

 
 |
|
|
|

|
BUSCA |
|
|
 |
  
|
Publicidade |
|
|
 |
  
|
Recomende
|
|
|
 |

|
Sobre
o site
|
|
|
 |
|
|
|
Matérias :: Matemática |
|
|
Autoria:
July |
|
Um número
fascinante
PI, o valor da razão entre a circunferência de qualquer círculo e seu diâmetro,
é a mais antiga constante matemática que se conhece. E' também um dos poucos
objetos matemáticos que, ao ser mencionado, produz reconhecimento e ate mesmo
interesse em praticamente qualquer pessoa alfabetizada.
Apesar da antiguidade do nosso conhecimento do PI, ele ainda é fonte de
pesquisas em diversas áreas. Com efeito, dentre os objetos matemáticos estudados
pelos antigos gregos, há mais de 2 000 anos, Pi é um dos poucos que ainda
continua sendo pesquisado: suas propriedades continuam a ser investigadas e
procura-se inventar novos e mais poderosos métodos para calcular seu valor,
sendo que a divulgação desses resultados constitui uma das raras ocasiões em que
vemos a Matemática atingindo os meios de comunicação de massa.
Como uma conseqüência dessa situação, e como uma outra maneira de demonstrar o
interesse e fascinação despertados pelo PI, os editores estão sempre a publicar
livros dedicados inteiramente ao tema e dirigidos tanto ao grande público como a
professores e pesquisadores. Entre os mais recentes, podemos destacar:
·
Lennart Berggren (ed) - Pi: A Source
Book
Springer Verlag, 2nd ed., NYork, 2000
( nada menos do que 736 paginas! )
·
J. P. Delahaye - Le fascinant nombre Pi
Editions Belin / Pour La Science, Paris, 1997.
·
J. Arndt - PI, unleashed.
Springer Verlag, NYork, 2000.
Os vários tipos
de PI
Em verdade, na Geometria Euclidiana, temos quatro constantes que poderiam ser
chamadas de PI:
·
o PI de
circunferências: a constante de proporcionalidade na relação entre a
circunferência de um círculo e seu diâmetro
·
o PI de
áreas de círculos: a constante de proporcionalidade na relação entre a área de
um círculo e o quadrado de seu diâmetro
·
o PI de
áreas de esferas: a constante de proporcionalidade na relação entre a área de
uma esfera e o quadrado de seu diâmetro
·
o PI de
volumes de esferas: a constante de proporcionalidade na relação entre o volume
de uma esfera e o cubo de seu diâmetro
Usando as fórmulas clássicas da Geometria, fica muito
fácil expressarmos qualquer uma dessas constantes de proporcionalidade em termos
das demais. Por questão de tradição, prefere-se trabalhar exclusivamente com o
PI da circunferência de círculos, o qual é denotado internacionalmente pela
letra pi minúsculo, a letra inicial da palavra grega peripheria que significa
perímetro ou circunferência ( essa notação surgiu no início do sec. 1700 e foi
adotada e popularizada pelo importante livro Análise Infinitesimal,
escrito por Euler c. 1750 ).
A descoberta do
PI
Muitas pessoas acham que precisamos ter o valor do PI para calcular
circunferência de círculos. Um exemplo clássico mostrando que isso NAO e'
verdade e' o cálculo da circunferência da Terra por Erathostenes c. 250 AC. Ele
mediu um arco de meridiano terrestre de 5000 estádios e, usando um instrumento
de forma semi-esférica ( chamado skaphe ), verificou que esse arco de meridiano
era proporcional a um arco de meridiano da skaphe, o qual media 1/50 do
meridiano da esfera desse instrumento. Conseqüentemente, concluiu que o
meridiano terrestre e' 50*5000 = 250000 estádios. Ou seja, em lugar nenhum
precisou saber o valor do PI!
Esse exemplo, e outros que poderíamos mencionar, mostram que é bastante
surpreendente que a quase totalidade das pessoas ache que PI foi descoberto ao
se relacionar circunferências com diâmetros dos respectivos círculos. Embora a
definição usual do PI baseie-se na constância da razão circunferência :
