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LAVANDERIA HOSPITALAR
O objetivo final do serviço de lavanderia hospitalar (LH)
é transformar, em quantidade estabelecida, no tempo
adequado e com segurança, a roupa suja e contaminada em
roupa limpa. De fato, as roupas não precisam estar
estéreis ao final do processo, e sim estar
higienicamente limpas: livres da quantidade de
microrganismos patogênicos que pudesse causar doença
humana.
A lavanderia hospitalar coloca-se dentro da estrutura de
um hospital como uma prestadora de serviços, ou um setor
de apoio. Ela pode não pertencer à área física ou à
estrutura administrativa do hospital. Estudos
norte-americanos publicados em 1992 e 1993 mostram uma
tendência à terceirização desse serviço, com até 50% das
instituições optando por este sistema externo.
Em qualquer uma dessas situações, a posição da
Lavanderia Hospitalar deve ser vista por dois lados:
prestadora de serviços e cliente de seus próprios
usuários. Esta percepção ajuda-nos a definir os
objetivos desse serviço em relação ao seu produto final
– roupa limpa - , determinando os procedimentos a serem
realizados, materiais a serem empregados, tipos de
máquinas necessárias, área física e recursos humanos
adequados. Por outro lado, a roupa a ser recebida também
deve ter algumas características, que serão atingidas de
acordo com sua forma de utilização, coleta, embalagem,
identificação e transporte até a Lavanderia Hospitalar.
Deve haver linhas de comunicação claras e diretas entre
os setores e a Lavanderia Hospitalar, assim como destes
com o serviço de controle de infecções hospitalares, no
que se refere à qualidade e à quantidade das roupas e
das precauções a serem utilizadas durante a execução
dos processos considerados anteriormente.
Além disso, procedimentos apropriados são necessários
para minimizar o risco de irritação da pele ou de
doenças relacionadas à exposição a produtos químicos
usados no processo de lavagem.
1 -
LAVANDERIA HOSPITALAR
A lavanderia hospitalar é um dos principais serviços de
apoio ao atendimento dos pacientes, responsável pelo
processamento da roupa e sua distribuição em perfeitas
condições de higiene e conservação, em quantidade
adequada a todas às unidades do hospital. O serviço de
lavanderia, rouparia e costura de um hospital é de suma
importância para o bom funcionamento do hospital, pois a
eficiência de seu funcionamento contribuirá para a
eficiência do hospital.
Um bom sistema de processamento da roupa é fator de
redução das infecções hospitalares. Estudos realizados
na área de microbiologia revelaram que o processamento
da roupa em um ambiente único, utilizado nas lavanderias
tradicionais, propiciam a recontaminação constante da
roupa limpa na lavanderia. Esses estudos mostraram,
ainda, que grande número de bactérias jogadas no ar,
durante o processo de separação da roupa suja,
contaminava todo o ambiente circundante. Tais
descobertas revolucionaram a planta física da lavanderia
hospitalar, bem como instalações, equipamentos e os
métodos utilizados no processamento da roupa.
A principal medida introduzida para o controle das
infecções, foi a instalação de barreira de contaminação,
que separa a lavanderia em duas áreas distintas:
-
área
contaminada ou suja, utilizada para separação e
lavagem;
-
área limpa, utilizada
para acabamento (centrifugação, secagem/calandragem,
dobragem) e guarda.
Esta barreira de contaminação só é realmente eficiente se
existirem as lavadoras de desinfecção, com duas portas de
acesso, uma para cada área, na parede que separa a área
suja/contaminada da área limpa, e se as pessoas da área
contaminada não circularem nas áreas onde a roupa sai limpa.
A barreira de separação deve ser dotada de visores para
facilitar a comunicação e o controle.

Lavadora
tipo hospitalar ou de barreira [Mezomo, 1985]
1.1 -
EPIDEMIOLOGIA
A
roupa suja geralmente contém grande quantidade de
microrganismos. Algumas publicações relatam contagens de 2 x
104 bactérias por 100 cm2 e até 108
por 100 cm2. Os principais patógenos
identificados nas roupas sujas são bastonetes gram-negativos
(BGN), principalmente enterobactérias e Pseudomonas
sp., assim como Bacillus sp. Embora tenha sido
demonstrada que a roupa suja possa ser uma fonte de diversos
microrganismos, o risco de transmissão de doenças parece ser
desprezível.
