Egito
1.INTRODUÇÃO
Egito,
república situada no Oriente Médio. Faz fronteira ao norte com
o mar Mediterrâneo, a leste com Israel e o mar Vermelho, ao sul
com o Sudão e a oeste com a Líbia. Possui uma superfície de
997.738 km2. Sua capital é o Cairo. O Egito é fruto do rio
Nilo, berço de uma das civilizações mais grandiosas da
antigüidade, cujas referências históricas remontam a
3200 a.C.
2.TERRITÓRIO
Este
território compreende o vale e o delta do rio Nilo. Mais de 90%
são áreas desérticas, entre as quais se encontram: a oeste, o
deserto da Líbia, parte do Saara, que compreende o Grande Mar de
Areia, onde se localizam várias depressões com altitudes abaixo
do nível do mar, como Qattara; a leste, o deserto Arábico, que
contorna o mar Vermelho e o golfo de Suez; e no extremo sul, o
deserto da Núbia. Na península do Sinai, um deserto arenoso no
norte e de montanhas escarpadas no sul, encontra-se o monte
Sinai, que vem a ser o ponto mais alto da região. O Nilo entra
no Egito pelo Sudão e corta o país em direção ao norte, onde
desemboca no mar Mediterrâneo. O lago Nasser, formado pela
represa de Assuã, se estende para o sul através da fronteira
com o Sudão. O limo depositado pelos braços Rosetta e Damietta,
os principais da vasta desembocadura no Mediterrâneo, fazem do
delta a região mais fértil do país. O istmo de Suez, que liga
o continente africano à Ásia, é cortado do mar Mediterrâneo
até o golfo de Suez, no mar Vermelho, pelo canal de Suez. O
clima se caracteriza por uma estação quente, de maio a
setembro, e outra fria, entre novembro e março. As
precipitações são escassas. No deserto há uma grande
amplitude térmica, com frio intenso à noite e altas
temperaturas diurnas.
3.POPULAÇÃO
E GOVERNO
A maioria
dos egípcios descende da população autóctone pré-muçulmana
(os antigos egípcios) e dos árabes, que conquistaram a região
no século VII. Os núbios, um povo autóctone, são um
importante grupo minoritário. Alguns pastores nômades e
seminômades, em sua maior parte beduínos, vivem nas regiões
desérticas. A população (1993) é de 56.488.000 habitantes.
Quase 99% da população vive no vale do Nilo, com uma densidade
demográfica média nesta zona de 1.683 habitantes por
quilômetro quadrado. A capital, Cairo, possui uma população
(1992) de 6.800.000 habitantes. Outras cidades importantes são
Alexandria (3.380.000 habitantes), Gizé (2.144.000 habitantes),
Port Said (460.000 habitantes) e Suez (388.000 habitantes). O
islamismo é a religião oficial e quase 90% dos egípcios são
muçulmanos sunitas. A Igreja Copta, cristã, constitui a
principal minoria religiosa. O árabe é a língua oficial; o
berbere é falado pelos povos dos oásis ocidentais. O francês e
o inglês constituem a segunda língua entre a população culta.
Ver também Arte e arquitetura do Egito; Literatura egípcia. A
Constituição de 1971 estabelece um Estado socialista árabe,
com o islamismo como religião oficial. O chefe de Estado é o
presidente da República, eleito pelo voto direto da população.
A autoridade legislativa é exercida pela Assembléia Popular
unicameral.
4.ECONOMIA
O produto
interno bruto (1993-1994) é de 51,6 bilhões de dólares. É um
país predominantemente agrícola. O aproveitamento da terra
está entre os mais altos do mundo: é o maior produtor de
algodão de fibra longa e um dos maiores produtores de milho do
mundo. Na pecuária, destaca-se a criação de animais de carga.
O país possui uma importante indústria pesqueira. O petróleo e
o gás natural são os produtos minerais mais importantes. Há
uma forte indústria de fiação de algodão, juta e lã,
tecidos, açúcar refinado, ácido sulfúrico, fertilizantes
nitrogenados, papel e cimento. A unidade monetária é a libra
egípcia.
