China
1.INTRODUÇÃO
China,
país do Extremo Oriente asiático, terceiro maior do mundo em
superfície e o maior em população. Limita-se ao norte com a
República da Mongólia e com a Rússia, a nordeste com a Coréia
do Norte, a leste com o mar Amarelo e o mar da China Oriental, ao
sul com o mar da China Meridional, o Vietnã, Laos, Myanmar
(ex-Birmânia), a Índia, o Butão e o Nepal, a oeste com o
Paquistão e o Tadjiquistão e a noroeste com o Quirguistão e o
Cazaquistão. Conta com mais de 3.400 ilhas costeiras, sendo
Hainan a maior delas. A superfície é de 9.571.300 km2, sem
contar Taiwan. A capital é Pequim e a maior cidade é
Xangai.Mais de uma quinta parte da população mundial vive
dentro de suas fronteiras. A ascensão do governo comunista, em
1949, é um dos fatos mais importantes de sua história. Desde o
final da década de 1970, saiu de seu isolamento em relação à
comunidade internacional e procurou modernizar sua estrutura
econômica.
2.TERRITÓRIO
Compreende
grande diversidade de paisagens. Em termos gerais, os pontos mais
altos da China encontram-se no oeste, onde se acham algumas das
cadeias montanhosas mais elevadas do mundo. Três delas, Tien
Shan, Kunlun e Tsinling, datam da era paleozóica (ver Geologia).
A quarta, o Himalaia, formou-se durante o período oligoceno. No
período quaternário, a atividade tectônica manifestou-se sob a
forma de devastadores terremotos. A China pode ser dividida em
seis grandes regiões geográficas, cada uma delas dotada de
considerável diversidade geomorfológica e topográfica. O
noroeste é constituído de duas bacias, a de Dzungaria (Junggar
Pendi) no norte e a de Tarim He, no sul, com o deserto de Takla
Makan (Taklimakan Shamo) e os montes Tien Shan. As zonas
fronteiriças mongólicas, situadas na parte centro setentrional,
são uma região de mesetas, formada sobretudo por desertos que
em direção ao norte se transformam em estepes. O nordeste
compreende toda a região de Dongbei Pingyuan, chamada pelos
japoneses de Manchúria, nome com que passou a ser mais
conhecida. O norte da China, situado entre as zonas fronteiriças
mongólicas ao norte e a bacia do rio Yang-tsé ao sul, é
formado por várias unidades de relevo distintas: a meseta do
noroeste, a planície norte, as terras altas de Shandong e as
montanhas centrais. A quinta região, o sul da China, é formada
pelo vale do Yang-tsé e por outras zonas como a depressão do
Sichuan, as terras altas do sul, o planalto de Yunnan-Guizhou, a
depressão Chihchiang e a planície deltaica do Zhoushan (rio das
Pérolas), conhecida comumente como delta de Cantão. Finalmente,
a meseta tibetana é a mais elevada do mundo, com altura média
de 4.510 m. As cadeias montanhosas que a rodeiam são o
Himalaia ao sul, Pamir e Karakoram a oeste, e o Kunlun Shan e o
Qilian Shan ao norte. Constitui a nascente do Indo, do Ganges, do
Brahmaputra, do Mekong e do Huang He. O maior rio é o Yang-tsé,
que é também o mais longo da Ásia e o terceiro do mundo.
Apenas o Amazonas e o Nilo o ultrapassam em extensão. Chamado
também de rio Azul, percorre 6.300 km de oeste para leste,
cortando a China em duas partes. Sua vazão é de 29 mil m3/s e
de 60 mil, em período de enchente. Avalia-se que a população
ribeirinha é de 200 milhões de habitantes, mas sua bacia cobre
uma superfície equivalente a um quinto da China e reúne um
terço da população chinesa. O Amur (Heilong Jiang) é o mais
importante da Manchúria, continuando na Sibéria, enquanto o
principal rio do norte é o Huang He ou Amarelo. Os trechos retos
inferiores do Chihchiang são o sistema fluvial mais importante
do sul. Prevalece o clima temperado; também há regiões
desérticas e semi-áridas no interior ocidental e uma pequena
área de clima tropical no sudeste. Por conta de sua altitude, a
meseta tibetana possui clima de montanha. A monção exerce o
controle primário sobre o clima.