Entretanto, como as bactérias encontram-se mais
freqüentemente em infecções hospitalares (IH) são as mesmas
isoladas nas roupas, especula-se que estas podem contribuir
na disseminação dos patógenos nosocomiais. Apesar desta
consideração não provar que a roupa é a fonte de infecção,
alguns estudos, mesmo sendo poucos, têm levantado a
possibilidade de as roupas serem fontes de infecções em
pacientes:
- Surto
de Febre Q em funcionários da lavanderia (relacionado com o
manuseio e a separação das roupas sem equipamentos de
proteção individual [EPI] adequados, Am j hyg, 1967);
-
Infecções por Tinea pedis em residentes asilares
(relacionadas à lavagem sem desinfectante, além de uso
comunitário de meias, Brit Med J, 1967) ;
- Dois
casos de meningite por Bacillus cereus no pós
operatório;
- Surto
de salmonelose em asilo, atingindo funcionários da
lavanderia;
- Surto
de IH por Streptococcus pyogenes no berçário;
- E,
ainda, colonização de crianças por Staphylococcus aureus,
surto de escabiose, transmissão de catapora e hepatite A aos
trabalhadores da lavanderia e contaminação cruzada de
caracteres urinários com BGN dos lençóis sujos resultando em
ITU.
Uma
consideração a ser feita diz respeito à presença documentada
desses mesmos tipos de patógenos no meio ambiente inanimado
do hospital, sendo que as tentativas de eliminar ou reduzir
a esse microrganismos do meio não resultaram em uma
diminuição no risco de IH. Este risco praticamente
inexistente de transmissão de doenças através do meio
inanimado, incluindo as roupas, é consistente com os
resultados de numerosos estudos epidemiológicos que têm
demonstrado que a fonte mais comum para essas infecções é o
meio animal (homem).
1.2 - ASPECTOS FÍSICOS DA LAVANDERIA HOSPITALAR
A
localização adequada de uma lavanderia hospitalar é aquela
que considera os seguintes aspectos:
-
transporte
e circulação da roupa, vertical ou horizontal;
-
demanda das
unidades do hospital;
-
sistema de
distribuição de suprimentos no hospital;
-
distâncias,
considerando diversos fatores: tempos e movimentos;
ruídos e vibrações; odores; calor; riscos de
contaminação; futura expansão; localização das
caldeiras; custo de construção; direção dos ventos;
orientação solar [Machado, 1996].
Dentre estes, deve-se dar ênfase especial à direção dos
ventos, para que não haja corrente de ar do ambiente
contaminado para o limpo; deve-se evitar escadas ou degraus
entre a lavanderia e o estante do prédio, para facilitar o
transporte da roupa. Havendo desníveis inevitáveis, deve-se
adotar rampas para facilitar a circulação de carrinhos,
tanto de roupa suja como limpa.
O
formato da lavanderia deve possibilitar um fluxo racional de
trabalho de processamento da roupa, seguindo um fluxo
progressivo, como em uma linha de montagem industrial,
evitando cruzamento de circulações das atividades. Para um
fluxograma funcionalmente resolvido, são admitidas formas de
I, L ou U, mostradas abaixo:

Lavanderia com fluxo no formato “I” [Mezomo, 1985]

Lavanderia com fluxo no formato “L” [Mezomo, 1985]

Lavanderia com fluxo no formato “U” [Mezomo, 1985]
A
precaução fundamental é evitar que a roupa suja cruze ou
entre em contato com a limpa*, evitando a
recontaminação e a dificuldade permanente para o trabalho,
causada pelo trânsito cruzado das pessoas.
A
localização inadequada dos equipamentos e instalações, não
condizentes com o serviço, levam a um desperdício de tempo,
aumento de fadiga e, conseqüentemente, um baixo rendimento.
1.3 -
DIVISÃO FÍSICA E FLUXO DE PRODUÇÃO DA LAVANDERIA
Em uma lavanderia hospitalar deve ser previsto no mínimo, as
seguintes áreas:
-
Área contaminada;
-
Área limpa:
- molhada
(centrifugação);
- seca
(secagem, calandragem e prensagem);
- rouparia;
-
Costura;
-
Coordenação (chefia);
-
Área de lanche.
1.3.1 -
Área Contaminada
A
área de recebimento, separação, pesagem e lavagem das roupas
sujas na lavanderia é considerada crítica, pois é a mais
contaminada área de todo o hospital. Podemos dizer que
trata-se de uma espécie de central de microrganismos. A área
caracteriza-se por apresentar: mau odor; risco de
contaminação e fadiga.
