América
do Norte
1.INTRODUÇÃO
América
do Norte, subcontinente que compreende o Canadá, os Estados
Unidos e o México. Inclui também a Groenlândia, o departamento
francês de ultramar de Saint Pierre e Miquelon e a colônia
britânica de Bermudas. A América do Norte tem mais de 395
milhões de habitantes (segundo estimativas para 1997). Junto com
a América Central, as Antilhas e a América do Sul, forma o
continente americano. A definição de América do Norte algumas
vezes inclui também a América Central e as Antilhas.
2.AMBIENTE
NATURAL
Limita-se
ao norte com o oceano Ártico, ao leste com o oceano Atlântico,
ao sul com o golfo do México e o istmo de Tehuantepec e a oeste
com o oceano Pacífico. A superfície do continente é de
aproximadamente 23,5 milhões de km2. A América do Norte pode
ser dividida em cinco importantes regiões fisiográficas. A
metade oriental do Canadá, a maior parte da Groenlândia e
porções de Minnesota, Wisconsin, Michigan e Nova York nos
Estados Unidos fazem parte do Escudo Canadense. A segunda região
faz parte de uma planície costeira, que ocupa a maior parte do
leste dos Estados Unidos e do México. Nos Estados Unidos, a
planície costeira é limitada a oeste por uma terceira região,
que compreende a cordilheira formada principalmente pelos montes
Apalaches. A quarta região abrange a parte central do
continente, que vai do Canadá meridional até o sudoeste do
Texas e compreende uma extensa planície. A quinta região, que
é também a mais ocidental e engloba grande parte do México, é
uma área de orogenia ativa, formada por grandes cordilheiras
(montanhas Rochosas e sierra Madre), planaltos (planaltos do
Colorado e o planalto Mexicano) e bacias profundas (a Great
Basin). Dois importantes sistemas de drenagem o sistema
dos Grandes Lagos e o rio São Lourenço e o sistema dos rios
Mississippi e Missouri dominam a hidrografia da América do
Norte oriental e central. Do Canadá ocidental o rio Mackenzie
flui para o oceano Glacial Ártico. Em direção ao golfo do
México e ao mar das Antilhas correm os rios Bravo e Pánuco. No
Pacífico deságuam os rios Colorado, Sonora, Yaqui, Balsas,
Colúmbia, Fraser e Yukón. Embora a América do Norte possua uma
considerável variedade de climas, é possível identificar cinco
importantes regiões climáticas. Os dois-terços setentrionais
do Canadá e do Alasca, da mesma forma que toda a Groenlândia,
têm climas subártico e ártico. Uma segunda região climática
abrange os dois-terços orientais dos Estados Unidos e do Canadá
meridional. Essa região carateriza-se por um clima úmido em que
as quatro estações são muito diferenciadas. A terceira região
inclui o interior do oeste dos Estados Unidos e grande parte do
norte do México. A maior parte dessa zona é desértica e
montanhosa. A quarta região climática engloba uma estreita
região ao longo do oceano Pacífico que vai desde o Alasca
meridional até a Califórnia meridional. Tem invernos
relativamente temperados, mas úmidos, e verões quase secos. A
maior parte do sul do México possui clima tropical. A floresta
mais notável é a taiga, ou floresta boreal, uma enorme
extensão de árvores, em sua maioria coníferas, que cobre boa
parte do Canadá meridional e central e se estende até o Alasca.
No leste dos Estados Unidos, as florestas são mistas, dominadas
por árvores caducifólias. Na parte ocidental do continente, as
florestas estão associadas principalmente às cordilheiras
montanhosas e nelas predominam as coníferas. Na Califórnia, a
sequóia de madeira vermelha e a sequóia gigante são as
espécies mais importantes. As florestas tropicais do México
caraterizam-se por uma grande variedade de espécies. Destacam-se
os grandes mamíferos, como os ursos, o carneiro canadense, o
urso formigueiro, a jaguatirica, o veado, o bisão (que era
característico da fauna do norte do México e dos Estados
Unidos, e atualmente só se encontra em rebanhos protegidos), o
caribu, o alce americano, o boi almiscarado e o wapiti. Entre os
grandes carnívoros estão o puma, o jaguar (nas regiões mais
meridionais), o lobo e seu parente menor, o coiote, e, no extremo
norte, o urso polar. Os numerosos répteis, como a cobra coral,
as víboras, o monstro de Gila e o lagarto de contas, habitam o
sudoeste dos Estados Unidos e do México. A América do Norte
possui enormes jazidas de grande variedade de minerais, entre os
quais se destacam os seguintes: o petróleo e o gás natural no
Alasca meridional, no Canadá ocidental e no sul e oeste dos
Estados Unidos e do México oriental; grandes leitos de carvão
no leste e no oeste do Canadá e dos Estados Unidos; e as grandes
jazidas de minério de ferro do leste do Canadá, do norte de
Estados Unidos e do centro do México.
