África
do Sul
Capital:
Cidade do Cabo (legislativa), Pretória (administrativa), Bloemfountein (judiciária).
Área:
1.223.201km².
População:
42,4 milhões de habitantes (1996).
Moeda:
rand
O regime de
segregação racial (apartheid) sul-africano, iniciado em 1948, termina
oficialmente com a primeira eleição multirracial do país, em 1994. No
entanto, deixa uma pesada herança no país, ainda marcado pelo "apartheid
social". O padrão de vida é bastante desigual quando se trata de brancos
e negros, e as taxas de criminalidade e de violência política continuam altas
entre os negros. Implementado em 1994 pelo governo de Nelson Mandela o Programa
de Reconstrução e Desenvolvimento tenta diversificar a economia, melhorar o
sistema de habitação e educação e reduzir o desemprego, cuja taxa era de 29%
da força de trabalho, em 1995.
A África do Sul
detém sozinha quase 50% da produção industrial do continente africano. Rico
em recursos minerais, o país é o maior produtor mundial de ouro. Possui também
grandes reservas de diamante, cromita, urânio, antimônio, platina e carvão.
Juntos esses minérios respondem por 60% das exportações e 10% do PIB do país.
O turismo é
parte importante da economia sul-africana e as maiores atrações são as
reservas de animais selvagens.
FATOS HISTÓRICOS
– Os europeus tomam contato com a região em 1487, quando o navegador português
Bartolomeu Dias contorna o Cabo da Boa Esperança. Ponto estratégico na rota
comercial para a Índia, e habitada por grupos negros de diversas etnias (bosquímanos,
khoi, xhosas, zulus), a região do Cabo começa a ser povoada por imigrantes
holandeses no século XVII. Lentamente, os colonos passam a considerar a região
como sua pátria e adotam uma língua própria, o africâner.
Guerra dos Bôeres
– Em 1806, os ingleses tomam a Cidade do Cabo e lutam, simultaneamente, contra
os nativos negros e os descendentes de holandeses (bôeres), com o objetivo de
se instalar na região. Os choques levam os bôeres a emigrar maciçamente para
o Nordeste (a Grande Jornada, em 1836), onde fundam duas repúblicas
independentes , o Transvaal e o Estado Livre de Orange.
A entrada de
colonos ingleses em Orange e no Transvaal provoca tensões que resultam na
Guerra dos Bôeres (1899-1902) e termina com a vitória dos ingleses. Os estados
bôeres são anexados pela Coroa britânica e, em 1910, juntam-se às colônias
do Cabo e de Natal para constituir a União Sul-Africana. A população bôer
passa a se chamar africâner.
Apartheid
– A partir de 1911, a minoria branca, composta de ingleses e africânders,
promulga uma série de leis com o objetivo de consolidar o seu poder sobre a
população, majoritariamente negra. Essa política de segregação racial
(apartheid, do africâner separação) é oficializada em 1948, com a chegada ao
poder do Partido Nacional (PN) – a força política dominante por mais de 40
anos.
O apartheid
impede o acesso dos negros à propriedade da terra, à participação política
e às profissões de melhor remuneração. Também obriga os negros a viver em
áreas separadas das zonas residenciais brancas. Os casamentos mistos e as relações
sexuais entre pessoas de raças diferentes tornam-se ilegais.
A oposição ao
regime do apartheid toma forma na década de 50, quando o Congresso Nacional
Africano (CNA), organização negra fundada em 1912, lança campanha de desobediência
civil. Em 1960, a polícia mata 67 negros que participavam de uma manifestação
liderada pelo CNA em Sharpeville, uma favela situada a 80 km de Johannesburgo. O
"massacre de Sharpeville" provoca marchas de protestos em todo o país.
Como conseqüência, o CNA é declarado ilegal. Seu líder, Nelson Mandela, é
preso em 1962 e depois condenado à prisão perpétua.
Bantustões
– Em 1961, a África do Sul obtém sua independência completa, após um
plebiscito que decide por sua saída da Comunidade Britânica. Nos governos dos
primeiros-ministros Hendrik Verwoerd (1958-1966) e B.J. Voster (1966-1978), a
política do apartheid agrava-se. Uma série de leis aprovadas nesse período
classifica e separa os negros em diversos grupos étnicos e lingüísticos,
gerando um processo que desemboca, em 1971, na criação dos bantustões – dez
nações tribais independentes, instaladas em uma área correspondente a 13% do
território sul-africano, onde os negros são confinados.
