COMO REDIGIR CORRETAMENTE
EM INGLÊS
INTRODUÇÃO
Enrolar,
enfeitar a jogada, enfeitar a noite do meu bem, encher
lingüiça, são expressões populares usadas para
referir-se ao hábito do uso da retórica na linguagem. Esta
tendência, freqüentemente observada em português, é um vício
remanescente de séculos passados, quando a linguagem escrita
era uma arte dominada por poucos e a sua função era
predominantemente literária. Retórica era sinal de erudição,
e por vezes a forma chegava a se impor sobre o conteúdo.
In
Portuguese, if the reader does not understand what he
reads, he may think the writer is more intelligent than
he, while in English most likely the writer is the one
who takes the blame.
|
ORIGENS DAS DIFERENÇAS
Há
quem diga que esta tendência no português de se ser
vago, de se valorizar uma linguagem afastada dos
fatos e maquiada pelas formas, é um hábito originado
nos anos de regime militar, quando jornalistas
tinham que informar mas tinham receio de se
comprometer. A "liberdade vigiada" daqueles anos de
regime de excessão exigia um subterfúgio, uma
linguagem não-explícita, cuja mensagem ficasse por
conta da capacidade de imaginação do leitor.
Já
outros acreditam serem as raízes mais profundas.
Evocam o período colonial do Brasil, quando o pouco
trabalho que havia era responsabilidade da
mão-de-obra escrava, e a classe letrada dedicava
muito tempo burilando textos que valorizavam a
estética e o subjetivismo, num mundo que ainda se
comunicava muito através da literatura.
Outros vão mais longe ainda. Afirmam que, há mais de
20 séculos, diferenças sociais e culturais já
marcavam contrastes. Enquanto o Império Romano da
língua latina mantinha seu apogeu pela força
militar, permitindo a existência de classes eruditas
que podiam se dedicar às artes e às letras, quando
meio século antes de Cristo o orador Cícero já se
dedicava à crítica literária e ao estudo de retórica
e o poeta Virgílio destilava seu lirismo
profetizando com eloqüência o destino de Roma no
mundo; àquela época os povos bárbaros de línguas
germânicas encontravam-se ou guerreando ou
trabalhando para sobreviver e pagar impostos ao
Império, sem tempo para as artes, e usando uma
linguagem de comunicação clara e objetiva,
sintonizada em fatos concretos e nos afazeres do
dia-a-dia.
Seja qual for a origem, o fato é que hoje, em pleno
alvorecer da era da informação, num mundo que se
transforma numa comunidade cada vez mais
interdependente e que se comunica cada vez mais,
tendências idiomáticas contrastantes representam um
impecílio para ambos os lados. Nunca o mundo se
comunicou tanto, nunca o tempo foi tão curto para
tanta informação, e portanto nunca a objetividade na
linguagem foi tão necessária. |
Nos tempos
modernos, portanto, com a internacionalização do mundo e com
o crescente desenvolvimento da tecnologia de comunicação, a
funcionalidade dos idiomas como meios de comunicação clara e
objetiva se impõe a tudo mais, fato este reconhecido também
pelos mais respeitados representantes da língua portuguesa:
"A
diferença entre o escritor e o escrevedor está sobretudo
na economia vocabular. Conseguir o máximo com o mínimo -
eis um sábio programa." (Celso Pedro Luft)
Especialmente no caso do inglês, hoje adotado como língua
internacional, esta tendência é marcante. O inglês moderno
na sua forma escrita não tolera retórica. No comércio
internacional, na imprensa escrita, e nos meios acadêmicos
exige-se cada vez mais clareza. Frases longas, adjetivação
excessiva, tom vago, textos que exigem maior esforço para
serem compreendidos, falta de concisão, todas estas
características facilmente são consideradas pobreza de
estilo. A beleza do inglês moderno
está na substância, na simplicidade, na clareza, e na
integridade lógica.
Em paralelo
a isso, a redação e editoração de textos via computadores
está criando uma tendência à padronização do inglês na sua
forma escrita. Pelo fato de ter sido um país de língua
inglesa (EUA) o berço da informática, os softwares hoje
existentes para processamento ou edição de textos oferecem
recursos avançados para verificação gramatical de textos em
inglês. Estes "grammar checkers" seguem todos os mesmos
preceitos básicos, influindo de forma semelhante sobre quem
redige, e conduzindo lenta e gradativamente a uma maior
padronização na forma de escrever.
Por tudo
isso pode-se dizer que redigir bem em
inglês é mais fácil do que se imagina. A primeira
condição, que apesar de elementar é muito pouco observada, é
de que o texto seja sempre criado a partir de uma idéia. Em
qualquer língua, texto escrito deve ser sempre o reflexo de
uma idéia, que por sua vez origina-se em fatos do universo.
