Origem do Conceito de Derivada de uma
Função
O conceito de função que hoje pode
parecer simples, é o resultado de uma lenta e longa evolução
histórica iniciada na Antiguidade quando, por exemplo, os
matemáticos Babilônios utilizaram tabelas de quadrados e de
raízes quadradas e cúbicas ou quando os Pitagóricos tentaram
relacionar a altura do som emitido por cordas submetidas à mesma
tensão com o seu comprimento. Nesta época o conceito de
função não estava claramente definido: as relações entre as
variáveis surgiam de forma implícita e eram descritas
verbalmente ou por um gráfico.
Só no séc. XVII, quando Descartes e
Pierre Fermat introduziram as coordenadas cartesianas, se tornou
possível transformar problemas geométricos em problemas
algébricos e estudar analiticamente funções. A Matemática
recebe assim um grande impulso, nomeadamente na sua
aplicabilidade a outras ciências - os cientistas passam, a
partir de observações ou experiências realizadas, a procurar
determinar a fórmula ou função que relaciona as variáveis em
estudo.
A partir daqui todo o estudo se
desenvolve em torno das propriedades de tais funções. Por outro
lado, a introdução de coordenadas, além de facilitar o estudo
de curvas já conhecidas permitiu a "criação" de
novas curvas, imagens geométricas de funções definidas por
relações entre variáveis.
Foi enquanto se dedicava ao estudo de
algumas destas funções que Fermat deu conta das limitações do
conceito clássico de reta tangente a uma curva como sendo aquela
que encontrava a curva num único ponto. Tornou-se assim
importante reformular tal conceito e encontrar um processo de
traçar uma tangente a um gráfico num dado ponto - esta
dificuldade ficou conhecida na História da Matemática como o
" Problema da Tangente".
Fermat resolveu esta dificuldade de uma
maneira muito simples: para determinar uma tangente a uma curva
num ponto P considerou outro ponto Q sobre a curva; considerou a
reta PQ secante à curva. Seguidamente fez deslizar Q ao longo da
curva em direção a P, obtendo deste modo retas PQ que se
aproximavam duma reta t a que Fermat chamou a reta tangente à
curva no ponto P.
Fermat notou que para certas funções,
nos pontos onde a curva assumia valores extremos, a tangente ao
gráfico devia ser uma reta horizontal, já que ao comparar o
valor assumido pela função num desses pontos P(x, f(x)) com o
valor assumido no outro ponto Q(x+E, f(x+E)) próximo de P, a
diferença entre f(x+E) e f(x) era muito pequena, quase nula,
quando comparada com o valor de E, diferença das abcissas de Q e
P. Assim, o problema de determinar extremos e de determinar
tangentes a curvas passam a estar intimamente relacionados.
Estas
idéias constituíram o embrião do
conceito de DERIVADA e levou Laplace a considerar Fermat "o
verdadeiro inventor do Cálculo Diferencial". Contudo,
Fermat não dispunha de notação apropriada e o conceito de
limite não estava ainda claramente definido.
No séc.XVII, Leibniz algebriza o
Cálculo Infinitésimal, introduzindo os conceitos de variável,
constante e parâmetro, bem como a notação dx e dy para
designar "a menor possível das diferenças em x e em y.
Desta notação surge o nome do ramo da Matemática conhecido
hoje como " Cálculo Diferencial.
Assim, embora só no século XIX Cauchy
introduzia formalmente o conceito de limite e o conceito de
derivada, a partir do séc. XVII, com Leibniz e Newton, o
Cálculo Diferencial torna-se um instrumento cada vez mais
indispensável pela sua aplicabilidade aos mais diversos campos
da Ciência.