[Continuação]
3) O TRABALHO E O ESTRESSE
Várias das patologias hoje estudadas pela Medicina
do Trabalho têm íntima correlação
com o estresse. O desgaste a que pessoas são submetidas
nos ambientes e nas relações com o trabalho é fator
dos mais significativos na determinação de
doenças. Este trabalho não escapa ao conhecimento
médico, mas também é fato que o espaço
dedicado na anamnese à investigação
destes aspectos é pequeno em relação à sua
importância.
3.1) A influência da cultura
O conjunto de práticas e as redes de significados
compartilhados em grupamentos sociais formam o processo
cultural. Tem permanência de tempo, tem caráter
de coletividade e tem continuidade, além da vida
de quem a cria (Laraia). Este processo realiza a construção
social da realidade. Uma cultura adquire "conformação
e caráter específicos graças à coerência
e unidade de suas instituições sociais. Tais
instituições possibilitam a continuidade
social e constituem os instrumentos efetivos do seu equilíbrio"(Laraia).
Para Mello Filho (1988), a cultura é o resultado
das atitudes, idéias e condutas compartilhadas e
transmitida pelas pessoas de uma sociedade, juntamente
com as respectivas transformações, isto é,
invenções, métodos de investigações
do ambiente e objetos manufaturados. Por isto é importante
a filosofia de vida e visão do mundo que presidem
a cultura, na construção do dinamismo dia
a dia.
As características da cultura representam potencialidades
adaptativas e estressoras, dentro da numerosa gama de possibilidades
de transformações, reproduções
e expressões próprias da complexidade e das
riquezas humanas. Mas, existem processos culturais que
limitam e moldam a expressão desta natureza sobre
o que Geertz (in Laraia) afirma: "... um dos mais
significativos fatos sobre as pessoas é a constatação
de que todos nascem com um equipamento para viver mil vidas,
mas terminam tendo vivido uma só... o homem não é apenas
o produtor da cultura, mas também num sentido especificamente
biológico, o produto da cultura".
Existem estudos em que a atuação da cultura
sobre o biológico se torna evidente, no processo
do adoecer ou do curar. Por exemplo, o surgimento ou não
de sintomas de mal-estar provocados pela ingestão
combinada de determinados alimentos: leite com manga. Relata-se,
também, o caso de africanos removidos violentamente
de seu continente, ou seja, de seu ecossistema e de seu
contexto cultural, que, transportados para uma terra estranha,
perdiam a motivação para continuar vivos.
Os casos de curas decorrentes da "fé" no
remédio ou na religião.
Os processos psicossociais são constituídos,
em parte, por percepções e atitudes dos indivíduos
e, em parte, por elementos culturais que direcionam os
vínculos, reproduzem e recriam valores sobre vários
fatos da realidade. Os critérios específicos
sobre saúde, doença, indivíduo, trabalho,
produtividade, força, vulnerabilidade são
construídos pela cultura e transformada pelos indivíduos.
A cultura é edificada a partir do meio ambiente.
O meio ambiente é o mundo externo e a realidade
imediata. Realidade esta, que segundo Berger e Luckmann
(1987) é decorrente da vida quotidiana, que se apresente
interpretada pelos homens e é subjetivamente dotada
de sentido para eles, na medida em que forma um mundo coerente.
Existem estudos realizados por Wiittkower sobre estresse
cultural, conforme relata Mello Filho (1983) a partir dos
quais é possível relacionar respostas psicossomáticas
e cultura. Neles, foram identificados aspectos culturais
estressantes, como o uso acentuado de tabus, saturação
de valores, instabilidade de modelos culturais, privação
de vida social, rigidez de normas e condições
minoritários. Assim, concluímos que as respostas
psicossomáticas sofrem influências diferentes
em cada cultura.
3.2) A Cultura empresarial
Toda empresa é um conjunto sócio-cultural
complexo, organizado para realização de serviços,
fabricação de coisas, transformação
ou extração de produtos da natureza. Segundo
Lapassade (1983), constitui-se de um sistema de redes,
de status e papéis.
