Colômbia
País
caribenho, andino e amazônico, a Colômbia associa a riqueza de
seus recursos naturais a uma estrutura econômica ainda não
desenvolvida. A miscigenação de seus habitantes não diminuiu a
intensa influência da cultura e tradição espanholas, que se
evidenciam na pureza da língua e na manutenção do catolicismo.
A Colômbia
situa-se no ângulo noroeste da América do Sul. Limita-se a
leste com a Venezuela e o Brasil, ao sul com o Peru e o Equador,
a oeste com o oceano Pacífico e ao norte com o mar das Antilhas
ou do Caribe. As duas grandes massas de água estão separadas
pelo istmo centro-americano, por cujo extremo oriental se estende
a fronteira entre a Colômbia e o Panamá. O território
colombiano inclui ainda as ilhas de San Andrés e Providencia, no
mar das Antilhas, em frente da Nicarágua, e a de Malpelo, no
oceano Pacífico, bem como ilhotas próximas de seu litoral.
Com uma
superfície total de 1.138.914km2, a Colômbia tem uma costa de
aproximadamente 2.900km, dos quais 1.600 banhados pelo mar das
Antilhas e o restante pelo oceano Pacífico. O litoral é
recortado por baías, golfos e penínsulas que lhe dão um
aspecto muito irregular.
Geografia
física
Relevo.
Poucos países apresentam tamanha variedade geográfica quanto a
Colômbia. Sua topografia acidentada, dominada pela presença dos
Andes, além da localização próxima à linha do equador, cria
uma extraordinária diversidade de climas, vegetação, solos e
paisagens agrícolas.
Ao
penetrarem na Colômbia pela fronteira com o Equador, os Andes
dividem-se em três ramos: as cordilheiras Ocidental, Central e
Oriental. A cordilheira Ocidental estende-se do Equador até a
planície do mar das Antilhas, seguindo aproximadamente a linha
do Pacífico. Ao sul é franqueada por íngremes camadas
paleozóicas e mesozóicas.
A
cordilheira Central, a mais alta das três, é separada da
Ocidental pelo vale do rio Cauca e da Oriental pelo vale do rio
Magdalena. Termina em colinas baixas perto da confluência dos
dois rios. Consiste principalmente em arenitos cretáceos e
rochas porfiríticas. Os picos mais elevados são o Nevado del
Tolima (5.215m), o Nevado del Ruiz (5.300m) e o Nevado del Huila
(5.750m). O batólito de Antioquia, a uma altitude média de
2.130m, constitui um prolongamento setentrional da cordilheira
Central.
A
cordilheira Oriental, formada por dobramentos cretáceos, divide
abruptamente a região montanhosa do norte e oeste das extensas
planícies baixas que, a partir do sopé da cordilheira Oriental,
descem suavemente até os rios Orinoco, a leste, e Amazonas, ao
sul. As planícies ocupam metade da área do país. Ao sul, a
selva é banhada pelos rios do sistema amazônico.
Embora os
Andes constituam a espinha dorsal do território, há também na
Colômbia alguns sistemas montanhosos não andinos. O mais
notável é a serra Nevada de Santa Marta, ao norte, imponente
maciço granítico cujo pico mais elevado, Cristóbal Colón
(5.875m), é também o ponto culminante do país e fica somente a
quarenta quilômetros do mar.
Clima.
Devido à posição geográfica da Colômbia, o clima
predominante nas planícies é o equatorial, sem grande
variação de temperatura ao longo do ano. Diferenças mais
marcantes entre as estações do ano se observam em decorrência
do regime de chuvas, que determina a alternância de períodos
secos (verão) e chuvosos (inverno) em algumas regiões.
Registram-se mais de 2.500mm de precipitações, repartidas
regularmente ao longo do ano, na extensa planície amazônica, na
maior parte da costa do Pacífico e nas proximidades do istmo do
Panamá. No Chocó, região situada entre o Pacífico e a
cordilheira Ocidental, onde chove quase diariamente, chegam a
registrar-se 8.000mm anuais. Na parte sul da costa do Pacífico e
em terras próximas ao golfo de Darién, o índice pluviométrico
é também elevado, embora ocorra uma estação seca que se
acentua nas planícies do curso inferior dos rios Magdalena e
Cauca, a leste da cordilheira Oriental.