3.POPULAÇÃO
E GOVERNO
A
população é aproximadamente 93% de etnia chinesa ou han. Os
chineses pertencem ao grupo mongolóide. Mais de 70 milhões de
pessoas compõem as 56 minorias nacionais. A maior parte desses
grupos distingue-se dos chineses pelo idioma ou pela religião,
mais do que por suas características étnicas. As principais
minorias são os zhuang, relacionados com os tai (14,6 milhões),
os hui ou chineses muçulmanos (7,9 milhões), os uigur de idioma
turco (6,5 milhões), os aborígenes miao (5,5 milhões) e os
mongóis (3,7 milhões). Tem uma população (1993) de
1.177.584.537 habitantes, com uma densidade de 123 hab/km2,
embora a distribuição geográfica seja muito desigual. A
migração espontânea do campo para as cidades foi proibida
desde meados da década de 1950 até 1978. Em 1991, havia 40
cidades com mais de um milhão de habitantes. As principais são:
Xangai (segundo estimativas para 1992), 7.860.000 habitantes;
Pequim (1992), 7 milhões de habitantes; Tianjin, 5.090.000
habitantes; Shenyang, 4.540.000 habitantes; Wuhan, 3.750.000
habitantes e Cantão, 3.580.000 habitantes, estas últimas de
acordo com estimativas para 1991. O idioma oficial é o putonghua
(fala corrente), conhecido pelos ocidentais como mandarim. Os
mais de 70 milhões de membros das minorias têm seus próprios
idiomas falados, entre os quais se encontram o mongol, o
tibetano, o miao, o tai, o uigur e o cazaque. O dialeto mandarim
é o que se ensina nas escolas, geralmente como segundo idioma
(ver Língua chinesa). Desde 1949, foi eliminada oficialmente a
religião. Antes, as religiões dominantes eram o confucionismo,
o taoísmo e o budismo. Nos últimos anos as restrições às
atividades religiosas foram suavizadas, permitindo inclusive a
manifestação da pequena minoria cristã. Pela constituição de
1982, a China é governada por uma ditadura do proletariado,
liderada pelo Partido Comunista. Na prática, o Partido Comunista
conduz a atividade política nacional. O presidente é eleito
pelo Congresso Nacional Popular, embora o cargo seja
principalmente honorário. Os poderes executivos residem no
Conselho de Estado, comandado pelo primeiro ministro. Os cargos
de maior autoridade no governo são os de primeiro ministro e
secretário geral do Partido Comunista. O Congresso Nacional
Popular é o órgão máximo do poder estatal.
4.ECONOMIA
Após a
instauração do comunismo, no primeiro plano qüinqüenal
(1953-1957), 92% da população agrícola era organizada em
pequenas cooperativas. O segundo plano qüinqüenal foi
introduzido em 1958 e o regime se encaminhou para seu
grande salto adiante, que se caracterizou pelos
grandes investimentos na indústria pesada. O terceiro plano
qüinqüenal começou em 1966, mas tanto a produção agrícola
como a industrial haviam sido restringidas pelos efeitos da
Revolução Cultural. Um quinto programa começou em 1976, mas
foi interrompido em 1978, quando foi lançado o programa das
quatro modernizações: agricultura, indústria,
defesa nacional e ciência e tecnologia. O produto nacional bruto
(1992) é de aproximadamente 434 bilhões de dólares, perto de
370 dólares per capita. A agricultura era, e continua sendo o
setor mais importante da economia. A superfície irrigada é
maior do que a de qualquer outro país. Em torno de 1979, a
população rural havia se organizado em perto de 52 mil comunas
populares. No início da década de 1980, o sistema de comunas e
as brigadas de produção se desmantelaram e as famílias se
transformaram na principal unidade de produção agrícola. Cerca
de 80% das áreas semeadas referem-se a cultivos de produtos
alimentícios. O mais importante é o arroz, seguido do trigo. As
sementes oleaginosas (principalmente a soja) têm papel
destacado, por proporcionar óleos comestíveis e industriais e
parte importante das exportações. É um dos principais
produtores mundiais de amendoim. O chá é outro cultivo
comercial tradicional, concorrendo com mais de 20% do
abastecimento mundial. Possui, além disso, grandes rebanhos de
gado. A piscicultura de água doce é importante e o governo
estimulou o desenvolvimento de áreas de pesca. A indústria
siderúrgica recebeu tratamento prioritário desde 1949. Entre as
indústrias pesadas, destacam-se os estaleiros e as destinadas à
fabricação de locomotivas, material rodante, tratores e
maquinaria. Também é importante a indústria petroquímica e a
indústria têxtil é a maior do mundo. Possui ricos recursos
minerais. A indústria da mineração de carvão é a maior do
mundo e é um dos maiores produtores mundiais de petróleo.
Também se extraem em quantidades importantes minério de ferro,
sal, magnesita, fosfatos, bauxita, enxofre e zinco, entre outros.
A unidade monetária é o iuan.
