Drogas
INTRODUÇÃO
Neste trabalho falaremos
sobre DROGAS... Muitos não
sabem o que são, como são utilizadas, de
onde vem, como são transportadas, enfim muitas coisas
sobre o assunto.
Nós também não sabíamos de muitas coisas até então.
Através dessa pesquisa ficamos sabendo de muitas outras coisas que até julgávamos
impossível acontecer.
Nos anexos você verá “coisas” que a droga causa no
corpo humano, lerá um pequeno trecho da fala de um alcoólatra
logo após de ter perdido a família e mais...
Bom não vou ficar comentando muito sobre o trabalho senão perde
graça... Pois então vamos começar!!!
Á LCOOL
Nomes de Rua:Goró , birita
Apresentação
O álcool é um líquido incolor produzido
a partir de cereais, raízes e frutos. Pode ser obtido
mediante a fermentação destes produtos, atingindo
concentrações que variam entre 5 e 20% (cerveja,
vinho, sidra) ou por destilação e/ou adição
de álcool resultante de destilação,
o que aumenta a concentração etílica
até 40% (aguardente, licor, gin, whisky, vodka,
rum, genebra, vinhos espirituosos).
O nome químico do álcool é etanol, substância com
a forma química de CH3 CH2 OH. O álcool pode ser associado a
outros elementos químicos, responsáveis pela cor, sabor, odor
e outras características da bebida. A sua comercialização
e consumo são legais.
O álcool é consumido por via oral e é um desinibidor e
depressor. Após a sua ingestão, começa a circular na corrente
sanguínea, afetando todo o organismo, em especial o fígado.
A nível dos neurotransmissores, é facilitador da transmissão
dopaminérgica, que está associada às características
aprazíveis das drogas. Bloqueia o funcionamento do sistema nervoso central,
provocando um efeito depressor. A aparente estimulação conseguida
com o álcool é, na realidade, resultado da depressão dos
mecanismos de controlo inibitório do cérebro. Em primeiro lugar
são afetados os centros superiores (o que se repercute na fala, pensamento,
cognição e juízo) e posteriormente deprimem os centros
inferiores (afetando a respiração, os reflexos e, em casos de
intoxicação aguda, provocando coma).
Apesar da ampla função terapêutica do álcool durante
a Idade Média, atualmente tem uma utilização muito restrita
a este nível. É usado para desinfecção e cura de
algumas lesões na pele. O consumo moderado de álcool pode ser
benéfico, dado que reduz o risco de aparecimento de doenças cardiovasculares.
Origem
O álcool, que deve ser tão antigo quanto
a própria humanidade, é consumido pelo homem
desde sempre. De fato, a fermentação da fruta
nunca foi um grande mistério, pelo que os primatas
sempre conseguiram produzir leves intoxicações
mediante este processo. Nas diferentes civilizações,
o consumo do álcool começa a assumir particular
saliência a partir da revolução neolítica,
altura em que se inicia uma produção mais
sistemática de matérias primas (cevada e
frutas) e se verifica um avanço nas tecnologias
de fermentação.
O hidromel (mistura fermentada de água e mel) e a cerveja são
consumidos há milhares de anos. Um texto datado de 3000 anos antes de
Cristo, que descreve os gastos de uma família asiática, faz já uma
alusão clara a este consumo: “pão e cerveja para um dia”.
De 2200 antes de Cristo foram encontradas peças que nos mostram que
as mulheres em estado de aleitamento eram incentivadas a beber cerveja. Existem
ainda registros que relatam que Hamurabi, um rei babilônico, amparava
as pessoas que bebiam cerveja ou vinho de palma e dava ordens de execução
aos taberneiros que adulterassem a qualidade das bebidas. Os antigos egípcios,
que tinham destilarias há já cerca de seis mil anos, prestavam
culto a Osíris como forma de agradecimento pela dádiva da cevada.
Por sua vez, os gregos que transferiam esse mesmo culto para Dionísio,
tinham por hábito oferecer bebidas alcoólicas a deuses e soldados,
utilizando-as também como facilitadoras de relações interpessoais,
nomeadamente nos symposia (banquetes com fins recreativos e para discussão
de idéias filosóficas e políticas). Os romanos agradeciam
a Baco a criação do “vinho divino” e ofereceram um
forte contributo para a regulação da produção de
vinho e a sua divulgação em toda a Europa. O vinho tornou-se
num fenômeno universal, o qual é visível pela proliferação
da taberna – local onde era mantida uma reserva de bebidas alcoólicas
para serem consumidas nesse mesmo lugar e que assumia também um papel
de relevo a nível das relações e atividade públicas.
O álcool desempenha também um papel importante a nível
da religião. Na bíblia, por exemplo, existem inúmeras
alusões ao vinho. No entanto, o recurso constante ao vinho em cerimônias
religiosas não se encontra exclusivamente no Cristianismo, estando generalizado
aos Astecas, à religião familiar chinesa, ao hinduísmo,
ao bantu e por aí fora. A exceção à regra encontra-se
em religiões como o Islão, que restringem ou proíbem o
seu consumo.
A destilação de bebidas deve-se aos árabes, também
responsáveis pela introdução deste processo na Europa.
No entanto, foram os cristãos mediterrânicos quem liderou o desenvolvimento
industrial da produção partir do século XII. Só no
século XIV é que esta tecnologia, já perfeitamente desenvolvida,
tem implantação no resto da Europa.
Durante toda a Idade Média, o álcool esteve intimamente associado à saúde
e bem-estar sendo conhecido pela designação de aqua vitae. Só em
fins do século XVI é que adota a atual terminologia, a qual etimologicamente
tem origem na palavra grega alkuhl que se refere ao espírito que se
apodera de todo aquele que se atreve a abusar dos produtos fermentados.