5.HISTÓRIA
As origens
da antiga civilização egípcia não podem ser definidas com
precisão. A descrição do desenvolvimento da civilização
egípcia se baseia nas descobertas arqueológicas de ruínas,
tumbas e monumentos. Os hieróglifos proporcionaram importantes
dados. A história egípcia, até a conquista de Alexandre III, o
Magno, se divide nos impérios antigo, médio e novo, com
períodos intermediários, seguidos pelos períodos tardio e dos
Ptolomeus. As fontes arqueológicas mostram o nascimento, por
volta do final do período pré-dinástico (3200 a.C.), de
uma força política dominante que, reunindo os antigos reinos do
sul (vale) e do norte (delta), se tornou o primeiro reino
unificado do antigo Egito. Durante a I e II Dinastias
(3100-2755 a.C.), algumas das grandes mastabas (estruturas
funerárias que antecederam às pirâmides) foram construídas em
Sakkarah e Abidos. O Império Antigo (2755-2255 a.C.)
compreende da III à VI Dinastias. A capital era no norte, em
Menfis, e os monarcas mantiveram um poder absoluto sobre um
governo solidamente centralizado. A religião desempenhou um
papel importante, como fica evidenciado pela riqueza e número
dos templos; de fato, o governo tinha evoluido para um sistema
teocrático, no qual o faraó era considerado um deus na terra,
razão pela qual gozava de poder absoluto. A IV Dinastia começou
com o faraó Snefru que, entre outras obras significativas,
construiu as primeiras pirâmides em Dahshur. Snefru realizou
campanhas na Núbia, Líbia e o Sinai. Foi sucedido por Queóps,
que erigiu a Grande Pirâmide em Gizé. Redjedef, filho de
Queóps (reinou em 2613-2603 a.C.), introduziu uma divindade
associada ao elemento solar (Rá) no título real e no panteão
religioso. Quéfren e Miquerinos, outros membros da dinastia,
construíram seus complexos funerários em Gizé. Com a IV
Dinastia, a civilização egípcia conheceu o auge do seu
desenvolvimento, que se manteve durante as V e VI Dinastias. O
esplendor manifestado nas pirâmides se estendeu para numerosos
âmbitos do conhecimento, como arquitetura, escultura, pintura,
navegação, artes menores, astronomia (os astrônomos de Mênfis
estabeleceram um calendário de 365 dias) e medicina. A VII
Dinastia marcou o começo do Primeiro Período Intermediário.
Como conseqüência das dissensões internas, as notícias sobre
a VII e VIII Dinastias são bastante obscuras. Parece claro, no
entanto, que ambas governaram a partir de Mênfis e duraram
apenas 25 anos. Nesta época, os poderosos governadores
provinciais tinham o controle completo de seus distritos e as
facções no sul e no norte disputaram o poder. Os governadores
de Tebas conseguiram estabelecer a XI Dinastia, que controlava a
área de Abidos até Elefantina, perto de Siene (hoje Assuã). O
Império Médio (2134-1784 a.C.) começa com a
reunificação do território realizada por Mentuhotep II (reinou
em 2061-2010 a.C.). Os primeiros soberanos da Dinastia
tentaram estender seu controle de Tebas para o norte e o sul,
iniciando um processo de reunificação que Mentuhotep completou
depois de 2047 a.C., limitando o poder das províncias.
Tebas foi a sua capital. Com Amenemés I, o primeiro faraó da
XII Dinastia, a capital foi transferida para as proximidades de
Mênfis. O deus tebano Amon adquiriu nessa época mais
importância que as outras divindades, e foi associado ao disco
solar (Amon-Rá). Os hicsos invadiram o Egito a partir da Ásia
ocidental, instalando-se no norte. Sua presença possibilitou uma
entrada massiva de povos da costa fenícia e palestina, e o
estabelecimento da dinastia hicsa, que deu início ao Segundo
Período Intermediário. Os hicsos da XV Dinastia reinaram a
partir da sua capital, situada na parte leste do delta, o que
lhes permitia manter o controle sobre as zonas média e alta do
país. O soberano tebano Ahmosis I derrotou os hicsos,
reunificando o Egito e criando o Império Novo
(1570-1070 a.C.). Amenhotep I (1551-1524 a.C.) estendeu
os limites até a Núbia e a Palestina. Com uma grande
construção em Karnak, separou sua tumba do seu templo
funerário e iniciou o costume de ocultar sua última morada.
Tutmés I continuou a ampliação do Império Novo e reforçou a
preeminência do deus Amon; sua tumba foi a primeira a ser
construída no vale dos Reis. Tutmósis III reconquistou a Síria
e a Palestina, que tinham se separado anteriormente, e continuou
a expansão territorial do Império. Amenófis IV foi um
reformador religioso que combateu o poder dos sacerdotes de Amon.
Trocou Tebas por uma nova capital, Aketaton (a moderna Tell
el-Amarna), que foi construída em honra de Aton, sobre o qual se
centrou a nova religião monoteísta. No entanto, a revolução
religiosa foi abandonada no final do seu reinado. Seu sucessor
Tutankhamen é conhecido hoje, sobretudo, pela suntuosidade do
seu túmulo, encontrado praticamente intacto no vale dos Reis, em
1922. O fundador da XIX Dinastia foi Ramsés I (reinou em
1293-1291 a.C.), que foi sucedido por seu filho Seti I
(reinou em 1291-1279 a.C.); esse organizou campanhas
militares contra a Síria, Palestina, os líbios e os hititas.
