Dicas de Matemática
1.
A primeira
dica que eu gostaria de ressaltar é sobre a leitura da questão de matemática.
Muitos alunos começam a ler a questão e, sem terminar de ler todo o enunciado,
acham que já sabem o que o problema está pedindo e saem fazendo as contas. Mas,
na verdade, não sabem realmente qual a pergunta do problema. Isso é muito ruim,
pois em muitos problemas a pergunta está justamente no finalzinho do enunciado.
Eu vou dar um exemplo: imaginem a seguinte questão - resolvendo a equação 3x =
12... Aí o aluno pára e fala: 3x = 12 eu sei; então x é 12 dividido por 3; então
x é 4. Aí ele bate o olho na alternativa A : está escrito 4 na solução. Então,
ele fala, "ah, acertei", então ele vai lá e marca. Só que olha como era o
enunciado: resolvendo a equação 3x=12, então o valor de X ao quadrado é... Com
esse exemplo, você vê que uma questão muito fácil pode ser jogada fora por causa
de uma má leitura do enunciado. O que eu aconselho para você é o seguinte: faça
uma primeira leitura do enunciado para você se familiarizar com o problema; é
preciso que você compreenda o problema. Numa segunda leitura, analise os dados e
a pergunta do problema; você precisa encontrar a conexão entre os dados e a
incógnita. Encontrada essa conexão, aí sim você deve partir para a resolução do
problema.
2.
Em toda
prova, existem questões fáceis, médias e difíceis. Ao começar resolver a prova,
encare as questões como um jogo de pega-varetas. Resolva primeiro as questões
que você achar que são fáceis, só para depois você fazer as médias e só depois
de tudo isso encarar as difíceis. Se ao ler uma questão e perceber que você sabe
sobre o assunto pedido naquele problema, mas naquele momento você não se lembra
de um pequeno detalhe ou de uma formulazinha para poder solucionar o problema,
pule para a próxima. Só volte para essa questão depois de ter lido as restantes
e resolvido aquelas que apresentam soluções bem simples. Nunca fique muito tempo
em uma única questão. Quando você perde muito tempo em uma questão, além de
ficar nervoso, você joga fora a possibilidade de estar resolvendo questões mais
fáceis, ou seja, está jogando fora a possibilidade de somar mais alguns
pontinhos.
3.
Existem
alguns assuntos de matemática que são muito cobrados em praticamente todos os
vestibulares, os quais muito provavelmente irão aparecer em sua prova. Eu vou
listar esses assuntos e, se você tiver alguma dúvida sobre alguns deles,
consulte seu professor ou pergunte pra algum amigo, pro vizinho, pro pai, pra
mãe, pra qualquer pessoa, mas não vá fazer a prova sem estar familiarizado com o
assunto. Bom, os assuntos são:
porcentagem;
logaritmos - não
esqueça da definição, da condição de existência e das propriedades;
semelhança de
triângulos;
teorema de
Pitágoras;
progressão
aritmética - não se esqueça do termo geral e da expressão da soma dos termos.
Também não se esqueça de que, quando temos um número ímpar de termos numa PA, o
termo do meio é igual à média aritmética dos extremos;
progressão
geométrica - não se esqueça do termo geral e da expressão da soma dos termos da
PG finita e da infinita. Também não se esqueça de que, quando temos um número
ímpar de termos em PG, o termo do meio é a média geométrica dos extremos;
área de figuras
planas;
olinômios;
análise
combinatória - tenha muito clara, em sua cabeça, a diferença entre arranjos e
combinações;
equações de reta
e de circunferência;
números
complexos.
Além desses
assuntos, já faz algum tempo que a Fuvest não pede nada sobre matrizes e
determinantes nas provas da primeira fase. Meu palpite diz que vale a pena dar
uma olhadinha nesses assuntos, ou seja, operações com matrizes, cálculos de
determinantes e propriedades.
4.
Analisando as últimas provas da Fuvest, a gente percebe que a tendência do
vestibular é cobrar o raciocínio lógico do aluno e não a simples "decoreba" de
fórmulas, ou grandes cálculos algébricos para conferir se a gente sabe ou não
fazer contas. Os examinadores estão preocupados em analisar se você sabe ou não
interpretar o texto, analisar os dados, fazer interligações entre assuntos e
disciplinas e, a partir dessa interligação e dessa análise de texto, encontrar
alguma seqüência lógica para solucionar o problema. Se ao resolver um exercício
você se deparar com contas imensas, números extremamente grandes, desconfie: o
caminho que você está seguindo não é o correto ou deve existir um caminho mais
fácil e menos trabalhoso para solucionar o exercício.
Ainda dentro
dessa dica, queria falar sobre questões que apresentam enunciados muito longos,
daquelas que você já olha e fica assustado - "isso aqui não sei". Geralmente,
nesse tipo de questão, quando o aluno chega ao fim da leitura do enunciado, já
se esqueceu o que dizia o começo do problema: aí fica nervoso e acaba
considerando a questão difícil. Tome muito cuidado: quando os enunciados são
cumpridos, nem sempre a questão é muito difícil. Nesse tipo de questão, o
examinador costuma apresentar uma receita, tipo uma receita de bolo. O que você
deve fazer então ? Com calma, leia novamente o texto, interprete o problema em
si e siga os passos da receita apresentada. Com certeza, você chegará à solução.
5.