O álcool torna-se num importante produto comercial aquando das trocas
com as colónias, oferecendo largos lucros aos seus comerciantes, o que
também é explicado pela natureza estável dos produtos
destilados europeus (aguardente, rum, genebra em especial), os quais não
sofrem deterioração com as distâncias a serem percorridas
nem com o tempo. Progressivamente, estes produtos começam a substituir
as produções locais de fermento, o que faz com que os destilados
se convertam num dos primeiros mercados mundiais (século XVII).
A revolução industrial do século XIX abre caminho para
uma ainda maior expansão do mercado dos destilados, contribuindo conseqüentemente
para um aumento notável do seu consumo, o qual é acompanhado
pelo aumento de problemas relacionados com estes produtos. É neste contexto
que surgem as leis de proibição dos anos 20 nos Estados Unidos
e as campanhas de prevenção, a partir dos anos 60, em países
desenvolvidos.
Efeitos
O álcool é a droga mais conhecida e aceite
socialmente. É muito procurada devido à crença
de que os seus efeitos são estimulantes. De fato,
as bebidas alcoólicas podem induzir um estado inicial
de desinibição, loquacidade, euforia, falsa
segurança em si próprio e, por vezes, impulsos
sexuais desinibidos ou agressivos.
Progressivamente, as características depressoras do álcool começam
a tornar-se mais notórias, podendo surgir efeitos como relaxamento,
sonolência, turvação da visão, descoordenação
muscular, diminuição da capacidade de reação, diminuição
da capacidade de atenção e compreensão, deterioração
da capacidade de raciocínio e da atividade social, fala premente, descoordenação,
mudanças no estado de ânimo, irritabilidade, fenômenos de
amnésia, fadiga muscular, etc.
Riscos
O consumo de álcool em grandes quantidades pode
provocar acidez no estômago, vomito, diarréia,
baixa da temperatura corporal, sede, dor de cabeça,
desidratação, falta de coordenação,
lentidão dos reflexos, vertigens, dupla visão
e perda do equilíbrio.
O fato do indivíduo se sentir muito seguro de si próprio, como
conseqüência da depressão do sistema nervoso, poderá potenciar
a abdução de comportamentos perigosos. Neste âmbito, fazemos
referência ao exemplo dos acidentes de tráfego, a primeira causa
de morte entre os jovens.
Nos casos de intoxicação aguda é possível verificar-se
mudanças de comportamento desadaptativas, labilidade emocional, deterioração
da capacidade de julgamento, amnésia dos acontecimentos durante a intoxicação,
perda de consciência, coma etílico e morte por depressão
cardio-respiratória.
Quando consumido de forma crônica pode provocar efeitos a longo prazo
nos diferentes órgãos vitais. Assim sendo, pode verificar-se
a deterioração e atrofia do cérebro, anemia, diminuição
das defesas imunitárias, alterações cardíacas (miocardite),
hepatopatia, cirrose hepática, gastrite, úlceras, inflamação
e deterioração do pâncreas, transtornos na absorção
de vitaminas, hidratos e gorduras, rebentamento de capilares, cancro e danos
cerebrais. Também a nível psicológico e neurológico
estes efeitos poderão ser notados - irritabilidade, insônia, delírios
por ciúmes, mania da perseguição, psicose e, nos casos
mais graves, encefalopatias com deterioração psico-orgânica
(demência alcoólica).
A mistura do álcool com outras drogas, especialmente se elas forem também
depressoras (como é o caso da heroína), pode ser perigoso e ter
conseqüências como a coma ou a morte.
De uma forma geral, a mulher, devido à sua estrutura física,
tem mais dificuldades em lidar com os efeitos do álcool. A mulher grávida
que consume álcool com bastante regularidade poderá estar a colocar
o feto em risco - síndrome alcoólico-fetal (caracteriza-se por
malformações no feto, baixo coeficiente intelectual, etc).
A nível social o consumo do álcool pode ter conseqüências
como a desintegração familiar, crises, maus tratos, absentismo
laboral, aumento de acidentes rodoviários, comportamentos criminosos,
alterações da ordem, etc.
Os efeitos do álcool, assim como a ressaca sentida após o seu
consumo, poderão ser atenuados ser a pessoa tiver ingerido alimentos
antes do consumo (diminui o grau de absorção) e se beber água
para combater a desidratação.
Tolerância e Dependência
O álcool origina tolerância e grande dependência
física e psicológica. Em alguns casos, encontra-se
a chamada tolerância negativa, a qual se encontra
em indivíduos que ficam completamente ébrios
com o consumo de uma pequena quantidade de etanol.
Síndrome de Abstinência
A síndrome de abstinência provocada pela
supressão do álcool costuma ser bastante
intenso, requendo, por vezes, cuidados médicos urgentes.
Geralmente, nas primeiras horas de privação
pode sentir dor de cabeça forte, náuseas,
enjôo, vômitos, inquietação,
nervosismo e ansiedade, aos quais se podem seguir cãibras
musculares, tremores e grande irritabilidade.
Nos casos mais graves, após o 2º dia, pode surgir o delírium
tremens: desintegração dos conceitos, aparecimento de delírios,
alucinações, fortes tremores.
ANFETAMINAS
Nomes de Rua: Anfes, Cristal, Speed
Apresentação
As anfetaminas são substâncias de origem
sintética e com efeitos estimulantes. São
freqüentemente chamadas de speed, cristal ou anfes.
As anfetaminas, propriamente ditas, são a dextroanfetamina
e a metanfetamina.
Quando estão em estado puro têm o aspecto de cristais amarelados
com sabor amargo. No entanto podem também ser encontradas sob a forma
de cápsulas, comprimidos, pó (geralmente branco, mas também
pode ser amarelo ou rosa), tabletes ou líquido. As anfetaminas, quando
vendidas ilegalmente, podem ser misturadas com outras substâncias, tornando-as
bastante perigosas. São, por vezes, chamadas de droga “suja”,
dado que o seu grau de pureza pode ser de apenas 5%.