Este complexo de pessoas, com seus modos próprios,
transforma e provoca transformações no trabalho
que se realiza no espaço empresarial. Suas atitudes
visam à satisfação de necessidades
organizacionais e individuais, a partir de limites estruturais
e tecnológicos, sobre as quais se processam acomodações
dentro e fora do espaço empresa.
Na cultura empresarial sobressaem valores objetivos e impessoais,
isto é, não contando com a emoção,
vê-se o indivíduo de forma incompleta, com
habilidades específicas para a realização
de tarefas, isolado das suas características de
ser, das suas experiências de vida. Desta forma,
durante a relação indivíduo-empresa,
há uma cisão do comportamento: de um lado
a força de trabalho com subordinação às
regras da empresa, de outro o vivenciar emoções
nem sempre expressas adequadamente.
O processo de firmar contrato de trabalho, na verdade,
caracteriza-se por acatar as normas, os valores e os procedimentos
utilizados e cobrados de forma coletiva. Nas empresas brasileiras,
a ação empresarial passou a ser contida a
partir da Consolidação das Leis do Trabalho,
que regulamenta o registro, a remuneração,
o repouso, o afastamento, a validade de atestados médicos
etc, no sentido de dar o mínimo de garantia ao cidadão
que trabalha. No entanto, diante das novas imposições
do capitalismo selvagem em voga, estas regras estão
se afrouxando para dar lugar à maximização
do lucro e competitividade.
Ao celebrar o contrato de trabalho, a pessoa com todos
os fenômenos intrapessoais e interacionais que caracterizam
sua identidade, acata as normas organizacionais. A pessoa
quando é admitida na empresa, traz consigo sua história,
sua personalidade e uma forma de funcionar tanto orgânica
como psíquica e social. E tende a produzir nas suas
relações não só as expectativas,
mas também sua história, que vai interagir
com o sistema de organização, manutenção
e de adaptação do indivíduo, do grupo
e da empresa.
O "homem organizacional" leva toda sua potencialidade
física, as características mentais, as anatômicas,
as fisiológicas e as sensitivas para a empresa.
Leva também sua potencialidade social: a história
de vida, experiências adquiridas, os valores introjetados
e a capacidade de compartilhar.
A entrada da pessoa para o sistema empresa é celebrada
através da Consolidação das Leis do
Trabalho, de práticas administrativas e de procedimentos
seletivos específicos. Implícito a este momento,
instala-se o contrato psicológico de trabalho. Este
trato não é explicitado de forma direta,
mas é fator determinante no processo adaptativo
do indivíduo na empresa. Mas agora com a flexibilização
das regras, recomendadas inclusive pelo Ministério
do Trabalho, a ansiedade do trabalhador aumenta pelas incertezas
e ameaças de desemprego, procurando sujeitá-lo
mais ainda ao espírito empresarial.
Para atuação deste "homem organizacional" apenas
alguns aspectos são utilizados, estimulados e aceitos.
Não se pretende o trabalho para o homem, mas o homem
para o trabalho, acionando o gerenciamento da moda chamado
de "reengenharia ou qualidade total", para extrair
o máximo em favor da empresa.
Arendt faz a seguinte reflexão sobre a autonomia
da pessoa no seu trabalho: "o anormal laborans pode
escapar à sua difícil situação
como prisioneiro do ciclo interminável do processo
vital, à eterna sujeição, à necessidade
do labor e do consumo, unicamente através da mobilização
de outra capacidade humana: a capacidade de fazer fabricar
e produzir o que é atributo do homem faber, o qual,
como fazedor de instrumentos, não só atenua
as dores e fadigas do labor como erige um mundo de durabilidade".
Codo destaca que "a sobrevivência de um organismo
depende em última instância da capacidade
física, biológica e psicológica de
transformar o meio a sua imagem e semelhança, portanto,
de autotransformar-se à imagem e semelhança
do meio".
O grupo de trabalho legítima as articulações
entre interesses individuais, coletivos e empresariais.