Conforme já citado, esta área deve ser absolutamente
separada do restante da lavanderia por meio de parede até o
teto (barreira de contaminação) para evitar a dispersão dos
microrganismos pelas áreas limpas, o que levaria à
recontaminação da roupa.
Deve ter sanitários, vestiários e chuveiros próprios para
quem trabalha no local, a fim de evitar a circulação desses
funcionários por outras dependências.
O funcionário
deste setor deve usar uniforme completo: gorro, máscara,
avental (fechado na frente com mangas fechadas no punho),
botas e luvas. O uso deste uniforme de defesa é a maneira
mais segura de evitar contaminação do próprio funcionário.
Ao sair desta
área, deverá tomar banho e vestir roupa pessoal ou outro
uniforme comum, caso tenha que ir até outras áreas da
lavanderia. Por ser inadmissível o trânsito em outras
dependências sem os cuidados acima, é necessário que exista,
no interior desta área, um local destinado a depósito de
produtos de lavagem.
Esta área deve
ter pressão negativa, ou seja, deve receber corrente de ar e
não difundir o ar contaminado para outros setores.
1.3.2 -
Área Limpa
- Área
Limpa Molhada (Centrifugação)
É a chamada
área úmida ou molhada. Nela ficam localizadas as máquinas
lavadoras (apenas as portas de acesso para saída da roupa
lavada), e as extratoras ou centrífugas (Figura 3). É a área
de trabalho mais pesada da lavanderia, uma vez que a roupa é
retirada ainda molhada da máquina, o que torna o peso, cerca
de três vezes maior que a roupa seca. Suas características
são: umidade; ruído.
O piso deve ser
gradeado próximo às máquinas para evitar a presença de água
no chão, pois haveria risco maior de acidente e de
insalubridade.
- Área Limpa Seca
Nesta área
ficam as secadoras, calandras, prensas, ferros elétricos e
mesas. As roupas são secas, passadas, dobradas e
encaminhadas à rouparia. Durante a dobragem, as roupas que
necessitam de reparos devem ser separadas para serem
encaminhadas para o setor de costura. As características
desta área são: calor; limpeza.
1.3.3 - Rouparia
Nesta área
ficam estantes para a roupa limpa. Deve ter também, armários
fechados para armazenar as roupas de inverno, tipo
cobertores, nos períodos de verão.
1.3.4 - Área de Costura
Nesta área
ficam as máquinas, mesas, estantes e armários para roupas
novas e roupas a serem reparadas, bem como os tecidos
destinados à confecção de peças novas.
1.3.5 -
Chefia
Esta área deve
ser do tamanho suficiente para o trabalho de uma pessoa e 2
interlocutores, dispondo de mesa e armário ou arquivo. A
localização desta área deve ser estrategicamente estudada de
forma a possibilitar visualização de todo o ambiente,
podendo estar num piso mais elevado. Todas as paredes devem
ser dotadas de visor que possibilite a supervisão de todas
as áreas.
1.3.6 - Área de Lanche
Esta área se
destina ao atendimento dos funcionários com relação ao tempo
de pausas de descanso, hidratação e lanche, na qual deve
conter um lavabo para higienização das mãos antes e após o
lanche.
1.4 - PROCESSAMENTO DA
ROUPA
1.4.1 -
Coleta
A coleta
geralmente é realizada em horários preestabelecidos, uma vez
que a roupa suja deve permanecer o menor tempo possível na
unidade. Durante esta operação, o funcionário responsável
por esta tarefa deve usar luvas de borracha, máscara e
gorro.
A roupa suja
deve ser colocada direta e imediatamente no hamper,
em sacos de tecidos fortes de algodão ou náilon, sendo que
para roupas contaminadas devem ser usados sacos plásticos.
Após fechado, o
saco de roupas sujas é retirado do hamper e colocado
em carro próprio que, completada sua capacidade, transporta
a roupa até a recepção da lavanderia.
Os carros
usados na remoção dos sacos de roupa suja nunca devem ser
utilizados para o transporte de roupa limpa. Igualmente,
deve ser evitado o cruzamento da roupa suja com a limpa.
O percurso e o
elevador usados na remoção dos sacos de roupa não devem ser
utilizados simultaneamente por carro de roupa limpa ou de
comida.
1.4.2 - Recepção
Na área de
recepção, a roupa é retirada do carro de coleta, a fim de
ser separada e pesada.