5.HISTÓRIA
De acordo
com a tradição, o povo chinês originou-se no vale do Huang He
ou rio Amarelo. As provas arqueológicas são escassas, embora
tivessem sido encontrados, perto de Pequim, restos do Homo
erectus, que datam de 460mil anos, e que receberam o nome de
Sinanthropus pekinensis. Há provas fidedignas da existência de
duas culturas com cerâmica, a cultura de Yangshao (3950?-1700
a.C.) e a cultura de Long-Shan (2000?-1850 a.C.). Diz a
tradição que os Hia (1994-1766 a.C.) foram a primeira dinastia
chinesa hereditária, embora a primeira de que se tenha
evidências históricas seja a Chang. A dinastia Chang (1766-1027
a.C.) governou no centro e no norte da atual China. A capital era
situada em Anyang, perto da fronteira norte. A economia era
baseada na agricultura; praticavam a metalurgia e o artesanato. A
sociedade era aristocrática; à frente, sobressaía o rei, que
liderava uma nobreza militar. Adoravam seus antepassados e uma
profusão de deuses. O último monarca Chang foi expulso por um
dirigente Chou, de um estado no vale do rio Wei. Durante a
dinastia Chou (1122-256 a.C.), a civilização chinesa foi-se
estendendo gradualmente em direção ao norte. A grande expansão
do território tornou impossível o controle direto e a
responsabilidade foi delegada a senhores feudais, cada um deles
encarregado de governar uma cidade murada e seu entorno. Com o
tempo, esses estados dependentes foram-se tornando cada vez mais
autônomos. A sociedade era organizada em torno da produção
agrícola. Os reis Chou mantiveram um controle efetivo sobre seus
domínios até que, em 770 a.C., alguns estados se rebelaram e
junto com invasores nômades do norte expulsaram os soberanos de
sua capital. Posteriormente, os Chou fundaram nova capital, em
direção ao leste, em Luoyang. Do século VIII ao III a.C.,
ocorreram um rápido crescimento econômico e uma profunda
mudança social, num contexto de instabilidade política extrema
e um estado de guerra quase incessante. Os estados situados nas
fronteiras exteriores da área cultural chinesa expandiram-se à
custa de seus vizinhos não chineses, menos avançados. Durante
os séculos VII e VI a.C., houve breves períodos de
estabilidade, decorrentes da organização de alianças entre os
poderosos estados periféricos, sob a hegemonia do membro mais
forte. No entanto, por volta do século V a.C., o sistema de
alianças era insustentável e a China dos Chou caminhou para o
chamado período dos Reinos Combatentes (481-221 a.C.),
caracterizado pela anarquia. A resposta intelectual à extrema
instabilidade e insegurança política produziu as fórmulas
filosóficas que moldaram o crescimento do Estado e da
civilização chineses durante os dois milênios seguintes. O
mais antigo e mais influente filósofo do período foi Kongfuci,
Confúcio. As doutrinas do taoísmo, a segunda grande escola
filosófica existente nesse período, são atribuídas à figura
semi-histórica de Lao-Tse e aos trabalhos de Tchuang-Tse. Uma
terceira escola de pensamento que floresceu nesse período e
exerceu influência duradoura sobre a civilização chinesa foi o
legalismo, que pregava o estabelecimento de uma ordem social
baseada em leis estritas e impessoais. Para reforçar esse
sistema, batia-se pelo estabelecimento de um Estado no qual o
soberano tivesse autoridade incontestável. Os legalistas
pregavam a socialização do capital, o estabelecimento do
monopólio governamental e outras medidas econômicas para
enriquecer o Estado, reforçar seu poder militar e centralizar o
controle administrativo. Durante o século IV a.C., o reino de
Qin, um dos estados periféricos emergentes do noroeste,
dedicou-se a um programa de reformas, seguindo as doutrinas
legalistas. Ao mesmo tempo, o poder dos Chou entrou em colapso em
256 a.C. O rei de Qin se autoproclamou primeiro imperador da
dinastia Qin (221-206 a.C.). O nome China deriva dessa dinastia.
O imperador unificou os estados feudais em um império
administrativamente centralizado e culturalmente unificado.
Aboliram-se as aristocracias hereditárias e seus territórios
foram divididos em províncias governadas por burocratas nomeados
pelo imperador. A capital de Qin transformou-se na primeira sede
da China imperial. O primeiro imperador estendeu as fronteiras
exteriores: no, sul até o delta do rio Vermelho; no sudoeste,
dominou as atuais províncias de Yunnan, Guizhou y Sichuan; no
noroeste, chegou a Lanzhou, na atual província de Gansu, e, no
nordeste, a um setor do que hoje é a Coréia. A dinastia Qin
concluiu a Grande Muralha chinesa. O peso crescente dos impostos,
o serviço militar e os trabalhos forçados criaram profundo
ressentimento contra a dinastia Qin entre as classes populares,
enquanto as classes intelectuais estavam ofendidas pela política
governamental de controle do pensamento. Após uma luta pelo
poder que mutilou a administração central, o povo levantou-se
em rebelião. Liu Bang (ver Li Yuan) autoproclamou-se imperador
em 206 a.C. A dinastia Han (206 a.C.-9 d.C.), fundada por ele,
seria a mais duradoura da era imperial. Os Han estabeleceram seu
governo sobre a base unificada dos Qin, modificando a política
que havia provocado sua derrocada. Uma das contribuições mais
importantes desta dinastia foi o estabelecimento do confucionismo
como ideologia oficial; no entanto, os Han incorporaram ao
confucionismo idéias de muitas outras escolas filosóficas,
além de superstições. Os primitivos Han alcançaram o auge de
seu poder sob o imperador Wu (reinou de 140 a.C. a
87 a.C). A autoridade chinesa estabeleceu-se ao sul da
Manchúria e ao norte da Coréia; no oeste, penetraram no atual
território do Cazaquistão; no sul, a ilha de Hainan passou ao
controle Han e colônias foram fundadas ao redor do delta do
Chihchiang, em Anam e na Coréia. As políticas expansionistas
consumiram os excedentes econômicos e os impostos foram
aumentados, reaparecendo os monopólios estatais. As dissensões
e a incompetência debilitaram o governo imperial. As
sublevações no campo refletiram o descontentamento popular.
