|
Função
exponencial
A função exponencial natural é a função
exp:R-->R+, definida como a inversa da função
logarítmo natural, isto é:
Ln(exp(x)) = x, exp(Ln(x)) = x
O
gráfico da função exponencial é obtido pela reflexão
do gráfico da função Logaritmo natural em relação à
identidade dada pela reta y=x. Como o domínio da função
Logaritmo natural é o conjunto dos números reais
positivos, então a imagem da função exp é o conjunto
dos números reais positivos e como a imagem de Ln é o
conjunto R de todos os números reais, então o domínio de
exp também é o conjunto R de todos os números reais.
Observação:
Através do gráfico de y=exp(x), notamos que:
-
exp(x)>0 (x em R)
-
0 < exp(x) < 1 se x<0
-
exp(x)=1 se x=0
-
exp(x)>1 se x>0
No Ensino
Médio, define-se a função exponencial a partir da função
logarítmica e ciclicamente define-se a função logarítmica em
função da exponencial como:
y = exp(x) <=> x = Ln(y)
Para uma definição mais cuidadosa, veja
Logaritmos.
Exemplos:
-
Ln(exp(5)) = 5
-
exp(ln(5)) = 5
-
Ln exp((x+1)1/2)=(x+1)1/2
-
exp(Ln((x+1)1/2)= (x+1)1/2
-
exp(3 Ln x) = exp(Ln x3)= x3
-
exp(k Ln x) = exp(Ln xk)= xk
-
exp(7(Ln(3)-Ln(4)) = exp(7(Ln(3/4))) =
exp(Ln(3/4)7) = (3/4)7
A
Constante e de Euler
Existe uma importantíssima constante
matemática definida por
e = exp(1)
O número e é um número irracional e
positivo e em função da definição da função exponencial,
temos que:
Ln(e) =
1
Este número é denotado por e em
homenagem ao matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783), um
dos primeiros a estudar as propriedades desse número.
O valor deste número expresso com 40 dígitos
decimais, é:
e =
2,718281828459045235360287471352662497757
Conexão
entre o número e e a função exponencial
Se x é um número real, a função exponencial
exp(.) pode ser escrita como a potência de base e
com expoente x, isto é:
ex
= exp(x)
Interpretação geométrica de e
Se
tomarmos um ponto v do eixo OX, com v>1 tal que a área da
região do primeiro quadrante localizada sob a curva y=1/x e
entre as retas x=1 e x=v seja unitária, então o valor de v
será igual a e.
Propriedades básicas da função exponencial
Se x e y são dois números reais quaisquer e k
é um número racional, então:
Simplificações matemáticas
Podemos simplificar algumas expressões
matemáticas com as propriedades das funções exponenciais e
logaritmos:
Outras
funções exponenciais
Podemos definir outras funções exponenciais
dadas por g(x)=ax, onde a são números positivos
diferentes de 1 e x é um número real.
Primeiramente, consideremos o caso onde o
expoente é um número racional r.
Pondo x=ar na equação x=exp(Ln(x)),
teremos:
ar=exp(Ln(ar))
mas como Ln(ar) = r Ln(a), a
relação anterior fica:
ar
= exp[r Ln(a)]
Esta última expressão, juntamente com a
informação que todo número real pode ser escrito como limite
de uma sequência de números racionais, justifica a definição
para g(x)=ax, onde x é um número real:
ax = exp[x Ln(a)]
Leis dos
expoentes
Se x e y são números reais e
a e b são números reais positivos, então:
-
ax ay= ax + y
-
ax / ay= ax -
y
-
(ax) y= ax.y
-
(a b)x = ax bx
-
(a / b)x = ax / bx
-
a-x = 1 / ax
Relação de
Euler
Seja i a unidade imaginária e x real.
Vale a relação:
eix = exp(ix) = cos(x) + i sen(x)
Algumas
Aplicações
Funções exponenciais desempenham papéis
fundamentais na Matemática e nas ciências envolvidas com
ela, como: Física, Química, Engenharia, Astronomia,
Economia, Biologia, Psicologia e outras. Vamos apresentar
alguns exemplos com aplicações destas funções:
Um indivíduo foi encontrado morto em uma sala
com temperatura ambiente constante.
O
legista tomou a temperatura do corpo às 21:00 h e constatou
que a mesma era de 32 graus Celsius. Uma hora depois voltou
ao local e tomou novamente a temperatura do corpo e
constatou que a mesma estava a 30 graus Celsius.
Aproximadamente a que horas morreu o indivíduo, sabendo-se
que a temperatura média de um corpo humano normal é de 37
graus Celsius? Partindo de estudos matemáticos pode-se
construir uma função exponencial decrescente que passa pelos
pontos (21,32) e (22,30) onde abscissas representam o tempo
e as ordenadas a temperatura do corpo.
