Austrália
1.INTRODUÇÃO
Austrália,
considerada algumas vezes como um continente insular, localizada
entre os oceanos Índico e Pacífico, formando com a Tasmânia, a
Commonwealth da Austrália. Limita-se ao norte com o mar de
Timor, o mar de Arafura e o estreito de Torres, a leste com o mar
de Coral e o mar da Tasmânia, ao sul com o estreito de Bass e o
oceano Índico e a oeste com o oceano Índico. Tem
7.682.300 km2. A capital é Canberra.
2.TERRITÓRIO
E RECURSOS
A
Austrália é, com exceção da Antártida, o continente mais
plano e seco que existe. Seu interior é formado por planícies e
por um planalto. A leste, as planícies costeiras, estão
separadas do interior pela Grande Cordilheira Divisória que é
formada pelas Blue Mountains e pelos Alpes australianos. A
Tasmânia está separada do continente pelo estreito de Bass. O
Escudo Australiano Ocidental ocupa mais da metade do continente,
onde se encontram a Terra de Arnhem, o Grande Deserto de Areia, o
Deserto Gibson, o Grande Deserto Victoria e a planície
Nullarbor. Entre o Escudo Australiano Ocidental e a Grande
Cordilheira Divisória se estende a Grande Bacia Artesiana, uma
extensa planície que é uma das mais produtivas da Austrália. A
Grande Barreira de Coral, patrimônio mundial, é o maior recife
de coral do mundo. (Ver Parque nacional de Kosciusko; Parque
nacional de Uluru). Dois terços da Austrália são constituídos
por áreas desérticas ou semi-desérticas. A oeste da Grande
Cordilheira Divisória, encontra-se o rio Murray com seus
afluentes Darling e Murrumbidgee, o sistema fluvial mais
importante da Austrália. Os lagos são salinos, remanescentes de
um vasto mar interior. Embora o clima varie de tropical
(monções) ao norte, para frio e temperado na Tasmânia, na
maior parte do país registra-se um clima seco e quente. Mais de
dois terços do continente, no centro e no oeste recebem menos de
500mm de chuva ao ano. Apenas 10%, no norte e na Tasmânia,
recebem mais de 1.000mm de chuva por ano. Das 22 mil espécies da
flora australiana mais de 90% são autóctones e muitas delas
endêmicas. Sua vegetação varia de uma densa região de
arbustos e de bosques de eucalipto na costa, até uma vegetação
espinhosa de mulga e mallee, além dos arbustos das planícies do
interior. Existem três zonas características: a zona tropical,
com clima de monções e altas temperaturas, com predominância
de árvores caducifólias; a zona temperada se caracteriza por
possuir árvores esclerófilas temperadas de savana, florestas
pluviais temperadas e vegetação alpina nas zonas montanhosas de
pináceas; e na zona desértica, pastagens semi-áridas e
esclerófilas, além de vastas áreas carentes de vegetação.
Acredita-se que a Austrália tenha até 300 mil espécies de
animais, das quais apenas 100 mil foram classificadas. Muitas
delas são autóctones. Os únicos mamíferos ovíparos, os
monotremados, são originários da Austrália. Os mamíferos mais
comuns são os marsupiais (cangurus, coalas e o
diabo-da-tasmânia, entre outros). Há também crocodilos,
sáurios, inúmeras variedades de serpentes venenosas e várias
espécies de baleias e de tubarões. Das espécies trazidas do
exterior, o coelho europeu é o que mais dano tem causado. Desde
a chegada dos europeus já desapareceram muitas espécies.
3.POPULAÇÃO
E GOVERNO
Os
aborígenes da Austrália e os ilhéus do estreito de Torres
constituem 1,5% da população; quase 94% são de origem
européia. O inglês é a língua oficial, sendo também faladas
línguas aborígenes. Em 1993, a população da Austrália era de
17. 827.204 habitantes. A densidade é de pouco mais de
2 hab/km2. Suas cidades são muito extensas. As mais
importantes são: Sydney, com 3.719.000 habitantes em 1993,
Melbourne com 3.187.500 habitantes, Brisbane com 1.421.700
habitantes e Canberra, com 303.836 habitantes, construída para
ser a capital nacional. A maior parte da população é cristã;
existem também pequenas comunidades de judeus, budistas e
muçulmanos. A Austrália é uma democracia federal parlamentar,
um estado independente e membro da Commonwealth. A Constituição
entrou em vigor em 1901, elaborada com base na tradição
parlamentar britânica mas incluindo elementos do sistema
americano. O chefe de Estado é o soberano britânico,
representado por um governador geral. Um dos assuntos gerais de
maior transcendência nos últimos anos tem sido o direito às
terras dos aborígenes. Em 1985, formulou-se uma série de
propostas de lei para conceder aos aborígenes o livre direito
aos parques nacionais, às terras da coroa que não estão
ocupadas e às antigas reservas aborígenes. Em 1993, o governo
promulgou uma Lei de Direitos Territoriais Aborígines que
permite à população nativa reivindicar até 10% das terras da
Austrália.