São geralmente consumidas por via oral, intravenosa (diluídas
em água), fumadas ou aspiradas (em pó). A forma menos prejudicial
e consumir anfetaminas é engolindo-as (não misturadas com álcool).
A inalação danifica as mucosas do nariz e injetar é a
forma mais perigosa de usar esta ou qualquer outra droga, dado que aumenta
o risco de overdose e de problemas físicos ou contágio de doenças.
As anfetaminas estimulam o Sistema Nervoso, atuando na noradrenalina, um neurotransmissor.
Os sistemas dopaminérgicos e serotonérgicos são também
afectados. Imitam os efeitos da adrenalina e noradrenalina – permitem
ao corpo efetuar atividade físicas em situações de stress.
Têm sido principalmente utilizadas para tratamento da obesidade, uma
vez que provocam perda de apetite. Foram também bastante utilizadas
para tratar depressão, epilepsia, Parkinson, narcolepsia e danos cerebrais
em crianças. Existem vários produtos à venda no mercado:
Benzedrine, Bifetamina, Dexedrine, Dexamil, Methedrine, Desoxyn, Desbutal,
Obedrin e Amphaplex.
Origem
Apesar da planta Éfedra ser utilizada na medicina
chinesa, como anti-asmático, desde tempos remotos,
a sua utilização na medicina ocidental era
nula. O isolamento e estudo da efedrina por Chen e Schmidt
surge apenas em 1926, abrindo as portas para a produção
de anfetaminas. Os anos 30 foram particularmente ricos
em ensaios clínicos neste âmbito, marcando-se
em 1938 o início da comercialização
da metanfetamina. Inicialmente as anfetaminas foram fármacos
facilmente prescritos, utilizados para o tratamento da
narcolepsia, obesidade, doença de Parkinson, asma,
etc.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foram administradas de
forma maciça
aos soldados (tanto aliados como das potências do Eixo) para combater
a fadiga, reforçar a resistência, elevar o moral e manter o estado
de alerta. A produção de anfetaminas em série para dar
resposta aos pilotos da Luftwaffe (a força aérea de Hitler),
originou grandes excedentes que acabaram por provocar uma epidemia anfetamínica
no Japão. A droga era cedida a operários fabris japoneses como
forma de eliminar a sonolência e embalar o espírito, o que acaba
por provocar um aumento de 500 000 viciados neste país no pós-guerra.
Finda a guerra, começaram a ser descobertas as conseqüências
do consumo regular. Como conseqüência, iniciam-se as tentativas
de restrição, nomeadamente no Japão, enquanto que outros
países adoptam políticas de tolerância.
Na década de 50, os militares norte americanos em serviço no
Japão e Coreia começam a utilizar uma mistura injetável
de anfetamina e heroína, à qual chamam speedball.
Nos anos 60 verifica-se um aumento no consumo de anfetaminas, as quais, apesar
de serem produzidas de forma legal, eram obtidas por meios menos lícitos.
Em 1965, ocorre nova epidemia anfetamínica na Suécia concomitante
com o fornecimento gratuito da droga pelo serviço nacional de saúde;
ela foi tornada ilegal pouco tempo depois.
Quando era uma droga legal, tornou-se bastante popular entre os camionistas
e entre o pessoal que trabalhava no negócio dos aprovisionamentos devido à suas
propriedades estimulantes. Estes grupos que usavam anfetaminas para fins “profissionais”,
isto é, com o objetivo de os ajudar a cumprir as suas tarefas, quer
elas fossem conduzir muitas horas seguidas ou permanecer à noite sem
dormir, conseguiam manter um rigoroso controlo em relação ao
seu consumo. Nos anos 70 começaram a ser muito procurada pelas classes
trabalhadoras mais jovens, tendo-se perdido um pouco do referido controlo. É nesta
altura que surgem os chamados "speed freeks", indivíduos que
ficam vários dias acordados sob o efeito de anfetaminas, mas com aspecto
debilitado devido à redução do apetite.
Curiosamente, esta droga não foi muito bem acolhida entre os hippies
como é visível em slogans como “speed kills”. O seu
uso permaneceu restrito na Holanda, ao contrário do Japão ou
Escandinávia.
No contexto do aumento do consumo desta substância, o turismo e a sua
massificação desempenham um papel bastante importante, dado que
facilitaram aos indivíduos do norte da Europa o acesso a esta droga,
a qual era pouco controlada nos países do sul.
A Convenção de Viena em 1971 marcou o aumento do controlo das
anfetaminas. Foi nesta altura que foram sendo retirados do mercado os produtos
farmacêuticos que continham anfetaminas, chegando mesmo à sua
supressão em alguns países. Conseqüentemente, nos anos 80
floresce o mercado negro de produção ilegal.
Em Portugal, alguns fármacos foram muito consumidos e objeto de abuso
de natureza toxicómana, tendo estes sido retirados do mercado. Na segunda
metade dos anos 80 e princípio dos anos 90, o Dinintel foi muito procurado,
chegando alguns toxicodependentes a consumir mais de 50 cápsulas por
dia; este fármaco foi reclassificado. No nosso país não
existem atualmente anfetaminas puras no mercado lícito e são
difíceis de encontrar no ilícito.
Nos últimos anos, o consumo de anfetaminas aumentou significativamente
na Europa, principalmente associado à “dance culture”.
Efeitos
O consumo de anfetaminas
pode provocar hiper-actividade e uma grande necessidade
de movimento, às quais
pode associar-se o aumento da atenção e concentração
(daí o seu uso por estudantes). Paralelamente, a
pessoa pode perder o sono e a fome. O estado de excitação
nervosa, euforia, loquacidade e aumento do grau de confiança,
pode resultar numa diminuição da auto-crítica.
No entanto, os efeitos positivos transformam-se em negativos
com alguma rapidez, podendo a pessoa experimentar fadiga,
depressão, apatia ou agressividade
(ocasionalmente). Os efeitos duram entre 6 a 12 horas.