A idéia é sempre anterior ao texto. Se a idéia não for
clara, o texto também não o será.
Outra
condição é domínio sobre o idioma falado. Seria difícil
tentar redigir uma idéia a respeito da qual não
conseguíssemos falar claramente. É por isso que traduções ou
versões a partir de um texto em português, feitas com a
ajuda de dicionário, normalmente produzem resultados
desastrosos. A não ser quando se trata de documentos, e com
ressalvas, não deveria existir o que chamam de tradução
literal. Todo texto precisa ser interpretado, isto é: a
idéia precisa ser entendida e então recriada, e diferenças
culturais explicadas sob a nova ótica.
REGRAS PARA UMA BOA REDAÇÃO
1. Organize
suas idéias em itens, faça um outline.
Itemizar os
pontos importantes da idéia possibilita disciplinar seu
pensamento, estabelecendo uma seqüência lógica entre os
elementos da idéia. Possibilita também relacionar todos os
pontos importantes e estabelecer uma hierarquia de
importância entre eles. Um outline ou esboço
normalmente contém uma introdução, desenvolvimento da idéia
com discussão de todos os elementos, e conclusão.
2.
Certifique-se de que cada oração tenha um sujeito e que o
sujeito esteja antes do verbo.
Em
português freqüentemente as frases não têm sujeito. Sujeito
oculto, indeterminado, inexistente, são figuras gramaticais
que no português explicam a ausência do sujeito. Isto no
inglês entretanto não existe. A não ser pelo modo
imperativo, toda frase em inglês normalmente tem sujeito. Na
falta de um sujeito específico, muitas vezes o pronome IT
deve ser usado. Além disso, em português muitas vezes o
sujeito aparece no meio ou no fim da frase. Em inglês ele
deve estar sempre antes do verbo (a não ser no caso de
frases interrogativas), e de preferência no início da frase.
Observe os seguintes exemplos:
|
Está chovendo. (sujeito inexistente)
Ontem caiu um avião.
Esses dias apareceu lá na companhia um vendedor.
Acaba de fracassar uma estratégia publicitária
das mais criativas. |
Há cerca de dois
meses atrás, justamente quando a empresa passava por
dificuldades de natureza financeira, compareceu à
reunião da diretoria o representante dos nossos
bancos credores para avisar que nossas linhas de crédito
teriam que ser reduzidas.
|
It's raining.
An airplane crashed yesterday.
A salesman came to the office the other day.
One of the most creative publicity strategies
has just failed. |
The
representative of our creditor banks attended a
directory meeting about two months ago to warn that our
credit lines would have to be reduced, just when the
company was facing financial difficulties.
Ao formar
uma frase, o aluno deve acostumar-se a pensar sempre em
primeiro lugar no sujeito, depois no verbo. O pensamento em
inglês estrutura-se, por assim dizer, a partir do sujeito. A
ordem natural e até certo ponto rígida dos elementos da
oração em inglês é: Sujeito - Verbo - Complento. Comparando
o ato de escrever com a montagem de uma peça teatral,
poderíamos dizer que no português há uma tendência a se
montar o cenário para então colocar-se o ator principal em
cena. No inglês, a ordem normal seria inversa: primeiro
coloca-se o personagem principal (sujeito e verbo) para
então completar com a montagem do cenário (objetos, adjuntos
adverbiais e adnominais e orações subordinadas).
3. Use frases
curtas.
A idéia a
ser comunicada deve ser dividida em partes na medida do
possível. Uma frase excessivamente longa, além de aumentar
as chances de erro, é sempre mais difícil de ser lida e
entendida do que uma série de frases curtas. Textos em
inglês normalmente contêm mais pontos finais e menos
vírgulas do que em português. Exemplo:
During my
vacation in July, when I went to the south of France and
other parts of central Europe, I bought many souvenirs
and I saw many interesting places, both the normal
tourist sites and the lesser known locations.
Last July I went
on vacation in the south of France and other parts of
central Europe. I bought many souvenirs and saw many
interesting places. Some of the places I visited were
the normal tourist sites, and others were lesser known
locations.
4. Seja breve
e evite o uso de palavras desnecessárias.
Tanto no
inglês como no português existem certas palavras que devido
à forma abusiva com que são usadas, deixaram de carregar
qualquer significado. Tornaram-se modismos que servem apenas
para conferir um falso tom de intelectualidade e confundir.