Foi sucedido por Ramsés II, que fez a maior parte das
edificações em Luxor e Karnak, ao construir o Ramesseum (seu
templo funerário) em Tebas, os templos esculpidos na rocha em
Abu Simbel e os santuários em Abidos e Mênfis. Seu filho
Meneptá (1212-1202 a.C.) derrotou os invasores provenientes
do mar Egeu, feitos narrados em um texto esculpido na esteira na
qual figura a primeira menção escrita conhecida do povo de
Israel. O Terceiro Período Intermediário compreende da XXI à
XXIV Dinastias. Os faraós que governaram a partir de Tânis, no
norte, entraram em choque com os sumos sacerdotes de Tebas. Os
chefes líbios deram origem à XXI Dinastia. Quando os
governadores líbios entraram em um período de decadência,
vários rivais se armaram para conquistar o poder. De fato, as
XXIII e XXIV Dinastias reinaram ao mesmo tempo que a XXII, bem
como a XXV (cusita), que controlou de forma efetiva a maior parte
do Egito quando ainda governavam as XXIII e XXIV Dinastias, no
final do seu mandato. Os faraós incluídos da XXV à XXXI
Dinastias governaram a Baixa Época. Os cusitas governaram de
767 a.C. até serem derrotados pelos assírios, em
671 a.C. Quando o último faraó egípcio foi derrotado por
Cambises II, em 525 a.C., o país caiu sob domínio persa
(durante a XXVII Dinastia). A ocupação do Egito pelas tropas de
Alexandre Magno, em 332 a.C., pôs um fim ao domínio persa.
Alexandre designou o general macedônio Ptolomeu, conhecido mais
tarde como Ptolomeu I Sóter, para governar o país. A maior
parte do período que seguiu à morte de Alexandre Magno, em
323 a.C., foi caracterizada pelos conflitos com outros
generais, que tinham se apoderado das distintas partes do
império. Em 305 a.C., assumiu o título real e fundou a
dinastia ptolemaica. Cleópatra VII foi a última soberana dessa
Dinastia. Tentando manter-se no poder, aliou-se a Caio Júlio
César e, mais tarde, a Marco Antônio. Depois da morte de
Cleópatra, em 30 a.C., o Egito foi controlado pelo Império
Romano durante sete séculos. Nessa época, a língua copta
começou a ser usada independentemente da egípcia. Com a
finalidade de controlar a população e limitar o poder dos
sacerdotes, os imperadores romanos protegeram a religião
tradicional. Os cultos egípcios a Ísis e Serápis se estenderam
por todo o mundo greco-romano. O Egito foi também um centro
importante do cristianismo primitivo. A Igreja Copta, que aderiu
ao monofisismo, se separou da corrente principal do cristianismo
no século V. Durante o século VII, o poder do Império
Bizantino foi desafiado pela dinastia dos Sassânidas da Pérsia,
que invadiram o Egito em 616. Em 642, o país caiu sob o domínio
dos árabes, que introduziram o islamismo. Nos séculos que se
seguiram, teve início um lento processo de arabização que com
o tempo produziu a mudança de um país cristão de fala copta
para um outro, muçulmano de fala árabe. A língua copta se
converteu em uma língua litúrgica. Durante o califado
abássida, surgiram freqüentes insurreições por todo o país
provocadas pelas diferenças entre os sunitas, maioria ortodoxa,
e a minoria que aderiu aos xiitas. Em 868, Ahmad ibn Tulun
transformou o Egito em um estado autônomo, vinculada aos
abasidas apenas pelo pagamento de um pequeno tributo. A dinastia
de Tulun (os tulúnidas) governou durante 37 anos um império que
englobava o Egito, a Palestina e a Síria. Depois do último
governo dos tulúnidas, o país entrou em um estado de anarquia.