Formam-se redes de influências com processos relativos à cooperação,
competição, conflitos, nível de motivação
e pressões externas. Formam-se também, redes
de afetos, emoções e sentimentos entre as
pessoas com as quais se mantêm variada frequência
e intensidade de convivência.
O equilíbrio é um dos processos determinantes
da dinâmica do grupo. Está associado ao contexto
amplo em que está inserido. Sobre os grupos, Lewin,
citado por Amado, afirma que "grupos são totalidades
dinâmicas que resultam das interações
entre seus membros. Estes grupos realizam formas de equilíbrio
no seio de um campo de forças. É em função
da organização perceptiva do espaço
social que as energias postas em jogo se completam e se
combatem".
A reciprocidade no grupo é elemento definitivo na
estrutura de grupos e na empresa. Se dentro do grupo de
trabalho na empresa a regra é não quebrar
ou não parar a produção, se ocorre
esta quebra em função de doença, estabelece-se
uma condição de suspensão da reciprocidade,
atingindo-se vínculos de produtividade que existem
entre os indivíduos desse grupo. Desencadeiam-se
novos tipos de vínculos em função
dos sintomas e a alteração de comportamento
do queixoso, novos fatores da dinâmica do grupo.
Para Rodrigues, esta inter-relação pessoa
-empresa será mais ou menos conflituosa quanto maiores
forem as diferenças de expectativas dos dois pólos
ou quanto mais rígidos eles forem, com relação à capacidade
de adaptação.
3.3) A importância do lazer
A diversão e descontração torna-se
cada vez mais importante no combate ao estresse puramente
mental, físico e psicológico ( todos nós
conhecemos os danos causados pela preocupação).
Há muitos estudos da medicina psicossomática
descrevendo a produção de úlceras
gástricas, hipertensão e vários outros
males pela preocupação crônica em relação
a problemas de ordem moral e econômica. E o melhor
remédio aqui é a diversão e a descontração
em que se encontra qualquer coisa que tome o lugar dos
pensamentos preocupantes, para afugentá-los, e nada
afasta tão eficazmente pensamentos desagradáveis
quanto a concentração em pensamentos agradáveis.
4) O CONTROLE DAS EMOÇÕES
Tens sido...
Um homem que as desgraças e recompensa da Sorte
Aceitas com igual gratidão... Dá-me o homem
Que não é escravo da paixão, que eu
o trarei
No fundo do meu coração, sim, no coração
do meu coração
Como faço contigo...
(Hamlet a seu amigo Horatio, Shakespeare)
Desde os tempos de Platão, o senso de autodomínio,
de poder agüentar as tempestades emocionais que trazem
as desgraças da sorte sem ser "escravos da
paixão", tem sido louvado. O objetivo que devemos
atingir é o equilíbrio mental e psicológico
não a eliminação das emoções:
todo sentimento tem seu valor e sentido. Mas, se precisa
da emoção ccontrolada, o sentimento proporcional à circunstância.
Quando as emoções são abafadas demais,
criam o embotamento e a distância; quando extremas
e persistentes demais tornam-se patológicas, como
na depressão paralisante, na ansiedade esmagadora,
na raiva demente e na agitação maníaca.
As pessoas não precisam evitar sentimentos desagradáveis,
eles podem contribuir para uma vida criativa e espiritual.
Só devemos impedir que eles desloquem contigo todos
os demais estados de espíritos agradáveis.
Controlar nossas emoções é uma atividade
de tempo integral: muito de que fazemos é uma tentativa
de controlar o estado de espírito. Tudo, desde ler
um romance ou ver televisão até as atividades
e companhias que preferimos, pode ser uma maneira e nos
sentirmos melhor.
No plano do cérebro muitas vezes temos pouco ou
nenhum controle sobre quando seremos arrebatados pela emoção
e sobre qual emoção eclodiremos. Mas podemos
ter alguma voz sobre o quanto durará uma emoção.
A tristeza, preocupação ou ira habituais
passam com o tempo, mas quando as emoções
são intensas demais como a ansiedade crônica,
a ira descontrolada ou a depressão, podem exigir
medicação e/ou psicoterapia.
