Números Irracionais
A origem
histórica da necessidade de criação dos números irracionais
está intimamente ligada com fatos de natureza geométrica e de
natureza aritmética. Os de natureza geométrica podem ser
ilustrados com o problema da medida da diagonal do quadrado
quando a comparamos com o seu lado.
Este
problema geométrico arrasta outro de natureza aritmética, que
consiste na impossibilidade de encontrar números conhecidos -
racionais - para raízes quadradas de outros números, como por
exemplo, raiz quadrada de 2. Estes problemas já eram conhecidos
da Escola Pitagórica (séc. V a.c.), que considerava os
irracionais heréticos. A Ciência grega consegui um
aprofundamento de toda a teoria dos números racionais, por via
geométrica - "Elementos de Euclides" - mas não
avançou, por razões essencialmente filosóficas, no campo do
conceito de número. Para os gregos, toda a figura geométrica
era formada por um número finito de pontos, sendo estes
concebidos como minúsculos corpúsculos - "as
mónadas" - todos iguais entre si; daí resultava que, ao
medir um comprimento de n mónadas com outro de m, essa medida
seria sempre representada por uma razão entre dois inteiros n/m
(número racional); tal comprimento incluía-se, então na
categoria dos comensuráveis. Ao encontrar os irracionais, aos
quais não conseguem dar forma de fracção, os matemáticos
gregos são levados a conceber grandezas incomensuráveis. A reta
onde se marcavam todos os racionais era, para eles, perfeitamente
contínua; admitir os irracionais era imaginála cheia de
"buracos". É no séc. XVII, com a criação da
Geometria Analítica (Fermat e Descartes), que se estabelece a
simbiose do geométrico com o algébrico, favorecendo o
tratamento aritmético do comensurável e do incomensurável.
Newton (1642-1727) define pela primeira vez "número",
tanto racional como irracional.
O IRRACIONAL ø
ø
=1,6180339887... ou ø =(1 + sqr(5))/2 é considerado símbolo de
harmonia. Os artistas gregos usavam-no em arquitetura; Leonardo
da Vinci, nos seus trabalhos artísticos; e, no mundo moderno, o
arquiteto Le Corbusier, com base nele, apresentou, em 1948, O
modulor. O número de ouro descobre-se em relações métricas: -
na natureza: em animais (como na concha do Nautilus) flores,
frutos, na disposição dos ramos de certas árvores;- em figuras
geométricas, tais como o retângulo de ouro, hexágono e
decágono regulares e poliedros regulares;- em inúmeros
monumentos, desde a Pirâmide de Quéops até diversas catedrais,
na escultura, pintura e até na música.