Cônicas e Parábolas
CÔNICAS
Historicamente, a parábola, a elipse e a
hipérbole foram descobertas como curvas planas obtidas cortando-se um cone
circular reto(variando a posição do plano de corte). Por isso, são
conhecidas pelo nome de cônicas.
PARÁBOLA
Denominamos parábola ao lugar
geométrico dos pontos de um plano que são eqüidistantes de uma reta dada
d e de um ponto dado F, F
Ï
d, do plano.

O ponto F chama-se foco e a reta
d chama-se diretriz da parábola. A distância entre F e
d, que vamos representar por 2p, chama-se parâmetro da
parábola.
O ponto V da parábola, tal que dVF
= p, é o vértice e a reta VF é denominada eixo da parábola (é o eixo de
simetria).
A propriedade característica dos pontos P da
curva é:
Equação da
parábola
Vamos obter a equação da parábola de foco F(x0,
y0 + p) e diretriz (d)y – (y0 – p) = 0. Observe que o
vértice é V(x0, y0) e a parábola tem “concavidade para
cima”. Apliquemos a P(x, y) a propriedade dos pontos da parábola:

dP, d = dPF
=
=
(y – y0 + p)2
= (x – x0)2 + (y – y0 – p)2
(y - y0)2
+ 2p(y – y0) + p2 = x2 – 2x0x +
x02 + (y – y0)2 – 2p(y – y0)
+ p2
4py – 4py0 = x2 – 2x0x
+ x02
que podemos colocar na forma:
y = x2 + x +
ou ainda
onde a = (portanto a > 0), b = e c =
Observações:
1)
Quando a parábola tem
“concavidade para baixo” também obtemos equação da forma y = ax2 + bx + c,
mas com a < 0.
2)
Toda equação da forma y = ax2 +
bx + c, com a ¹
0, tem como gráfico uma parábola de concavidade para cima (se a > 0) ou para
baixo (se a < 0). As coordenadas do vértice são dadas por xV = e
yV = .
3)
No caso de uma parábola com eixo
de simetria paralelo ao eixo x, obtemos uma equação da forma com a
¹
0. Neste caso, as coordenadas do vértice são yV = e xV
= .

4)
Para obter a equação de uma
parábola da qual conhecemos o foco F e a diretriz d empregamos
o método dos lugares geométricos: aplicamos a um ponto genérico P(x, y) a
propriedade dos pontos da parábola (dP, d = dPF).
5)
Quando o eixo da parábola não é
paralelo a nenhum dos eixos coordenados, a equação é “mais complicada”, mas
também se enquadra na forma geral da equação do 2.º grau a duas incógnitas:
Ax2 + By2 + Cxy + Dx + Ey + F = 0.
A parábola é a curva que se obtem
seccionando-se um cone por um plano paralelo a uma reta geratriz do cone.
Figura:
Parábola obtida seccionando-se um cone com um
plano

Exemplo:
Obter a equação da parábola de foco F(2, 3) e
diretriz (d) y – 1 = 0.
Apliquemos a P(x, y) a propriedade dos pontos
da parábola:

dP, d = dPF
=
=
y2 – 2y + 1 = x2
– 4x + 4 + y2 – 6y + 9
4y = x2 – 4x +
12
A equação é y = x2 – x + 3 (a = , b
= –1 e c = 3).
ELIPSE
Denominamos elipse ao lugar geométrico
dos pontos de um plano para os quais a soma das distâncias a dois pontos
dados, F1 e F2, do plano, é igual a uma
constante 2a, maior que a distância F1F2.

Os pontos F1 e F2
chamam-se focos e a distância entre eles, que vamos representar por
2c, é a distância focal da elipse.
dF1F2 = 2c (distância focal)
O ponto médio O do segmento F1F2
é o centro.
A reta F1F2 é um eixo de
simetria da curva. Ela intecepta a elipse nos pontos A1 e
A2 tais que a distância entre eles é 2a. O
seguimento A1A2 é chamado eixo maior da elipse.
dA1A2 = 2a (eixo maior)
A reta perpendicular F1F2,
pelo centro O, é outro eixo de simetria da curva. Ela intercepta a elipse
nos pontos B1 e B2. O segmento B1B2
é chamado eixo menor da elipse e vamos representar sua medida por
2b.
dB1B2 = 2b (eixo menor)
Do triângulo retângulo OF2B2
decorre que:
Chamamos excentricidade da elipse ao
número e, razão entre a distância focal e o eixo maior. Decorre que:
A propriedade característica dos pontos P da
curva é
Equação da
elipse
Vamos obter a equação da elipse de centro na
origem do sistema cartesiano, O(0, 0), e os focos no eixo das abscissas.
Notemos que:
F1 = (–c, 0) e F2 = (c,
0)
A1 = (–a, 0) e A2 = (a,
0)
B1 = (0, –b) e B2 = (0,
b)