Hoje, um sinal da incapacidade de autocontrole emocional
pode ser o reconhecimento de quando a agitação
crônica do cérebro emocional é demasiado
forte para ser superado sem a ajuda farmacológica.
Estudos afirmam ainda a independência da inteligência
emocional da cognitiva, constatando pouca ou nenhuma relação
entre graus de QI e o bem estar emocional das pessoas.
Pesquisas demonstraram ainda, que não foi unanimidade
entre os que acham que estados de espírito negativos
devem ser mudados. Algumas pessoas admitem que jamais tentam
mudar seu estado de espírito, pois para elas todas
as emoções são "naturais" e
devem ser experimentadas como se apresentam. Outras buscam
regularmente entrar em estados desagradáveis por
motivos pragmáticos: médicos que precisam
estar sombrios para dar más notícias a pacientes,
cobradores que enfurecem para ser mais firmes com os caloteiros,
jovens que se provocam raiva para ajudar o irmão
menor contra os valentões infantis. Mas tirando
estes raros cultivos propositais de sentimentos desagradáveis
a maioria se queixava de que estava à mercê de
seus estados de espírito.
4.1) Mecanismo da raiva e seu controle
"
A ira jamais é sem motivo, embora raramente um bom
motivo".
(Benjamim Franklin).
Em parte a afirmativa acima é confirmada em Goleman
quando acha que deve haver liberação da ira
até mesmo com perda da cabeça, mas nunca
devendo resultar em comportamentos induzidos por ela.
Existem vários tipos diferentes de raiva. As amígdalas
bem podem ser uma fonte principal da súbita centelha
de cólera que sentimos quando estamos em perigo.
Mas é mais provável que no outro extremo
dos circuitos emocionais, o neocórtex, fomente raivas
mais calculadas, como a fria vingança ou indignação
com a injustiça.
De todos os estado de espírito de que as pessoas
querem escapar, a raiva é aquele que elas têm
mais dificuldade para controlar. Ela é a mais sedutora
das emoções negativas. Ao contrário
da tristeza, a raiva energiza e até mesmo exalta.
As pessoas inundam a mente dos mais convincentes argumentos
e justificativas para dar-lhe razão. O poder sedutor
e persuasivo da raiva pode em si explicar porque algumas
opiniões sobre ela são tão comuns:
que é incontrolável ou que, não deve
ser controlada e que dar-lhe vazão numa "cartase" faz
bem. Esta visão em relação à raiva é enganosa.
Ela pode ser inteiramente evitada se evitarmos ruminações
e procurarmos ver as coisas de uma outra forma, encontrar
o lado positivo da situação.
Um disparador universal da raiva é "estar em
perigo". O perigo pode ser uma ameaça física
direta, ameaça simbólica a auto-estima ou
dignidade, tratamento injustos ou grosseiros, insulto ou
humilhação etc. Essas percepções
atuam como gatilho instigante de uma onda límbica,
que tem um duplo efeito sobre o cérebro. Uma parte
dessa onda é a liberação de catecolaminas,
que geram um rápido surto de energia que dura alguns
minutos, durante os quais o corpo se prepara para uma boa
briga ou fuga, dependendo de como o cérebro racional
avalia a posição. Outra via impulsionada
pela amígdala percorre o ramo hipotálamo-adrenocortical,
cria um passo de fundo tônico geral de prontidão
para a ação, que pode durar horas ou até mesmo
dias fazendo com que o cérebro fique em vigia e
reações posteriores formem com total rapidez.
Quando o corpo já se acha em estado de irritação
devido a algum estímulo, pode disparar, um seqüestro
emocional de intensidade especialmente grande. Esta dinâmica
atua quando alguém se zanga. A raiva não
tolhida pela razão facilmente explode em violência.
Nesse ponto, as pessoas não perdoam e estão
além do alcance da razão, que com ela ficou
conivente. Seus pensamentos giram em torno da vingança
e represália, indiferente às conseqüências.
