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Matérias :: Matemática |
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Autoria:
Ariela Casagrande
Pizzetti |
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Testes de hipótese - Teste t
Princípio dos Testes de
Hipótese
Quando se
determinam parâmetros da amostra (por exemplo a média) é por vezes necessário
saber se esse está de acordo com o valor previsto para a população. A este
procedimento chamamos teste de hipótese.
Consideremos o
seguinte exemplo:
Queremos saber
se uma determinada moeda é equilibrada, ou seja, quando atirada ao ar a
probabilidade de sair caras ou coroas é igual a 1/2. Inicialmente, não temos
nada que nos indique o contrário. Assim, a nossa hipótese inicial - chamada
Hipótese Nula - é que a moeda é equilibrada. Para testarmos essa hipótese,
decidimos fazer uma amostra de 100 lançamentos e com base no resultado decidimos
se aceitamos ou rejeitamos a Hipótese Nula.
Suponhamos que o
resultado dos lançamentos foi 48 coroas e 52 caras. Será este
resultado suficientemente forte para rejeitarmos a Hipóse Nula? Ou seja, será
que este resultado é compatível com a hipótese da moeda ser equilibrada?
Efetivamente, a
probabilidade de obter 48 ou menos coroas em 100 lançamentos, com uma
moeda equilibrada, é de aproximadamente 0.38. Este valor é demasiado
elevado para rejeitar esta hipótese, isto é, a probabilidade de obter este
resultado (ou um resultado mais extremo) com uma moeda equilibrada é alta. Assim
devemos aceitar a Hipótese Nula (HN).
Note-se que a
afirmação é aceitar e não provar a Hipótese Nula (HN), pois a
moeda pode eventualmente estar viciada. O fato é que nos nossos lançamentos não
observamos nado que nos fizesse suspeitar disso. O resultado apenas não foi
suficientemente forte para rejeitar a HN.
Suponhamos
agora, que o resultado do lançamento foi 30 coroas e 70 caras. A
probabilidade de se obter um resultado, tão ou mais extremo do que este, com
uma moeda equilibrada é de 0.002. Podemos dizer que esta situação é pouco
provável de acontecer com uma moeda equilibrada.
Duas decisões
podem ser tomadas mediante este resultado:
1) aceitar que
ocorreu uma situação rara e continuar a acreditar na Hipótese Nula,
2) ou, por ser
demasiado raro observar o resultado com uma moeda equilibrada, rejeitar a
Hipótese Nula
Comparação de duas médias

A situação de comparar duas médias é algo semelhante ao exemplo
anterior do teste a uma moeda.
O ficheiro
refere-se
a desitometrias ósseas (medição da densidade mineral óssea) de indivíduos com e
sem fratura do colo do fêmur. Na
tabela 1 estão indicadas as médias de
densidade mineral óssea (BMD) para os dois grupos.
Perante este
resultado poderemos afirmar que os indivíduos que fraturam o colo do fêmur têm
um BMD mais baixo do que os indivíduos sem fratura?
Efetivamente
verificou-se uma diferença na amostra (0.26 = 0.96 - 0.70). Mas será esta
diferença devida a erros aleatórios do processo da amostragem ou devida a uma
diferença na população? Da mesma forma que não esperávamos que 100
lançamentos de uma moeda equilibrada tivesse um resultado exato de 50
caras e coroas; ainda que não haja diferenças entre o BMD dos dois grupos, não
seria de esperar que as duas médias da amostra fossem exatamente iguais.
Vamos então
calcular a probabilidade de, numa população onde não existe diferença
entre os dois grupos, ocorrer uma amostra com uma diferença de 0.26, ou uma
diferença maior.
Hipótese nula (HN):
médianão
fraturados
= médiafracturados
, ou de outra forma, HN: médianão
fraturados
- médiafracturados=0
Na amostra
observamos que:
não fraturados
-
fraturados
= 0.26
Utilizando um
teste para comparação de médias, obtêm-se que a probabilidade de se observar
esta diferença na amostra, ou uma superior, se a hipótese nula for verdadeira,
é menor do que 0.001.
Este teste de
comparação de duas médias designa-se de t-student, ou simplesmente teste t.
A razão do nome vem da utilização da distribuição com o mesmo nome, que
substitui a distribuição normal no caso de não se conhecer o desvio padrão da
população e em vez deste utilizar-se o desvio padrão da amostra.
Para utilizar
este teste é necessário fazer duas assunções. A primeira é que os dois grupos
têm distribuições normais e a segunda é que o desvio padrão dos dois grupos é
semelhante. No caso do Output do SPSS, este apresente primeiro um teste de
comparação dos desvios padrões (Teste de Levene).
Tipos de Erros
Quando se rejeita ou
aceita uma hipótese usando um teste estatístico baseado numa probabilidade, dois
erros podem acontecer:
·
Rejeitar
a Hipótese Nula e esta ser verdadeira - Erro Tipo I (alfa)
·
Aceitar
(não rejeitar) a Hipótese Nula e esta ser falsa - Erro Tipo II (beta).
Como normalmente a Hipótese Nula é contrária à
hipótese de investigação, há tendência para uma maior preocupação com o erro
tipo I. Para ilustrar isto, imagine a situação de uma investigação sobre efeito
de um novo fármaco (a Hipótese Nula seria o fármaco não tem efeito) e que
erradamente se rejeita a Hipótese Nula com a conseqüente afirmação de que o
fármaco tem efeito...
Por tradição (e sem mais nenhuma razão) costuma-se
limitar o Erro Tipo I a 0.05. Isto eqüivale a dizer que se a
probabilidade observada do teste de hipótese for inferior a 0.05,
rejeita-se a hipótese nula, caso contrário diz-se que não há evidência
suficiente para rejeitar a Hipótese Nula (ou seja aceita-se).
Apesar desta comparação da probabilidade com o erro
tipo I, não se deve confundir a probabilidade com o erro.
No exemplo
anterior do peso à nascença, seguindo a regra apresentada deveríamos rejeitar a
Hipótese de que não há diferença entre o BMD dos fraturados e não fraturados, ou
seja, afirmar que indivíduos com fratura do colo do fêmur têm BMD diferente dos
sem fratura.
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