Escócia
1.INTRODUÇÃO
Escócia,
país e divisão administrativa do Reino Unido que ocupa a parte
setentrional da ilha da Grã-Bretanha. A Escócia é limitada ao
norte pelo oceano Atlântico, a leste pelo mar do Norte, a
sudeste pela Inglaterra, ao sul por Solway Firth e pelo mar da
Irlanda e a oeste pelo canal do Norte, que a separa da ilha da
Irlanda e do oceano Atlântico. A Escócia compreende 186 ilhas,
a maioria delas incluídas em três grupos: as ilhas Hébridas,
perto da costa ocidental, as Órcadas, próximas à costa
setentrional, e as Shetland, ao nordeste das anteriores.
Incluindo as ilhas, a superfície total é de 78.080 km2 e
1.500 km2 de águas interiores. Edimburgo é a capital.
2.TERRITÓRIO
A
topografia da Escócia reflete os efeitos da glaciação,
sobretudo na costa oeste, com numerosas saliências para o mar,
conhecidas na região como lagos marinhos, e largos cursos
d'água, denominados firths (estuários). O território pode ser
dividido em três áreas diferentes de norte a sul: as Highlands
(Terras Altas), as Central Lowlands (Terras Baixas Centrais) e os
Southern Uplands (Planaltos do Sul). As Highlands são uma
região muito acidentada que possui várias cadeias montanhosas
paralelas na direção nordeste-sudeste interrompidas por
profundos cânions e vales. A região é atravessada pelos montes
Grampian, o principal sistema montanhoso. As Terras Baixas
Centrais são uma faixa estreita que cobre um décimo da
superfície da Escócia. As Southern Uplands estão constituídas
por um planalto de páramos. Os rios e lagos são abundantes.
Dentre esses destacam-se os lagos Ness, Oich e Lochy, unidos pelo
canal da Caledônia, que liga o oceano Atlântico ao mar do
Norte. O clima sofre influência das correntes marinhas. Na
região da costa ocidental, que sofre os efeitos da corrente
quente do Golfo, o clima é mais suave que na costa oriental.
3.POPULAÇÃO
E GOVERNO
Os
habitantes da Escócia descendem de vários grupos étnicos, tais
como pictos, celtas, escandinavos e romanos. De acordo com dados
de 1993, a população é de 5.120.000 habitantes e apresenta uma
densidade demográfica de aproximadamente 66 hab/km2. A cidade
mais povoada é Glasgow (com 654.542 habitantes). Além de
Edimburgo, que, de acordo com estimativas de 1991 possuía
421.213 habitantes, são também cidades importantes Dundee
(165.548 habitantes) e Aberdeen (201.099 habitantes). A igreja
oficial da Escócia é a presbiteriana. A Igreja católica é a
segunda mais importante. A língua oficial é o inglês. A
Escócia faz parte integrante do Reino Unido. Um gabinete
ministerial britânico, presidido pelo secretário de Estado,
administra os assuntos escoceses. A Escócia está representada
por 72 membros na Câmara dos Comuns e por 16 pares escoceses na
Câmara dos Lordes. Ver também Línguas celtas; Língua
escocesa; Literatura escocesa.
4.ECONOMIA
Os
principais cultivos são os cereais e a batata. A criação de
gado bovino também é muito importante. A exploração florestal
representa mais de um-terço da produção madeireira da
Grã-Bretanha. A pesca é uma atividade fundamental,
especialmente a pesca marítima na região Nordeste e nas ilhas.
Devido às ricas reservas de carvão, a mineração representou
um papel fundamental na industrialização. Porém, nas últimas
décadas, a mineração baseia-se especialmente na exploração
de reservas petrolíferas e gás natural, recentemente
descobertas. As principais indústrias são as de produtos
químicos, indústrias leves, instrumentos de engenharia e,
recentemente, a eletrônica. Existem aproximadamente 110
destilarias e o turismo é outro setor em crescimento.
5.HISTÓRIA
A Escócia
é a Caledônia romana. Os pictos, aos quais uniram-se grupos de
britânicos rebeldes, resistiram com êxito à conquista dos
romanos, cuja soberania terminou no ano 409 d.C. No começo
do século VI, os escotos, invasores celtas, ocuparam a região e
estabeleceram o reino de Dalry. Em meados do século VI, os
anglos invadiram a maior parte da Caledônia. Essa região, junto
com as várias possessões anglas ao norte do que atualmente é a
Inglaterra, tornou-se parte do reino inglês da Nortúmbria. No
século X, os reis de Alban ocuparam a Nortúmbria durante o
reinado de Malcolm II Mackenneth (1005-1034) e Duncan I herdou a
coroa de Strathclyde. Como resultado, os domínios da Escócia
(desde então é conhecida por esse nome) estenderam-se por todo
o território ao norte do Solway Firth e o rio Tweed. A
influência da Inglaterra aumentou bastante durante os reinados
de Alejandro I, o Feroz, e David I, que estabeleceram o sistema
monárquico feudal anglo-normando e aboliram o tradicional
sistema de possessão de terras por clãs. Alexandre III faleceu
em 1286 e deixou o trono para seu único descendente com vida,
sua neta Margarida, ainda menina. A morte de Margarida produziu
uma crise política e Eduardo I da Inglaterra aproveitou a
situação para proclamar a soberania inglesa sobre a Escócia
intervindo a favor de John de Baliol, neto de David I. Em 1295,
Baliol, diante da demanda popular de acabar com o controle
inglês, formou uma aliança com a França para conseguir a
independência. A primeira fase da guerra acabou quando Eduardo I
decretou a anexação da Escócia à Inglaterra, depois de
destituir Baliol. A luta contra a Inglaterra recomeçou em 1297
sob o comando do patriota escocês Sir William Wallace, que
restaurou a monarquia escocesa. Depois da sua morte, em 1305,
Roberto Bruce, um descendente de David I, assumiu a liderança do
movimento de resistência. Em 1306, foi coroado como Roberto I,
rei da Escócia, e começou uma campanha de guerrilha
sistemática contra os ingleses. A guerra acabou em 1328 quando
os regentes de Eduardo III da Inglaterra aceitaram no Tratado de
Northampton a independência da Escócia. Logo no início do
século XVI, Jaime IV casou-se com Margaret Tudor, filha de
Henrique VII da Inglaterra. A Reforma começou a ganhar
partidários na Escócia e, em 1560, a Igreja católica foi
abolida, adotando-se o Calvinismo. (Ver Conde de Bothwell; Sir
Francis Walsingham). Em 1603, Jaime VI, rei da Escócia, herdou a
coroa inglesa como Jaime I Stuart. Com seu filho Carlos I da
Inglaterra (1625 e 1649), as tentativas de impor as formas de
culto anglicanas provocaram os confrontos conhecidos como As
Guerras dos Bispos (1639-1649), uma das causas do começo da
Guerra Civil inglesa, que culminou no triunfo das forças
parlamentares sob o comando de Oliver Cromwell. Em 1660, a
Escócia voltou a se separar politicamente da Inglaterra. Ver
Jacobitas. Em 1707 o Parlamento escocês votou a favor de sua
anexação ao Reino Unido da Grã-Bretanha, com garantias para
manter o seu próprio sistema jurídico, político e religioso.
Muitos escoceses foram contrários a essa união.