A parte
leste do litoral do mar das Antilhas apresenta clima mais seco e
mais quente que o do restante do país. As zonas montanhosas
denotam grande diversidade climática, determinada
fundamentalmente pela altitude. Até os mil metros estendem-se as
áreas quentes e de mil a cerca de dois mil metros, as
temperadas, com temperaturas médias entre 22 e 18 C. Nas áreas
frias, situadas aproximadamente entre dois mil e três mil
metros, as temperaturas médias oscilam entre 18 e 11o C. Acima
das terras frias e até o limite das neves perenes, em torno de
4.800m, encontram-se os descampados onde a prática da
agricultura é de todo impossível. De modo geral as chuvas são
abundantes nas regiões montanhosas, excetuando-se porém dessa
regra alguns vales mais profundos e os altos descampados.
Hidrografia.
Menos de dez por cento das águas que correm pelo território
colombiano deságuam no Pacífico, em geral levadas por rios
caudalosos e curtos que descem a cordilheira Ocidental em grande
velocidade, com exceção do Patía, que drena o extremo sul do
espaço compreendido entre as cordilheiras Ocidental e Central.
Outros rios importantes da bacia do Pacífico são o Baudó e o
San Juan. Devido à conformação das cordilheiras andinas, suas
águas correm por extensos leitos que, orientados para o norte,
despejam-nas no mar das Antilhas; o Atrato corre a oeste da
cordilheira Ocidental, levando suas águas ao golfo de Darién; o
Cauca, depois de ter seu curso contido entre as cordilheiras
Ocidental e Central, desemboca no Magdalena, o grande rio
colombiano, que drena com seus afluentes as terras situadas entre
as cordilheiras Central e Oriental. O Sinú deságua diretamente
no Caribe, enquanto alguns pequenos rios do nordeste da Colômbia
deságuam no lago venezuelano de Maracaibo.
A maior
bacia fluvial colombiana é a do Atlântico, à qual pertencem os
caudalosos Caquetá e Putumayo, afluentes do Amazonas, e o Meta e
o Guaviare, que vão ter ao Orinoco no trecho em que esse extenso
rio constitui a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela.
A Colômbia
possui lagos e lagoas de modesta dimensão, nas zonas andinas, e
grandes pântanos nas partes mais baixas das planícies. Entre
eles se encontra o pântano formado pelos numerosos braços
confluentes dos rios Magdalena, Cauca, César e Nechí, na
planície atlântica, e os que são atravessados pelos cursos
inferiores do Atrato, junto ao golfo de Darién, e do San Juan,
na costa do Pacífico.
Flora e
fauna. É notável a variedade da vida vegetal na Colômbia. Já
foram detectadas 23 diferentes formações vegetais,
distribuídas em faixas verticais e horizontais correspondentes a
diferentes altitudes e volumes de chuvas. Assim, na costa do
Pacífico se estende uma flora exuberante de manguezais, enquanto
nas terras calcinadas de La Guajira crescem cardos e outras
plantas adaptadas a regiões áridas.
Savanas e
matas tropicais alternam-se nas áreas de Los Llanos; as
planícies atlânticas possuem palmeirais e as regiões do
Amazonas e do Chocó são cobertas pela densa floresta
equatorial. A região andina apresenta uma flora das mais
variadas, com árvores como o jacarandá, ébano, e cedro, além
de plantas medicinais como a copaíba, salsaparrilha e quina.
Apesar de um processo de desmatamento secular e intenso em
numerosas áreas, particularmente nas temperadas e frias, ainda
existem grandes extensões florestais praticamente virgens.
Diversos
animais típicos da fauna amazônica povoam as florestas da
Colômbia, entre eles preguiças, tamanduás, várias espécies
de macacos, gambás, cutias, pacas, veados e antas. Os principais
carnívoros são a onça e o quati. Conhecem-se mais de 1.500
espécies de aves, entre as quais se destacam os tucanos e as
espécies migratórias, procedentes da América do Norte. Os rios
colombianos são piscosos e apresentam grande variedade de
espécies.
População
Composição
étnica. Calcula-se em um milhão o número de indígenas que
habitavam as terras da Colômbia no começo do século XVI. Com a
chegada dos conquistadores, esse número decaiu rapidamente,
talvez reduzindo-se à quarta parte. Muitas tribos foram
exterminadas, e só a população chibcha deu uma substancial
contribuição ao processo de mestiçagem.
