Em 1950, cinco anos depois de derrotar a Alemanha nazista, os Estados Unidos e a União Soviética, ex-aliados, entram em conflito pelo controle da Coréia, uma nova zona de influência, arriscando provocar uma terceira guerra mundial. A península da Coréia é cortada pelo paralelo 38, uma linha demarcatória que divide dois exércitos, dois Estados: a República da Coréia, no sul, e a República Popular Democrática da Coréia, no norte. Essa demarcação, existente desde 1945 por um acordo entre Moscou e Washington, dividiu o povo coreano em dois sistemas políticos opostos: no norte o comunismo apoiado pela União Soviética, e, no sul, o capitalismo apoiado pelos Estados Unidos.
Em 3 de julho de 1950, depois de várias tentativas para derrubar o governo do sul, a Coréia do Norte ataca de surpresa e toma Seul, a capital. As Nações Unidas condenam o ataque e enviam forças, comandadas pelo general americano Douglas MacArthur, para ajudar a Coréia do Sul a repelir os invasores. Em setembro, as forças das Nações Unidas começam uma ambiciosa ofensiva para retomar a costa oeste, ocupada pelo exército norte-coreano. Em 15 de setembro, chegam inesperadamente em Inchon, perto de Seul, e algumas horas depois entram na cidade ocupada. Os setenta mil soldados norte-coreanos são vencidos pelos cento e quarenta mil soldados das Nações Unidas. Cinco dias depois, exatamente três meses após o início das hostilidades, Seul é libertada.
Com essa vitória, os Estados Unidos mantêm sua supremacia no sul. Mas, para eles isso não basta. Em primeiro de outubro, as forças internacionais violam a fronteira do paralelo 38, como os coreanos haviam feito, e avançam para a Coréia do Norte. A capital, Piongiang, é invadida pelo exército sul-coreano e pelas tropas das Nações Unidas, que, em novembro, aproximam-se da fronteira com a China. Ameaçada, a China envia trezentos mil homens para ajudar a Coréia do Norte.
A Coréia do Norte é devastada. Os suprimentos enviados pela União Soviética são interceptados pelas forças das Nações Unidas. Durante quase três anos, o povo coreano, uma das mais notáveis culturas da Ásia, é envolvido em uma brutal guerra fratricida. Milhares de prisioneiros amontoados em campos de concentração esperam ansiosamente por um armistício. Com a ajuda da China, as forças das Nações Unidas são rechaçadas para a Coréia do Sul. A luta pelo paralelo 38 continua. Em Seul, as tropas são visitadas por artistas que tentam elevar seu moral.
O General MacArthur, insistindo em um ataque direto à China, é substituído, em abril de 51, pelo General Ridway. Em 23 de junho começam as negociações de paz, que duram dois anos e resultam num acordo assinado em Pamunjon, em 27 de julho de 53.
Mas, o único resultado é o cessar fogo. Na guerra coreana morreram cerca de três milhões e meio de pessoas. O tratado de paz ainda não foi assinado, e a Coréia continua dividida em Norte e Sul. A oportunidade chegou em junho de 1950, com os conflitos entre o sul e o norte da Coréia, na região dividida pelo paralelo 38. As duas partes reivindicavam para si a hegemonia sobre todo o país.
Os Estados Unidos, liderando uma força multinacional da ONU, enviaram, em setembro, suas tropas em auxílio ao governo sul-coreano. Ao mesmo tempo, fizeram grandes encomendas ao Japão, que ficou encarregado de fabricar roupas e suprimentos para as tropas na frente de batalha. Dessa forma, o Japão pôde iniciar a reconstrução de sua economia. A Guerra da Coréia durou três anos e matou pelo menos três milhões e quinhentas mil pessoas. No final, tudo como antes. As fronteiras permaneciam as mesmas, no paralelo 38, e os regimes dos dois países também: o norte sob o domínio dos comunistas pró-soviéticos e o sul controlado pelos capitalistas pró-Estados Unidos.
Após a guerra os Estados Unidos passaram a injetar na Coréia do Sul milhões de dólares todo o ano na intenção de impedir a volta do socialismo naquele país, como fez em vários outros países que circundavam a URSS. Com tanto dinheiro entrando nos cofres públicos, a Coréia do Sul foi se desenvolvendo, e com a entrada do capital japonês despontou como líder dos Tigres Asiáticos no final da década de 80 e por toda a década de 90. Porém o grande salto tecnológico e desenvolvimentista do pós-guerra da Coréia configura uma grande diferença sócio-econômica entre o país sulista e a Coréia do Norte, um dos fatos que dificulta a reunificação. Os impasses para que o país volte a ser um só são muitos. A reportagem seguir, retirada do jornal Gazeta do Povo, nº. 26.573, de 26 de julho de 2002, mostra a proposta de retomada do diálogo pela Coréia do Norte com o Sul, interrompido desde 29 de junho de 2002:
"Seul (AFP) – A Coréia do Norte lamentou o incidente naval do fim de junho com a Coréia do Sul e propôs ontem a retomada do diálogo em nível ministerial com o país vizinho, informaram fontes oficiais sul-coreanas.
O governo norte-coreano sugeriu que conversas preliminares ocorram no início de agosto, no Monte Kumgang, em seu território, para a preparação de um encontro de maior escalão, disse um porta-voz do Ministério da Reunificação.
As relações entre os dois países voltaram a ficar tensas depois do confronto naval de 29 de junho, que deixou 4 mortos, 1 desaparecido e 19 feridos entre os marinheiros sul-coreanos, e 30 mortos e feridos do lado norte-coreano, segundo o exército da Coréia do Sul.
A proposta foi enviada ao ministro da Reunificação, Jeong Se-Hyun – da cidade de Panmunjom, situada na área desmilitarizada – pelo chefe da delegação do Norte nas negociações anteriores, Kim Ryong-Song.
O presidente sul-coreano, Kim Dae-Jung, havia pedido que Pyongyang se desculpasse e punisse os responsáveis pelo incidente, o mais grave dos últimos três anos entre as duas Coréias. O presidente denunciou uma ‘provocação norte-coreana’, mas destacou que incidente não deveria pôr em dúvida sua política de abertura ao Norte, apesar do pedido da oposição de um endurecimento da posição sul-coreana.
Seul não respondeu imediatamente ao convite de Pyongyang, mas o recebeu de bom grado. ‘Sejam quais forem as circunstâncias, o diálogo deve continuar para garantir a paz na península’, indicou o Ministério da Reunificação através de um comunicado.
O chamado diálogo acontece no momento em que se evoca um possível encontro entre o ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Paek Nam-Sum, e o americano Colin Powell, semana que vem em Brunei. Coincide também com um projeto de liberação da economia norte-coreana tomando como base o modelo chinês."
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