Riscos
O consumo de anfetaminas
pode provocar sede, transpiração,
desidratação, diarréia, taquicardia,
aumento da tensão arterial, náuseas, má disposição,
dor de cabeça, tonturas, vertigens, sono conturbado
e pouco reparador. São frequentes tiques exagerados
e anormais da mandíbula ou movimentos estereotipados.
Nos casos de perda de apetite devido ao uso constante de
anfetaminas, poderá ocorrer o risco de desenvolvimento
de uma anorexia nervosa, desnutrição e até morte.
O consumo crônico pode conduzir a uma acentuada perda de peso e exaustão,
redução da resistência às infecções,
testículos volumosos e doridos, tremores, afasia, perturbações
no ritmo cardíaco, dores nos músculos e nas articulações.
Pode ainda ocorrer falha súbita no coração, por exemplo
no caso de atletas dopados.
É possível a ocorrência de uma reação tóxica
no organismo - psicose anfetamínica – com duração
variável (até algumas semanas), a qual se caracteriza por irritabilidade,
hiper-excitabilidade, insônia, tremores, alucinações e até a
morte, em casos extremos. É confundida frequentemente com esquizofrenia.
A sobredosagem pode provocar inquietação, alucinações,
aumento da temperatura corporal, taquicardia, náuseas, vômitos,
cãibras no abdómen, fortes dores no peito, insuficiência
respiratória e cianose, aumento da circulação sanguínea,
dificuldade de micção, perda de consciência, convulsões
e morte.
Pessoas com problemas cardíacos, tensão alta, doença mental,
ansiedade e ataques de pânico ou que tomam drogas de prescrição
médica como os IMO (inibidores das monoaminooxidases), betabloqueadores
ou anti-depressivos, correm maiores riscos quando tomam anfetaminas.
Tolerância e Dependência
A tolerância pode ser rapidamente desenvolvida e é geralmente
grande. Não ocorre uma real dependência física
mas existe dependência psicológica. Nos casos
de consumo continuado (speed run), que resultam em grande
exaustão e depressão, estes efeitos poderão
ser contrariados pela retoma do consumo, criando uma espécie
de imitação de dependência física.
Síndrome de Abstinência
Os sintomas não são muito intensos. Poderá notar-se
letargia, fadiga, apatia, sonolência, insônia
ou hipersónia, depressão, dores musculares.
A irritabilidade, alterações do sono e ideias
suicidas, podem persistir durante meses.
CANABIS
Nomes de Rua: Chamon, Charro, Chocolate, Erva, Ganza,
Hax, Hash, Liamba
Apresentação
A cannabis, a mais popular
das drogas ilegais, pode ser conhecida por diferentes
nomes de rua
como charro, chamon,
liamba, erva, chocolate, tablete, taco, curro, ganza, hax,
hash, maconha, óleo (óleo de haxixe), boi
ou cânhamo. Os canabinóides são derivados
da planta Cannabis Sativa e são considerados drogas
psicadélicas (leves), alucinogéneas ou depressoras.
Existem três formas de preparação:
"marijuana ou erva" - preparada a partir das
folhas secas, flores e pequenos troncos da Cannabis Sativa.
Provém de várias “castas”, sendo
a mais forte o Skunk (quanto mais forte, maior a quantidade
de THC, a substância que provoca os efeitos).
"
haxixe" – preparado a partir da resina da planta
fêmea, a qual é transformada numa barra de
cor castanha, com o nome coloquial de "chamom". É potencialmente
mais tóxico do que a marijuana, dado que o seu conteúdo
em THC (até 20%) é superior ao desta (de
5% a 10%). Os tipos de resina ou haxixe mais comuns são
o marroquino, o libanês e o pólen.
"ó
leo de cannabis ou óleo de haxixe" – preparado
a partir da mistura da resina com um dissolvente (acetona, álcool
ou gasolina), que se evapora em grande medida e dá lugar
a uma mistura viscosa, cujas quantidades em THC são
muito elevadas (até 85%).
Estas substâncias são principalmente consumidas
por ingestão e inalação. Quando fumada,
a cannabis é misturada com tabaco em cigarros feitos
manualmente ou em cachimbos. Em algumas culturas africanas
ou do Caribe, bebem-se tisanas feitas com esta droga e água.
Pode também ser preparada sob a forma de bolos (neste
caso os seus efeitos são intensificados).
Apesar de ser principalmente
usada para fins recreativos e sociais, terapeuticamente
podem
ser utilizada como antiemético
oral para tratar as náuseas provocadas pela quimioterapia
ou como relaxante.
A substância activa (delta9-tetrahidrocanabinol
ou “THC”) é responsável por quase
todos os efeitos característicos destas substâncias.
As cannabináceas são absorvidas pelo pulmão
ou pelo tracto gastrointestinal com rapidez, sendo depois
assimiladas pelas gorduras do organismo, libertando-se
no plasma. No Sistema Nervoso Central, o THC actua sobre
um receptor cerebral específico, sendo a maior concentração
nos gânglios basais, hipocampo e cerebelo.
Origem
Os canabinóides derivam da planta Cannabis Sativa
que é originária da zona do Mar Negro e do
Mar Cáspio. Esta planta é utilizada há 12
000 anos como fonte de fibras para vestuário e cordoaria.
A primeira referência encontrada relativa a esta planta data de 2 737
anos A.C. e foi encontrada na farmacopeia do imperador Shen Nuna, sendo recomendada
para tratar a malária, dores reumáticas e desordens femininas.
Nos textos sagrados do hinduísmo, em particular no Atharva Veda (3.000
anos A.C.), existem também referências a esta planta. Foi sempre
bastante popular no meio médico e farmacológico, embora as suas
indicações terapêuticas sejam um pouco confusas. Na altura,
parecia existir a crença de que a planta ajudava a diminuir o mal-estar
provocado por "desarranjos" cíclicos ou crónicos. Até o
Velho Testamento faz referência a esta planta (com o nome de kalamo)
quando Salomão canta e louva as suas propriedades.