Pode-se
considerar que metade da população tem ascendentes europeus e
indígenas. Cerca de vinte por cento da população é de origem
européia, há um número semelhante de mulatos, sobretudo na
área caribenha, e existem pequenos grupos de ameríndios e
negros. Assim, a Colômbia é um país mestiço, com uma
proporção de sangue ameríndio maior que o da Argentina e o
Chile, porém menor que o do México ou o Peru. No começo do
século XX verificou-se uma moderada imigração de europeus não
espanhóis, libaneses, sírios e até chineses e japoneses. Por
outro lado, na segunda metade do século verificava-se uma
emigração de mão-de-obra qualificada para a Venezuela, os
Estados Unidos e outros países.
Língua. O
idioma oficial é o espanhol, mas alguns grupos indígenas
conservam suas línguas nativas. De modo geral, os colombianos
denotam uma grande preocupação com a preservação da língua
espanhola que, excetuando-se a área do Caribe, é falada em sua
forma mais pura.
Pequenos
grupos populacionais falam diversas línguas e dialetos
indígenas, como o aruaque, o chibcha, o tupi-guarani, o quíchua
e o aimará.
Estrutura
demográfica. Apesar das cruentas guerras civis e das
deficiências de saneamento, a população não parou de crescer
ao longo do século XIX. Em 1900 somava aproximadamente quatro
milhões de habitantes, número que duplicou em 35 anos, depois
em 27 e ainda mais uma vez em 23 anos.
A causa do
rápido incremento demográfico foi a alta taxa de natalidade,
que alcançou o máximo na metade da década de 1960. A
mortalidade, pelo contrário, caiu rapidamente a partir de 1950.
Malgrado a diminuição da natalidade nos últimos decênios do
século XX, o incremento da população adquiriu na Colômbia um
caráter explosivo muito semelhante ao de outros países da
área. A população colombiana é muito jovem, o que provocou
problemas de desemprego. Além disso, tem mostrado tendência a
concentrar-se nos grandes centros urbanos, o que causou problemas
de insuficiência de serviços públicos e deterioração do meio
ambiente.
A grande
maioria da população colombiana habita a porção ocidental do
país, concentrada nas encostas e vales das cordilheiras Central
e Oriental e na planície costeira setentrional. A planície do
Pacífico apresenta população rarefeita e as vastas planícies
e selvas a leste dos Andes são praticamente desabitadas. As
principais cidades, além de Bogotá, são Medellín, Cali,
Barranquilla, Cartagena, Bucaramanga, Manizales, Pereira, Cúcuta
e Ibagué. (Para dados demográficos, ver DATAPÉDIA.)
Economia
Agricultura
e pecuária. O café, a maior fonte de riqueza do país, é
cultivado sobretudo nas zonas temperadas. A cafeicultura
experimentou crescimento permanente a partir do final do século
XIX. A economia colombiana, em especial seu comércio exterior,
depende muito das oscilações nas cotações internacionais do
café, exportado principalmente para os Estados Unidos e Europa.
A banana é outro importante produto de exportação e suas
grandes plantações, concentradas na costa do Caribe, pertencem
a companhias internacionais.
O vale do
Cauca produz muita cana-de-açúcar, destinada à fabricação de
açúcar mascavo para consumo interno, açúcar refinado para
exportação e álcool. Os cereais de maior consumo são o arroz,
cujo cultivo se disseminou por grandes áreas no fim do século
XX, e o milho, que se planta tanto em terras temperadas e frias
como nas regiões mais quentes. Outros produtos agrícolas
importantes são mandioca, batata, legumes, hortaliças, frutas
cítricas, flores, cacau, fumo, algodão e borracha. Embora a
Colômbia importe gêneros alimentícios como o trigo, é
auto-suficiente em sua produção agrícola. Grande parte das
planícies é destinada a pastos para gado bovino. A suinocultura
e a avicultura atingiram bom nível de mecanização.
Mesmo com o
intenso desmatamento, metade do território colombiano ainda é
ocupada por florestas. O aproveitamento de diversas espécies, e
de algumas madeiras de alta qualidade, é limitado por
dificuldades de transporte e pelo exíguo investimento de capital
nessa atividade.
A pesca é
praticada, sobretudo, nas costas do Pacífico e no Caribe, mas o
país não possui uma frota pesqueira adequada. São também
muito limitadas as atividades pesqueiras nos rios e regiões
pantanosas.
