelense. Seu filho, rei Abdallah, assumiu após sua morte, no início do ano, e mostra estar comprometido com a paz.


Os antecedentes

Com o fim da Primeira Guerra Mundial e a vitória sobre o império Otomano, os britânicos passaram a controlar a região da Palestina ou Terra Santa. Na mesma época, o movimento sionista ganha força e, em 1917, é divulgada a Declaração de Balfour, que defende a criação de um Estado judeu na região.

Após uma série de conflitos entre árabes, judeus e ingleses, as Nações Unidas aprovam - com forte apoio norte-americano - a criação de um Estado judeu e o fim do mandato dos britânicos na região é marcado para 14 de maio de 1948.

No mesmo dia, os dois principais líderes judeus, Chaim Weizmann (principal figura da Organização Sionista Mundial) e David Ben-Gurion anunciam a Declaração de Independência do Estado de Israel. Os regimes árabes não aceitaram a criação de Israel como proposto pela ONU -os judeus, que eram minoria da população da região, controlavam praticamente todo o território.

Os principais líderes da região se uniram em uma guerra contra o novo país com o objetivo de destruí-lo. A Guerra de 1948-49 foi a primeira de muitas que Israel viria a enfrentar.

Mas os árabes, que começaram a guerra com certa vantagem, não atingiram seu objetivo. Com apoio norte-americano, os israelenses conseguiram conter a invasão de seus vizinhos e ainda conquistaram territórios ao norte e, principalmente, ao sul.

Esta primeira guerra criou um dos mais complicados problemas para a paz na região: um imenso número de palestinos refugiados. Já na época eles eram mais de 300 mil. Os palestinos, árabes que viviam na região antes da criação do Estado de Israel, ficaram sem uma nação. Muitos fugiram para o Líbano, ao norte, para Gaza, ao sul, ou para a Jordânia, a leste, região hoje conhecida como Margem Ocidental.

1. O plano de partilha da ONU (1947)
Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprova plano para partilha da Palestina, ou seja, a criação de Israel e de um Estado palestino.

2. 1949, depois da fundação
Israel vence guerra com países árabes que não aceitaram a criação do país e expande fronteiras. Divisão de Jerusalém entre Israel e Jordânia.

3. 1967, após a Guerra dos Seis Dias
Israel conquista o deserto do Sinai, a faixa de Gaza (Egito), a Cisjordânia, Jerusalém Oriental (Jordânia) e as colinas do Golã (Síria).

4. Atualmente
Após acordos de paz como o de Oslo (93) e de Wye Plantation (98), os palestinos controlam hoje dois terços da faixa de Gaza e 40% da Cisjordânia.

Autoria: Bruna de Vita

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