Apliquemos a P(x, y) a propriedade dos pontos
da elipse:
dPF1 + dPF2 = 2a
+ = 2a
= (2a – )2
x2 + 2cx + c2
+ y2 = 4a2 – 4a + x2 – 2cx + c2
+ y2
4a = 4a2 – 4cx
(a )2 = (a2 – cx)2
a2x2 – 2a2cx
+ a2c2 + a2y2 = a4 –
2a2cx + c2x2
(a2 – c2)x2 +
a2y2 = a4 – a2c2
(a2 – c2)x2 +
a2y2 = a2(a2 – c2)
Como a2 – c2 = b2,
vem que
b2x2 + a2y2
= a2b2
e dividindo por (a2b2)
fica
que é a chamada equação reduzida da
elipse.
Observações
1)
Para y = 0, na equação acima,
obtemos x2 = a2; logo x =
±a,
que são as abscissas dos pontos onde a curva corta o eixo x.
Para x = 0 obtemos y2 = b2;
logo, y = ±b,
que são as ordenadas dos pontos de intersecção com o eixo y.
2)
No caso da elipse de centro O(0,
0) e os focos no eixo y obtemos a equação

3)
Quando a elipse tem o centro
fora da origem do sistema cartesiano ou os eixos de simetria não paralelos
aos eixos coordenados, a equação é “mais complicada”, porém é ainda uma
equação do 2º. Grau nas variáveis x e y, que se enquadra na forma geral
Ax2 + By2
+ Cxy + Dx + Ey + F = 0.
A elipse é a curva que se obtem seccionando-se
um cone com um plano que corta o seu eixo.
Figura:
Elipse obtida seccionando-se um cone com um plano

Exemplo
Obter a equação da elipse de focos F1(–3,
0) e F2(3, 0) e eixo maior 2a = 10.
Observemos que os focos estão no eixo x; o
centro, que é o ponto médio de F1F2, é a origem O(0,
0). Então, a equação é

Temos a = 5 e c = = 3
Da relação a2 = b2 + c2
vem b2 = a2 – c2 = 52 – 32
= 16
Logo, a equação é , ou ainda, 16x2
+ 25y2 = 400
HIPÉRBOLE
Denominamos hipérbole ao lugar
geométrico dos pontos de uma plano pra os quais a diferença das distâncias a
dois pontos dados, F1 e F2, do plano é
em valor absoluto igual a uma constante 2a, menor que a distância F1F2.

Os pontos F1 e F2
chamam-se focos e dF1F2 = 2c é a distância focal.
O ponto médio O do segmento F1F2
é o centro.
A reta F1F2 é um eixo
de simetria da curva. Ela intercepta a hipérbole nos pontos A1
e A2. O segmento A1A2 é chamado eixo
real (ou eixo transverso) e sua medida é
dA1A2 = 2a.
A reta perpendicular a F1F2
pelo centro O é outro eixo de simetria da hipérbole. Nela indicamos os
pontos B1e B2 que distam c unidades dos pontos
A1 e A2. O segmento B1B2 é
chamado eixo conjugado (ou eixo imaginário) e indicamos sua
medida por 2b.
Do triângulo retângulo indicado na figura
decorre que:
A excentricidade é o número e definido
por:
A propriedade característica dos pontos P da
curva é:
Na figura indicamos também um retângulo de
centro 0, um lado de medida 2a paralelo ao eixo real e outro lado da
medida 2b. As retas que contêm as diagonais desse retângulosão as
assíntotas da hipérbole. (Quando prolongamos a curva, ela se aproxima
cada vez mais das assíntotas, sem nelas tocar). Quando este retângulo tem os
lados iguais, isto é, quando a = b, dizemos que a hipérbole é equilátera.
Uma hipérbole equilátera tem excentricidade e = .
Equação da
hipérbole
Vamos obter a equação da hipérbole de centro
na origem do sistema cartesiano, O(0, 0), e os focos situados no eixo das
abscissas. Notemos que:
F1 = (–c, 0) e F2 = (c, 0)
A1 = (–a, 0) e A2 = (a, 0)
Apliquemos a P(x, y) a propriedade dos pontos
da hipérbole:

– =
±2a
= (±2a
+ )2
x2 + 2cx + c2 + y2
= 4a2
±
4a + x2 – 2cx + c2 + y2
±4a
= 4a2 – 4cx
(±a
)2 = (a2 – cx)2
a2x2 – 2a2cx
+ a2c2 + a2y2 = a4 –
2a2cx + c2x2
(a2 – c2)x2 +
a2y2 = a4 – a2c2
(a2 – c2)x2 +
a2y2 = a2(a2 – c2)
Como a2 – c2 = –b2,
vem que –b2x2 + a2y2 = –a2b2
e dividindo por (–a2b2)
fica
que é a chamada equação reduzida da
hipérbole.
Observações
1)
Para y = 0, na equação acima,
obtemos x2 = a2; logo, x =
±a,
que são abscissas dos pontos de intersecção da hipérbole com o eixo x. Não
existe ponto de intersecção com o eixo y.
2) No caso da hipérbole de centro O(0, 0) e
focos no eixo y obtemos a equação
3)
Quando a hipérbole tem o centro
fora da origem ou os eixos de simetria não paralelos aos eixos coordenados,
a equação é “mais complicada”, mas é ainda uma equação do 2o grau
que se enquadra na forma geral Ax2 + By2 + Cxy + Dx + Ey + F = 0.
A hipérbole é a curva que se obtem
seccionando-se um cone por um plano paralelo ao seu eixo.
Figura:
Hipérbole obtida seccionando-se um cone com um
plano

Exemplo:
Obter a equação da hipérbole de focos F1(–4,
0) e F2(4, 0) e eixo real 2a = 4.
Notemos que os focos estão no eixo x e o
centro, que é o ponto médio de F1F2, é O(0, 0). Então,
a equação é

Temos a = 2 e c = = 4
Da relação c2 = a2 + b2
vem que b2 = c2 – a2 = 42 – 22
= 12
A equação é , portanto, , ou ainda, 3x2
– y2 = 12
CÔNICAS NO
PLANO
Definição: Uma cônica em R2 é um
conjunto de pontos cujas coordenads em relação à base canônica satisfazem a
equação:
Ax2 + Bxy + Cy2
+ Dx + Ey + F = 0
onde A ou B ou C
¹
0.
Observe que a equação da cônica envolve uma
forma quadrática, Q(x,y) = Ax2 + Bxy + Cy2, uma forma
linear, L(x,y) = Dx + Ey, e um termo constante F. Isto é, a equação que
define a cônica é:
Exemplos
Circunferência
|
 |
A = C = 1
B = D = E = 0
F = -r2
|
Elipse
|
 |
A = , C = ; a > 0 , b > 0
B = D = E = 0
F = –1 |
Hipérbole
|
 |
A = , C = ; a > 0 , b > 0
B = D = E = 0
F = –1 |
Parábola
Temos ainda os casos chamados degenerados
Par de retas concorrentes (hipérbole
degenerada)
Par de retas paralelas (parábola degenerada)
Uma reta (parábola degenerada)
Um ponto (elipse degenerada)
Vazio (elipse ou parábola degenerada)
As equações das cônicas aquí representadas
estão na “forma reduzida”, isto é, B = 0, se A
¹ 0, D = 0 e
se C ¹
0, E = 0. Veremos a seguir, através de uma mudança de referencial
conveniente, que toda cônica toma uma das formas colocadas acima.
As cônicas aquí, estão definidas
algébricamente.
Exemplo 1:
2x2 – 5y2
–7 = 0
2x2 – 5y2 = 7
, que é uma hipérbole
Exemplo 2:
x2 + y2
– 6x – 2y + 8 = 0
(x – 3)2 + (y
– 1)2 = 2
x12
+ y12 = 2
onde
x1 = x – 3 e
y1 = y – 1