Energia e
mineração. Os campos de petróleo se acham na fronteira com a
Venezuela, na região do Caribe e na bacia do Magdalena. Grandes
reservas ocorrem na região amazônica, nas planícies e na costa
do Pacífico. O país possui uma das maiores reservas de carvão
do mundo. A maior parte da energia elétrica é produzida nos
rios andinos, mas somente uma parte do grande potencial
hidrelétrico é explorada. Nas áreas costeiras do norte, as
centrais termelétricas utilizam gás natural, derivados de
petróleo e carvão.
O subsolo é
rico em minerais metálicos: extraem-se ouro, prata e platina em
jazidas localizadas nas cordilheiras Central e Ocidental e no
Chocó. Também se explora ferro, urânio, chumbo, zinco, cobre
etc. A produção de esmeraldas, grandes e de boa qualidade, é
também importante.
Indústria.
No começo do século XX existiam na Colômbia apenas cem
estabelecimentos industriais. As duas guerras mundiais e a
política de proteção cambial adotada a partir de 1930
permitiram extraordinária expansão industrial e em 1950 a
produção nacional atendia a quase toda a demanda de têxteis,
calçados, cimento, alimentos etc. As áreas industriais
concentram-se em Bogotá, Barranquilla, Medellín e Cali.
Finanças e
comércio. O sistema financeiro colombiano é regido pelo Banco
da República, responsável também pela emissão da moeda. A
maioria dos bancos privados tem sede em Bogotá e em Medellín.
Há também bancos regionais.
O mercado
interno se concentra em quatro regiões: Bogotá, Medellín,
costa do Caribe e vale do Cauca. As dificuldades de comunicação
foram propícias ao desenvolvimento de mercados regionais, muito
diferenciados e autônomos. No comércio exterior, além do café
e da banana, são importantes o fumo, a platina e o açúcar.
Entre os principais produtos de importação se encontram
máquinas, metais e veículos. Os Estados Unidos são o principal
parceiro comercial, tanto importador como exportador.
Transportes
e comunicações. A complexa configuração geográfica da
Colômbia determina dificuldades de comunicação entre os
diversos compartimentos do território. Estradas insuficientes e
inadequadas encarecem os transportes comerciais. A maior parte
das importações e exportações da Colômbia escoa pelos
principais portos marítimos do Caribe -- Cartagena, Barranquilla
e Santa Marta. Na costa do Pacífico, o porto de Buenaventura,
com instalações modernas e boa comunicação com a cidade de
Cali, dá saída à produção do vale do Cauca.
A
navegação fluvial, que se pratica principalmente nos 1.200km
navegáveis do rio Magdalena, e a aviação constituem os
principais meios de transporte nas regiões do Orinoco e do
Amazonas. O Atrato e alguns trechos do Cauca também são
navegáveis. A navegação de cabotagem vale-se da proximidade do
canal do Panamá para ligar os portos marítimos do Pacífico e
do Caribe.
A rede
ferroviária, administrada pelo estado, cobre as regiões mais
populosas do país. A principal linha férrea une o porto
caribenho de Santa Marta a Bogotá pelo vale do Magdalena. Uma
linha secundária vai a Medellín, de onde continua pelo vale do
Cauca para o sul e chega a Popayán, com um ramal que vai de Cali
ao porto de Buenaventura. Dessa forma Santa Marta, no Caribe, e
Buenaventura, no Pacífico, se ligam por via férrea, mas mesmo
assim a rede ferroviária é insuficiente para as necessidades do
país.
Das três
rodovias que cortam o país de norte a sul e constituem os
troncos rodoviários oriental, ocidental e central, a mais
importante é a primeira, por ser a seção colombiana das
rodovias Pan-Americana e Simón Bolívar. A Colômbia foi o
primeiro país sul-americano a desenvolver o transporte aéreo em
escala comercial, por meio da Sociedad Colombiana-Alemana de
Transportes Aereos, surgida em 1920. Várias empresas de
aviação comercial servem às linhas domésticas e
internacionais. Há mais de 400 aeroportos.
História
Culturas
pré-colombianas. Diversos povos ameríndios ocupavam o
território colombiano antes da conquista espanhola. Nenhum deles
deixou registros escritos, o que não permite reconstruir sua
evolução com a mesma precisão que se alcançou no estudo das
grandes civilizações históricas do Novo Mundo. Ainda hoje,
culturas como a de San Agustín, extinta muitos séculos antes da
chegada dos europeus, continuam a ser um enigma.
Os povos das
regiões planas e litorâneas organizavam-se socialmente como
confederações de tribos, levavam vida muito simples e foram
extintos pelos colonizadores espanhóis. Já em terras andinas
havia culturas mais desenvolvidas, entre as quais se destaca a
dos chibchas, que ocupavam os pontos mais altos da parte central
da cordilheira Oriental. Cultivavam milho, batata e algodão.