O domínio branco
começa a enfraquecer-se com o fim do império colonial português (1975) e a
queda do governo de minoria branca na Rodésia (atual Zimbábue), em 1980. Em
1984, uma revolta popular contra o apartheid leva o governo a decretar a Lei
Marcial. A comunidade internacional reage: vários países decretam sanções
econômicas como meio de pressão pelo fim do apartheid.
Acuado, o
presidente Pieter Botha promove reformas, mas mantém os aspectos essenciais do
apartheid. Os protestos prosseguem, sempre reprimidos com violência. No mundo
inteiro, ganha corpo um movimento pela libertação de Mandela.
Fim do
apartheid – Em 1987, o Partido Nacional perde votos entre os eleitores
brancos, tanto à direita (Partido Conservador, para quem o governo deveria ser
mais "duro" contra os negros) quanto à esquerda (Partido Democrático,
que queria acelerar as reformas). Mas as mudanças significativas teriam de
esperar até a posse de um novo presidente: Frederik de Klerk, que substitui
Botha em 1989. Em fevereiro de 1990, Mandela é libertado e o CNA recupera a
legalidade.
De Klerk revoga
leis racistas e inicia o diálogo com o CNA. Sua política, criticada pela
direita, é legitimada por um plebiscito só para brancos, realizado em 1992, em
que 69% dos votantes se pronunciam pelo fim do apartheid. Mas entre os negros
também há resistência às negociações. O Inkhata, organização zulu,
disputa com o CNA a representação política dos negros. O líder zulu,
Mangosuthu Buthelezi, acusa Mandela de "traição". A disputa
degenera, várias vezes, em sangrentos conflitos.
Eleições
multirraciais – Em 1993, inconformados com o avanço das reformas, líderes
de 21 grupos extremistas brancos fundam a Frente Nacional Africâner (FNA), ameaçando
criar um país independente no Transvaal. De Klerk, em resposta, convoca para
abril de 1994 as primeiras eleições para um governo multirracial de transição.
Em outubro de 1993, De Klerk e Mandela ganham o Prêmio Nobel da Paz.
A 27 de abril de
1994, em um pleito histórico, Nelson Mandela é eleito presidente pelo CNA. O
partido obtém 62,6% dos votos, conquistando 252 das 400 cadeiras da Assembléia
Nacional. O CNA junta-se ao Partido Nacional, do líder De Klerk, para formar o
governo de unidade nacional. Essa aliança possibilita o primeiro governo
multirracial do país.
No período entre
as eleições e o final de 1995, o Parlamento sul-africano aprova dois
importantes projetos. Em novembro de 1994, é a vez da Lei de Direitos sobre a
Terra, restituindo as propriedades às famílias negras atingidas pela lei de
1913, que reservava 87% do território sul-africano à minoria branca e proibia
os negros de possuir terras nessas áreas. Em junho de 1995, a Lei de Reconciliação
e Promoção da Unidade Nacional é aprovada. A Comissão de Reconciliação e
Verdade, estabelecida pela nova lei, investigará a era apartheid, podendo
anistiar crimes políticos e estabelecer compensações às vítimas.
Nova Constituição
– O ano de 1996 é marcado por mudanças no governo de unidade nacional. Em
março, a
do Sul ganha o
primeiro ministro das Finanças negro de sua história. Trevor Manuel, até então
ministro da Indústria, Comércio e Turismo, substitui Chris Liebenderg, que
renuncia por motivos pessoais. Mudança mais radical, no entanto, acontece em
maio, quando todos os ministros do Partido Nacional são substituídos por
simpatizantes do CNA como conseqüência da retirada do PN do governo de unidade
nacional. A decisão do partido de De Klerk foi motivada por não concordar com
alguns pontos da nova Constituição, aprovada em maio de 1996, e que substitui
a Carta provisória, instituída em 1994. O documento final diz que aqueles que
não possuem propriedade como resultado de leis raciais discriminatórias do
passado têm o direito à restituição destas ou a uma compensação. Institui
o direito à greve e garante ao estudante o direito à educação em sua própria
língua. A nova Constituição só entra em vigor em 1999.A Comissão de
Reconciliação e Verdade, presidida pelo arcebispo Desmond Tutu, abre sua sessão
inaugural a 15 de abril.