A raiva pode ser completamente interrompida se uma informação
mitigante vier antes que se dê vazão a ela.
Pois esta informação mitigante permite uma
reavaliação dos atos que provocam a raiva.
Mas ela só funciona em níveis controlados
de raiva, pois em níveis mais elevados para certos
indivíduos há uma "incapacitação
cognitiva" - as pessoas não mais pensam direito.
Outro poderoso artifício moderador do estado de
espírito é a distração, a diversão,
mudar de ambiente, afastar-se da outra pessoa no momento
da discussão. Dar vazão à raiva é uma
das piores maneira de esfriar: as explosões de raiva
tipicamente inflam o estímulo no cérebro,
deixando as pessoas mais iradas. Talvez soltar a raiva
funcione: quando ela é expressa diretamente à pessoa
visada, quando devolve o senso de controle ou corrige uma
injustiça. Mas muito mais acertivo é a pessoa
esfriar o cérebro por criar alternativas intelectuais
e depois de forma mais construtiva enfrentar a outra pessoa.
4.2) A preocupação e seu controle
A preocupação é, num certo sentido,
um ensaio do que pode dar errado e como lidar com isso.
A tarefa da preocupação seria de apresentar
soluções positivas para o perigo da vida,
prevendo-os antes que surjam. Mas as preocupações
crônicas, repetitivas, que se reciclam sempre, jamais
se aproximam de uma solução positiva.
As preocupações parecem surgir do nada, são
incontroláveis, gera um rumor constante de ansiedade,
são imunes à razão e prendem o preocupado
numa única e inflexível visão do tópico
que o preocupa. Quando esse mesmo ciclo de preocupação
se intensifica e persiste, beraiva o limite de seqüestros
neurais completos, as perturbações da ansiedade:
fobias, obsessões e compulsões, ataques de
pânico. Em cada uma dessas perturbações,
a preocupação se fixa de um modo distinto;
para o fóbico, as ansiedades giravam em torno de
uma situação temida; para o obsessivo, fixa-se
em prevenir alguma temida calamidade; nos ataques de pânico,
a preocupação se concentra num medo de morrer
ou na perspectiva de ter o próprio ataque.
As preocupações quase sempre se expressam
ao ouvido mental, não ao olho mental - quer dizer,
em palavras, não em imagens. Um fato importante
para o seu controle começou a ficar claro quando
estudaram a preocupação como um tratamento
para a insônia. A ansiedade, observaram outros pesquisadores,
surge em duas formas: cognitiva, ou idéias preocupadas,
e somática, os sintomas psicológicos da ansiedade,
como suor, coração disparado, tensão
muscular. Borkovec constatou que o principal problema dos
insones não era o estímulo somático,
o que os mantinha acordados eram os pensamentos intrusos.
Eram preocupados crônicos, e não podiam parar
de preocupar-se, por mais sono que tivessem. Eles se preocupam
com uma ampla gama de coisas, a maioria das quais não
tem a menor possibilidade de acontecer: vêem perigos
na jornada da vida que outros jamais notam.
Contudo, os preocupados crônicos dizem a Borkovec
que a preocupação os ajuda e se autoperpetua.
O hábito de preocupar-se é reforçante.
Há na preocupação, pelo menos para
o cérebro límbico primitivo, alguma coisa
de mágico. Como um amuleto que afasta um mal previsto,
a preocupação ganha psicologicamente o crédito
de prevenir o perigo com o que se está obcecado.
Enquanto as pessoas estão mergulhadas em tais pensamentos,
parecem não notar as sensações somáticas
da ansiedade que desencadeam o coração disparado,
as gotas de suor, os tremores e a medida que a preocupação
continua, na verdade parece eliminar parte dessa ansiedade,
pelo menos no que se reflete às batidas cardíacas.
Berkovec descobriu alguns passos simples que podem ajudar
mesmo o mais crônico preocupado a controlar o hábito.