4.ECONOMIA
Em 1994, o
produto interno bruto era de 332,6 bilhões de dólares. A
agricultura e os minérios desempenham um papel essencial na
Austrália, que é um importante exportador de trigo, carne,
leite e lã. O setor industrial cresceu vertiginosamente desde
1940 e o setor de serviços, no começo da década de 1990,
contribuiu com mais de 60% do produto interno. Embora o setor
agrícola não tenha hoje muita importância, o futuro do país
continua dependendo do setor pecuário e dos cultivos. A
Austrália é o maior país produtor e exportador de lã do mundo
e a criação de gado tem também grande relevância. A
agricultura é altamente mecanizada, destacando-se a forragem,
cereais, sementes oleaginosas, tabaco e muitas frutas. Até fins
da década de 1970 a caça da baleia teve grande importância mas
o país abandonou essa prática ao aderir ao acordo sobre a
conservação dos cetáceos. A indústria de mineração foi um
dos fatores essenciais de crescimento econômico do país. A
Austrália é rica em minerais como a bauxita, carvão
betuminoso, ferro, níquel, ouro, chumbo, zinco, prata, linhito,
petróleo e gás natural. Das jazidas de gemas, as mais famosas
são as de opala. As enormes jazidas de diamantes descobertas em
1979 tornaram a Austrália um dos primeiros fornecedores quanto
à quantidade e o sexto quanto ao valor. Destacam-se também o
topázio e a safira. Possui algumas das maiores reservas de
urânio do mundo e as reservas de carvão também são
consideráveis. Contribui com 12% da produção aurífera
mundial. Sydney, Newcastle, Victoria e sobretudo a área
metropolitana de Melbourne são os maiores centros industriais. O
turismo cresceu consideravelmente a partir de 1970,
principalmente graças ao aumento do mercado japonês e à
diminuição das tarifas aéreas internacionais. O turismo é um
dos setores mais dinâmicos da economia da Austrália. Sua moeda
é o dólar australiano.
5.HISTÓRIA
Há cerca
de 40 a 60 mil anos os aborígines chegaram à Austrália,
provenientes da Ásia. A partir do século XVI, diversos
navegantes atravessaram o Pacífico sul na esperança de
encontrar a Terra Australis. Embora tenha sido um holandês,
William Jansz, quem em 1606 navegou até o estreito de Torres e
avistou parte da costa australiana, não foram os holandeses que
colonizaram o território. Foram as três viagens realizadas pelo
capitão inglês James Cook que concretizaram as pretensões
britânicas no continente. A costa australiana não foi
completamente explorada até o século XIX. Matthew Flinders foi
o primeiro que, de 1801 a 1803, navegou ao redor do continente.
Em 1786, o governo britânico anunciou a sua intenção de fundar
uma colônia penitenciária na costa do sudeste de Nova Gales do
Sul. Em 1788, foi criada a primeira colônia européia de Sydney,
um dos melhores portos naturais do mundo. Os principais problemas
dos colonizadores eram o fornecimento de alimentos, o
desenvolvimento de um sistema econômico interno e a produção
de artigos para exportação, para que pudessem pagar os produtos
importados da Grã-Bretanha. Teve início a criação de ovelhas
merinas e o pastoreio foi se tornando a atividade econômica mais
importante. Com a chegada dos europeus, os aborígines foram
expulsos das terras costeiras mais férteis e se dirigiram ao
interior. Seus esforços de resistência acabaram em uma
"pacificação pela força" na qual muitos morreram.