diâmetro, muito provavelmente não foi essa a origem do PI. Com efeito, é
difícil imaginarmos situações práticas reais onde, numa civilização incipiente,
alguém tenha precisado calcular a circunferência de um círculo de diâmetro
conhecido, ou vice-versa. Muito mais naturais são problemas requerendo achar a
área de um campo circular em termos do diâmetro ou mesmo em termos da
circunferência. Em verdade, devia-se até questionar se a descoberta do PI
realmente ocorreu no contexto de círculos, e não no de esferas.
Essa inquietação não é só nossa. O famoso historiador matemático Abraham
Seidenberg gastou muitos anos de sua vida vasculhando museus e lendo trabalhos
de antropologia, em busca dos mais antigos indícios de envolvimento humano com
círculos, esferas e o PI. O resultado desses estudos foi resumido nos seus
artigos The ritual origin of the circle and square, Archiv.
Hist. Exact Sc.
25, (1981), e principalmente em On the volume of a sphere, Archiv.
Hist. Exact Sc. 39, (1988). Sua
conclusão foi que o cálculo do volume da esfera em termos de seu diâmetro
remontaria a antes de 2 000AC, sendo anterior a matemática das grandes antigas
civilizações mesopotâmicas, indiana, chinesa e egípcia. O historiador matemático
B. van der Waerden identifica essa origem com o que chamo de Tradição Origem da
Matemática e a localiza no Vale do Danúbio c. 4 000 AC. Segundo Seidenberg,
nessa tradição também se teria reconhecido a igualdade da constante de
proporcionalidade relacionando circunferência com diâmetro e área de círculo com
quadrado do raio; ou seja, já nessa tradição, possivelmente lá por 3000 a
4000AC, se teria reconhecido que o "PI da circunferência" é igual ao "PI da área
do círculo". Também é interessante observar que Seidenberg concluiu que a
descoberta dessa igualdade usou métodos infinitesimais, ao estilo de Cavalieri.
É preciso que fique bem claro que o
que o trabalho de Seidenberg achou na noite dos tempos, em bem remota
antiguidade, foram apenas indícios indiretos de envolvimento com PI. Os
mais antigos documentos concretos que temos e que tratam
explícitamente de PI são tabletas mesopotâmicas de c. 2 000 AC, como a
mostrada ao lado. Examinando a figura desenhada, fica fácil ver que a mesma
corresponde a adotar a aproximação grosseira PI = 3, que é a mais comum das
aproximações para PI que encontramos nos documentos mesopotâmicos.
Por que
é tão difícil calcular o PI?
A principal razão é que PI não é uma fração. Com efeito, se PI pudesse ser
escrito como uma fração m / n, seu cálculo poderia
·
ou se resumir em buscar o valor de
tais numeros inteiros m e n
·
ou explorar a periodicidade de sua
representação decimal
( por exemplo, se fosse verdade que PI = 22 / 7 = 3.142857 142857 142857 ...,
então nos bastaria achar o valor da parte inteira, 3, e o bloco 142857 que se
repete indefinidamente )
O fato de que,
por mais de 2000 anos, ninguém tivesse conseguido explorar nenhuma das duas
possibilidades acima é exatamente o que sugeriu que PI não deva ser uma fração.
A verificação rigorosa desse fato, ou seja a demonstração da irracionalidade de
PI, veio só com Lambert, em 1 761.
Em verdade, por si só, a irracionalidade de PI não seria suficiente para
determinar a dificuldade de seu cálculo; com efeito, existem irracionais de
representação decimal previsível, e então fáceis de calcular, como é o caso de
3.10110111011110... . PI é difícil de calcular porque é um irracional
imprevisível: sua representação decimal não mostra nenhuma previsibilidade,
sendo que acredita-se que seus algarismos se distribuam aleatoriamente.
|
|
<-Anterior
|
Página
1
|
Próxima->
|
|
|
|
|
|
|
|
Cola da Web.:
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer
meio de comunicação, exceto em trabalhos escolares. |
|
|