Estatística
Os numeros-índices são medidas
estatísticas freqüentemente usadas por administradores,
economistas e engenheiros, para comparar grupos de variáveis
relacionadas entre si e obter um quadro simples e resumido das
mudanças significativas em áreas relacionadas como preços de
matérias-primas, preços de produtos acabados, volume físico de
produto etc. Mediante o emprego de números-índices é possível
estabelecer comparações entre:
a) variações ocorridas ao
longo do tempo;
b) diferenças entre lugares;
c) diferenças entre categorias
semelhantes, tais como produtos, pessoas, organizações etc.
É grande a importância dos
numeros-índices para o administrador, especialmente quando a
moeda sofre uma desvalorização constante e quando o processo de
desenvolvimento econômico acarreta mudanças continuas nos
hábitos dos consumidores, provocando com isso modificações
qualitativas e quantitativas na composição da produção
nacional e de cada empresa individualmente. Assim, em qualquer
análise, quer no âmbito interno de uma empresa, ou mesmo fora
dela, na qual o fator monetário se encontra presente, a
utilização de numéros-índices toma-se indispensável, sob
pena de o analista ser conduzido a conclusões totalmente falsas
e prejudiciais à empresa.
Por exemplo, se uma empresa
aumenta seu faturamento de um período a outro, isso não quer
dizer necessariamente que suas vendas melhoraram em termos de
unidades vendidas. Pode ter ocorrido que uma forte tendência
inflacionaria tenha obrigado a empresa a aumentar acentuadamente.
Os preços de seus produtos, fazendo gerar um acréscimo no
faturamento (em termos "nominais"), o qual, na
realidade, não corresponde a uma melhora de situação.
Fora dos problemas gerados por
alterações nos preços dos produtos, os numeros-índices são
úteis também em outras áreas de atuação da empresa como, por
exemplo, no campo da pesquisa de mercado. Neste caso, podem ser
utilizados nas mensurações do potencial de mercado, na analise
da lucratividade por produto, por canais de distribuição etc.
Em suma, os números-índices são sempre úteis quando nos
defrontamos com análises comparativas.
Para o economista, o
conhecimento de número-índices é indispensável igualmente
como um instrumento útil ao exercício profissional, quer seus
problemas estejam voltados para a microeconomia quer para a
macroeconomia. No primeiro caso, poder-se-ia citar, por exemplo,
a necessidade de se saber até que ponto o preço de determinado
produto aumentou com relação aos preços dos demais produtos em
um mesmo mercado. Se, por outro lado, o problema for quantificar
a inflação, serem preciso medir o crescimento dos preços dos
vários produtos como um todo, através do índice geral de
preços.
Sob os aspectos acima
considerados, pode-se vislumbrar a noção de agregado subjacente
ao conceito de número-índice. Por essa razão, costuma-se
conceber o número-índice como uma medida utilizada para
proporcionar uma expressão quantitativa global a um conjunto de
medidas que não podem ser simplesmente adicionadas em virtude de
apresentarem individualmente diferentes graus de importância.
Cada número-índice de uma
série ( de números) costuma vir expresso em termos percentuais.
Os índices mais empregados medem, em geral, variações ao longo
do tempo e exatamente nesse sentido que iremos trata-los neste
capitulo. Além disso, limitaremos o estudo às suas principais
aplicações no campo de administração e de economia, as quais
se situam no âmbito das variações de preços e de quantidades.
2. CONCEITO DE RELATIVO
A quantidade total de dinheiro
gasto cada ano, em relação a certo ano base, varia de um ano
para outro devido as variações no número de unidades compradas
dos diferentes artigos e igualmente devido a mudanças nos
preços unitários de tais artigos. Temos, portanto, três
variáveis em jogo: preço, quantidade e valor, sendo este
último o resultado do produto do preço pela quantidade.
2.1. Relativo (Relação) de
Preço
Trata-se do número-índice mais
simples. Relacionando-se o preço de um produto numa época
(chamada época atual ou época dada) com o de uma época o
(chamada básica ou simplesmente base) teremos um relativo de
preço. Fazendo-se P t = preço numa época atual e Po preços na
época-base, definirão relativo de preço pela seguinte
quantidade:
p(o,t) pt
po
Se quisermos expressar em termos
percentuais o relativo de preço, bastará multiplicarmos o
quociente acima por 100.
p(o,t) = pt X 100
po
NOTA
O símbolo p(o,t) pode ser
escrito também: po,t.