Lachlan Macquarie foi governador de 1809 a 1821, iniciou um
extenso programa de obras públicas, empregando antigos
convictos. Com a chegada de mais colonos livres, aumentou a
demanda de terras cultiváveis nas quais o crescente número de
convictos poderia trabalhar recebendo salário diário. Em 1825,
o governo britânico independizou da Austrália a colônia da
Terra de Van Diemen (cujo nome mudaria em 1857 para Tasmânia).
Em 1852, o transporte de presos para a Austrália oriental foi
abolido. Até esse momento tinham sido enviados para lá 150.000
pessoas, das quais aproximadamente 20% eram mulheres, em grande
parte irlandesas. Uma minoria de convictos pertencia às classes
médias instruídas; com freqüência lhes era permitido utilizar
seus conhecimentos para os negócios e para os cargos
governamentais. Entre as décadas de 1820 e 1880, formaram-se as
colônias que com o passar do tempo converteram-se em estados
australianos. A criação pecuária e de ovelhas se estendeu no
interior do país, ao mesmo tempo que foram descobertos o ouro e
outros minerais. Em 1850, as colônias orientais receberam novas
constituições que as tornavam responsáveis pelo seu próprio
governo. Victoria, Austrália Meridional e a Terra de Van Diemen
ganharam conselhos legislativos. Gales do Sul já tinha
conseguido esse mesmo estatuto em 1842. Em 1860, foi estabelecido
o voto universal da população masculina adulta. Desde 1851,
quando foi descoberto ouro no centro-oeste de Nova Gales do Sul,
um grande número de pessoas chegou a essa região. Os imigrantes
concentraram-se em Victoria, Mount Alexander, Ballarat e Bendigo.
Britânicos, norte-americanos e canadenses uniram-se aos
imigrantes nas suas colônias do leste. Ao mesmo tempo, num
processo que começou com a fundação dos assentamentos na Terra
de Van Diemen, comunidades aborígines foram destruídas em
grande escala. A destruição da cultura aborígine costumava ser
acompanhada por práticas segregacionistas que acabavam agrupando
os aborígines em reservas. No século XX, várias comunidades
foram confinadas nas reservas do Território do Norte, Queensland
e de Nova Gales do Sul. Na década de 1850, foi criada a Liga
Australiana em favor da unificação da Austrália. Em 1883,
Queensland reclamou Papua, na Nova Guiné. As colônias
australianas criaram um Conselho Federal em 1885, do qual Gales
do Sul recusou-se a fazer parte e começou um movimento para
substituir o Conselho Federal. Em 1901, a Commonwealth da
Austrália foi criada e, em 1911, Canberra tornou-se a capital
federal. Os governos impuseram taxas para os produtos importados
no intuito de potencializar o desenvolvimento interno,
estabelecendo um salário mínimo para o setor industrial e
mantendo uma política de imigração só para brancos. A
I Guerra Mundial beneficiou economicamente a Austrália,
principalmente as indústrias têxtil, de produção de veículos
e a produção de ferro e de aço. Com o término da guerra,
ganhou a Nova Guiné e começou a fazer parte da Sociedade das
Nações. Na II Guerra Mundial, serviu como base de
operações das tropas dos Estados Unidos quando, em 1941,
explodiu a guerra no Pacífico entre o Japão e os Estados
Unidos. Em 1945, a Austrália concordou com a descolonização
das ilhas do Pacífico, preparando a independência de Papua-Nova
Guiné finalmente obtida em 1975. A Austrália manteve sua
aliança com os Estados Unidos, lutou na guerra da Coréia,
participou da Organização do Tratado do Sudeste Asiático
(SEATO) e lutou na guerra do Vietnã como aliado. No âmbito
político, o Partido Liberal, o Partido Nacional e o Partido
Trabalhista têm se alternado no poder e desde 1984 este último
ganhou todas as eleições, até 1996. Nesse ano, uma aliança
dos liberais com os nacionalistas, tendo à frente John Howard,
derrotou os trabalhistas. Essa vitória foi ratificada nas
eleições parlamentares de 1998, quando a coalizão de
centro-direita obteve uma maioria de 76 deputados, na Câmara de
Representantes que tem 148 cadeiras. Os trabalhistas e
independentes conseguiram a maioria no Senado de 76 membros, mas
isso não impediu que John Howard continuasse no cargo de
primeiro-ministro.