Durante este período de desordens, Wang Mang estabeleceu-se no
poder, fundando a efêmera dinastia Qin (9-23 d.C.).
Nacionalizaram toda a terra e a redistribuíram entre os
agricultores, aboliu-se a escravatura e reforçaram-se os
monopólios imperais sobre o sal, o ferro e a moeda. A
resistência das poderosas classes proprietárias de terra foi
tão dura que fez revogar a legislação sobre a terra. A crise
agrária intensificou-se e a situação se deteriorou. No norte,
eclodiu uma rebelião camponesa e as grandes famílias
proprietárias de terra uniram-se a eles, reinstaurando a
dinastia Han. A debilidade administrativa e a ineficácia
dominaram a última dinastia Han ou oriental (25-220). Entre 168
e 170, surgiu o conflito entre os eunucos e os burocratas e
aconteceram duas grandes rebeliões, lideradas por grupos
taoístas, em 184 e 215. A dinastia Han começou a se dividir
quando as grandes famílias latifundiárias criaram seus
próprios exércitos privados. Em 220, Cao Pei fundou a dinastia
e reino Wei (220-265), nas províncias do norte. A dinastia Shu
Han (221-263) firmou-se no sudoeste e a dinastia Wu (222-280) no
sudeste. Os três reinos sustentaram incessantes guerras entre
si. Em 265, Sima Yang usurpou o trono e estabeleceu a dinastia
dos Ts'ins (265-317) no norte. Em torno de 280, havia reunificado
o norte e o sul sob seu mandato. No entanto, pouco depois da
morte de Sima, em 290, o Império começou a ruir. As tribos não
chinesas do norte aproveitaram a debilidade do governo para
estender-se pelo norte. As invasões começaram em 304 e, até
mais ou menos 317, os hiung-nus (provavelmente os mesmos
hunoshaviam arrebatado à dinastia dos Ts'ins o norte da China.
Durante quase três séculos este território foi governado por
várias dinastias não chinesas, enquanto no sul o mesmo era
feito por uma sucessão de quatro dinastias chinesas. Nenhuma das
dinastias invasoras foi capaz de estender seu controle sobre a
totalidade da planície do norte até 420, quando o feito coube
à dinastia Bei Wei (ou Bei do Norte, 386-534). A China foi
reunificada sob a dinastia Suei (581-618), que restabeleceu o
sistema administrativo centralizado. Embora o confucionismo
tivesse sido instaurado oficialmente, também o taoísmo e o
budismo foram admitidos na nova ideologia imperial, ao mesmo
tempo em que floresceu o budismo. A dinastia Suei caiu em 617,
diante de uma revolta liderada por Li Yuan. Fundada por ele, a
dinastia Tang (618-907) iniciou uma época de força e
brilhantismo na história da civilização chinesa. Criaram uma
administração centralizada e foi promulgado um elaborado
código de leis administrativas e penais. Sob os Tang, a
influência chinesa estendeu-se sobre a Coréia, o sul da
Manchúria, o norte do Vietnã e o que é hoje o Afeganistão. A
força econômica e militar do Império Tang baseava-se num
sistema de distribuição eqüitativa da terra para a população
adulta masculina. Como resultado do crescimento demográfico, por
volta do século VIII, os pequenos proprietários herdavam
propriedades ainda menores, mas o valor do imposto se mantinha, o
que motivava os camponeses a abandonar suas terras, reduzindo a
receita do Estado. O general An Lushan, em sua luta pelo controle
do governo, precipitou uma revolta em 755. Após a rebelião, o
governo central nunca mais foi capaz de controlar os comandantes
militares das fronteiras, que transformaram seus cargos em reinos
hereditários e retiveram os impostos do governo central. Esta
situação se ampliou a outras regiões e, por volta do século
IX, a zona que se encontrava sob o controle efetivo do governo
central limitava-se à província de Chan-Si. A decadência do
budismo e a reaparição do confucionismo no final da era Tang
deram lugar a uma nova e vigorosa ideologia, que proporcionou a
base para uma civilização perdurável nos séculos seguintes.
