1.
POLINÔMIOS
1.1 Definição:
Um polinômio (função
polinomial) com coeficientes reais na variável x é uma função matemática f:R->R
definida por: p(x) = a0 + a1x + a2x2
+ a3x3 + ... + anxn,
onde a0, a1, a2,..., an são números reais denominados
coeficientes do polinômio. O coeficiente a0 é o termo
constante. Se os coeficientes são números inteiros, o polinômio é denominado
polinômio inteiro em x.
Uma das funções polinomiais
mais importantes é f:R-->R definida por: f(x) = ax2
+ bx + c
O gráfico desta função é a
curva plana denominada parábola, que tem algumas características utilizadas em
estudos de Cinemática, radares, antenas parabólicas e faróis de carros.
O valor numérico de um
polinômio p=p(x) em x=a é obtido pela substituição de x pelo número a, para
obter p(a).
Exemplo 01:
O valor numérico de p(x) = 2 x2 + 7x -12 para x=3 é dado por:
p(3) = 2(3)2 + 7(3)
- 12 = 2(9) + 21 -12 = 18 + 9 = 27
Exemplo 02:
P(x) = x5 + 3x2
- 7x + 6 (a0 = 1, a1 = 0, a2 = 0, a3
= 3, a4 = -7 e a5 = 6).
O grau de P(x) é igual a 5.
Nota:
Os polinômios recebem nomes particulares a saber:
·
Binômio:
possuem dois termos. Exemplo: r(x) = 3x + 1 (grau 1).
·
Trinômio:
possuem 3 termos: Exemplo: q(x) = 4x2 + x - 1 (grau 2).
A partir de 4 termos,
recorre-se à designação genérica: polinômios.
2.
GRAU DE UM POLINÔMIO E IDENTIDADE DE POLINÔMIOS.
Em um polinômio, o termo de
mais alto grau que possui um coeficiente não nulo é chamado termo dominante, e o
coeficiente deste termo é o coeficiente do termo dominante.
O grau de um polinômio p=p(x)
não nulo, é o expoente de seu termo dominante. Acerca do grau e identidade de um
polinômio, existem várias observações importantes:
2.1. Polinômio identicamente
nulo (ou simplesmente polinômio nulo):
é aquele cujo valor numérico é igual à zero para todo valor da variável x.
Indicamos P=0 (polinômio nulo).
·
Para um
polinômio P(x) ser um polinômio nulo, se faz necessário e suficiente que todos
os seus coeficientes sejam nulos (iguais a zero).
2.2. Polinômios idênticos ou
polinômios iguais:
dois polinômios A(x) e B(x) são iguais ou idênticos (e indicamos
A(x)ºB(x)) quando assumem valores numéricos iguais para qualquer valor comum
atribuído à variável x. A condição para que dois polinômios sejam iguais ou
idênticos é que os coeficientes dos termos correspondentes sejam iguais.
Exemplo:
Calcular a, b e c, sabendo-se
que x2-2x+1 º a (x2+x+1)+(bx+c)(x+1).
Resolução:
Eliminando os parênteses e somando os termos semelhantes do segundo
membro temos: x2-2x+1
º ax2+ax+a+bx2+bx+cx+c.
1x2-2x+1 º (a+b)x2+(a+b+c)x+(a+c)