Exemplo:
O preço de determinando artigo
em 1979 foi Cr$ 1,20 e em 1980 subiu para Cr$ 1,38. Tomando-se
por base o ano 1979, determinar o preço relativo em 1980.
Solução
O ano considerado base
corresponderá sempre ao índice igual a 100. Os demais
apresentarão, portanto, valores que flutua no em torno de 100.
Então:
p (79,80) = p1980 =
1,38 = 1,15 ou 115% ou simplesmente 115.
p1979
1.20
Esse resultado indica que em
1980 houve um aumento de 15% no preço do artigo com relação ao
preço do mesmo artigo em 1979.
Se tivéssemos p 1980 = 112
(cruzeiros) e P1979 = 120, o relativo de preço seria:
p (79,80) = 112 = 0,93 ou 93% ou 93.
120
Em 1980 0 artigo em questão
apresentou um preço de 7% inferior ao de 1979.
2.2.
Relativo (Relação) de Quantidade
Assim como podemos comparar os
preços de bens, podemos também fazê-lo em re1ação a
quantidades, querem sejam elas quantidades produzidas, vendidas
ou consumidas. Se fizermos q t= quantidade de um produto na
época atual (época t) é qo = quantidade desse mesmo produto na
época zero (básica), a quantidade relativa será o seguinte
quociente:
q(o,t) = qt
qo
que representa a variação da
quantidade na época t com re1ação a uma época 0 (base).
Exemplo:
Uma empresa produziu 45
toneladas de aço em 1979 e 68 toneladas em 1980. A quantidade
relativa será, tomando-se o ano de 1979 como base:
q (79,80) = q
80 = 68 = 1,51 ou 151%ou 151
q
79
45
No ano de 1980 esta empresa
aumentou sua produção de 51% em relação a 1979.
2.3.
Relativo (Relação) de Valor
Se p for o preço de determinado
artigo em certa época e q a quantidade produzida ou consumida
desse mesmo artigo na mesma época, então, o produto p x q será
denominado valor total de produção ou de consumo. Sendo p t
e q t respectivamente, o preço e a quantidade de um artigo
na época atual (t) e po e qo, o preço e a quantidade do mesmo
artigo na época básica (0), definimos como total o valor
relativo ou simplesmente valor relativo o quociente:
v (o,t)
= _vt_ = pt
. qt = po, t . q o,t
vo po . qo
O fato de vo,t = Po,t . qo,t é
conhecido como propriedade da reversibilidade dos fatores ou como
critério da decomposição das causas.
Exemplo:
Uma empresa vendeu, em 1970,
1000 unidades de um artigo ao preço unitário de Cr$ 500,00. Em
1971 vendeu 2000 unidades do mesmo artigo ao preço unitário de
Cr$ 600,00.O valor relativo da venda em 1971 foi:
v (70, 71) = 600 . 2000 = 2,4 ou
240%.
500 . 1000
Em 1971, o valor das vendas foi
140% superior ao de 1970, alguns índices agregados não
satisfazem a essa propriedade.
3. EMPREGO
DE ÍNDICES (AGREGATIVOS) PONDERADOS
Como vimos, os índices simples
apresentam algumas desvantagens, em especial à se refere à
inexistência de pesos diferentes para cada utilidade que os
compõe de acordo com sua importância relativa. No caso dos
índices ponderados, além da fórmula a ser usada para
interpretar as variações de preço e de quantidade dos bens,
há o problema do critério para a fixação dos pesos relativos
de cada um deles. A ponderação proposta pelos métodos mais
usados baseia-se na participação de cada bem no valor
transacionado total e é feita, em geral, segundo dois
critérios: peso fixo na época básica ou peso variável na
época atual.
3.1. Índice de Laspeyres ou Método da época
Básica
O índice de Laspeyres constitui
uma média ponderada de relativos, sendo os fatores de
ponderação determinados a partir de preços e de qualidades da
época básica, por conseguinte, no índice de Laspeyres, a base
de ponderação é a época básica, dai a denominação método
da época básica.
O peso relativo ou fator de
ponderação relativa para um dado bem i, componente do índice,
é dado por;
O numerador da expressão
representa o valor do dispêndio com um dado bem i e o
denominador a soma dos valores de todos os bens adquiridos na
época básica. Assim sendo, w i0 equivale a participação
relativa do valor do bem i, em relação ao valor de todos os
bens transacionados, tendo como referenda a época básica.