À dispersão do poder político e econômico que marcou a
dissolução da dinastia Tang sucedeu o chamado período das
Cinco Dinastias (907-960) no norte, enquanto dez estados
independentes se estabeleciam no sul. O período das cinco
dinastias terminou em 960, quando um chefe militar, Zhao
Guangyin, proclamou o estabelecimento da dinastia Song. Por volta
de 978, os Song controlavam a maior parte da China. Costuma-se
dividir o período em etapa dos Song do norte (960-1126) e etapa
dos Song do sul (1127-1279). Os Song do norte limitaram em grande
parte o poder dos militares das províncias e, subordinando o
exército ao poder civil, reorganizaram o governo imperial,
centralizando o controle efetivo na capital. No entanto, a
debilidade militar transformou-se em problema crônico. Por volta
de 1050, quando se deteriorava a situação militar e fiscal, a
burocracia civil estava dividida em grupos que propunham
diferentes medidas reformistas. Os Song se aliaram, no começo de
1120, à dinastia Kin (1122-1234) do norte da Manchúria, em
oposição aos Liao, que se voltaram contra os Song e marcharam
em direção ao norte. Os Song se retiraram e em 1135
reestabeleceram sua capital em Hangzhou, na província de
Zhenjiang. Conduzida pelos Song do sul, a China meridional
continuou a desenvolver-se com rapidez. No entanto, a dinastia
foi dominada por um fator imprevisto: a força militar dos
mongóis que, sob o comando de Gengis Khan, iniciaram uma série
de conquistas que resultaram na formação do maior império
conhecido até então. Gêngis Khan conquistou Pequim em 1215 e
ampliou seu poder sobre o restante do norte da China. Kublai
Khan, neto de Gêngis Khan, transferiu a capital mongol para
perto de Pequim, de onde governou um império que se estendia da
Europa Oriental até a Coréia e do norte da Sibéria ao sul da
fronteira setentrional da Índia. Governaram como imperadores com
o título dinástico de Yuan (1279-1368). Nesta época, chegou à
China o mercador veneziano Marco Polo. Havia, porém, crescente
descontentamento. Durante a década de 1340, espocaram levantes
em quase todas as províncias. Na década de 1360, Hongwu
estendeu seu poder através do vale do Yang-tsé; em 1371, tomou
Pequim e os mongóis se retiraram para o território da
Mongólia, de onde continuaram a hostilizar os chineses. Fundada
por Wu, a dinastia Ming (1368-1644) revitalizou a civilização
dos Tang e dos Song. Seu poder se consolidou de maneira firme ao
longo da Ásia Oriental. Restabeleceu-se o governo civil e o
império foi dividido em 15 províncias. Os primeiros Ming
restabeleceram o sistema de relações tributárias, mediante as
quais os estados não chineses da Ásia Oriental reconheceram sua
supremacia cultural e moral, enviando tributos. A capital voltou
a Pequim. O poder se estendeu por todo o sudeste da Ásia e a
Índia, chegando até Madagascar (ver Zheng He). No entanto, a
partir de meados do século XV, o poder Ming começou a declinar.
Durante o período de decadência dos Ming, iniciaram-se as
relações marítimas com a Europa. Os primeiros a chegar foram
os portugueses, em 1521. Em 1570, começou o comércio com os
assentamentos espanhóis nas Filipinas. Em 1619, os holandeses
estabeleceram-se em Taiwan e tomaram posse das ilhas dos
Pescadores. A queda dos Ming foi provocada por uma rebelião que
explodiu na província de Changzhi, como resultado da
incapacidade governamental de proporcionar ajuda em momentos de
fome e desemprego. Os Ming aceitaram a ajuda manchu para expulsar
os rebeldes da capital e os manchus negaram-se a abandonar
Pequim, o que forçou os Ming a retirar-se para o sul da China.
Sob a dinastia Tsing (1644-1912), os manchus continuaram
absorvendo a cultura da China. Sua organização política se
baseava na dos Ming, ainda que estivesse mais centralizada; o
organismo administrativo máximo foi o Grande Conselho. Em meados
do século XVIII, durante o reinado do imperador Qian-long, a
dinastia Qing chegou ao apogeu do poder. A Manchúria, a
Mongólia, Xinxiang e o Tibete encontravam-se sob seu controle;
inclusive no Nepal percebia-se a influência chinesa. A Coréia e
o Vietnã do Norte reconheceram a soberania chinesa e Taiwan foi
anexada. Por volta do final do século XVIII, a situação
econômica dos camponeses havia começado a debilitar-se. Os
recursos financeiros do governo estavam seriamente reduzidos,
devido ao custo da expansão externa e à corrupção. Os manchus
aceitaram com reservas as relações comerciais com o Ocidente.
Em torno de 1800, o mercado do ópio, introduzido pelos
britânicos a partir da Índia, havia se desenvolvido muito
rapidamente. O século XIX foi caracterizado por uma rápida
deterioração do sistema imperial e um crescimento contínuo da
pressão estrangeira, proveniente do Ocidente e do Japão. As
relações comerciais com a Grã-Bretanha ocasionaram o primeiro
conflito sério. Os chineses estavam ansiosos por deter o
comércio do ópio, mas os britânicos negaram-se a aceitar
restrições à importação do narcótico. A primeira guerra do
ópio terminou em 1842, com a assinatura do Tratado de Nanquim.