Como a curva que descreve este fenômeno é uma
função exponencial da forma:
f(t) = C eA t
então obtemos que:
A = Ln(30)-Ln(32)
C = 32/ (30/32)21
A função exponencial que rege este fenômeno
de resfriamento deste corpo é dada por:
f(t) =
124,09468 e-0,0645385t
e quando f(t) = 37 temos que:
t =
18,7504... = 18 horas + 45 minutos
que pode ser observado através do gráfico.
Observação:
Neste exemplo, usamos a construção de um gráfico e as
propriedades operatórias das funções exponenciais e
logarítmicas.
Devido ao seu uso por psicólogos e educadores
na descrição do processo de aprendizagem, as curvas
exponenciais realizam um papel importante. A curva básica
para este tipo de estudo é da forma:
f(x)
= c - a e-k.x
onde c, a e k são
constantes positivas. Considerando o caso especial em que
c=a temos uma das equações básicas para descrever a
relação entre a consolidação da aprendizagem y=f(x) e o
número de reforços x.
A função:
f(x) =
c - a e-k.x
cresce rapidamente no começo, nivela-se e
então aproxima-se de sua assíntota y=c.
Estas curvas também são estudadas em
Economia, na representação de várias funções de custo e
produção.
Em 1798, Thomas Malthus, no trabalho "An
Essay on the Principle of Population" formulou um modelo
para descrever a população presente em um ambiente em função
do tempo. Considerou N=N(t) o número de indivíduos em
certa população no instante t. Tomou as hipóteses que
os nascimentos e mortes naquele ambiente eram proporcionais
à população presente e a variação do tempo conhecida entre
os dois períodos. Chegou à seguinte equação para descrever a
população presente em um instante t:
N(t)=No
ert
onde No é a população presente no
instante inicial t=0 e r é uma constante que varia com a
espécie de população.
É evidente que o gráfico correto desta função
depende dos valores de No e de r. Mas sendo uma
função exponencial, a forma do gráfico será semelhante ao da
função y=Kex.
Este
modelo supõe que o meio ambiente tenha pouca ou nenhuma
influência sobre a população. Desse modo, ele é mais um
indicador do potencial de sobrevivência e de crescimento de
cada espécie de população do que um modelo que mostre o que
realmente ocorre.
Consideremos por exemplo uma população de
bactérias em um certo ambiente. De acordo com esta equação
se esta população duplicar a cada 20 minutos, dentro de dois
dias, estaria formando uma camada em volta da terra de 30 cm
de espessura. Assim, enquanto os efeitos do meio ambiente
são nulos, a população obedece ao modelo N=Noer.t.
Na realidade, quando N=N(t) aumenta, o meio ambiente oferece
resistência ao seu crescimento e tende a mantê-lo sobre
controle. Exemplos destes fatores são, a quantidade
disponível de alimentos, acidentes, guerras, epidemias,...
Como aplicação numérica, consideremos uma
colônia de bactérias se reproduzindo normalmente. Se num
certo instante havia 200 bactérias na colônia, passadas 12
horas havia 600 bactérias. Quantas bactérias haverá na
colônia após 36 horas da última contagem?
No instante inicial havia 200 bactérias,
então No=200, após 12 horas havia 600 bactérias,
então
N(12)=600=200 er12
logo
e12r=600/200=3
assim
ln(e12r)=ln(3)
Como Ln e exp são funções
inversas uma da outra, segue que:
12r=ln(3)
assim:
r=ln(3)/12=0,0915510
Assim:
N(48)=200
e48.(0,0915510)= 16200 bactérias
Então, após 36 horas da útima contagem ou
seja, 48 horas do início da contagem, haverá 16200 bactérias
Os princípios da radioatividade foram
desenvolvidos no início do século por Rutherford e outros.
Alguns átomos são naturalmente instáveis, de tal modo que
após algum tempo, sem qualquer influência externa sofrem
transições para um átomo de um novo elemento químico e
durante esta transição eles emitem radiações. Rutherford
formulou um modelo para descrever o modo no qual a
radioatividade decai. Se N=N(t) representa o número de
átomos da substância radioativa no instante t, No
o número de átomos no instante t=0 e k é uma constante
positiva chamada de constante de decaimento, então:
N(t) =
No e-k.t
esta constante de decaimento k, tem valores
diferentes para substâncias diferentes, constantes que são
obtidas experimentalmente.
Na prática usamos uma outra constante T,
denominada meia vida do elemento químico, que é o
tempo necessário para que a quantidade de átomos da
substância decaia pela metade.
Se N=No/2 para t=T, temos
No/2
= No e-k.T
assim
T=Ln(2)/k
Na tabela abaixo, apresentamos indicadores de
meia-vida de alguns elementos químicos:
|
Substância |
Meia-vida T |
|
Xenônio 133 |
5 dias |
|
Bário 140 |
13 dias |
|
Chumbo 210 |
22 anos |
|
Estrôncio 90 |
25 anos |
|
Carbono 14 |
5.568 anos |
|
Plutônio |
23.103 anos |
|
Urânio 238 |
4.500.000.000
anos |
Para o Carbono 14, o valor da
constante de decaimento é:
k = Ln(2)/T
= Ln(2)/5568 = 12,3386 por ano
|