3.POPULAÇÃO
Com
exceção da zona central do México, os povos indígenas do
subcontinente viviam dispersos geograficamente. Os europeus
dizimaram-os e deslocaram-os. A maioria da população atual da
América do Norte é de ascendência européia. Pelo menos 35%
dos habitantes do Canadá são de ascendência britânica e cerca
de 4% são de origem francesa. A população dos Estados Unidos
de ascendência britânica ou irlandesa chega a 29% dos
habitantes. Os negros constituem cerca de 12%, os alemães 23%,
os hispanos 9% e os habitantes de origem asiática 2,9%. Os povos
indígenas americanos e os inuit (esquimós) representam um
contigente de cerca de 1,8 milhão nos Estados Unidos e de 400
mil no Canadá. Cerca de 55% da população mexicana é formada
por mestiços. Da população restante, 30% são de origem
indígena americana e 15% de origem européia. Em 1997, os
Estados Unidos tinham 271,6 milhões de habitantes, o México
94,3 milhões de habitantes, o Canadá 29,9 milhões de
habitantes e a Groenlândia (estimativas para 1995) 55.700
habitantes. A maior parte da população concentra-se na metade
oriental dos Estados Unidos e nas adjacências de Ontário e
Quebec, na costa do Pacífico dos Estados Unidos e no planalto
central do México. No geral, a densidade populacional da
América do Norte é moderada. No México é de 43 hab/km2, nos
Estados Unidos de 27,2 hab/km2 e de 2,6 hab/km2 no Canadá. O
inglês é a língua mais utilizada. A população hispânica dos
Estados Unidos fala espanhol. O francês é falado por um-quarto
da população canadense. Muitos dos povos indígenas dos Estados
Unidos, do Canadá e da Groenlândia utilizam suas línguas
tradicionais. O espanhol é a língua dominante no México.
Porém mais de cinco milhões de mexicanos falam línguas
indígenas.
4.ECONOMIA
A
agricultura tem uma importância maior no México do que nos
demais países da América do Norte e proporciona emprego a cerca
de 25% da população ativa. A agricultura de subsistência ainda
existe, principalmente no sul. A agricultura comercial
desenvolveu-se, sobretudo, na planície central e no norte do
país. Nos Estados Unidos e no Canadá, a agricultura é dominada
por fazendas mecanizadas, que produzem imensas quantidades de
produtos vegetais e animais. As Grandes Planícies do centro dos
Estados Unidos e as províncias da pradaria canadense (Alberta,
Manitoba, Saskatchewan) são importantes centros produtores
mundiais de cereais, sementes oleaginosas e gado. A agricultura
da Califórnia produz grande quantidade de culturas de
irrigação. A silvicultura é um dos setores básicos da
economia canadense. Importantes indústrias de produtos
florestais prosperam também nos estados do oeste e do sudeste
dos Estados Unidos. A pesca é a principal atividade econômica
da Groenlândia. Há muito que a indústria vem sendo o principal
setor econômico dos Estados Unidos. A maior concentração de
fábricas ocorre no cinturão industrial que se estende de Boston
a Chicago. Essa atividade econômica também é importante no
Canadá e concentra-se nas cidades de Ontário, Quebec, Colúmbia
Britânica e Alberta e atualmente é uma atividade em franco
desenvolvimento na economia mexicana. Os Estados Unidos, o
Canadá e o México são parceiros comerciais graças ao Acordo
de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que entrou em
vigor em 1994, determinando a eliminação das barreiras
comerciais entre esses três países.
5.HISTÓRIA
A
ocupação humana da América do Norte começou no período
quaternário, talvez há cerca de 50.000 anos. Provavelmente,
povos de raça mongolóide alcançaram o subcontinente a partir
da Ásia. Eric, o Vermelho, explorou e colonizou a Groenlândia.
