LÓGICA
Lógica, ciência
que trata dos princípios válidos do raciocínio e da argumentação. Seu estudo é
um esforço no sentido de determinar as condições que permitem tirar de
determinadas proposições, chamadas de premissas, uma conclusão delas derivada. A
validade lógica é a relação entre as premissas e a conclusão.
O que hoje se
conhece como lógica clássica, ou tradicional, foi enunciado pela primeira vez
por Aristóteles, que elaborou leis para um raciocínio correto, a ser
desenvolvido mediante silogismos. Em meados do século XIX, os matemáticos
britânicos George Boole e Augustus De Morgan abriram à lógica um novo campo, que
hoje se conhece como lógica simbólica ou moderna, posteriormente desenvolvida
por Bertrand Russell e por Alfred North Whitehead, cobrindo todo um espectro de
argumentações possíveis, maior do que aquelas encontradas na lógica silogística.
Tanto o ramo
clássico como o moderno implicam em métodos de lógica dedutiva, embora também
tenha havido esforços no sentido de desenvolver métodos de lógica indutiva,
sendo neste último campo a contribuição mais importante a do filósofo britânico
John Stuart Mill, com sua obra Sistema de lógica (1843). Estudos posteriores
desenvolveram sistemas da chamada lógica combinatória: uma afirmação pode ter um
valor diferente de verdadeiro ou falso. Em alguns pressupostos, é apenas um
terceiro valor, neutro; em outros, é um valor de probabilidade.
Lógica
paraconsistente, noção segundo a qual a lógica admite contradições. Foi
introduzida pelo filósofo e matemático brasileiro Newton da Costa.
A necessidade da
ciência de trabalhar com a contradição surgiu do interesse em estudar temas
complexos, como por exemplo os tratados pela mecânica quântica. Desde a década
de 1930, supunha-se que a lógica clássica não podia ser aplicada à mecânica
quântica. A partir das lógicas não-clássicas, em especial os paradoxos na lógica
e/ou na matemática, surgiu o conceito de lógica paraconsistente, formulado em
1963.
Na realidade,
esse conceito nasceu da idéia de Georg Cantor, que dizia que a essência da
matemática está na sua liberdade. Muitos dos paradoxos surgidos no início do
século XX, em geral foram eliminados com a manutenção da lógica tradicional e
com a introdução de restrições nos postulados da teoria dos conjuntos. Se a
matemática fosse absolutamente livre, como supunha Cantor, em vez de introduzir
restrições aos postulados da teoria dos conjuntos poderíamos mudar a lógica e,
desse modo, reconstituir a matemática clássica inteira.
Para melhor
entender o que é a lógica paraconsistente, convém recordar que a lógica é o
estudo dos processos pelos quais determinadas sentenças ou proposições podem ser
deduzidas de outras. Desde a época de Aristóteles, um dos princípios da lógica é
o da não-contradição. Essa idéia estabelece a impossibilidade de que uma
sentença qualquer e sua negação sejam ambas verdadeiras. A lógica clássica não
admite contradições.
No entanto, à
medida que os diferentes campos da ciência evoluem e se tornam mais complexos,
as contradições aparecem. Na física, as partículas elementares em determinadas
circunstâncias não se comportam como matéria, mas como ondas. Sob certos
aspectos, elas são e não são partículas. Tal dificuldade pode ser ultrapassada,
como em geral fazem os físicos, tentando eliminar a contradição e manter a
lógica clássica.
No entanto, se o
pesquisador quiser tratar diretamente o problema, sem desvios teóricos, torna-se
necessário o emprego de uma lógica não-convencional, que aceite as contradições.
A lógica paraconsistente foi idealizada para tratar desses problemas.
A idéia de
trabalhar com a contradição atraiu para a lógica paraconsistente pesquisadores
de várias áreas do conhecimento, inclusive psicanalistas que reconhecem no
trabalho a formalização da idéia de contradição que, segundo Freud, existiria no
próprio plano do inconsciente.
Na informática,
os especialistas já desenvolveram sistemas para processar dados contraditórios.
No campo da teoria da ciência, surgiu o conceito de "quase-verdade", uma
variante da verdade pragmática. Consideremos o caso da mecânica clássica
newtoniana, em relação à relatividade einsteiniana: a primeira não se aplica aos
corpos que se deslocam em velocidades muito altas, próximas à da luz, ao
contrário do que ocorre em determinados domínios, como na engenharia civil, onde
a mecânica newtoniana é estritamente verdadeira. Ela é, portanto,
quase-verdadeira para um determinado setor. Assim também pode ocorrer com a
teoria da luz ondulatória e corpuscular. Ambas são quase-verdade para certos
aspectos da teoria da luz.
