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  Matérias :: Matemática

 

  Autoria: Messias Rocha de Lira


 

Função exponencial

 

 

 

 

 

A função exponencial natural é a função exp:R-->R+, definida como a inversa da função logarítmo natural, isto é:

Ln(exp(x)) = x,     exp(Ln(x)) = x

O gráfico da função exponencial é obtido pela reflexão do gráfico da função Logaritmo natural em relação à identidade dada pela reta y=x. Como o domínio da função Logaritmo natural é o conjunto dos números reais positivos, então a imagem da função exp é o conjunto dos números reais positivos e como a imagem de Ln é o conjunto R de todos os números reais, então o domínio de exp também é o conjunto R de todos os números reais.
 

Observação: Através do gráfico de y=exp(x), notamos que:

  • exp(x)>0 (x em R)

  • 0 < exp(x) < 1 se x<0

  • exp(x)=1 se x=0

  • exp(x)>1 se x>0

No Ensino Médio, define-se a função exponencial a partir da função logarítmica e ciclicamente define-se a função logarítmica em função da exponencial como:

y = exp(x)   <=>   x = Ln(y)

Para uma definição mais cuidadosa, veja Logaritmos.

Exemplos:

  • Ln(exp(5)) = 5

  • exp(ln(5)) = 5

  • Ln exp((x+1)1/2)=(x+1)1/2

  • exp(Ln((x+1)1/2)= (x+1)1/2

  • exp(3 Ln x) = exp(Ln x3)= x3

  • exp(k Ln x) = exp(Ln xk)= xk

  • exp(7(Ln(3)-Ln(4)) = exp(7(Ln(3/4))) = exp(Ln(3/4)7) = (3/4)7

 

A Constante e de Euler

Existe uma importantíssima constante matemática definida por

e = exp(1)

O número e é um número irracional e positivo e em função da definição da função exponencial, temos que:

Ln(e) = 1

Este número é denotado por e em homenagem ao matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783), um dos primeiros a estudar as propriedades desse número.

O valor deste número expresso com 40 dígitos decimais, é:

e = 2,718281828459045235360287471352662497757

 

 

 

 

 

 

Conexão entre o número e e a função exponencial

Se x é um número real, a função exponencial exp(.) pode ser escrita como a potência de base e com expoente x, isto é:

ex = exp(x)

 

Interpretação geométrica de e

Se tomarmos um ponto v do eixo OX, com v>1 tal que a área da região do primeiro quadrante localizada sob a curva y=1/x e entre as retas x=1 e x=v seja unitária, então o valor de v será igual a e.
 

 

Propriedades básicas da função exponencial

Se x e y são dois números reais quaisquer e k é um número racional, então:

  • y = ex se, e somente se, x = Ln(y)

  • eLn(y) = y para y>0

  • Ln(ex) =x

  • ex+y = exey

  • ex-y = ex/ ey

  • ex.k = (ex)k

 

Simplificações matemáticas

Podemos simplificar algumas expressões matemáticas com as propriedades das funções exponenciais e logaritmos:

  • eLn(3) = 3

  • e2+5 ln2 = e2 e5.Ln(2) = e2eLn(25) = e2 25= 32 e2

  • Ln(e20x) = 20x

 

Outras funções exponenciais

Podemos definir outras funções exponenciais dadas por g(x)=ax, onde a são números positivos diferentes de 1 e x é um número real.

Primeiramente, consideremos o caso onde o expoente é um número racional r.

Pondo x=ar na equação x=exp(Ln(x)), teremos:

ar=exp(Ln(ar))

mas como Ln(ar) = r Ln(a), a relação anterior fica:

ar = exp[r Ln(a)]

Esta última expressão, juntamente com a informação que todo número real pode ser escrito como limite de uma sequência de números racionais, justifica a definição para g(x)=ax, onde x é um número real:

ax = exp[x Ln(a)]

 

Leis dos expoentes

Se x e y são números reais e a e b são números reais positivos, então:

  • ax ay= ax + y

  • ax / ay= ax - y

  • (ax) y= ax.y

  • (a b)x = ax bx

  • (a / b)x = ax / bx

  • a-x = 1 / ax

 

Relação de Euler

Seja i a unidade imaginária e x real. Vale a relação:

eix = exp(ix) = cos(x) + i sen(x)

 

Algumas Aplicações

Funções exponenciais desempenham papéis fundamentais na Matemática e nas ciências envolvidas com ela, como: Física, Química, Engenharia, Astronomia, Economia, Biologia, Psicologia e outras. Vamos apresentar alguns exemplos com aplicações destas funções:

 
  • Lei do resfriamento dos corpos

 

 

 

 

 

Um indivíduo foi encontrado morto em uma sala com temperatura ambiente constante. O legista tomou a temperatura do corpo às 21:00 h e constatou que a mesma era de 32 graus Celsius. Uma hora depois voltou ao local e tomou novamente a temperatura do corpo e constatou que a mesma estava a 30 graus Celsius. Aproximadamente a que horas morreu o indivíduo, sabendo-se que a temperatura média de um corpo humano normal é de 37 graus Celsius? Partindo de estudos matemáticos pode-se construir uma função exponencial decrescente que passa pelos pontos (21,32) e (22,30) onde abscissas representam o tempo e as ordenadas a temperatura do corpo.