Depois, Leif Eriksson desembarcou em algum lugar situado entre
Labrador e Nova Inglaterra. As explorações européias da
América do Norte adquiriram importância com a viagem realizada
em 1492 por Cristóvão Colombo. Em 1497, Giovanni Caboto,
navegante a serviço da Inglaterra, percorreu as costas de
Labrador, Terra Nova e Nova Inglaterra. Em 1519, Hernán Cortés
chegou ao México e conquistou a região. O êxito surpreendente
da ocupação deveu-se, em grande parte, às lutas que dividiam
os povos indígenas. A divisão interna era especialmente grave
no império asteca, que dominava com mão de ferro as outras
etnias do centro do México. Os maias, outro grande povo
mexicano, não foram capazes de oferecer uma resistência efetiva
aos espanhóis, que os encontraram já em plena decadência. As
colônias criadas pelos espanhóis na área do México
agruparam-se no Vice-reinado da Nova Espanha. As autoridades
espanholas completaram a conquista do México e ocuparam grandes
áreas agora situadas ao sul dos Estados Unidos. A França
explorou e colonizou o continente desde o Canadá até o sul. Em
1524, Giovanni da Verrazano, a serviço da França, percorreu a
costa norte-americana desde o cabo Fear até o cabo Breton. O
explorador francês Jacques Cartier explorou o rio São
Lourenço. Em 1682, Robert Cavalier e Henri de Tonty navegaram
pelo Mississippi e reclamaram a posse de todos os territórios
banhados por esse rio. A coroa inglesa reivindicou os seus
direitos sobre América do Norte com base na viagem de Cabot, mas
durante quase um século não fez qualquer tentativa de
colonização. Depois de 1607, os ingleses colonizaram
progressivamente todo o litoral Atlântico entre a colônia
francesa da Acádia e a espanhola da Flórida. Os principais
assentamentos franceses fixaram-se no Canadá e próximo da
desembocadura do Mississippi. As possessões inglesas consistiam
em 13 colônias que se estendiam ao longo do litoral Atlântico.
Como conseqüência de suas tentativas de expansão para o oeste,
os ingleses acabaram entrando em conflito com os franceses. Em
1689, as duas potências começaram uma luta pela supremacia
militar e colonial. Depois de quatro guerras, os franceses
capitularam e cederam à Grã-Bretanha todas as suas possessões
no Canadá e também a parte da Louisiana ao leste do
Mississippi. A Guerra da Independência Norte-americana
(1776-1783) fez nascer os Estados Unidos da América. O êxito
das Treze Colônias em sua independência da Inglaterra teve
repercussões nas colônias espanholas da América. O México
tornou-se independente em 1821. No final do século XIX e início
do XX, o Canadá também obteve total autonomia da Grã-Bretanha.
A expansão territorial dos Estados Unidos foi marcada por uma
guerra impiedosa contra os povos indígenas, que resistiram à
invasão de suas terras. Não foram somente os conflitos armados
que dominaram esses povos, mas também a assimilação pela
força e a expropriação de suas terras. Nos Estados Unidos e no
Canadá, a maioria dos povos indígenas americanos continuam
vivendo em reservas. Além da compra de territórios contíguos,
os Estados Unidos obtiveram outras regiões das Américas do
Norte e Central: o Alasca, Porto Rico, a zona do Canal de Panamá
e as ilhas Virgens norte-americanas. A hegemonia que os Estados
Unidos exercem no subcontinente começou em 1823 com a Doutrina
Monroe (América para os americanos), ainda que na
prática ela não se aplicasse a América do Sul até depois da I
Guerra Mundial. O único conflito sério depois da independência
foi a Guerra México-Estados Unidos, na qual o primeiro perdeu
metade do seu território. Durante o século XX, a tendência à
hegemonia norte-americana, sob a forma de amizade mútua entre as
nações americanas, tomou forma em 1910 com o estabelecimento da
União Pan-americana. Em 1948 nasceu a Organização dos Estados
Americanos, para executar o tratado do Rio de Janeiro e como
sistema de segurança coletivo. As relações entre os Estados
Unidos e o Canadá têm sido amistosas e cooperativas, desde a
Guerra de 1812.