Em termos de consumo psicoactivo, é também uma das primeiras
drogas com este tipo de evidências. A “História das Guerras
Médicas” de Heródoto relata como os Escitas (povo da zona
de origem da Cannabis Sativa) consumiam a planta para se intoxicarem (2.500
A.C.). No século XII, o Santo Ofício acusou qualquer pessoa que
usasse cannabis de bruxaria, acusando inclusivamente Joana D’Arc, em
1430, de usar várias ervas para “ouvir vozes”. Nos séculos
XII e XIII verifica-se um alargamento da sua utilização no mundo
islâmico. No Egipto, existia tolerância em relação
ao seu consumo, tendo este a função de diferenciar os integrados
e os excluídos da sociedade, como foi descrito nas "Mil e uma Noites".
A campanha de Napoleão no Oriente contribuiu também para a expansão
desta droga, levando-a até aos meios letrados europeus.
A Cannabis Sativa foi introduzida nas Américas pelos espanhóis
aquando das descobertas, tendo sido plantada no Chile no final do século
XVI. Contudo, existem também teorias que defendem que esta planta existia
no continente americano muito antes da sua descoberta. O rei Jaime I incentivou
os colonizadores britânicos na América do Norte a cultivar a planta
para conseguirem materiais para produção de cordas e velas para
os navios da Armada Real. Mais tarde, durante a 2ª Guerra Mundial, o Departamento
da Agricultura voltou a incentivar a plantação para produzir
fibras para a indústria têxtil.
No século XIX, intelectuais e escritores europeus difundem no Ocidente
o uso recreativo da Cannabis Sativa, enquanto que o médico particular
da rainha Vitória da Inglaterra, após ter estudo a planta durante
cerca de 30 anos, recomenda-a para casos de enxaqueca, insônia senil,
depressões, estados epilépticos, cólicas e ataques de
asma. De fato, durante todo este século, centenas de estudos e artigos
foram produzidos a propósito das propriedades medicinais desta planta.
Nos anos 20, durante a Lei Seca dos Estados Unidos, assistiu-se a um aumento
do consumo da cannabis como substituto do álcool, chegando a existir
500 "casas de haxixe" em Nova York. Dez anos mais tarde, o álcool
volta a ser legalizado e a cannabis proibida. Para a proibição
da droga, em muito contribuíram as acções de Anslinger
que liderava o movimento de proibição ao álcool. Através
dos seus filmes de propaganda, conseguiu veicular a ideia de que esta substância
poderia tornar anjos em demónios.
Até ao início dos anos 60, o uso de cannabis estava restrito
a um grupo reduzido de jovens estudantes e artista. A partir desta altura tem
um rápido crescimento, atingindo o seu auge com os hippies, que adotaram
esta droga como o seu principal símbolo. No final dos anos 70, este
mercado era responsabilidade de vários pequenos importadores, existindo
pouco intermediários entre esses e os consumidores, situação
que rapidamente foi modificada devido à influência da proibição.
O aumento da procura teve como conseqüência a apropriação
do mercado grossista pelo sector criminal. Após este rápido crescimento,
surgiu uma época de estabilização da procura, apesar de
nos últimos anos ter surgido nova situação de crescimento
rápido na Europa e Estados Unidos.
O consumo de cannabis, embora ilegal, é tolerado na Holanda desde 1976,
sendo vendida nos chamados “Coffee Shops” livremente, desde que
se cumpram determinadas restrições. Neste país houve um
ligeiro aumento do número de consumidores, depois de vários anos
com um número estável. Contudo, a Holanda mantém um número
de utilizadores de cannabis na média europeia, abaixo do número
de consumidores noutros paises europeus com políticas mais proibicionistas.
Nos Estados Unidos, país com políticas extremamente duras em
relação às drogas, o consumo não tem parado de
aumentar.
Actualmente, os principais centros de produção estão a
deixar de se localizar apenas no sul devido à maior tolerância
e mudanças culturais dos países do norte. O principal produtor
são os Estados Unidos, em particular alguns estados o norte e centro
do país. Dado a sua fácil adaptação a qualquer
clima e à acção do homem, a Cannabis Sativa espalhou-se
por todo o planeta.
Efeitos
Os canabinóides podem provocar prazer, bem-estar,
euforia, intensificação da consciência
sensorial, maior sensibilidade aos estímulos externos,
ideias paranóides, confusão de pensamentos,
sonolência, relaxamento, instabilidade no andar,
alteração da memória imediata, diminuição
da capacidade para a realização de tarefas
que requeiram operações múltiplas
e variadas, lentificação da capacidade de
reação, défice na aptidão motora
ou interferência na capacidade de condução
de veículos e outras máquinas.
Quando ingerida em lugares desconhecidos com pessoas com
pouca experiência,
esta droga pode ter efeitos negativos como sintomas de ansiedade e ataques
de pânico, aos quais se podem acrescer sintomas de depressão.
Em termos físicos pode ter conseqüências como o aumento da
pressão arterial sistólica quando se está deitado e diminuição
da mesma quando se está de pé. Aumento da frequência cardíaca,
congestão dos vasos conjuntivais (olhos vermelhos), diminuição
da pressão intra-ocular, foto-fobia, dilatação dos brônquios,
tosse ou diminuição do lacrimejo.
Estes efeitos surgem repentinamente e persistem durante 2 a 4 horas, variando
consoante as doses, da potência da droga, da maneira como é consumida,
do humor do consumidor e das experiências anteriores.
Riscos
Doses elevadas podem provocar
ansiedade, alucinações,
ilusões e sensações de paranóia,
resultando em sintomas de uma psicose tóxica.
O consumo crónico pode também implicar o empobrecimento da personalidade
que pode manifestar-se através de apatia, deterioração
dos hábitos pessoais, isolamento, passividade e tendência para
a distracção. De destacar é o “síndroma amotivacional” que
se faz acompanhar de uma diminuição da capacidade de concentração
e memorização.