Não chegaram a formar um império unitário, mas apresentavam
muitos traços culturais comuns. Atingiram grande densidade
populacional na savana de Bogotá. Seu centro mais importante era
Bacatá, próximo à posterior capital colombiana.
Exploração
e conquista espanholas. A primeira expedição européia a
avistar terras da futura Colômbia foi a do espanhol Alonso de
Ojeda, que em 1499 dobrou o cabo de La Vela, na península de La
Guajira. Dez anos depois, o reconhecimento de toda a costa
sul-americana do Caribe foi feito por Rodrigo de Bastidas, que em
1525 fundou Santa Marta. Em 1533 Pedro de Heredia fundou
Cartagena, que se tornaria uma das principais bases marítimas do
império espanhol nas Américas. Até 1539 já haviam sido
fundadas todas as cidades importantes do interior colombiano,
até mesmo Santa Fe de Bogotá (1538).
Bogotá, que
antes da conquista era o principal núcleo dos reinos chibchas,
transformou-se em 1550 na audiência de Santa Fe de Bogotá,
dependente do vice-reino do Peru e centro administrativo de uma
região que abrangia Nova Granada, Popayán, Antioquia,
Cartagena, Santa Marta, Riohacha, os llanos de Casanare e San
Martín. A partir de 1564, os presidentes da audiência de Santa
Fe gozaram de poderes semelhantes aos dos vice-reis. As
populações autóctones diminuíram enormemente, exterminadas
pelos novos senhores das terras e por doenças por eles
transmitidas, como a epidemia de varíola de 1587-1589.
As culturas
indígenas se transformaram rapidamente, em contato com a
civilização. O catolicismo foi imposto e predominou sobre as
religiões autóctones. No século XVII, o chibcha, língua
indígena que tivera o maior número de usuários, havia caído
em desuso nas zonas mais povoadas do país e a miscigenação
granhou forte impulso. Nas planícies do Chocó e na costa do
Caribe foram instalados escravos negros, destinados à extração
do ouro e ao trabalho nas plantações de cana-de-açúcar.
A Igreja
Católica, com a atuação de missionários franciscanos,
dominicanos e jesuítas, desempenhou importante papel na
catequese e na administração. Em 1620, a Inquisição
instalou-se em Cartagena, cidade que logo se tornaria um baluarte
do império espanhol.
Vice-reino
de Nova Granada. A dependência administrativa de Lima
encerrou-se com a criação do vice-reino de Nova Granada,
vigente primeiro durante um breve período, de 1717 a 1723, e
depois, definitivamente, a partir de 1740. Compreendia a
Colômbia, a Venezuela, o Equador e o Panamá e representou o
início de uma nova era. Nas décadas seguintes, a coroa
espanhola procurou fortalecer o império mediante maior
centralização da administração e desenvolvimento do
comércio. A população aumentou e começou a consolidar-se uma
nova classe social com crescente poder: a dos criollos,
descendentes de espanhóis nascidos na colônia.
De 1785 a
1810, os criollos de Nova Granada não ofereceram resistência
às reformas políticas e econômicas. Assim, na revolução dos
comuneros, os socorrenses opuseram-se às reformas, mas em 1809
propuseram medidas favoráveis ao sistema de livre comércio e à
abolição da escravatura. As reformas educacionais desempenharam
papel de relevo nessa modificação de perspectiva dos
granadinos. Como vice-rei, o arcebispo Caballero y Góngora
(1782-1788) concentrou-se principalmente na educação,
modernizando os currículos e criando uma escola de minas.
Independência.
O antagonismo entre súditos coloniais e metropolitanos e as
incertezas quanto ao destino do império, após a invasão da
Espanha pela França em 1808, provocaram um conflito que culminou
na declaração de independência. Em 1810, as jurisdições de
Nova Granada expulsaram as autoridades espanholas, exceto em
Santa Marta, Riohacha e os atuais Panamá e Equador. O levante de
Bogotá, de 20 de julho desse ano, é comemorado como a data de
independência da Colômbia. A rivalidade entre os grupos que
propugnavam uma federação e aqueles que tentavam centralizar a
autoridade nos novos governos provocou uma série de guerras
civis, que facilitou a reconquista, pela Espanha, das Províncias
Unidas de Nova Granada, entre 1814 e 1816.