Equação do segundo grau é toda equação que pode ser escrita na forma
, com
. Na equação
do segundo grau, o "a", o "b" e o "c" são os coeficientes, e o "x" é a
incógnita. Para resolvermos uma equação do segundo grau, podemos utilizar a
forma resolutiva de Bhaskara, que é dada por:

em que
. Eu sei que
você já está bem familiarizado com esta fórmula, mas o que eu gostaria mesmo de
frisar é o delta. Quando aparecem questões sobre equação de segundo grau e o
examinador faz referências ao delta, ele não fala delta e sim discriminante, ou
seja, no meio de uma questão aparece uma frase do tipo "o discriminante de uma
equação do segundo grau".... Se o aluno não sabe o que é discriminante, se
assusta e pára a questão. Então, não se esqueça: o discriminante é o delta da
equação do segundo grau.
Dentro ainda do assunto de equação de segundo grau, queria relembrar soma e
produto. A soma das raízes da equação do segundo grau, ou seja:
|
. |
e o produto, que
é
|
. |
Quando você tem que usar soma e produto? Existem alguns casos em que vale a pena
a gente dar uma olhadinha. Quando o exercício nos dá uma relação entre as
raízes, ou está pedindo uma relação entre as raízes, do tipo
, quanto que
vale? Geralmente, quando é pedida uma relação entre as raízes e o aluno não sabe
soma e produto, as contas se tornam grandes, pois o delta desse tipo de equação
não costuma dar um quadrado perfeito e você acaba se enroscando no meio das
contas.
06.
Dicas
para quem vai prestar o vestibular da Fuvest este ano. Se você quer dar aquela
revisada mas o tempo é curto, selecione alguns assuntos quase que inevitáveis,
ou seja, aqueles que possuem uma probabilidade maior de ocorrência na primeira
fase da Fuvest.
A Álgebra, como sabemos, é a campeã das aparições. Priorize funções de primeiro
e segundo graus, assim como inequações e análise de gráficos - ou seja, procure
identificar os pontos notáveis para a obtenção de gráficos; por exemplo, ponto
de máximo e mínimo, coeficiente linear...
Quanto a matrizes, enfatize o produto entre matrizes, além do cálculo de
determinante de terceira ordem; fixe-se bem em conceitos e propriedades. Agora,
se o assunto é Logaritmos, preste atenção nas definições e, principalmente, nas
propriedades.
Em Trigonometria, procure amadurecer bem a trigonometria no triângulo retângulo
e enxergar os eixos seno, cosseno e tangente - e , principalmente, ter a
percepção de que os ângulos não estão nos eixos coordenados, embora normalmente
sejam a incógnita de uma equação trigonométrica. Falando em equação
trigonométrica, é bom não esquecer a famosa relação fundamental: o seno ao
quadrado de um ângulo, mais o cosseno ao quadrado do mesmo ângulo, é sempre
igual a um. Na maioria dos casos, em Trigonometria essa relação é a salvadora da
pátria, e dificilmente te deixa na mão.
07.
Questões criativas e bem formuladas de Geometria Plana têm sido cobradas com
muita freqüência pela Fuvest. Dentro desse assunto, dê prioridade à semelhança
entre triângulos, além do cálculo de áreas de figuras planas de uma forma geral:
quadriláteros, triângulos, círculos, etc. Atente, principalmente, para polígonos
com "n" lados e procure enxergar figuras mais simples em sua composição, como,
por exemplo, o cálculo da área de um hexágono, que é visto como seis vezes a
área de um triângulo equilátero de lado igual ao lado do hexágono.
Ainda em geometria plana: evite, nos exercícios de semelhança, desenhar as
figuras semelhantes fora do desenho normalmente dado - é pura perda de tempo:
nem sempre (ou melhor, nunca) há espaço suficiente para isso na folha de
rascunho. Procure - através dos ângulos nas figuras, que, em geral, são
triângulos - identificar a semelhança entre elas e estabelecer uma
correspondência entre os lados proporcionais e seus respectivos ângulos. Isso
suaviza o exercício e, o que é melhor, você ganha tempo para se dedicar a outros
exercícios que exijam conhecimentos mais específicos da matéria.
08.
Um
toque especial, para quem concorre a uma vaga nesse vestibular, é que apesar da
Álgebra continuar reinando absoluta, a Geometria Plana e a Aritmética têm
chegado lá com muita força. Uma boa pedida para investir tempo de estudo nessa
altura do campeonato é em questões de Aritmética, em especial envolvendo
porcentagens. Nos últimos anos, cobra-se mais o raciocínio lógico do que
propriamente o acúmulo de fórmulas na cabeça; eu costumo até dizer que o cara
que sabe bem regra de três e, conseqüentemente, a relação entre o todo e a
parte, já tem meio caminho andado para se dar bem nas provas de Química, Física,
Matemática e até mesmo de Biologia. Além disso, é provável que esse ano sejam
misturados postulados e teoremas de Geometria de Posição com Geometria Espacial.
Nesse tópico, estude Pirâmides, Cones e Cilindros e seus respectivos troncos, e
preste atenção nas partes da esfera, além dos conjuntos de sólidos que podem ser
inseridos um no outro - por exemplo, um cubo dentro de uma esfera. Quanto à
Geometria Analítica, é fatal: retas e circunferências têm roubado a cena.
Posições relativas entre reta e reta, reta e circunferência e o conceito de
coeficiente angular têm de estar bem amadurecidos. Preste atenção: o coeficiente
angular representa a tangente do ângulo que a reta forma com o eixo "x". Procure
interligar os assuntos, não os veja em compartimentos estanques, pois tudo acaba
se encontrando. Além disso, sempre que possível em geometria analítica, faça um
desenho para ajudar: não é a saída para todos os exercícios, mas na maioria dos
casos ajuda bastante.