O consumo de canabinóides pode colocar o indivíduo em risco de
desenvolver bronquite e asma. Para além disso, risco de cancro do pulmão
aumenta, uma vez que o fumo é inalado mais profundamente. A nível
endócrino, salienta-se a possível diminuição da
testosterona, inibição reversível da espermatogénese
no homem e a supressão da LH plasmática, que pode originar ciclos
anovulatórios na mulher.
As mulheres com consumos crónicos podem vir a ter filhos com problemas
de comportamento.
Torna-se perigoso misturar cannabis com álcool dado que a mistura pode
provocar um colapso temporário e vômitos.
A possibilidade de overdose não se coloca. Seria necessário ingerir
ou consumir doses astronómicas para causar overdose..
Ainda não são completamente conhecidas as conseqüências
que a cannabis poderá ter para a saúde dos seus consumidores.
Tolerância e Dependência
A tolerância ocorre apenas em grandes consumidores
e a dependência é também reduzida.
Síndrome de Abstinência
A síndrome de abstinência é leve
e pode manifestar-se através de ansiedade, irritação,
transpiração, tremores ou dores musculares.
COCAÍNA
Nomes de Rua: Branca, Branquinha, Coca, Gulosa, Neve, Snow,
Pó
Apresentação
A cocaína deriva da folha do arbusto da coca (Erytbroxylon
Coca), do qual existem variedades como a boliviana (huanaco),
a colombiana (novagranatense) ou a peruana (trujilense).
A planta possui 0,5% a 1% de cocaína e pode ser
produtiva por períodos de 30 ou 40 anos, com cerca
de 4 a 5 colheitas por ano.
Esta substância possui propriedades estimulantes e é comercializada
sob a forma de um pó branco cristalino, inodor, de sabor amargo e insolúvel
na água, assumindo os nomes de rua de coca, branca, branquinha, gulosa,
júlia, neve ou snow. O pó é conseguido mediante um processo
de transformação das folhas da coca em pasta de cocaína
e esta em cloridrato.
Regra geral, a cocaína é consumida por inalação,
mas pode também ser absorvida pelas mucosas (por exemplo, esfregando
as gengivas). Para além disso, pode ainda ser injectada pura ou misturada
com outras drogas. Não é adequada para fumar. A cocaína é,
por vezes, adulterada com o objetivo de aumentar o seu volume ou de potenciar
os efeitos. Nestes casos, é-lhe misturada lactose, medicamentos (como
procaína, lidocaína e benzocaína), estimulantes (como
anfetaminas e cafeína) ou outras substâncias.
Pertence ao grupo de substâncias simpático-miméticas indirectas:
provoca um aumento de neurotransmissores na fenda sináptica e um elevado
estímulo das vias de neurotransmissão, nas quais a dopamina e
a noradrenalina estão implicadas. É um estimulante do Sistema
Nervoso Central, agindo sobre ele com efeito similar ao das anfetaminas. Esta
substância actua especialmente nas áreas motoras, produzindo agitação
intensa. A nível terapêutico, é usada como analgésico.
Origem
A arqueologia mostrou-nos
que a utilização
da folha da coca é já muito antiga, tendo
sido encontrados vestígios do seu consumo no Equador
e no Peru datados de 2500 A.C.. A planta Erythroxylon Coca
tem origem na América do Sul, nas regiões
altas dos Andes. Foram os índios bolivianos Aymara,
conquistados pelos Incas no século X, que começaram
a utilizar a palavra “coca” que significa “planta”.
Nos séculos XII e XIII, a coca deu origem a inúmeros
confrontos, até que os Incas, em 1315, conseguiram
o seu monopólio. Para este povo, a coca era uma
planta medicinal e sagrada, incluída, por isso,
em rituais religiosos, profecias, casamentos, funerais
e nos rituais de iniciações de jovens nobres
(“haruaca”). No entanto, a sua utilização
não era generalizada, sendo apenas acessível à elite
Inca.
Com a descoberta da América, começam a surgir atitudes contraditórias
face à coca. Se por um lado a Igreja proibe a sua mastigação,
com o intuito de abolir um vício pagão, por outro, quando percebe
os benefícios que poderia retirar da manutenção do seu
consumo, permite que os índios trabalhassem sob o seu efeito. Um édito
de Filipe II de Espanha legaliza o uso da coca, generalizando-se o consumo
a toda a população nativa. A coca chega mesmo a tornar-se um
substituto da comida. Neste seguimento, multiplicam-se as referências
ao consumo de coca por viajantes e cronistas, que lhe atribuem benefícios
medicinais e estimulantes. Apesar disso, os espanhóis não exploram
comercialmente este produto, ao contrário do que aconteceu com o tabaco
e o quinino.
Em 1580, Monardes descreve a planta da coca pela primeira vez. No entanto,
esta continua a ser exclusiva da América do Sul. Só em 1750 é que
são enviadas as primeiras plantas para a Europa pelo botânico
Joseph Tussie.
Em 1858, Nieman e Wolter isolam o princípio activo responsável
pelos efeitos da planta, a cocaína, tendo o interesse por esta substância
aumentado a partir desta altura. Foi inicialmente usada como medicamento para
a astenia e diarréia num regimento alpino por Aschenbrant, um médico
militar Baviero. Foi rapidamente comercializada em grande escala, passando
a ser constituinte de vários produtos como o vinho tónico de
Angelo Mariani (Vin Mariani), remédios caseiros ou mesmo da Coca-Cola
(o que se verificou durante 17 anos). A cocaína passou a ser o remédio
de eleição para quase todas as doenças. Personalidades
como Sir Arthur Conan Doyle (criador do famoso detetive Sherlock Holmes), Júlio
Verne, Thomas Edison, o Papa Leão XIII, Rei William III, Alexandre Dumas,
R. L. Stevenson e por aí adiante, tornam-se seus convictos defensores.
Freud, após a ter experimentado e feito a revisão da literatura
disponível sobre o assunto, contribui para provar a sua função
de anestésico local, recomendando-a inclusivamente para problemas como
a depressão, perturbações digestivas, asma, estimulante,
afrodisíaco, etc. Á medida que se vão observando os efeitos
negativos do consumo de cocaína e após a publicação
sobre "heroinomania" de Louis Lewin, Freud (1885) reformula a sua
posição e começa a trabalhar o conceito de toxicomania,
publicando também os "apontamentos sobre a ânsia de cocaína".