Exemplo disso no português são as expressões realmente,
evidentemente, efetivamente, a rigor, em termos de, a nível
de, etc. No inglês temos expressões como: absolutely,
as a matter of fact, actually, really, it seems to me, you
know, etc., as quais pouco ou nada acrescentam à
mensagem. Observe o seguinte exemplo:
As a matter of
fact, I'm absolutely tired. Actually that's the reason
why I don't really want to go to the movies tonight.
I don't want to
go to the movies tonight because I'm tired.
Este
princípio de economia em relação ao uso de palavras
aplica-se também ao uso de formas desnecessariamente
complexas. Exemplos:
|
Complexo:
The multiplicity of functionality is really
advantageous to the overall marketability of the
product. |
After
liquidating her indebtedness she was still in possession
of sufficient resources to establish a small commercial
enterprise.
|
Correto:
The many functions of the product will help its
sales. |
After paying her
debts, she still had enough money to set up a small
business.
5. Seja
objetivo; apresente fatos em vez de opinões.
Em qualquer
idioma fatos sempre informam mais do que opiniões
subjetivas. O texto deve se limitar o mais possível a fatos,
ficando a conclusão reservada para o leitor. Não imponha ao
leitor o seu julgamento; permita-lhe formar o seu próprio. É
sempre desejável ser o mais claro e específico possível,
substituindo palavras de mero efeito ou de significado vago,
pela respectiva explicação. Exemplo:
|
Subjetivismo vago:
The speaker was fascinating to the audience.
There is evidence that UFOs may actually
exist.
Our language teachers are highly qualified. |
I hate
television.
|
Correto:
The speaker presented his topic well, and the
audience enjoyed his analogies from daily life.
Several photographs, video tapes and testimonies
show that UFOs may actually exist.
Our language teachers are native speakers with
college education. |
The effects of
television can be very damaging. The soap operas portray
dishonesty, violence, ill emotions, all kinds of
negative social behavior, and the news is often biased.
6. Cuidado com
o uso de Voz Passiva.
Voz passiva
consiste em trocar o sujeito e o objeto direto de posição. O
objeto assume a posição do sujeito, mas permanece inativo,
isto é, passivo. Passa a ser um sujeito que não é autor de
ação nenhuma. O verdadeiro sujeito, por outro lado, assume o
papel de agente da passiva, sendo que neste papel deixa de
ser essencial à oração, ficando freqüentemente omitido.
Exemplos:
The cat ate the
mouse.
O gato comeu o
rato.
Voz ativa.
The mouse was
eaten by the cat.
O rato foi comido
pelo gato.
Voz passiva.
The mouse was
eaten.
O rato foi comido.
Voz passiva sem
agente.
No
português, o uso da voz passiva é extremamente comum e
apropriado ao idioma. O tom vago de uma voz passiva sem
agente, assim como um sujeito indeterminado, são
características típicas do português. No inglês moderno, por
outro lado, a voz passiva chega a ser quase proibitiva
porque destoa em relação à necessidade de clareza e de
presença de fatos, limitando-se seu uso a casos em que o
agente da passiva é desconhecido, irrelevante ou
subentendido. Exemplos:
The store was robbed last night.
Toyotas are made in Japan.
Clinton was elected President.
Exemplo de um texto
em português normal, abundante em voz passiva:
Como não deve ser
redigido em inglês:
O mesmo texto
redigido em inglês, de forma mais apropriada:
Ficou decidido que
os débitos deverão ser saldados até o final do mês de
novembro, a partir de quando então serão cobrados com
juros e correção monetária. Os plantadores em débito
serão visitados pelo pessoal de campo e serão avisados a
respeito das novas determinações.
It has been
decided that the debts must be paid before the end of
the month of November, being after then collected with
interest and monetary correction (inflation). The
farmers in debt will be visited by the field personnel
and will be notified of the new determinations.
The company
decided the farmers must pay their debts before the end
of November. After that, interest and monetary
correction will be added. Our field personnel will visit
and notify the farmers of the new determinations.
7. Mantenha
uma conexão lógica entre as frases fazendo uso correto de
Words of Transition.
Words of
transition ou Words of connection são conjunções,
advérbios, preposições, etc., que servem para estabelecer
uma relação lógica entre frases e idéias. O uso correto
destas palavras de conexão confere elegância ao texto e,
mais importante, solidez ao argumento. Exemplos:
I went swimming.
It was cold.
I went swimming
in spite of the cold weather. Although it
was cold, I went swimming.
Many people
watch TV. I don't like to waste my time watching
television. The quality of the programs is very poor.
I'm going to read books. I'm not going to watch soap
operas.
Although
many people watch TV, I don't like to waste my time
watching television because the quality of the
programs is very poor. Therefore I'm going to
read books instead of watching soap operas.