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Humanismo

O humanismo italiano

Humanismo é a palavra que define a revolução intelectual ocorrida no Renascimento. Os humanistas se caracterizavam pelo pensamento individualista, pelo universalismo intelectual (tendência a criar uma cultura que fosse comum às elites européias), pelo refinamento cultural e pelas preocupações espirituais. Eram geralmente eclesiásticos e professores universitários de origem burguesa, protegidos por particulares ricos ou pelos príncipes. Interessavam-se profundamente pela Antigüidade Clássica, desprezando a cultura gótica medieval. Viajavam constantemente, à procura de manuscritos antigos que eles reconstituíam, comentavam e editavam. Expressavam-se em latim clássico, de preferência a seus próprios idiomas nacionais. Aprendiam grego, hebraico e até mesmo árabe.

Dante, Petrarca e Boccaccio podem ser considerados precursores do humanismo. Escrevendo em dialeto toscano (que por causa deles se transformaria no italiano vernáculo), em meados do século XIV, produziram obras que rompiam com os padrões tradicionais da Idade Média. Dante escreveu A Divina Comédia. Petrarca, criador do soneto, demonstrou em sua obra África ter consciência das transformações de sua época. Boccaccio, no livro de contos Decameron, evidenciou um espírito crítico que já prenunciava a Renascença.

O advento da imprensa desempenhou um papel importantíssimo na evolução intelectual do período: ao baratear os livros e tornar a leitura acessível a um número muito maior de pessoas, a imprensa contribuiu decisivamente para a divulgação das idéias e dos conhecimentos. Inicialmente, cada página era impressa por meio de um bloco inteiriço de madeira, onde o texto era gravado. Surgiram depois tipos móveis ainda de madeira, até que o alemão Gutenberg passou a produzi-los com uma liga de chumbo e antimônio, por volta de 1450. A nova técnica de imprimir espalhou-se rapidamente e as firmas impressoras se multiplicaram.

Em Roma, o papa Nicolau V reuniu numerosos documentos antigos na Biblioteca do Vaticano, aberta ao público em 1475. Mas o grande centro humanístico do final do século XV foi Florença. O príncipe Lourenço de Médicis, cognominado o Magnífico, fundou a Academia Platônica, onde intelectuais ilustres como Marcílio Ficino e Pico Della Mirandola buscavam conciliar o pensamento clássico com o ideal cristão.

Foi em Florença que Maquiavel renovou os estudos históricos e políticos, ao procurar definir princípios teóricos para a prática de governo. Comparando a política romana com a de sua própria época, tomou César Borgia, filho do papa Alexandre VI, como modelo de ação política pragmática e desprovida de senso moral. Em O Príncipe, Maquiavel estabeleceu os fundamentos teóricos do Estado moderno, formulando o conceito de razão de Estado, que seria posteriormente pedra angular na teorização do absolutismo europeu.

Na Itália, o Renascimento Literário não alcançou o brilho do Renascimento Artístico. Mesmo assim, devemos destacar as obras de Ariosto (Orlando Furioso) e de Tasso (Jerusalém Libertada), que restauraram o gênero épico nos moldes clássicos.

O humanismo fora da Itália:
Erasmo de Rotterdam, o Príncipe dos Humanistas

Erasmo de Rotterdam (1466-1536) foi o mais destacado humanista fora da Itália. Destinado à carreira eclesiástica, depois de ser ordenado padre viveu em vários países, até se fixar na cidade de Basiléia (Suíça), de onde manteve ativa correspondência com os principais intelectuais da época.

Seu pensamento era profundamente cristão e moral. Satirizou a sociedade de seu tempo na obra Elogio da Loucura. Nos Adágios e colóquios, mostrou os valores filosóficos e morais extraídos dos textos gregos e latinos. E, embora fosse um crítico acerbo dos abusos praticados pela Igreja, conservou-se católico, não aderindo à Reforma Protestante.

Humanismo francês

A oposição ferrenha da Universidade de Paris à liberdade intelectual dos humanistas fez com que o rei Francisco I criasse o Colégio de França (1529), que assegurou o triunfo do humanismo entre os franceses e ainda hoje é um respeitadíssimo estabelecimento de ensino.

A poesia renascentista francesa encontrou em Ronsard sua maior expressão. Na prosa, destacaram-se Rabelais, que escreveu Gargantua e Pantagruel, e Montaigne, autor de Ensaios.

O Renascimento em outros países

Na Inglaterra, o Renascimento Literário teve seus pontos altos com o insigne humanista Thomas Morus, autor de Utopia, e William Shakespeare, o maior teatrólogo de todos os tempos. Em Portugal Camões cantou n’ Os Lusíadas as glórias de seu país. Na Espanha, Cervantes, em D. Quixote, satirizou as novelas de cavalaria e os valores da nobreza medieval.

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