As
execuções e castigos praticados pelos espanhóis favoreceram a
unidade dos setores libertários. Um grupo refugiado em Casanare,
chefiado por Francisco de Paula Santander, iniciou a luta armada,
com apoio de Simón Bolívar. Em 1819 realizou-se na cidade de
Angostura (hoje Cidade de Bolívar, na Venezuela) uma
convenção, com delegados de Casanare e algumas províncias
venezuelanas. No mesmo ano Bolívar invadiu Nova Granada e
derrotou os espanhóis em Boyacá, em 7 de agosto. Seguiram-se as
batalhas de Carabobo (Venezuela), em 1821, e de Pichincha
(Equador), em 1822, também vencidas por Bolívar.
Libertado o
território colombiano, Bolívar concentrou sua ação no Peru,
deixando Santander como vice-presidente da Grande Colômbia. Em
1826, com a expulsão definitiva dos espanhóis do continente,
Bolívar regressou a Bogotá, onde suas idéias centralizadoras
se chocaram com o federalismo de Santander. Bolívar tornou-se
ditador, mas sucessivos atentados e revoltas, além do
descontentamento de grande parte de seus antigos partidários,
obrigaram-no a renunciar em 1830. Em poucos meses, o que havia
sido o vice-reino de Nova Granada fragmentou-se em três estados
independentes: Venezuela, Equador e República de Nova Granada,
depois Colômbia, na qual estava incluído o território do
Panamá.
A partir da
guerra civil de 1840-1842 e de hostilidades entre os partidos
Liberal e Conservador, instituiu-se uma federação em que o
governo central teve poderes muito reduzidos. A constituição de
1858 restaurou um governo nacional forte. A rejeição da
constituição pelos liberais levou à chamada "anarquia
organizada", ordenada pela constituição de 1863. Um
segmento do Partido Liberal, encabeçado por Rafael Núñez,
passou então a defender uma reforma constitucional e aliou-se
aos conservadores. Disso resultou a constituição de 1886, pela
qual a Nova Granada adotou o nome de República da Colômbia,
regida por uma constituição unitária que haveria de manter-se,
com modificações, durante todo século seguinte.
O presidente
Rafael Núñez devolveu à Igreja Católica os privilégios cuja
supressão causara uma guerra civil na década anterior. Com sua
morte, novas discórdias civis ocorreram entre 1884 e 1895. Anos
depois começaria a mais sangrenta das guerras civis colombianas,
a guerra dos mil dias (1899-1903), que deixou o país exaurido.
Em 1903 o Panamá declarou-se independente, com apoio dos Estados
Unidos, interessados em abrir o canal no istmo centro-americano.
Ciclo do
café. O mandato do general Rafael Reyes na presidência da
república (1904-1909) marcou o princípio de uma lenta
recuperação econômica. Em 1914, a Colômbia reconheceu
oficialmente a independência do Panamá e recebeu uma
indenização no valor de 25 milhões de dólares, paga pelos
Estados Unidos. O aumento do comércio exterior, com a
exportação de café e o início da exploração de jazidas,
conduziu a um processo de industrialização e prosperidade que
seria interrompido pela crise mundial de 1929. Os preços do
café, do petróleo e da banana, os principais produtos de
exportação, caíram vertiginosamente, o que levou a economia do
país ao colapso.
O Partido
Conservador, no poder desde o final do século XIX, perdeu em
1930 a presidência da república para o Partido Liberal, que se
manteve no governo até 1946. Nas eleições realizadas nesse
ano, os liberais se dividiram e lançaram dois candidatos,
propiciando a vitória ao conservador Mariano Ospina Pérez.
Apesar de vitoriosos na eleição, os conservadores só obteriam
o controle do Congresso ao impor, em 1949, o estado de sítio,
que durou até 1958.
O
assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, líder dos trabalhadores e
candidato derrotado às eleições presidenciais, em pleno centro
de Bogotá, desencadeou a maior rebelião da história da
Colômbia, em 9 de abril de 1948. O episódio passou para a
história do país com o nome de bogotazo. A violência
prolongou-se durante a presidência de Laureano Gómez
(1950-1953), que tentou implantar um regime autoritário. Em
1953, o general Gustavo Rojas Pinilla liderou um golpe de estado
e, embora louvado como paladino da justiça, foi ainda mais
arbitrário que seu antecessor. Numa tentativa de restauração
do poder civil, liberais e conservadores formaram a Frente
Nacional.