circunferência de raio e centro(3, 1).
Exemplo 3:
Dada a equação na base canônica
a
em R2:
2x2 + 2y2
+ 4xy + 4x + 12y – 8 = 0
nosso objetivo, mais uma vez, será determinar
que figura esta cônica representa no plano. Para isto, precisamos
inicialmente eliminar os termos mistos, do tipo xy, através da
diagonalização da forma quadrática.
1º. Passo: Escrevendo a equação
anterior na forma matricial, temos:
[x y] + [4 12] – 8 = 0
2º. Passo: Vamos calcular os
autovalores e os autovetores ortonormais da matriz .
P(l)
= = (2 – l)2
– 4 = –4l
+ l2
Então os autovalores são 0 e 4.
Para
l1
= 0, = , e v1 =
Para
l2
= 4, = , donde v2 =
Sabemos que nesta nova base de autovetores
b
= {v1, v2}, a forma quadrática
Q(v) = [x y] onde [v]a
=
se reduz a
Q(v) = [x1 y1]
se [v]b
=
3º. Passo: Agora precisamos determinar
a relação que existe entre e e substituir o resultado na parte linear da
equação dada.
L(v) = [4 12]
Mas, = [ I ]
Logo =
4º. Passo: A equação original se reduz
a
[x1 y1]
+ [4 12] – 8 = 0
0x12
+ 4y12 + 4 + 12 – 8 = 0
4y12
– 4x1 + 4y1 + 12x1 + 12y1 – 8 =
0
4y12
+ 8x1 + 16y1 – 8 = 0
y12
+ 2x1 + 4y1 – 2 = 0
Esta última equação representa a cônica em
relação ao novo referencial formado pelas retas suporte de v1 e v2,
como mostra a figura.

Vamos ainda introduzir uma nova mudança de
coordenadas para identificar a cônica. Ela será dada por uma translação do
referencial acima.
5º. Passo: Para “eliminar” os
termos lineares onde isto é possível (l
¹
0), agrupamos os termos de y12 + 2x1 + 4y1
–2 = 0 convenientemente.
(y12
+ 4y1 + 4) – 4 + 2x1 – 2 = 0
(y1 + 2)2
+ 2(x1 – 3) = 0
Tornando x2 =
x1 – 3 e y2 = y1 + 2, obtemos y22
+ 2x2 – 6 = 0 ou finalmente
x2 = – y22
Assim, a equação acima representa a cônica em
realçaão a um novo referencial R3, obtido por translação e
podemos finalmente identificá-la como sendo uma parábola, conforme
indica a Figura abaixo. A origem deste último referencial R3
será x2 = 0 e y2 = 0, isto é, x1 – 3 = 0 e
y1 + 2 = 0.