1.4.3 - Separação
Na área de
separação, os sacos de roupa suja são pesados e o resultado
do peso é registrado em ficha própria, para controle de
custos das diversas unidades.
A roupa é
classificada de acordo com o grau de sujidade, tipo de
tecido e cor. Essa classificação tem a finalidade de agrupar
a roupa que pode ser lavada em conjunto e a que terá o mesmo
acabamento.
Na separação, é
indispensável que todas as peças de roupa sejam
cuidadosamente abertas, para a retirada de instrumentos
cirúrgicos, distintivos e outros objetos que por ventura
tenham sido encontrados meio as roupas. Desta forma evita-se
que estes elementos estranhos entrem no processo de lavagem,
causando danos às máquinas e ao próprio processo.
1.4.4 - Pesagem
Após a
separação, a roupa é pesada e agrupada em lotes ou fardos
correspondentes a uma fração da capacidade da máquina, em
geral 80% de sua capacidade de lavagem, além de ser
identificado quanto ao tipo de processamento a que deverá
ser submetido em função do tipo de sujidade, cor e tipo de
tecido.
A pesagem da
roupa é indispensável para indicar a carga correta das
lavadoras, o peso da roupa recebida de cada unidade para a
contabilidade de custos e facilitar a determinação das
fórmulas mais adequadas de lavagem.
Após a pesagem,
os fardos ou sacos de roupa devem ser levados até a(s)
lavadora(s), onde todo o material necessário para a lavagem
deve ser colocado à mão, para evitar desperdício de tempo e
energia.
1.4.5 - Lavagem
É o processo
que consiste na eliminação da sujeira fixada na roupa,
deixando-a com aspecto e cheiro agradáveis, nível
bacteriológico reduzido ao mínimo e confortável para o uso.
O processo de
lavagem propriamente dito é realizado na área suja. O ciclo
a ser empregado no processo de lavagem é determinado de
acordo com o grau de sujidade, tipo da roupa, tipo de
equipamento da lavanderia e dos produtos utilizados.
Ainda que os
ciclos de lavagem sejam em função das sujeiras, das
máquinas, das fibras, dos produtos, vão encontrar-se em
todos os ciclos, todas ou partes das operações apresentadas
a seguir.
O tempo,
temperatura e o nível da água devem ser bem combinados em
cada etapa para evitar prejuízo ou mau resultado.
|
Operação |
Finalidade |
Nível de água |
Temperatura |
Tempo |
|
Umectação |
eliminar poeiras e sujeiras
rapidamente solúveis e dispensáveis em água fria |
alto |
ambiente
20°C |
3 minutos |
|
Pré-lavagem ou 1ª Lavagem |
eliminar sujeiras solúveis em
água morna em meio alcalino (albuminóides,
amidos, etc.). |
baixo |
45°C |
10 minutos |
|
Lavagem
|
eliminar sujeiras residuais.
Efetua-se pela mecânica e ação físico-química do
detergente, pela saponificação. |
baixo |
85°C |
15 minutos |
|
Enxágue
|
eliminar parte dos produtos
detergentes e resíduos alcalinos, assim como a
água suja
retida na roupa. |
médio |
60°C |
5 minutos |
|
Enxágue
|
diminuir a temperatura da
roupa antes da operação de alvejamento com
compostos clorados. |
alto |
45°-50°C |
3 minutos |
|
Alvejamento
|
branquear, remover manchas
por descoloração e desinfetar com compostos
clorados |
médio |
23 a 30°C |
10 minutos |
|
Enxágue
Anti-cloro |
eliminar os resíduos
alcalinos dos detergentes e cloro residual dos
alvejantes. |
alto |
20 a 25°C |
3 minutos |
|
Enxágue |
eliminar os produtos
anti-cloro cloro e alcalinidade residual da
roupa. |
alto |
Ambiente
20°C |
3 minutos |
|
Extração ou Centrifugação na
Lavadora |
eliminar o máximo possível de
água retirada da roupa |
- |
- |
de 5 a 10 minutos |
Observações:
1 -
Estas operações devem ser cumpridas
independente da natureza do processo.
2 -
Os tempos de duração de cada operação podem variar em
função da reatividade dos produtos utilizados, em função
da sua marca.
1.4.6 - Centrifugagem
A carga de
roupa lavada é distribuída uniformemente dentro do
tambor, na sua capacidade. A colocação é feita em
pequenos montes de roupa, ajustados, em peso
equilibrado, para evitar que o tambor, ao girar, se
afaste do eixo, no ponto mais pesado, levando à
desregulagem do equipamento e da roupa, por torção ou
repuxo. Em geral, o peso da roupa lavada reduz 60% ,
após centrifugada, devido a eliminação da água.