Em 1957
Rojas Pinilla renunciou e um plebiscito incorporou os acordos da
Frente Nacional à constituição. No ano seguinte, o presidente
Alberto Lleras Camargo instituiu a reforma agrária. Em 1962
assumiu a presidência Guillermo León Valencia. O general Rojas
Pinilla foi preso em 1963 sob a acusação de conspirar contra o
regime. A crise econômica levou o Congresso a conceder poderes
extraordinários a Valencia. A situação continuou a agravar-se
no plano político, o que culminou com a reimplantação do
estado de sítio em 1965, após distúrbios estudantis.
Em 1966
começou a gestão de Carlos Lleras Restrepo, talvez a mais
bem-sucedida da história colombiana. A economia recuperou-se com
base num planejamento correto e em reformas políticas
essenciais. Ao final de seu governo, a economia apresentava um
crescimento anual de 6,9%. Na eleição de 1970, Misael Pastrana
Borrero sagrou-se vencedor, derrotando o ex-ditador Rojas
Pinilla. Na eleição de 1974, a presidência passou para Alfonso
López Michelsen, também liberal, cujo governo enfrentou
problemas econômicos. Ainda assim, em 1978 foi eleito outro
liberal, Julio Turbay Ayala, contra quem se aliaram
manifestações de descontentamento popular e a violência dos
movimentos guerrilheiros de esquerda.
Em 1982,
elegeu-se o conservador Belisario Betancur Cuartas, mas sua
campanha de pacificação nacional foi obstada pelo poder dos
traficantes de tóxicos -- o chamado cartel de Medellín -- que
em 1970 se implantara no país como poder paralelo. Em 1989, o
presidente liberal Virgílio Barco Vargas lançou uma gigantesca
ofensiva contra o cartel de Medellín, após os assassinatos de
um ministro do Supremo Tribunal e do principal candidato à
eleição de 1990, Luis Carlos Galán Sarmiento. Em 1993, na
gestão do presidente César Gaviria Trujillo, o chefe do cartel,
Pablo Escobar, foi morto quando era caçado por soldados e
policiais. Ernesto Samper, que assumiu a presidência em 1994,
continuou a combater o narcotráfico, desta vez buscando
desmantelar o cartel de Cali.
Instituições
políticas
A Colômbia
é uma república unitária dividida em 24 departamentos, quatro
intendências e cinco comissariados. O presidente da república
designa os governadores dos departamentos, intendentes e
comissários. Os departamentos possuem suas próprias
assembléias administrativas.
A
constituição de 4 de agosto de 1886, objeto de várias emendas,
consagra a divisão de poderes. O presidente, eleito para um
mandato de quatro anos, exerce o poder executivo. O voto é
universal para todos os maiores de 18 anos. O poder legislativo
é exercido por duas câmaras: o Senado e a Câmara de
Representantes, também eleitos por quatro anos, por sufrágio
universal. O poder judiciário é integrado por juízes,
tribunais distritais e corte suprema. Os municípios são
dirigidos por prefeitos e conselhos eleitos.
Sociedade
A
desigualdade na distribuição de renda é uma das causas da
instabilidade que caracteriza a sociedade colombiana, país
agroexportador subordinado à perversa relação de preços
internacionais: baixos para os produtos agrícolas e altos para
os produtos industriais. A riqueza se concentra em cidades com
bolsões de pobreza alimentados por ondas sucessivas de migrantes
rurais. A partir da década de 1970, o país passou a conviver
com um extraordinário aumento na produção e exportação de
entorpecentes. A formação de poderosas máfias da droga
contribuiu para complicar a situação da Colômbia.
Uma
característica da sociedade colombiana é sua compartimentação
em unidades regionais dotadas de fortes particularidades. Desde
os tempos de colônia, cada cidade importante constituiu a seu
redor um território de influência, com o que se acentuaram as
tendências fragmentadoras. O fenômeno, comum à maior parte da
América hispânica, não só causou longas lutas civis como
também a independência temporária de cidades como Cartagena e
Cali.
Educação e
saúde. O índice de alfabetização é alto em comparação com
outros países latino-americanos, o que se deve à gratuidade e
obrigatoriedade do ensino primário. No final do século XIX, o
analfabetismo apresentava um índice de noventa por cento. Ao
terminar a década de 1980, esse índice tinha caído para 12%.