Suas frágeis condições o tornaram presa fácil para os
fatímidas, que em 969 invadiram e conquistaram o Egito e
fundaram o Cairo, convertendo-a na capital do seu império. Os
fatímidas foram derrotados pelos ayyubis, cujo lider Saladino
(Salah ad Din Yusuf ibn Ayubb) se proclamou sultão do Egito e
estendeu seus territórios até Síria e Palestina, tomando dos
cruzados a cidade de Jerusalém (ver Cruzadas). A debilidade de
seus sucessores levou a uma progressiva tomada do poder pelos
mamelucos, soldados de diversas origens étnicas que os serviam e
terminaram por proclamar-se sultões com Izza al Din Aybak, em
1250. No final do século XIII e começo do século XIV, o
território dos mamelucos se estendia para o norte até os
limites da Ásia Menor. A segunda dinastia de sultões mamelucos,
os buris, era de origem circassiana; governaram de 1382 a 1517,
quando o sultão Selim I invadiu o Egito e o integrou ao Império
otomano. Embora o domínio real dos turcos otomanos sobre o Egito
tenha durado apenas até o final do século XVII, o país
pertenceu nominalmente ao Império otomano até 1915. Em vez de
acabar com os mamelucos, os otomanos utilizaram-nos em sua
administração. Na metade do século XVII, os emires mamelucos
(ou beis) restabeleceram sua supremacia. Os otomanos aceitaram a
situação, com a condição de que pagassem um tributo. A
ocupação francesa do Egito em 1798, levada a cabo por Napoleão
I Bonaparte, interrompeu por um curto intervalo de tempo a
hegemonia mameluca. Em 1801, uma força britânico-otomana
expulsou os franceses. Mehemet Ali assumiu o poder e, em 1805, o
sultão otomano o reconheceu como governador do Egito. Mehemet
Ali destruiu todos os seus oponentes até se tornar a única
autoridade no país. Para poder controlar todas as rotas
comerciais, realizou uma série de guerras expansionistas. Os
britânicos ocuparam o Egito de 1882 a 1954. O interesse da
Grã-Bretanha se centrava no canal de Suez, que facilitaria a
rota britânica até a Índia. Na I Guerra Mundial, a
Grã-Bretanha estabeleceu um protetorado. Em 1918, surgiu um
movimento nacionalista para garantir a independência. Eclodiu
uma revolta violenta no país, razão pela qual a Grã-Bretanha
suprimiu o protetorado em 1922 e foi proclamada uma monarquia
independente, governada pelo rei Fuad I. Em 1948, o Egito e
outros Estados árabes entraram em guerra com o recém-criado
Estado de Israel. Com a derrota, o Exército se voltou contra o
rei Faruk I. Em 1952, um golpe de estado depôs o rei e proclamou
a República do Egito. O primeiro presidente, o general Muhammad
Naguib, foi uma figura nominal, pois o poder foi exercido por
Gamal Abdel Nasser, presidente do Conselho do Comando da
Revolução. Em 1956, foi eleito oficialmente presidente da
República. No começo, Nasser seguiu uma política de
solidariedade com outras nações africanas e asiáticas do
Terceiro Mundo e se converteu no grande defensor da unidade
árabe. A negativa dos países ocidentais de proporcionar-lhe
armas (que provavelmente utilizaria contra Israel) provocou uma
reviravolta na política externa de Nasser, que o aproximou dos
bloco dos países do Leste. No que diz respeito à política
interna, Nasser suprimiu a oposição política, estabeleceu um
regime de partido único e socializou a economia. Essa nova ordem
foi chamada de socialismo árabe. Em 1967, continuou a luta
contra Israel, que desembocou na guerra dos Seis Dias, ao final
da qual Israel assumiu o controle de toda a península do Sinai.
O canal de Suez permaneceu fechado durante a guerra e
posteriormente foi bloqueado. Nasser recorreu à União
Soviética. Nasser morreu em 1971 e foi sucedido pelo seu
vice-presidente, Anwar al-Sadat. Sadat promoveu uma abertura
política e econômica, além de procurar uma saída para o
problema israelense mediante a negociação; como não conseguiu,
planejou outro ataque contra Israel, dando início à guerra do
Yom Kippur. Em 1974 e 1975, Egito e Israel concluíram uma série
de acordos que resultou na retirada das tropas do Sinai. Em 1975,
o Egito reabriu o canal de Suez e Israel se retirou de certos
pontos estratégicos e de alguns dos campos petroleiros do Sinai.
A questão econômica começou a ganhar cada mais importância;
em 1977, Sadat pediu para que os assessores militares soviéticos
abandonasse o país e se aproximou dos Estados Unidos. Em uma
conferência tripartite com o presidente norte-americano Jimmy
Carter, realizada em 1978, Sadat e o primeiro-ministro israelense
Menahem Begin assinaram um acordo para a solução do conflito
egípcio-israelense. Grupos fundamentalistas islâmicos
protestaram contra o tratado de paz, e Sadat foi assassinado em
1981. Hosni Mubarak sucedeu Sadat. Abriu politicamente o país e
melhorou as relações com outros Estados árabes. Participou da
coalizão que lutou contra o Iraque na guerra do Golfo Pérsico,
em 1991. Em 1992, os fundamentalistas islâmicos começaram a
lançar violentos ataques com o objetivo de substituir o governo
de Mubarak por outro baseado no estrito cumprimento da lei
islâmica. Em outubro de 1993, Mubarak foi reeleito para um
terceiro mandato presidencial, embora continuasse a violência
por parte dos militantes islâmicos.