Como a curva que descreve este fenômeno é uma função exponencial da forma:

f(t) = C eA t

então obtemos que:

A = Ln(30)-Ln(32)
C = 32/ (30/32)21

A função exponencial que rege este fenômeno de resfriamento deste corpo é dada por:

f(t) = 124,09468 e-0,0645385t

e quando f(t) = 37 temos que:

t = 18,7504... = 18 horas + 45 minutos

que pode ser observado através do gráfico.

Observação: Neste exemplo, usamos a construção de um gráfico e as propriedades operatórias das funções exponenciais e logarítmicas.

 
  • Curvas de aprendizagem

 

 

 

 

 

Devido ao seu uso por psicólogos e educadores na descrição do processo de aprendizagem, as curvas exponenciais realizam um papel importante. A curva básica para este tipo de estudo é da forma:

f(x) = c - a e-k.x

onde c, a e k são constantes positivas. Considerando o caso especial em que c=a temos uma das equações básicas para descrever a relação entre a consolidação da aprendizagem y=f(x) e o número de reforços x.

A função:

f(x) = c - a e-k.x

cresce rapidamente no começo, nivela-se e então aproxima-se de sua assíntota y=c.

Estas curvas também são estudadas em Economia, na representação de várias funções de custo e produção.

 
  • Crescimento populacional

 

 

 

 

 

 

Em 1798, Thomas Malthus, no trabalho "An Essay on the Principle of Population" formulou um modelo para descrever a população presente em um ambiente em função do tempo. Considerou N=N(t) o número de indivíduos em certa população no instante t. Tomou as hipóteses que os nascimentos e mortes naquele ambiente eram proporcionais à população presente e a variação do tempo conhecida entre os dois períodos. Chegou à seguinte equação para descrever a população presente em um instante t:

N(t)=No ert

onde No é a população presente no instante inicial t=0 e r é uma constante que varia com a espécie de população.

É evidente que o gráfico correto desta função depende dos valores de No e de r. Mas sendo uma função exponencial, a forma do gráfico será semelhante ao da função y=Kex.

Este modelo supõe que o meio ambiente tenha pouca ou nenhuma influência sobre a população. Desse modo, ele é mais um indicador do potencial de sobrevivência e de crescimento de cada espécie de população do que um modelo que mostre o que realmente ocorre.

Consideremos por exemplo uma população de bactérias em um certo ambiente. De acordo com esta equação se esta população duplicar a cada 20 minutos, dentro de dois dias, estaria formando uma camada em volta da terra de 30 cm de espessura. Assim, enquanto os efeitos do meio ambiente são nulos, a população obedece ao modelo N=Noer.t. Na realidade, quando N=N(t) aumenta, o meio ambiente oferece resistência ao seu crescimento e tende a mantê-lo sobre controle. Exemplos destes fatores são, a quantidade disponível de alimentos, acidentes, guerras, epidemias,...

Como aplicação numérica, consideremos uma colônia de bactérias se reproduzindo normalmente. Se num certo instante havia 200 bactérias na colônia, passadas 12 horas havia 600 bactérias. Quantas bactérias haverá na colônia após 36 horas da última contagem?

No instante inicial havia 200 bactérias, então No=200, após 12 horas havia 600 bactérias, então

N(12)=600=200 er12

logo

e12r=600/200=3

assim

ln(e12r)=ln(3)

Como Ln e exp são funções inversas uma da outra, segue que:

12r=ln(3)

assim:

r=ln(3)/12=0,0915510

Assim:

N(48)=200 e48.(0,0915510)= 16200 bactérias

Então, após 36 horas da útima contagem ou seja, 48 horas do início da contagem, haverá 16200 bactérias

 
  • Desintegração radioativa

Os princípios da radioatividade foram desenvolvidos no início do século por Rutherford e outros. Alguns átomos são naturalmente instáveis, de tal modo que após algum tempo, sem qualquer influência externa sofrem transições para um átomo de um novo elemento químico e durante esta transição eles emitem radiações. Rutherford formulou um modelo para descrever o modo no qual a radioatividade decai. Se N=N(t) representa o número de átomos da substância radioativa no instante t, No o número de átomos no instante t=0 e k é uma constante positiva chamada de constante de decaimento, então:

N(t) = No e-k.t

esta constante de decaimento k, tem valores diferentes para substâncias diferentes, constantes que são obtidas experimentalmente.

Na prática usamos uma outra constante T, denominada meia vida do elemento químico, que é o tempo necessário para que a quantidade de átomos da substância decaia pela metade.

Se N=No/2 para t=T, temos

No/2 = No e-k.T

assim

T=Ln(2)/k

Na tabela abaixo, apresentamos indicadores de meia-vida de alguns elementos químicos:

Substância

Meia-vida T

Xenônio 133

5 dias

Bário 140

13 dias

Chumbo 210

22 anos

Estrôncio 90

25 anos

Carbono 14

5.568 anos

Plutônio

23.103 anos

Urânio 238

4.500.000.000 anos

Para o Carbono 14, o valor da constante de decaimento é:

k = Ln(2)/T = Ln(2)/5568 = 12,3386 por ano

 

   

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