A malária e
as infecções parasitárias são endêmicas nas baixadas, sendo
comum a ancilostomíase. Cerca de 75% dos hospitais concentram-se
nas cidades e atendem a menos de um terço da população.
Religião.
Até 1853 o catolicismo foi a única religião permitida, e
somente após a reforma constitucional de 1936 efetuou-se
completa separação entre igreja e estado. Embora a lei proteja
a liberdade de culto, a vida social é fortemente impregnada pela
religiosidade tradicional e o clero exerce acentuada influência
na sociedade e na política. O número de protestantes, judeus e
muçulmanos, assim como os focos residuais das primitivas
religiões ameríndias, são muito reduzidos. (Para dados sobre
sociedade, ver DATAPÉDIA.)
Cultura
Literatura.
Nos tempos de colônia, apesar da existência de duas
universidades em Bogotá e da prosperidade econômica dos
criollos, Nova Granada não conheceu um florescimento literário
semelhante ao da Nova Espanha (México) ou do Peru. Nas últimas
décadas antes da independência houve grande inquietação
cultural, mas não grandes autores. Francisco José de Caldas,
Antonio Nariño, Francisco Antonio Zea e Camilo Torres são
lembrados mais como heróis da luta pela independência do que
como cientistas ou literatos. A maior parte dos escritores do
século XIX teve raízes mais locais do que nacionais e praticou
com freqüência o costumbrismo, ou literatura de costumes. Jorge
Isaacs publicou María, em 1867, um dos romances mais lidos na
América espanhola.
No início
do século XX destacou-se o poeta parnasiano Guillermo Valencia.
Em 1924 publicou-se La vorágine (A torrente), único romance de
José Eustasio Rivera, precedente de um gênero tipicamente
latino-americano que tomou impulso na segunda metade do século
XX. A figura mais destacada da literatura colombiana é Gabriel
García Márquez, Prêmio Nobel em 1982 e autor de Cien años de
soledad (1967; Cem anos de solidão). Sua influência foi
dominante na literatura do país e de toda a América Latina. Com
o realismo fantástico, causou uma renovação no romance
colombiano.
Artes
plásticas. O povo chibcha era o de cultura mais desenvolvida
quando os conquistadores chegaram ao território colombiano.
Distinguiram-se na ourivesaria com o emprego da chamada tumbaga,
liga de ouro e cobre que podia conter também prata. Domínio
ainda maior da ourivesaria tiveram os povos quimbayá, do vale do
Cauca. A arquitetura pré-colombiana não se desenvolveu em
território colombiano como na América Central e no Peru. A
misteriosa cultura de San Agustín, muito anterior à conquista,
deixou vestígios notáveis.
A arte
colonial está presente nas principais cidades colombianas e se
destaca em edifícios históricos, igrejas e conventos de
Bogotá. Cartagena possui notável bairro colonial, como o
convento de Santo Domingo, a Casa da Inquisição e
fortificações projetadas pelo italiano Bautista Antonelli.
A escultura,
seguidora da escola sevilhana, tem um de seus exemplos no
retábulo-mor da igreja de São Francisco de Bogotá, esculpido
na primeira metade do século XVII por autor desconhecido.
A pintura
colonial não brilhou tanto em Nova Granada como em Quito ou
Cuzco, mas teve sua grande figura, no século XVII, em Gregorio
Vázques de Arce y Ceballos, principal representante de um grupo
de pintores muito influenciados por Zurbarán e Murillo. Na
cidade de Tunga houve grande desenvolvimento da pintura mural nos
séculos XVI e XVII.
A partir da
década de 1920, a pintura colombiana, ainda então imobilizada
pelo academicismo do século anterior, teve um despertar
nacionalista, sob influência da pintura mexicana
revolucionária. Na segunda metade do século XX, a arte
tornou-se mais vinculada aos movimentos internacionais.
Tornaram-se bem conhecidos artistas como Alejandro Obregón,
Eduardo Ramírez Villamizar e Fernando Botero.
Música. A
influência européia foi patente na música colombiana desde a
época colonial, quando se destacaram o jesuíta italiano José
Dadey, do século XVII, e Juan de Herrera y Chumacero, do XVIII.
Enrique Price e José María Ponce de León, compositores do
século XIX, foram precursores do nacionalismo musical que chegou
a seu momento de apogeu com Guillermo Uribe Holguín, autor
romântico de formação européia. Seus principais seguidores,
no século seguinte, foram Jesús Bermúdez Silva, José Rozo
Contreras, Antonio María Valencia e Carlos Posada Amador.
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