Agora igualamos os
coeficientes correspondentes e substituindo a 1ª equação na 2ª:
1+c = -2 => c=-3.
Colocando esse valor de c na
3ª equação, temos: a-3=1 => a=4.
Colocando esse valor de a na
1ª equação, temos: 4+b=1 => b=-3.
Resposta:
a=4, b=-3 e c=-3.
Notas:
·
Um polinômio
nulo não tem grau uma vez que não possui termo dominante. Em estudos mais
avançados, define-se o grau de um polinômio nulo.
·
Se o coeficiente
do termo dominante de um polinômio for igual a 1, o polinômio será chamado
Mônico.
·
Um polinômio
pode ser ordenado segundo as suas potências em ordem crescente ou decrescente.
·
Quando existir
um ou mais coeficientes nulos, o polinômio será dito incompleto.
·
Se o grau de um
polinômio incompleto for n, o número de termos deste polinômio será menor do que
n+1.
·
Um polinômio
será completo quando possuir todas as potências consecutivas desde o grau mais
alto até o termo constante.
·
Se o grau de um
polinômio completo for n, o número de termos deste polinômio será exatamente
n+1.
·
É comum usar
apenas uma letra p para representar a função polinomial p=p(x) e P[x] o conjunto
de todos os polinômios reais em x.
3. VALOR NUMÉRICO.
O valor numérico de um
polinômio P(x) para x=a, é o número que se obtém substituindo x por a e
efetuando todas as operações indicadas pela relação que define o polinômio.
Exemplo:
Se P(x)=x3+2x2+x-4,
o valor numérico de P(x), para x=2, é:
P(x)= x3+2x2+x-4
P(2)= 23+2.22+2-4
P(2)= 14
Observação:
Se P(a)=0, o número a chamado raiz ou zero de P(x).
Por exemplo, no polinômio
P(x)=x2-3x+2 temos P(1)=0; logo, 1 é raiz ou zero desse polinômio.
1º)
Sabendo-se que -3 é raiz de P(x)=x3+4x2-ax+1, calcular o
valor de a:
Resolução: Se –3 é raiz de
P(x), então P(-3)=0.
P(-3)=0 => (-3)3+4(-3)2
-a.(-3)+1 = 0
3a = -10 => a= -10/3
Resposta:
a= -10/3
4.
OPERAÇÕES COM POLINÔMIOS
4.1 Soma / Subtração de
Polinômios
Da álgebra elementar, temos
que só podemos somar e/ou subtrair termos semelhantes, ou seja, termos que
possuam expoentes iguais.
Exemplo 01:
P(x) = 3x4 - 7x3 + 5x2 + 12x - 8 Q(x) = x4
- 12x2 + 7x + 2 P(x) + Q(x) = 4x4 - 7x3 - 7x2
+ 19x - 6 P(x) - Q(x) = 2x4 - 7x3 + 17x2 + 5x
-10.
Exemplo 02:
a) P(x) = 2x4 + 3x2
- 7x + 10 ® S = P(1) = 2 + 3 - 7 + 10 = 8.
b) Qual a soma dos
coeficientes de S(x) = x156 + x?
Ora, substituindo x por 1,
encontramos S = 2. (Lembre-se que 1156 = 1).
IMPORTANTE:
Às vezes, um polinômio pode vir expresso como uma potência do tipo (x + a)n,
denominado binômio de Newton (Isaac Newton - físico, astrônomo e matemático
inglês, 1642 - 1727). Ainda assim, a propriedade anterior é válida, por exemplo:
qual a soma dos coeficientes do polinômio P(x) = (2x - 3)102?
Substituindo x por 1, vem: S =
(2.1 - 3)102 = (2-3)102 = (-1)102 = 1
(lembre-se que toda potência de expoente par é positiva).
Exemplo 03:
Qual a soma dos coeficientes
do polinômio T(x) = (5x + 1)4?
Para x = 1: S = T(1) = (5.1 +
1)4 = 64 = 6.6.6.6 = 1296.
4.2 Multiplicação de
Polinômios.
Exemplo:
(2x2 - 7x + 4). (x3
+ 2x) = 2x5 + 4x3 - 7x4 - 14x2 + 4x3
+ 8x.
4.3 Divisão de Polinômios.
Método da chave:
Exemplo:

Assim o Q(x) =
é
o quociente da divisão e R(x)= 9/4 é o resto.
Efetuar a divisão de um
polinômio P(x) por outro polinômio D(x) não nulo, significa determinar um único
par de polinômios Q(x) e R(x) que satisfazem às condições:
1)
P(x) = D(x). Q(x) + R(x). (Analogia ® 46:6 = 7 e resto 4 \ 46 = 6.7 + 4).
2)
gr R(x) < gr D(x), onde gr indica o grau do polinômio.
3) Determinar o quociente de
P(x)=x4+x3-7x2+9x-1 por D(x)=x2+3x-2.
Resolução:
Aplicando o método da chave, temos:

Verifica-se
que:
Notas:
1)
Se R(x) = 0, então dizemos que P(x) é divisível por D(x).
2)
Se gr P > gr D então gr (P: D) = gr P - gr D.
3)
Se gr P(x) < gr D(x) então Q(x) = 0 e R(x) = P(x).
4)
Não esquecer que o grau do resto é sempre menor que o grau do divisor.
5. DIVISÃO DE UM POLINÔMIO POR
UM BINÔMIO DA FORMA AX+B
Vamos calcular o resto da
divisão de P(x)=4x2-2x+3 por D(x)=2x-1.

Utilizando o método da chave:
Logo: R(x)=3
A raiz do divisor é 2x-1=0 =>
x=1/2.
Agora calculamos P(x) para
x=1/2.
P(1/2) = 4(1/4) – 2(1/2) + 3
P(1/2) = 3
Observe que R(x) = 3 = P(1/2)
Portanto, mostramos que o
resto da divisão de P(x) por D(x) é igual ao valor numérico de P(x) para x=1/2,
isto é, a raiz do divisor.
6. DIVISÃO DE UM POLINÔMIO
PELO PRODUTO (X-A) (X-B).
Calcular o resto da divisão do
polinômio P(x) pelo produto (x-a)(x-b), sabendo-se que os restos da divisão de
P(x) por (x-a) e por (x-b) são, respectivamente, r1 e r2.
Tem-se: a é a raiz do divisor
x-a, portanto P(a)=r1 (eq. 1)
b é a raiz do divisor x-b,
portanto P(b)=r2 (eq. 2) e para o divisor (x-a)(x-b) temos P(x)=(x-a)(x-b) Q(x)
+ R(x) (eq. 3)
O resto da divisão de P(x) por
(x-a)(x-b) é no máximo do 1º grau, pois o divisor é do 2º grau; logo: R(x)=cx+d
Da eq.3 vem: P(x)=(x-a)(x-b)
Q(x) + cx + d
Fazendo: x=a => P(a) = c(a)+d
(eq. 4) x=b => P(b) = c(b)+d (eq. 5)

Das equações 1, 2, 4 e 5,
resolvendo o sistema obtém-se:

Observações:
1ª)
Se P(x) for divisível por (x-a) e por (x-b), temos:
P(a)= r1 =0
P(b)= r2 =0

Portanto, P(x) é divisível
pelo produto (x-a)(x-b).
7.
TEOREMA DO RESTO.
Pode-se escrever:
6x3 – 5x2
– 17x – 1 = (x – 2) (6x2 + 7x – 3) – 7
Calcular o valor numérico do
polinômio quando x = 2.
Pode-se
fazê-lo de duas maneiras:
Primeira:
6x3
– 5x2
– 17x – 1
Fazendo x = 2 tem-se:
6 X 23 – 5 X 22
– 17 X 2 – 1 = 48 – 20 – 34 – 1 = – 7
Segunda:
(x – 2)
(6x2
+ 7x – 3) – 7
(2 – 2) X (6 X 22
+ 7 X 2 – 3) – 7 = 0 – 7 = – 7
Com
estes exemplos pode-se comprovar que o valor numérico de um polinômio, quando
x = 2, coincide com o resto da divisão desse polinômio por x – 2.
Esta
conclusão remete a um importante teorema: o Teorema do Resto, que pode ser
genericamente enunciado como:
o valor numérico de um polinômio quando x = a é igual ao resto da divisão
deste polinômio por x – a.
8. TEOREMA DE D’ALEMBERT.
Conseqüência: Se P(a) = 0,
então R = 0 (R=resto) e portanto , P(x) é divisível por x - a. Essa afirmação é
conhecida como teorema de D’Alembert (Jean Le Rond D’Alembert (1717 - 1783),
célebre matemático francês, que teve o seu no nome tirado da Igreja de St. Jean
Baptiste le Ronde, perto da NotreDame de Paris, em cujos degraus, foi encontrado
abandonado quando criança).
Exemplo:
Determinar o valor de p, para
que o polinômio P(x)=2x3+5x2-px+2 seja divisível por x-2.
Resolução: Se P(x) é divisível
por x-2, então P(2)=0.
P(2)=0 => 2.8+5.4-2p+2=0 =>
16+20-2p+2=0 => p=19
Resposta: p=19.
9. DISPOSITIVO DE
BRIOT-RUFFINI.
Serve para efetuar a divisão
de um polinômio P(x) por um binômio da forma (ax+b).
Exemplo: Determinar o
quociente e o resto da divisão do polinômio P(x)=3x3-5x2+x-2
por (x-2).

