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Fascismo Italiano

Ao final da Primeira Guerra Mundial, o fascismo conseguiu ascender ao poder na Itália, estabelecendo um regime político autoritário e ultranacionalista. Seu exemplo foi imitado por outras ditaduras européias.

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Causas da ascensão fascista

A Itália entrou na Primeira Guerra Mundial sem o consentimento parlamentar e opondo-se a uma opinião pública não-intervencionista.

Após a perda de cerca de 600 mil homens e com uma dívida externa superior a 20 milhões de liras-ouro, os acordos de paz foram uma enorme decepção para os italianos. Os aliados haviam prometido à Itália os territórios da Dalmácia, de Fiume e do Trentino, mas só lhe foi outorgado o último. A grande dívida exterior desencadeou uma crescente inflação, e a desmobilização do exército fez aumentar o desemprego.

Cartaz de propaganda fascista
Cartaz de propaganda fascista para a campanha do trigo.

Como os partidos políticos tradicionais não souberam resolver essa delicada situação, parte da população começou a apoiar partidos extremistas: o Partido Comunista, cisão do Partido Socialista, e o Fascio Italiani de Combattimento (Milícias Fascistas Italianas de Combate), liderado por Benito Mussolini.

Desde 1919, a crise econômica gerou grande tensão social. Alguns camponeses ocuparam propriedades agrárias, enquanto os operários industriais tomaram algumas fábricas. As classes mais favorecidas socialmente foram cerrando fileiras em tomo do fascismo para frear o comunismo.

Características do fascismo

O fascismo fundamentou-se nas seguintes idéias:

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  • Ideologia antidemocrática e contrária ao regime parlamentar. Subordinava qualquer tipo de liberdade individual ao poder do Estado, dirigido de forma totalitária por um líder todo-poderoso (o duce, “aquele que conduz”) e um partido único.
  • Intervenção do Estado na economia, embora apoiasse também a empresa privada.
  • Domínio da sociedade pelo Estado mediante o controle da educação e da informação, assim como por meio da repressão daqueles que tinham opiniões diferentes.
  • Nacionalismo feroz e expansionista que exigia a criação de um império colonial para a Itália.
  • O anticomunismo, que garantia a repressão das idéias revolucionárias e dissidentes por meio de uma violência exacerbada.
  • Culto à violência e ao militarismo, já que não se pretendia convencer o opositor, e sim eliminá-lo. Foram criados grupos armados que enfrentavam os rivais políticos e os operários adotando um estilo militar: hinos, uniformes (camisas-negras), símbolos (fasces: feixes de varas amarradas), bandeiras e grandes concentrações.

Mussolini no poder

O fascismo teve um enorme fracasso nas eleições de 1919: conseguiu apenas 35 cadeiras na Câmara com os comícios de 1921, razão pela qual Benito Mussolini decidiu usar a força para ascender ao poder. Reunidos sob seu comando, milhares de camisas-negras marcharam sobre Roma em 28 de outubro de 1922.

Mussolini
Mussolini em concentração fascista.

A coalizão de Mussolini ganhou as eleições de abril de 1924 por meio da violência exercida sobre os partidos de oposição. Pouco a pouco, Mussolini e os grupos ou comandos fascistas (os fascios) foram triunfando, passando a controlar todos os expedientes estatais. No primeiro ano de governo, Mussolini desfrutou de plenos poderes, embora aparentemente respeitasse a democracia. Em 1925, ele anunciou um regime autoritário por meio de decretos que implicavam a transformação do Estado liberal em um Estado fascista. As liberdades individuais foram suprimidas, o poder do Parlamento foi eliminado, todos os partidos políticos foram proibidos, com exceção do Partido Nacional Fascista (o antigo Fascio kaliani de Combottimento), e criou-se uma polícia política para reprimir a oposição.

Além disso, impôs-se um controle severo sobre a economia com a finalidade de conseguir autossuficiência para o país. Na agricultura, as intensas campanhas propagandistas visavam obter autonomia para a produção italiana (autarquia): esse era o objetivo de campanhas como a campanha do trigo (1925) e a política de colonização rural. Na indústria criou-se, em 1933, o Instituto de Reconstrução Industrial.

Por: Roberto Braga Garcia

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