Matemática,
estudo das relações entre quantidades, magnitudes e propriedades, e das
operações lógicas utilizadas para deduzir quantidades, magnitudes e propriedades
desconhecidas. No passado, a matemática era considerada a ciência da quantidade,
aplicada às magnitudes (como na geometria), aos números (como na aritmética) ou
à generalização de ambos (como na álgebra). Em meados do século XIX, a
matemática passou a ser considerada como a ciência das relações, ou como a
ciência que produz condições necessárias. Esta última noção abarca a lógica
matemática ou simbólica — ciência que consiste em utilizar símbolos para gerar
uma teoria exata de dedução e inferência lógica baseada em definições, axiomas,
postulados e regras que transformam elementos primitivos em relações e teoremas
mais complexos.
HISTÓRIA
As primeiras
referências à matemática avançadas e organizadas datam do terceiro milênio a.C.,
na Babilônia e no Egito. Esta matemática estava dominada pela aritmética.
Os primeiros
livros egípcios, escritos no ano 1800 a.C., mostram um sistema de numeração
decimal com diferentes símbolos para as sucessivas potências de 10 (1, 10, 100,
...), semelhante ao sistema utilizado pelos romanos. Na geometria, foram obtidas
as regras corretas para calcular a área de triângulos, retângulos e trapézios, e
o volume de figuras como ortoedros, cilindros e pirâmides.
Os gregos usaram
elementos da matemática dos babilônios e dos egípcios. A inovação mais
importante foi a invenção da matemática abstrata, com base numa estrutura lógica
de definições, axiomas e demonstrações. Este avanço começou no VI a.C., com
Tales de Mileto e Pitágoras. Alguns de seus discípulos fizeram importantes
descobertas sobre a teoria numérica e a geometria, que são atribuídas ao próprio
Pitágoras.
No final do
século IV a.C., Euclides escreveu Elementos, obra que contém a maior parte do
conhecimento matemático da época. O século posterior a Euclides esteve marcado
por um grande desenvolvimento da matemática, como se pode comprovar nos
trabalhos de Arquimedes e Apolônio. Este escreveu um tratado em oito volumes
sobre as cônicas e estabeleceu seus nomes: elipse, parábola e hipérbole.
Os avanços dos
matemáticos árabes, junto com as traduções dos gregos clássicos, foram os
principais responsáveis pelo crescimento da matemática durante a Idade Média.
Entre outros avanços, os matemáticos árabes ampliaram o sistema indiano de
posições decimais na aritmética de números inteiros, estendendo-o às frações
decimais. Al-Khwarizmi desenvolveu a álgebra dos polinômios. Os geômetras, como
Ibrahim ibn Sinan, continuaram as investigações de Arquimedes sobre áreas e
volumes.
Em 1545, o
italiano Gerolamo Cardano publicou em sua obra Ars magna uma fórmula algébrica
para a resolução das equações de terceiro e quarto graus. Esta conquista levou
os matemáticos a se interessarem pelos números complexos e estimulou a busca de
soluções semelhantes para equações de quinto grau ou mais. Também no século XVI,
começaram a ser utilizados os modernos símbolos matemáticos e algébricos.
O século XVII
começou com a descoberta dos logaritmos pelo matemático John Napier. Na
geometria pura, Descartes publicou em seu Discurso do método (1637) sua visão da
geometria analítica, que mostrava como utilizar a álgebra para investigar a
geometria das curvas. Outro avanço importante na matemática do século XVII foi o
surgimento da teoria da probabilidade.
No entanto, o
acontecimento mais importante do século na matemática foi o estudo dos cálculos
diferencial e integral por Newton, entre 1664 e 1666. Alguns anos mais tarde, o
alemão Leibniz também descobriu o cálculo e foi o primeiro a divulgá-lo, em 1684
e 1686. O sistema de notação de Leibniz é usado hoje no cálculo. O grande
matemático do século XVIII foi o suíço Euler, que contribuiu com idéias
fundamentais sobre cálculo e outros ramos da matemática e suas aplicações.
Em 1821, o
matemático francês Cauchy conseguiu um enfoque lógico e apropriado do cálculo,
baseado apenas em quantidades finitas e no conceito de limite. Além de
fortalecer os fundamentos da análise, nome dado a partir de então às técnicas do
cálculo, os matemáticos do século XIX realizaram importantes avanços nesta
parte. No início do século, Gauss deu uma explicação adequada sobre o conceito
de número complexo.
Outra descoberta
do século XIX, que na época foi considerada abstrata e inútil, foi a geometria
não-euclidiana. Os fundamentos da matemática foram completamente transformados
no século XIX, principalmente pelo inglês George Boole, em seu livro
Investigações das leis do pensamento, sobre as quais se baseiam as teorias
matemáticas da lógica e das probabilidades (1854) e por Cantor em sua teoria dos
conjuntos.
O computador
revolucionou a matemática e converteu-se num elemento primordial. Este avanço
deu grande impulso a certos ramos da matemática, como a análise numérica e a
matemática finita, e gerou novas áreas de investigação, como o estudo dos
algoritmos. Tornou-se, portanto, uma poderosa ferramenta em campos tão diversos
quanto a teoria numérica, as equações diferenciais e a álgebra abstrata.