Os termos do tratado garantiam à Grã-Bretanha as prioridades
comerciais que desejava. Depois da segunda guerra do ópio
(1856-1860), firmaram-se novos tratados em Tianjin, que ampliaram
as vantagens ocidentais. Quando o governo de Pequim negou-se a
ratificá-los, reiniciaram-se as hostilidades. Uma força
expedicionária franco-britânica chegou até Pequim.
Assinaram-se as Convenções de Pequim, nas quais se ratificavam
os termos dos tratados anteriores. De acordo com suas
disposições, os portos chineses voltaram a se abrir ao
comércio internacional, permitiu-se a instalação de colônias
de residentes estrangeiros e cederam-se de forma permanente à
Grã-Bretanha os territórios de Hong Kong e Kowloon. Na década
de 1850, os alicerces do império foram sacudidos pela rebelião
Taiping, uma revolução popular de origem religiosa, social e
econômica; seu líder foi Hong Xiuquan. Em 1853, os Taiping
haviam se deslocado em direção ao norte e estabelecido sua
capital em Nanquim. Em torno de 1860, encontravam-se
entrincheirados no vale Yang-tsé e ameaçavam Xangai. A dinastia
manchu, enfraquecida, tentou reformar sua política para garantir
a sobrevivência do Império. De 1860 a 1895, tentativas foram
feitas para restaurar o governo, obedecendo a princípios
confucianos, com o objetivo de solucionar os problemas internos,
sociais e econômicos. Durante as décadas de 1860 e 1870, a
rebelião Taiping foi sufocada, restaurou-se a paz interna,
estabeleceram-se arsenais e estaleiros e abriram-se várias
minas. No entanto, os objetivos de manter um governo confuciano e
desenvolver um poder militar moderno eram basicamente
incompatíveis; em decorrência disso, os esforços visando ao
fortalecimento foram, de 1860 a 1895, inúteis. Em 1875, o
Ocidente e o Japão começaram a desmantelar o sistema chinês de
estados tributários, mantido no sudeste da Ásia. A Guerra
Franco-Chinesa de 1884 e 1885, colocou Tongking sob o império
colonial francês e. no ano seguinte, a Grã-Bretanha ocupou a
Birmânia. Em 1860, a Rússia obteve as províncias marítimas do
norte da região de Dongbei Pingyuan (Manchúria) e os
territórios ao norte do rio Amur. Em 1894, os esforços
japoneses para anexar a Coréia provocaram a Guerra Sino-japonesa
e, em 1895, viu-se forçada a reconhecer a perda da Coréia e
ceder ao Japão a ilha de Taiwan e a península de Liaodong, no
sul de Dongbei Pingyuan. A Rússia, a França e a Alemanha
reagiram de imediato diante da cessão da península de Liaodong,
já que isso significava conceder ao Japão posição
estratégica na região mais rica da China. Esses três estados
intervieram, reivindicando ao Japão a devolução de Liaodong,
em troca de uma maior indenização econômica. Conseguido seu
objetivo, as três potências européias apresentaram novas
exigências. Por volta de 1898, um grupo de ilustres reformadores
aplicaram um profundo programa de reformas destinado a
transformar a China em monarquia constitucional e modernizar sua
economia e seu sistema educacional. O programa enfrentou a
oposição de oficiais manchus que, com a ajuda de chefes
militares leais, detiveram o movimento reformista. Propagou-se
por todo o país uma reação violenta que alcançou seu ponto
crítico em 1900, com um levante da sociedade secreta dos Boxer.
Após uma força expedicionária ocidental ter esmagado a
rebelião boxer em Pequim, o governo manchu adotou seu próprio
programa de reformas e fez planos para estabelecer um governo
constitucional limitado, de acordo com o modelo japonês. Durante
a primeira década do século XX, os revolucionários atraíram
estudantes, comerciantes e grupos nacionais pouco satisfeitos com
o governo manchu. Estourou a rebelião em Hangzhou, que se
estendeu depois a outras províncias, enquanto Sun Yat-sen
assumia a liderança da revolta. Os exércitos manchus foram
reorganizados pelo general Yuan Che Kai, que negociou com os
dirigentes rebeldes sua designação como presidente de um novo
governo republicano. Em 1912, uma assembléia revolucionária
elegeu Yuan primeiro presidente da República da China. A
República manteve frágil existência, de 1912 a 1949. Ainda que
houvesse sido adotada uma Constituição e estabelecido um
Parlamento em 1912, Yuan Che Kai nunca permitiu que essas
instituições limitassem seu poder pessoal. O governo central
manteve até 1927 uma existência precária e quase fictícia.