Agora iremos formular o procedimento geral de
classificação das cônicas, estabelecendo em detalhes o que deve ser feito em
cada passo.
Procedimento Geral de Classificação das
Cônicas:
Dada a equação (em coordenadas canônicas de R2)
Ax2 + Bxy + Cy2 + Dx + Ey + F = 0 (A ou B ou C
¹
0), para achar que figura ela representa no plano, devemos proceder do
seguinte modo:
1º. Passo: Escrevemos a equação na
forma matricial:
[x y] + [D E] + F =
0
2º. Passo: Diagonalizamos a forma
quadrática para eliminar os termos mistos. Para isto, precisamos encontrar
os autovalores
l1 e
l2
e os autovetores ortonormais v1 e v2 de
3º. Passo: Obtemos as novas
coordenadas. Para isto, precisamos para substituir na equação de = [ I ]
4º. Passo: Substituimos as novas
coordenadas na equação, obtendo a equação na nova base {v1, v2}
[x1 y1] + [D E] [
I ] + F = 0
ou seja,
l1x12
+ l2y12
+ ax1 + by1 + F = 0
5º. Passo: Eliminamos os termos
lineares das coordenadas cujos autovalores são não nulos. Temos então três
casos:
i)
l1
e l2
¹
0
l1x12
+ ax1 + l2y12
+ by1 + F = 0
l1
– + l
+ l2
– + F = 0
Seja x2 = x1 + e y2
= y1 + , temos então
l1x22
+ l2x22
+ f = 0
(que é uma das equações típicas) onde
f = F – –
ii)
l1
¹
0 e l1
= 0
l1x12
+ ax1 + by1 + F = 0
l1
+ by1 + F = 0
Tornando x2 =
x1 + e y2 = y1, temos
l1x22
+ by2 + f = 0
(que é uma das equações típicas) onde
f = F –
iii)
l1
= 0 e l2
¹
0 (similar ao anterior)
Como vimos, este procedimento permite-nos,
através de uma mudança de referencial, colocar qualquer cônica na forma de
uma das equações típicas. Neste processo classificamos a cônica, damos suas
dimensões e posições no plano.
Muitas vezes, no entanto, estaremos
interessados apenas em classificar a cônica dada por uma equação Ax2
+ Bxy + Cy2 + Dx + Ey + F = 0, sem determinar suas dimensões e
localização. Visando solucionar este problema de uma forma mais rápida,
vamos discutir as possibilidades que temos em função dos sinais doas
autovalores associados à forma quadrática.
Consideremos, portanto, os autovalores
l1
e l2
de . Como já vimos, obteremos depois da eliminação do termo misto uma
equação da forma
(*)
l1x12
+ l2y12
+ ax1 + by1 + F = 0
(I)
Vamos analisar inicialmente a
situação em que l1
¹ 0 e
l2
¹
0. Neste caso, através de uma translação que é feita no 5º. Passo, obtemos
l1x22
+ ly22
+ f = 0
Note que se:
i)
l1
e l2
forem ambos positivos, teremos f < 0 uma elipse; para f = 0 teremos um ponto
(x2 = y2 = 0) e para f > 0 teremos o conjunto vazio.
ii)
Se
l1
e l2
forem ambons negativos, também teremos uma elipse, um ponto ou vazio,
conforme f seja positivo, nulo ou negativo.
iii)
Se
l1
e l2
tiverem sinais opostos, poderemos ter uma hipérbole, quando f
¹
0, ou um par de retas concorrentes se f = 0.
(II)
Consideremos agora a situação em
que l1
= 0 (e, portanto l2
¹
0). Como vimos, partindo da equação (*), chegamos a sua equação.
l2y22
+ ax2 + f = 0
Note que:
i)
se a
¹
0, teremos uma parábola.
ii)
Se a = 0, poderemos ter um par
de retas paralelas, uma reta ou o vazio.
(III)
O caso em que
l2
= 0 é discutido de maneira análoga ao (II).
Podemos resumir os resultados até aquí obtidos
no seguinte teorema:
Teorema: Dada uma cônica definida pela equação
(*) Ax2 + Bxy + Cy2 + Dx + Ey + F = 0. Seja
l1
e l2
os autovalores associados à sua forma quadrática; então:
i)
Se
l1
. l2
> 0 esta equação representa uma elipse, ou suas degenerações (um ponto ou o
vazio)
ii)
Se
l1
. l2
< 0 esta equação representa uma hipérbole ou sua degeneração (par de retas
concorrentes).
iii)
Se
l1
. l2
= 0 esta equação representa uma parábola ou suas degenerações (par de retas
paralelas, uma reta ou o vazio).
Podemos afirmar que o determinante associado à
forma quadrática
é igual ao produto de seus autovalores
l1
. l2.
Assim o sinal de l1
. l2
é o mesmo de , que por sua vez tem o mesmo sinal de – (B2 – 4AC).
Podemos assim reescrever o teorema anterior em função do “discriminante”
B2 – 4AC.
Teorema: Dada a equação: Ax2 + Bxy
+ Cy2 + Dx + Ey + F = 0, esta equação no plano representará:
i)
uma elipse ou suas degenerações,
se B2 – 4AC < 0
ii)
uma parábola ou suas
degenerações, se B2 – 4AC = 0
iii)
uma hipérbole, se B2
– 4AC > 0
QUÁDRICAS EM R3
Definição: Uma quádrica em R3 é um
conjunto de pontos cujas coordenadas em relação à base canônica satisfazem a
equação:
Ax2 + By2 + Cz2
+ Dxy + Eyz + Fxz + Gx + Hy + Iz + J = 0
com A ou B ou C ou D ou E ou F
¹
0.
Exemplos
Elipsóide
Hiperbolóide de uma folha
Hiperbolóide de duas folhas
Parabolóide elíptico
Parabolóide hiperbólico
Cone quadrático
Cilindro
Se nenhum termo com z aparece na equação da
quádrica, temos o cilindro. O cilindro “padrão” é formado por retas
ortogonais ao plano z = 0 que passam por uma cônica neste plano. Por
exemplo:
a)
Cilindro elíptico
b)
Cilindro hiperbólico
c)
Cilindro parabólico
A equação que define a quádrica pode
representar o conjunto vazio (x2 = –1) , um ponto (x2
+ y2 + z2 = 0), uma reta (x2 + y2
= 0), um plano (z2 = 0), dois planos paralelos (z2 =
1) ou dois planos que se inteceptam (xy = 0). Estes casos são denominados
degenerados. Quando nos é dada uma equação do 2º. Grau em x, y, z, e
precisamos saber que figura ela representa em R3 (classificar a
quádrica) procedemos de modo análogo à situação em R2, reduzindo
a equação e interpretando-a no final.
Exemplo:
Para classificar a quádrica
–x2 + 2yz + z
– y = 100
escrevemos a equação acima na forma matricial,
obtendo:
[x y z] + [0 –1
1] = 100
Calculando os autovalores e os autovetores já
normalizados da matriz
obtemos:
para
l1
= –1; v1 = (1, 0, 0) e v2 = e
para
l2
= 1; v3 =
Temos ainda
= [ I ]
onde
[ I ] =
Então a equação da quádrica em relação ao
referencial dado pelos autovetores será:
[x1 y1
z1] + [0 –1 1] = 100
Isto é,
x12 – y12
+ z12 – y1 = 100
Faremos agora uma nova mudança de coordenadas
para eliminar os termos lineares onde isto é possível.
Z12 = x12
– + – 100 = 0
Seja x2 = x1, y2
= y1 + e z2 = z1; assim, temos a seguinte
equação:
– – + = 1
que representa a quádrica em relação ao
referencial obtido por translação a partir daquele dos autovetores, cuja
origem é dada por x2 = 0, y2 = 0 e z2 = 0.
Então
x1 = 0, y1 + = 0 e z1
= 0
Comparando a equação obtida com as equações
das quadráticas vemos que esta quádrica é um hiperbolóide de duas folhas.