Terminada a
centrifugagem a roupa é retirada, selecionada, colocada
em carrinho e encaminhada à secagem, ou tratamento
adequado a cada tipo. Na seleção, considera-se os
seguintes aspectos: tipo de tecido (liso, felpudo,
algodão, acrílico, etc); tipo de roupa (lençol, toalha,
roupa de vestir, etc); qualidade da limpeza (se requer
nova lavação ou não devido a permanência de manchas). A
roupa destinada à secadora é colocada em carrinho
próprio. O mesmo é feito com os lençóis.
1.4.7 - Calandragem
É a
operação que seca e passa ao mesmo tempo as pecas de
roupa lisa (lençóis, colchas leves, campos, etc.). Após
aquecimento, a calandra geralmente é operada
continuamente, para evitar desperdício de energia.
Geralmente
são necessários dois operadores para colocar a roupa
molhada, e dois para retirar e dobrar a roupa seca.
Durante a
retirada da roupa da calandra, é feita uma seleção das
pecas danificadas, que deverão ser posteriormente
encaminhadas ao setor de costura para reparo ou baixa.
1.4.8 - Secagem em
Secadoras
Roupas como
toalhas, roupas de vestir, fraudas, cobertores, peças
pequenas como máscaras, propés, gorros, compressas e
outras são secadas na secadora.
Depois de
secar, as roupas são retiradas da secadora e colocadas
em carros apropriados, a fim de serem encaminhadas para
as mesas de dobragem e posteriormente para a rouparia
para repouso. Durante a dobragem, as roupas danificadas
vão sendo separadas para serem encaminhadas para o setor
de costura para consertado ou baixa.
1.4.9 - Prensagem
Uniformes e
outras peças que não são passíveis de serem colocadas em
calandras ou que tenham detalhes como vinco, são
passadas na prensa. Após passadas, são colocadas em
cabides e encaminhadas para a rouparia.
1.4.10 - Passagem a
Ferro
Usado
apenas eventualmente, ou para melhorar o acabamento de
alguma roupa. Não é muito comum o seu uso, pois é pouco
econômico, sob o ponto de vista de consumo de tempo,
energia elétrica e física.
1.4.11
- Estocagem
A estocagem
da roupa limpa geralmente é feita em um setor chamado
rouparia. Neste setor é feito todo um controle da
roupa limpa, do estoque e de sua distribuição de forma
adequada, em quantidade e qualidade, às diversas
unidades do hospital. É na rouparia que é feita a
estocagem (repouso) da roupa, distribuição e costura,
incluindo conserto, baixa e reaproveitamento.
1.4.12 - Distribuição
da Roupa Limpa
Cada
unidade recebe uma cota de roupa para reposição de
estoques nas rouparias setoriais. Geralmente o cálculo
das quantidades de roupa segue a seguinte idéia: Uma
muda fica no leito do paciente, uma outra fica na
estante ou carro-prateleira, na unidade de enfermagem,
como estoque de reserva para apenas um dia, enquanto tem
outra peça na lavanderia em processamento. É comum
existir uma cota fixa de roupa para cada unidade,
preestabelecida em função da necessidade estimada.
1.4.13 - Costura
As peças de
roupa danificadas, aproveitáveis, são reparadas e
recolocadas em uso. O conserto precoce amplia a vida
útil da roupa.
As peças
danificadas não aproveitáveis recebem baixa no estoque,
porém algumas podem ser transformadas em outras peças
úteis, como por exemplo uma toalha estragada que pode
ser transformada em luvas de banho, um lençol de adulto
em lençol de criança, ou outras. Após o conserto, a
roupa volta a ser lavada.
1.5 - EQUIPAMENTOS
1.5.1 -
Lavadora de desinfecção
É uma
máquina de lavar com duas portas, composta por tambores
de aço inox; mecanismo de reversão equilibrado;
dispositivo automático para impedir a abertura
simultânea de ambas as portas e fluxo de ar, dentro da
máquina, regulado por válvula, de modo a permitir a
aspiração do ar da área limpa, durante o escoamento da
água, e a expulsão do ar contaminado para a área
contaminada.
1.5.2 - Centrífuga ou extratora
É a máquina
usada para eliminar ou extrair até 40% da água da roupa
saída da lavadora. Ela é constituída de dois cilindros,
um fixo externo e um giratório interno e perfurado.