Durante a I Guerra Mundial, o Japão apresentou à China as
Vinte e uma Demandas, que praticamente transformavam
a China num protetorado japonês. A China concordou em transferir
as possessões alemãs em Shandong ao Japão. Sua entrada tardia
na guerra, em 1917, tinha por objetivo participar na discussão
do tratado de paz que seria negociado e, então, reexaminar as
ambiciosas reivindicações japoneses com a ajuda dos Estados
Unidos. No entanto, o presidente norte-americano Woodrow Wilson
retirou o apoio de seu país às reivindicações de Shandong. Os
chineses, desiludidos diante do cínico interesse dos poderes
imperialistas ocidentais, foram-se acercando do pensamento
marxista-leninista e da União Soviética. O Partido Comunista
Chinês foi fundado em 1921, contando, entre seus primeiros
membros, com Mao Tsé-tung. Em 1923, Sun Yat-sen reorganizou o
Partido Nacionalista, o Kuomintang, e aceitou o ingresso dos
comunistas. O Kuomintang estava sob a direção do general Chiang
Kai-shek, que tentava reunificar a China sob o mandato do
Kuomintang e liberar o país do imperialismo e da força dos
chefes militares provinciais. Em 1928, Chiang realizou um expurgo
entre os membros comunistas do partido. O novo governo nacional,
estabelecido pelo Kuomintang em 1928, deparou-se com três
problemas de grande magnitude: Chang na realidade tinha sob seu
controle apenas cinco províncias, pois o resto do país era
governado por chefes militares locais; em 1930, aconteceu a
rebelião interna dos comunistas, que em 1927 se dividiram em
duas facções: uma tentou fomentar os levantes urbanos e a
outra, dirigida por Mao Tsé-tung, mobilizou os camponeses da
China central; o terceiro problema foi a agressão japonesa na
região de Dongbei Pingyuan, que a partir dessa época ficou mais
conhecida como Manchúria, e no norte da China. Em 1932, os
japoneses transformaram as três províncias da Manchúria no
novo Estado do Manchukuo e fizeram de Pu-Yi, o último governante
da dinastia manchu, o imperador do Manchukuo, que incorporou
parte da Mongólia no começo de 1933. No final de 1934, os
comunistas se deslocaram em direção ao norte, na denominada
Longa Marcha. Enquanto se intensificava a agressão japonesa,
Chang moderou sua postura anticomunista e, em 1937, formou-se uma
frente unida do Kuomintang e dos comunistas contra os japoneses.
Em 1937, o Japão e a China começaram uma guerra em grande
escala. Por volta de 1938, o Japão controlava a maior parte do
nordeste da China, o interior do vale do Yangtzé, até Hangzhou,
e a zona ao redor de Cantão, na costa sudeste. Durante a
II Guerra Mundial, o governo do Kuomintang sofreu importante
enfraquecimento militar e financeiro, enquanto os comunistas
haviam ocupado grande parte do norte da China e se haviam
infiltrado em muitas regiões rurais. Aí organizaram os
camponeses para que ingressassem nas fileiras do Partido
Comunista e do Exército Vermelho, com o que saíram fortalecidos
da II Guerra Mundial. Em 1945 eclodiu a luta entre os
comunistas e as tropas do Kuomintang, pelo controle da
Manchúria. Em 1947, o Exército de Liberação Popular
(comunista) derrotou os nacionalistas na Manchúria e, em 1949, a
resistência desmoronou. O governo de Chiang Kai-shek procurou
refúgio na ilha de Taiwan. Em setembro de 1949, os comunistas
reuniram a Conferência Consultiva Popular Política Chinesa, que
adotou diretrizes e princípios políticos e uma lei orgânica
para governar o país. Mao Tsé-tung, nomeado presidente desse
organismo, era de fato o chefe do Estado. A República Popular da
China foi proclamada em 1º de outubro de 1949. Em 1953, o
controle comunista havia se estabelecido com firmeza. Em 1954, o
Congresso Nacional Popular aprovou o rascunho da Constituição
que foi enviada ao Comitê Central do Partido Comunista Chinês.
Esta Constituição confirmou a hegemonia do Partido Comunista
Chinês e introduziu mudanças destinadas a centralizar o
controle do governo. A política básica do regime comunista foi
transformar a China em uma sociedade socialista. Para tanto,
utilizaram-se os princípios do marxismo-leninismo e assegurou-se
a erradicação das idéias anticomunistas. A primeira ação de
governo foi reconstruir a economia, reforçando a coletivização
agrícola. A indústria privada passou gradualmente ao controle
da propriedade mista estatal. A ajuda econômica e o
assessoramento técnico soviético contribuíram em grande parte
para o êxito imediato do programa. Em política exterior, a
China e a União Soviética assinaram, em 1950, um tratado de
amizade e aliança e vários acordos complementares, mediante os
quais a União Soviética fez grandes concessões, como a
retirada da Manchúria. A China também estreitou relações com
seus vizinhos comunistas. Com sua chegada ao poder, o regime
comunista também tentou recuperar os territórios que
considerava dentro das fronteiras históricas. Em 1950, as tropas
chinesas invadiram o Tibete e o regime jamais renunciou à
utilização da força para conquistar Taiwan. Em 1958, foram
impostos controles mais rígidos sobre a economia, para
incrementar a produção agrícola, restringir o consumo e
acelerar a industrialização; tratava-se de realizar o
grande salto adiante. No entanto, o programa
fracassou. A situação piorou em 1960, com a retirada da ajuda
econômica e da assessoria técnica soviética. Durante esta
década, apenas a Albânia manteve-se como aliado incondicional.