ALGUMAS
APLICAÇÕES DAS CÔNICAS
O interesse pelo estudo das cônicas remonta a
épocas muito recuadas. De fato, estas curvas desempenham um papel importante
em vários domínios da física, incluindo a astronomia, na economia, na
engenharia e em muitas outras situações, pelo que não é de estranhar que o
interesse pelo seu estudo seja tão antigo.
Vejamos então algumas situações onde estas
curvas aparecem.
Suponhamos que temos uma lanterna direcionada
para uma parede, então o feixe de luz emitido desenhará nessa parede uma
curva cónica. Este fato acontece porque o feixe de luz emitido pela lanterna
forma um cone, e também porque a parede funciona como um plano que corta o
cone formado. Dependendo da inclinação da lanterna relativamente à parede,
assim se obtém uma circunferência, uma elipse, uma parábola ou uma
hipérbole.
Certos candeiros de cabeceira, cujo quebra
luz (abat-jour) é aberto segundo uma circunferência, desenham na parede
uma hipérbole e no tecto uma elipse.
Os Engenheiros da área da iluminação usam este
fato, entre outros, para construirem candeiros, lanternas, etc...
O som emitido por uma avião a jato supersônico
tem a forma de um cone, pelo que, ao chocar com a Terra vai formar uma curva
cónica. Assim, dependendo da inclinação do avião relativamente à Terra,
vamos obter elipses, parábolas ou hiperboles. A audiometria usa este fato,
entre outros, para saber a que distância da Terra o avião pode ultrapassar a
velocidade do som.