Entre 1885 e 1890, a literatura médica apresenta mais de 400 relatos
de perturbações físicas e psíquicas devido ao consumo
desta subtância. Dado que muitos deles se referiam a pessoas a quem tinha
sido administrada cocaína como antídoto para a morfinomania,
as duas drogas (cocaína e morfina), apesar de possuírem efeitos
muito diferentes, começam a ser confundidas e regulamentadas, a nível
internacional, de igual forma.
O recurso à cocaína como anestésico local em cirurgia
ocular e otorrinolaringológica generalizou-se, tendo sido, mais tarde,
substituída por equivalentes mais seguros.
De uma forma mais acentuada nos anos 20, verificou-se nos países ocidentais
uma grande surto no consumo de cocaína por aspiração nasal.
Foram necessárias medidas de controlo internacionais e a Segunda Guerra
Mundial para que a magnitude desta epidemia começasse a sofrer uma redução.
Até aos anos 70, o consumo manteve-se bastante marginal, altura a partir
da qual a cocaína começou a ser associada à imagem de êxito
social (nos Estados Unidos). Tal fato, voltou a acentuar o consumo, que se
generalizou às diferentes classes sociais e teve forte aceitação
entre consumidores de outras drogas como a heroína, álcool ou
anfetaminas, tornando-se num grave problema de saúde pública.
No nosso país, os anos 80 marcam o aparecimento da cocaína no
mercado negro. Inicialmente uma droga de elite, rapidamente sofreu uma banalização
e generalização do seu consumo.
Efeitos
A cocaína tem uma acção intensa
mas breve (dura cerca de 30 minutos), sendo que os seus
efeitos são semelhantes aos das anfetaminas. Quando
consumida em doses moderadas, a cocaína pode provocar
ausência de fadiga, sono e fome. Para além
disso, o indivíduo poderá sentir exaltação,
euforia, intenso bem-estar e maior segurança em
si mesmo, nas suas competências e capacidades. Os
consumidores de cocaína costumam ser conhecidos
pelo seu comportamento egoísta, arrogante e prepotente.
Ocasionalmente poderá ter efeitos afrodisíacos, aumentando o
desejo sexual e demorando a ejaculação. Contudo, pode também
dificultar a erecção.
A nível físico, pode provocar aceleração do ritmo
cardíaco, aumento da tensão arterial, aumento da temperatura
corporal e da sudação, tremores ou convulsões.
As doses elevadas geralmente provocam insônia, agitação,
ansiedade intensa, agressividade, visões e alucinações
(as típicas são as tácteis, como a sensação
de ter formigas, insectos ou cobras imaginárias debaixo da pele). Ao
bem-estar inicial segue-se geralmente cansaço, apatia, irritabilidade
e comportamento impulsivo.
Riscos
Os consumidores de cocaína podem sofrer, a longo
prazo, de irritabilidade, crises de ansiedade e pânico,
apatia sexual ou impotência, transtornos alimentares
(bulimia e anorexia nervosa), diminuição
da memória, da capacidade ou da concentração.
Podem ainda experimentar a chamada "psicose da cocaína",
similar à psicose esquizofrénica, com ideias
delirantes de tipo persecutório e alucinações
auditivas e/ou visuais. A nível neurológico
podem sofrer-se várias alterações
como cefaleias ou acidentes vasculares como o enfarte cerebral.
São ainda possíveis as cardiopatias (arritmias)
e problemas respiratórios (dispneia ou dificuldade
para respirar, perfuração do tabique nasal).
Durante a gravidez, o consumo de cocaína pode ter conseqüências
graves sobre o feto (aumento da mortalidade perinatal, aborto e alterações
nervosas no recém nascido).
A quantidade necessária para provocar uma overdose é variável
de pessoa para pessoa e depende bastante do grau de pureza da droga e da forma
de administração (as probabilidades aumentam quando a substância é injectada
na corrente sanguínea); a dose fatal encontra-se entre as 0,2 e 1,5
gramas de cocaína pura. As overdoses podem causar ataques cardíacos
ou paragens respiratórias. Segundo dados do "NIDA", os internamentos
de urgência por overdoses de cocaína fumada aumentaram entre 1987
e 1990 em mais de 700%.
Tolerância e Dependência
A tolerância inicial desenvolve-se rapidamente
quando o consumo é contínuo. Após
a fase inicial, a tolerância não parece acentuar-se.
De fato, os consumidores parecem experimentar o inverso:
experienciam os efeitos da droga mais intensamente. Por
vezes, a tolerância não é óbvia
devido à mistura de cocaína com outras drogas.
A cocaína não produz dependência física, no entanto é a
droga com o maior potencial de dependência psicológica (razão
pela qual a chamam de “gulosa”). A curta duração
dos seus efeitos, induz facilmente ao consumo compulsivo.
Síndrome de Abstinência
O síndrome de abstinência não apresenta
sinais físicos típicos mas tem alterações
psicológicas notáveis: hiper-sonolência,
apatia, depressão, ideação suicida,
ansiedade, agitação, irritabilidade, confusão,
surtos psicóticos e intenso desejo de consumo.