Enquanto os comunistas lutavam por construir a sociedade,
apareceram diferenças entre Mao, que favorecia uma ideologia
comunista pura, e os intelectuais, profissionais e burocratas,
que queriam uma aproximação mais racional e moderada. Em 1957,
impuseram-se estritos controles sobre a liberdade de expressão,
que puseram fim à denominada primavera de Pequim. A
cisão entre Mao e os moderados ampliou-se. Em 1959, ele
abandonou a presidência da República e foi sucedido pela
moderado Liu Shaoqi. O rompimento transformou-se em conflito em
1966, quando Mao e seus seguidores lançaram a revolução
cultural proletária, para erradicar o que perdurara das idéias
e costumes burgueses e para recuperar o zelo revolucionário do
primitivo comunismo chinês. A Revolução Cultural teve efeito
adverso sobre as relações exteriores. A propaganda a favor dos
guardas vermelhos e a agitação dos chineses residentes no
estrangeiro dificultaram as relações com muitos Estados,
especialmente com a URSS. Mao emergiu vitorioso da Revolução
Cultural e o pensamento radical refletiu-se em uma nova
Constituição, adotada pelo IV Congresso Nacional Popular em
1975. O moderado Deng Xiaoping foi nomeado primeiro vice-primeiro
ministro e vice-presidente do partido. Durante este período, as
relações exteriores melhoraram substancialmente, em especial
com os Estados Unidos, que em 1971 retirou seu veto à
incorporação da República Popular Chinesa às Nações Unidas,
após o que foi ela admitida em substituição à República da
China (Taiwan). Em 1972, estabeleceram-se relações
diplomáticas com o Japão e, em 1979, com os Estados Unidos, ao
mesmo tempo em que se estreitavam os laços com a Europa
Ocidental. Mao morreu em 1976, deixando um vazio de poder. Os
radicais obtiveram sua primeira vitória ao impedir que Deng
Xiaoping fosse eleito primeiro ministro. Como solução de
compromisso, Hua Guofeng foi nomeado sucessor de Mao, como
presidente do Partido Comunista Chinês. Sob seu governo,
impuseram-se políticas moderadas. Em 1977, Deng foi reinstaurado
como substituto do primeiro ministro. O XXI Congresso do Partido
Comunista Chinês, celebrado em 1977, foi dominado pelo
presidente Huan, o vice-presidente Deng e Ye Jianying. Deng
Xiaoping foi a figura dominante ao longo da década de 1980 e nos
primeiros anos da de 1990. Favoreceu uma política que permitia o
desenvolvimento comercial e industrial, atraindo investimentos
estrangeiros. Em 1982, adotou-se uma nova constituição e uma
nova reorganização do Partido Comunista Chinês. A primeira
restabeleceu o cargo, em grande parte representativo, de
presidente da República (anteriormente presidente de Estado),
que em 1968 havia sido abolido por Mao. Em janeiro de 1987, Zhao
Ziyang foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista. As
mudanças de chefia chegaram após uma onda de manifestações
estudantis que reclamavam maior democratização e liberdade de
expressão (ver Protestos na praça de Tiananmen). No período de
repressão política que se seguiu, Zhao Ziyang foi despojado de
seus cargos no partido e Jiang Zemin transformou-se em
secretário-geral. A VIII reunião do Congresso Nacional Popular,
em 1993, elegeu Jiang presidente da China e reelegeu Li Peng
chefe de Governo. No 15o Congresso do Partido Comunista Chinês,
em setembro de 1997, as posições de Jiang Zemin se consolidaram
ainda mais com a incorporação das idéias de Deng Xiaoping ao
estatuto do partido, ao mesmo nível que as de Mao e do
marxismo-leninismo. Em conseqüência, foi aprovado um gigantesco
programa de privatização da maioria das quase 400 mil empresas
estatais, se abriram as portas a mais diversificados
investimentos estrangeiros e o conjunto da economia cresceu a um
ritmo sem precedentes na história chinesa. Com a abertura, o
comércio exterior chinês acumula enormes superavit anuais,
fornecendo recursos para a criação de empregos e melhora dos
níveis salariais. Pela primeira vez em quase 20 anos, em 1999 o
primeiro ministro Zhou Rongji visitou os Estados Unidos, que se
transformaram em um dos principais parceiros comerciais da China.
As inundações provocadas pela enchente do rio Yang-tsé têm
renovado o sonho há muito acalentado pelas autoridades chinesas:
domar o longo rio construindo a barragem das Três Gargantas,
cujos trabalhos foram iniciados em 1997 e devem terminar em 2009.
Com a criação de um lago de contenção, a barragem deverá
reduzir a pressão das águas sobre as regiões situadas rio
abaixo, donde as inundações têm feito inúmeras vítimas. As
autoridades do país expressaram seu temor com relação aos
diques do Yang-tsé, que vêm sendo submetidos a uma pressão
nunca experimentada antes.