A superfície formada pela água dentro de um
copo é elíptica, sendo circular apenas no caso em que o copo está direito,
isto é, está alinhado com o nível, na horizontal.
Se animarmos o copo com um movimento rotativo
sobre si próprio, a superfície do líquido nele inserido será a de um
paraboloide. Esta técnica é frequentemente usada para se obter este tipo de
superficie.

Na astronomia, Kepler mostrou que os planetas
do sistema solar descrevem órbitas elípticas, as quais têm o sol num dos
focos. Também os satélites artificiais enviados para o espaço percorrem
trajetórias elípticas. Mas nem todos os objetos que circulam no espaço têm
órbitas elípticas. Existem cometas que percorrem trajetórias hiperbólicas,
os quais ao passarem perto de algum planeta com grande densidade, alteram a
sua trajetória para outra hipérbole com um foco situado nesse planeta. Como
a parábola é um caso de equilibrio entre a elipse e a hipérbole (lembre-se
que a excentricidade da parábola é igual a um), a probabilidade de existir
algum satélite com órbita parabólica é quase nula. Mas isso não impede a
existência de satélites com esta trajetória.
Também as trajetórias dos projéteis, num
ambiente sob a ação da força de gravidade, são parabólicas. Já no ambiente
terrestre, onde existe a resistência do ar, essas trajectórias são
elípticas, mais propriamente, arcos de elipses. No entanto, por vezes, as
diferenças entre as trajetórias eliptícas e as parabólicas são quase
indiscerniveis, pelo que, pode-se facilmente verificar estes fatos tomando
atenção ao jato de água de uma mangueira, cuja a abertura está inclinada
para cima. A balística ciência que estuda as trajetória de projéteis, faz
uso deste fato para determinar o local da queda de um projétil.
No estudo dos átomos, um campo da Física e da
Química, as órbitas dos eletrons em torno do núcleo são elípticas.

Fazendo uso da propriedade reflectora da
parábola, Arquimedes construiu espelhos
parabólicos, os quais por reflectirem a luz
solar para um só ponto, foram usados para incendiar os barcos romanos quando
das invasões de Siracusa. Lembre-se que a concentração de energia gera
calor.
De faco, as propriedades reflectoras das
cônicas, e não somente as da parábola, tem contribuido para a construção de
telescópios, antenas, radares, farois, ópticas dos carros, lanternas, etc...
Na verdade, alguns dos objetos mencionados também obedecem à propriedade
refratora das cônicas. Esta propriedade está intimamente ligada à
propriedade reflectora, pelo que os seus estudos são muito idênticos. Só
para dar uma amostra de objetos mais vulgares que usam a propriedade
refratora das cônicas, mencionamos os seguintes: os oculos graduados, as
lupas e os microscópios.

A partir da propriedade reflectora das
parábolas, os engenheiros civis construiram pontes de suspensão parabólica.
Se imaginarmos os cabos que predem o tabuleiro da ponte como raios de luz,
facilmente verificamos que o cabo principal, aquele que passa pelos pilares
da ponte, tem forma de uma parábola.

As extremidades das asas do famoso avião
britanico spitfire, usado com grande sucesso na I grande Guerra, eram arcos
de elipses. Embora a razão da sua escolha se prenda ao fato de se obter mais
espaço para transportar munições, este tipo de asa diminuia a resistência do
ar, favorecendo melhores performances ao avião em vôo.
O sistema de localização de barcos denominado
por LORAM (LOng RAnge Navigation), faz uso das hipérboles confocais, onde os
radares estão nos focos. A ideia é baseada na diferença de tempo de recepção
dos sinais emitidos simultaneamente pelos dois pares de radares, sendo um
dos radares comum aos dois pares. O mapa assim construido apresenta curvas
hiperbólicas. Esta técnica foi usada na II grande Guerra, para detectar
barcos japoneses.
Bibliografia:
-
Matemática temas e metas vol. 5
– Geometria Analítica e Polinômios
Antonio dos Santos Machado
Atual Editora
-
Algebra linear 3ª edição
Boldrini/Costa/Figueiredo/Wetzler
Ed. HABRA
-
UFMG – Departamento de
matemática
http://www.mat.ufmg.br/~regi/gaaltt/sec19.html
-
Universidade de Coimbra –
Departamento de matemática
http://www.mat.uc.pt/~ed9702/conicas/