Quando o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, anunciou em março de 1983 o projeto Iniciativa de Defesa Estratégica (IDE), mais conhecido como "guerra nas estrelas", esse ambicioso plano já tinha sua central de operações. Localizava-se no arenoso atol de Kwajalein, nas ilhas Marshall (Micronésia, Pacífico Norte), e consistia numa base secreta de alta tecnologia. Ali, um grupo selecionado de cientistas civis e militares pesquisava e desenvolvia sistemas antibalísticos e de rastreamento no espaço. Ali também ocorreu a façanha pioneira que consistiu em explodir, com um míssil teleguiado, outro projétil nuclear em pleno ar (...).
Pela primeira vez desde que se iniciou a corrida espacial, conseguia-se interceptar um míssil na alta atmosfera. Tornava-se possível explodir ogivas atômicas no espaço, durante o curto intervalo em que elas se dirigem para o alvo. Era, afinal a prova da viabilidade do projeto "guerra nas estrelas", que prevê o uso do espaço cósmico para a instalação de escudos defensivos antimísseis. Seu papel inicial: proteger o território e as instalações militares americanas contra os 1.400 mísseis balísticos intercontinentais do arsenal soviético, presumivelmente baseados em terra.
A chave da tecnologia da IDE consiste no uso de armas de energia dirigida: feixes de partículas atômicas ou raios laser, que têm velocidade superior à dos mísseis convencionais (de dezenas de quilômetros por segundo até a velocidade da luz, 300.000 km/s, contra apenas alguns quilômetros por segundo dos mísseis). Segundo os defensores do projeto, seria essa a única forma de neutralizar um ataque nuclear nos cinco primeiros e cruciais minutos a partir do seu lançamento: os sistemas antibalísticos então vigentes se baseavam em foguetes capazes de destruir as ogivas atacantes no dois últimos minutos de sua trajetória, quando os projéteis reingressam na atmosfera.