COGUMELOS MÁGICOS
Apresentação
Os cogumelos ou fungos, uma vez que não possuem clorofila, não
se alimentam de luz solar como as outras plantas. Em alternativa, funcionam
como parasitas de outras plantas e animais ou instalam-se em meios com matéria
em decomposição. Existem várias espécies diferentes
de cogumelos psilocibinos, nome científico atribuído aos cogumelos
que contêm Psilocibina e Psilocina (alcalóides activos). A psilocibina é quimicamente
semelhante ao LSD e tem a denominação científica de orthophosphoryl-4-hydroxy-n-dimethyltryptamine.
No que se refere a cogumelos psilocibinos encontramos espécies como
Psilocybe mexicana, Psilocybe caerulescens, Psilocybe (ou Stropharia) cubensis,
Pscilocybe wassoni, Stroparia cubensis, entre outras. Os cogumelos psicoactivos
são todos aqueles que contêm estes ou outro tipo de alcalóides
capazes que afectar o Sistema Nervoso Central. Por exemplo, as espécies
Amanita muscaria e Amanita pantherina são cogumelos psicoactivos mas
não psilocibinos. Os cogumelos mágicos, nome pelo qual é mais
comummente conhecido este tipo de droga, são substâncias alucinogéneos
ou psicadélicas. São geralmente ingeridos crus, secos, cozinhados
ou em forma de chá (“Shroon Brew”), sendo que os mais consumidos
são os Liberty Cad Mushroom. São uma droga sazonal dado que aparecem
sobretudo no Outono, contudo podem ser secos e armazenados, sendo inclusivamente
os cogumelos secos aqueles que têm efeitos mais intensos. Após
consumidos, os alcalóides dos cogumelos chegam ao cérebro e bloqueiam
os efeitos da serotonina. Não foi encontrada informação
sobre a utilização terapêutica dos cogumelos.
Origem
Os cogumelos alucinógenos eram usados no México, Guatemala e
Amazonas em rituais religiosos e por curandeiros. Os Maias utilizavam um fungo
ao qual chamavam, na língua nahuátl, teonanácatl (a "carne
de deus") há já 3500 anos. No seu território foram
encontradas figuras de pedra com representações de cogumelos
datadas de 1000 a.C. e 500 d.C. Em Oaxaca eram também chamados de nti-si-tho,
sendo que nti é um diminuitivo de respeito e carinho e si-tho significa "o
que brota". As primeiras referências ao seu consumo foram encontradas
em livros (1502), nos quais era mencionado o uso de cogumelos em rituais nas
festas de coroação de Moctezuma, o último imperador Azteca.
Os conquistadores espanhóis, não preparados para os efeitos da
droga, assustaram-se e proibiram o uso de fungos alucinogéneos e a religião
nativa. Foram também encontrados registos do médico do rei espanhol
a relatar a ingestão de cogumelos pelos indígenas, por forma
a induzir visões de todo o tipo, sendo estes muito apreciados em festas
e banquetes. Após a conquista, o consumo de cogumelos com fins rituais
e terapêuticos sobreviveu apenas na Serra de Oaxaca. Provavelmente, o
cogumelo alucinogéneo mais popular é o Amanita muscaria, descrito
por Lewis Carroll no livro Alice no Pais das Maravilhas. Este cogumelo é usado
há mais de 6000 anos, sendo, por vezes, confundido com variedades muito
semelhantes mas letais. Os povos primitivos da Sibéria tinham o hábito
de armazenar a urina de consumidores de Amanita, usando-a como droga alucinogénea.
Isto verificava-se porque as substâncias alucinogéneas deste cogumelo
permanecem intactas após a sua passagem pelo organismo. Durante os anos
70, os cogumelos aparecem também na Europa, sendo inicialmente utilizados
em sopa instantânea. Os genuínos cogumelos psilocibina secos só surgiram
mais tarde. O químico suiço Albert Hofmann que descobriu o LSD,
foi também o primeiro a extrair psilocibina e psilocina dos cogumelos
mágicos. A psilocibina, que é convertida em psilocina pelo organismo
humano, é a responsável pelos efeitos alucinógenos da
planta.
Efeitos
Os efeitos dos cogumelos parecem estar associados às condições
psicológicas e emocionais do consumidor, assim como ao contexto em que
esse consumo se verifica. São semelhantes ao LSD mas menos intensos
e duradouros. As primeiras reacções começam por ser de
carácter físico: náuseas, dilatação das
pupilas, aumento do pulso, da pressão sanguínea e da temperatura.
Se ocorrer ansiedade e vertigens, estas deverão desaparecer no período
de uma hora. Para além disso, o consumidor poderá sentir um aumento
da sensibilidade perceptiva (cores mais intensas, percepção de
detalhes) com distorções visuais e sinestesia ou mistura de sensações
(os sons têm cor e as cores têm sons), acompanhadas de euforia,
sensação de bem-estar, aumento da autoconfiança, grande
desinibição e aumento do desejo sexual. Os efeitos alucinogéneos
podem acarretar alguma desorientação, ligeira descoordenação
motora, reacções paranóicas (bad trips), inabilidade para
distinguir entre fantasia e realidade, pânico e depressão. Os
efeitos começam a surgir cerca de 25 a 30 minutos após a ingestão
e podem durar até 6 horas.
Riscos
O consumo de cogumelos pode provocar dores no estômago, diarréia,
náuseas e vômitos. Pode também piorar problemas a nível
de doenças mentais ou mesmo despoletá-las. Uma outra conseqüência
desta droga poderão ser acidentes originados pela interpretação
incorrecta da realidade. Existem cogumelos venenosos que podem ser muito tóxicos
ou até letais. A Amanita é uma droga muito perigosa, sendo atualmente
responsável por 90% dos casos fatais de envenenamento por fungos. O
uso prolongado desta espécie poderá levar à debilidade
mental. Doses excessivas podem provocar delírios, convulsões,
coma profundo e morte devido à paragem cardíaca.
Tolerância e Dependência
Os cogumelos não originam tolerância se os consumos forem espaçados
(pelo menos 3 dias). Não provocam igualmente dependência física
e o potencial de dependência psicológica é reduzido.
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