1.5.3 -
Lavadora extratora
É a máquina
de lavar que incorpora a centrifugagem à própria
lavadora.
1.5.4 -
Calandra
É um
equipamento que se destina a secar e passar a roupa ao
mesmo tempo. É constituído de dois ou mais cilindros de
metal que giram dentro de calhas fixas de ferro,
aquecidas a vapor ou eletricidade. É provida de
dispositivo que para os cilindros automaticamente,
evitando acidentes com as mãos do operador. A roupa,
passando sob pressão, entre a calha aquecida e o
cilindro girando, seca e desenruga.
1.5.5 -
Secadora
É um
equipamento para secar roupas. Possui dois cilindros, um
interno, giratório, que movimenta a roupa, e outro
externo fixo.
1.5.6 –
Prensa
Destina-se
a passar roupa pessoal. Consta de mesa de tela metálica,
revestida de algodão, onde é estendida a roupa. A parte
superior, que é uma chapa metálica, aquecida a alta
temperatura, desce, exercendo pressão sobre a peça a ser
passada.
1.5.7 -
Balança
É um instrumento utilizado para
determinar o peso da roupa e dos produtos de lavagem.
Normalmente são do tipo plataforma para pesagem da
roupa, e tipo doméstica para pesar os produtos químicos
de lavagem.
1.5.8 -
Carro de transporte
São
carrinhos geralmente de aço inox ou fibra de vidro,
usados para transportar as roupas nas unidades, ou de
uma máquina para outra , ou de uma área para outra.
1.5.9 –
Hampers
São
carrinhos feitos de estrutura metálica, nos quais são
encaixados sacos de tecido. São usados durante a troca
de roupa dos leitos, nos quais as roupas sujas são
colocadas.
1.5.10 -
Máquina de costura
É um equipamento destinado ao reparo das
peças danificadas ou a confecção de novas.
1.6 - CONDIÇÕES
AMBIENTAIS
As
condições ambientais de uma lavanderia hospitalar têm
grande influência na prevenção de doenças profissionais
e acidentes, já que compreendem medidas de proteção
coletiva.
A alta
temperatura, umidade, excesso ou escassez de
luminosidade, ruídos e vibrações, comuns em ambientes de
lavanderia, podem causar tontura, mal-estar, dor de
cabeça, fadiga e outros.
O controle
e uso adequado da temperatura, umidade, luminosidade,
insolação, ventos dominantes e renovação de ar,
contribuem para o conforto dos servidores.
A
lavanderia é uma área que compreende um conjunto de
maquinário característico que geralmente provoca muito
ruído e vibração, devendo, portanto ter tratamento
acústico e as máquinas devem ser fixadas ao piso a fim
de diminuir a transmissão das vibrações.
Toda
lavanderia apresenta equipamentos, que durante o seu
funcionamento geram calor e vapor, em virtude dos quais
devem ser previstas medidas que reduzam o aquecimento do
ambiente.
1.6.1 - Iluminação
A
iluminação natural é a mais recomendável devido à melhor
eficiência - maior relação lúmen / watt - e devido à
resposta de cores. Como o critério de separação de roupa
a ser reprocessada devido a manchas, resíduos é por meio
visual, a fidelidade de cores é fundamental, além do
nível de iluminação requerido para tal identificação.
Para a
complementação com iluminação artificial ou apenas
adoção de fonte artificial nos horários noturnos,
deve-se observar o uso de equipamento com espectro, nas
diversas gramaturas de cor, o mais próximo possível da
luz natural.
1.6.2 - Ventilação e
Exaustão
A
ventilação deve proporcionar um ambiente de trabalho
adequado, de forma a aumentar a eficiência do pessoal e
impedir a disseminação de microrganismos.
É
importante a criação de uma diferença de pressão
barométrica, com pressão mais baixa na zona contaminada.
O ar deve fluir sempre do lado limpo para o lado sujo. O
sistema de exaustão da área contaminada e da área limpa
devem ser independentes um do outro.
A tomada de
ar fresco para a área limpa deve ser localizada o mais
distante possível da exaustão de incineradores e
caldeiras e da exaustão da área contaminada da própria
lavanderia.
A saída de
ar deve ser de modo a não contaminar os serviços
adjacentes. O mais adequado e que o ar, antes de ser
lançado na atmosfera, passe através de uma cortina de
água com produtos especiais para a purificação, evitando
que se torne fonte de contaminação.
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