O primeiro passo é a autoconsciência, pegar
os episódios preocupantes o mais perto do início
possível. As pessoas aprendem métodos de
relaxamento que podem aplicar nos momentos em que reconhecem
o início da preocupação. Os preocupados
também precisam contestar ativamente os pensamentos
preocupantes; sem isso, a espraival de preocupação
continuará voltando. Assim, o passo seguinte é assumir
uma posição crítica em relação às
suas suposições.
A combinação de atenção e saudável
ceticismo atuaria, como um freio na ativação
neural da preocupação a um nível de
baixa ansiedade. A geração ativa desses pensamentos
prepara os circuitos que inibem o impulso límbico
de preocupar-se; ao mesmo tempo, a indução
ativa de um estado de relaxamento contrabalança
os sinais de ansiedade que o cérebro emocional envia
para todo o corpo.
Para pessoas com preocupações tão
severas que se tornaram fobia, distúrbio obsessivo-compulsivo
ou de pânico, talvez seja prudente recorrer à medicação
para interromper o ciclo mas, contenção dos
circuitos emocionais por meio de terapia tornou-se necessário
posteriormente para reduzir a probabilidade de que os problemas
de ansiedade retornem quando se parar a medicação.
4.3) Como se realiza o controle emocional
A perturbação emocional pode ser apagada
da mente através de repressores, que são
atitudes que habitual e automaticamente podem funcionar.
Embora certas pessoas pareçam calmas e imperturbáveis, às
vezes fervilham de perturbações fisiológicas
que ignoram. O contínuo desligamento de emoções
como raiva ou ansiedade não é incomum: cerca
de uma pessoa em seis apresenta o padrão, segundo
Weinberger. Permanece a questão, claro, de saber
até onde eles são de fato calmos e controlados.
Podem realmente não ter consciência dos sinais
físicos de emoções aflitivas, ou simplesmente
fingem calma? A resposta a isso veio de uma pesquisa de
Richard Davidson. Seu estudo valeu-se do fato de que (nas
pessoas destras) um centro-chave para processar a emoção
negativa é a metade direita do cérebro, enquanto
que o centro da racionalidade fica na esquerda. Assim que
o hemisfério direito reconhece que uma palavra é perturbadora,
transmite essa informação pelo corpo caloso
para o centro da fala do lado esquerdo e uma resposta cognitiva é desencadeada.
Assim o controle diante duma reação emocional
inevitável aparece sempre em retardo até que
se passe a descoberta duma solução cognitiva
capaz de dar-lhe evasão. Usando um complexo dispositivo
de lentes, Davidson pôde mostrar uma palavra de modo
que fosse vista apenas na metade do campo visual, portanto
exposta só a uma metade do cérebro. Devido à projeção
cortical cruzada do sistema visual, se a exibição
era para a metade esquerda do campo visual, era reconhecida
primeiro pela metade direita do cérebro, com sua
sensibilidade à perturbação emocional.
Se era para a metade direita, o sinal ia para o lado esquerdo
do cérebro, sem ser percebido quanto à perturbação.
Quando as palavras eram apresentadas ao hemisfério
direito, havia um atraso no tempo que as pessoas imperturbáveis
levavam para processar uma resposta - mas apenas se a palavra
a que se submetiam era perturbadora. O atraso aparecia
apenas quando as palavras eram apresentadas ao hemisfério
direito, nada acarretando se eram apresentadas ao hemisfério
esquerdo. Em suma, a imperturbabilidade eles parece dever-se
a um mecanismo neural que torna mais lenta ou interfere
com a transferência da informação perturbadora
. A implicação é que eles não
estão fingindo sua falta de consciência de
como foram perturbados: o cérebro nega-lhes esta
informação,porque a reação
nem sempre é consciente, mas graças à preparação
anterior pode flexibilizar a resposta.
Essas pessoas, negam que a tensão as estejam perturbando,
e quando simplesmente em repouso, apresentam um padrão
de ativação frontal esquerda, associada com
sentimentos positivos. Essa atividade do cérebro
pode ser a chave das suas afirmações positivas,
apesar da subjacente estimulação fisiológica
da perturbação.
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