Resolução:
Observe que o grau de Q(x) é
uma unidade inferior ao de P(x), pois o divisor é de grau 1.
Resposta: Q(x)=3x2+x+3
e R(x)=4.
Para a resolução desse
problema seguimos os seguintes passos:
1º) Colocamos a raiz do
divisor e os coeficientes do dividendo ordenadamente na parte de cima da
"cerquinha".
2º) O primeiro coeficiente do
dividendo é repetido abaixo.
3º) Multiplicamos a raiz do
divisor por esse coeficiente repetido abaixo e somamos o produto com o 2º
coeficiente do dividendo, colocando o resultado abaixo deste.
4º) Multiplicamos a raiz do
divisor pelo número colocado abaixo do 2º coeficiente e somamos o produto com o
3º coeficiente, colocando o resultado abaixo deste, e assim sucessivamente.
5º) Separamos o último número
formado, que é igual ao resto da divisão, e os números que ficam à esquerda
deste serão os coeficientes do quociente.
10. DECOMPOSIÇÃO DE UM
POLINÔMIO EM FATORES.
Vamos analisar dois casos:
1º caso:
O polinômio é do 2º grau.
De uma forma geral, o
polinômio de 2º grau P(x)=ax2+bx+c que admite as raízes r1 e r2 pode
ser decomposto em fatores do 1º grau, da seguinte forma:
Exemplos:
Fatorar o polinômio P(x)=x2-4.
Resolução: Fazendo x2-4=0,
obtemos as raízes r1=2 e r2=-2.
Logo: x2-4 =
(x-2)(x+2).
Fatorar o polinômio P(x)=x2-7x+10.
Resolução: Fazendo x2-7x+10=0,
obtemos as raízes r1=5 e r2=2.
Logo: x2-7x+10 =
(x-5)(x-2).
2º caso:
O polinômio é de grau maior ou igual a 3.
Conhecendo uma das raízes de
um polinômio de 3º grau, podemos decompô-lo num produto de um polinômio do 1º
grau por um polinômio do 2º grau e, se este tiver raízes, podemos em seguida
decompô-lo também.
Exemplo:
Decompor em fatores do 1º grau o polinômio 2x3-x2-x.
Resolução:
2x3-x2-x = x.(2x2-x-1) à colocando x em
evidência
Fazendo x.(2x2-x-1)
= 0 obtemos: x=0 ou 2x2-x-1=0.
Uma das raízes já encontramos
(x=0).
As outras duas saem da
equação: 2x2 -x -1=0 => r1=1 e r2=-1/2.
Portanto, o polinômio
2x3-x2-x, na forma fatorada é: 2.x.(x-1).(x+(1/2)).
Observações:
Se duas, três ou mais raiz
forem iguais, dizemos que são raízes duplas, triplas, etc. Uma raiz r1
do polinômio P(x) é dita raiz dupla ou de multiplicidade 2 se P(x) é divisível
por (x-r1)2 e não por (x-r1)3.