Estados
Unidos da América
1.INTRODUÇÃO
Estados
Unidos da América, república federal situada na América do
Norte e formada por 48 estados contíguos, além do Alasca e do
Havaí. Dos Estados Unidos dependem, sob formas variadas, o
estado associado de Porto Rico, as Ilhas Virgens, a baía de
Guantánamo (Cuba), a ilha de Guam, a Samoa Oriental, as ilhas
Marianas, o arquipélago Midway, a Federação de Estados
Micronésios, as ilhas Palau, o arquipélago das ilhas Marshall e
outras pequenas ilhas e ilhéus de importância militar. O
conjunto dos 48 estados limita-se ao norte com o Canadá, a leste
com o oceano Atlântico, ao sul com o golfo do México e com o
México e a oeste com o oceano Pacífico. Os Grandes Lagos e o
rio São Lourenço formam parte da fronteira norte; o rio Grande,
ou Bravo, faz parte da fronteira sul. A capital é Washington. A
superfície é de 9.809.155 km2 (inclusive o distrito
federal de Colúmbia).
2.TERRITÓRIO
E RECURSOS
A parte
mais antiga do continente é o escudo canadense, ou meseta
laurentina, massa granítica no nordeste dos Estados Unidos,
formada no período pré-cambriano. Após a colisão que formou
os montes Apalaches, o continente começou a se deslocar em
direção ao oeste. Os Apalaches começaram a sofrer erosão e
seus sedimentos se acumularam nas Grandes Planícies do centro do
continente e nas planícies costeiras do Atlântico e do golfo do
México. Enquanto isso, a colisão do continente com a placa do
Pacífico provocou novos alinhamentos montanhosos no oeste: as
Montanhas Rochosas, Sierra Nevada, na Califórnia, os montes
Wasatch, em Utah, diversas cordilheiras em Nevada e a cordilheira
Teton, em Wyoming. Durante os períodos glaciais, formaram-se os
lagos alinhados e as rochas descobertas da Nova Inglaterra e do
norte de Minnesota (ver Tectônica de placas). Existe grande
diversidade de temperaturas de sul a norte e grande variedade de
climas, dependendo das estações e dos estados; em geral, variam
do clima subtropical da Flórida ao frio e úmido do norte,
passando pelo quente e seco do sul e pelo continental das grandes
planícies centrais. Os principais rios são: Hudson,
Mississippi, Arkansas, rio Grande, Colorado, Snake e Colúmbia.
Os cinco Grandes Lagos Ontário, Erie, Huron, Michigan e
Superior ocupam uma série interconectada de bacias que
formam grande artéria de transporte. Os bosques ocupam 32% da
superfície dos Estados Unidos. Ao norte, o Alasca é uma tundra,
no interior e no sul crescem principalmente pinheiros e abetos,
dando lugar à denominada taiga. No entanto, mais em direção ao
sul, o bosque alcança sua diversidade máxima: o Parque Nacional
Great Smoky Mountains. No sul da Flórida, crescem espécies
subtropicais e tropicais. Nas áreas árticas e regiões
montanhosas de tundra, vivem marmotas, esquilos da terra, peixes
de água fria e a truta comum. Nos bosques de madeira nobre do
leste do país, habitam alces, ursos negros, cervos, raposas,
mapaches, zorrilhos e grande variedade de pássaros pequenos. Na
costa do golfo do México vivem pássaros maiores. O bisão
está, em geral, associado às pradarias.
3.POPULAÇÃO
E GOVERNO
A
população (1995) é de 263.437.000 habitantes, com densidade de
26,4 hab/km2. O grupo mais numeroso (aproximadamente 58 milhões)
é de ascendência inglesa; 38,7 milhões são descendentes de
irlandeses e 32,7 milhões de alemães. Perto de 31,8 milhões de
norte-americanos de cinco anos ou mais cresciam em famílias nas
quais se falava alguma língua além do inglês. Os brancos
constituem 83,9% da população, os negros 12,3%, os descendentes
de índios americanos 0,8% e os asiáticos e habitantes das ilhas
do Pacífico, 3%. O maior grupo religioso é formado pelos
católicos, com 25% da população. Entre os grupos protestantes
destacam-se os batistas (19,4%), os metodistas (8%), os
presbiterianos (2,8%), os pentecostais (1,8%) e os episcopalianos
(1,7%). A Igreja ortodoxa possui um número de seguidores em
torno de 3%. As religiões não cristãs mais numerosas são o
judaísmo (2%) e o islã (ver Fundamentalismo; Movimentos
missionários). O inglês é a principal língua. Dos 32 milhões
que se expressam em língua diferente, 54% fala espanhol e o
restante, outros idiomas (ver Música popular; Dança; Literatura
norte-americana; Arte e arquitetura dos Estados Unidos; Pintura;
Escultura). A lei suprema é a Constituição de 1789. As
primeiras 10 emendas (conhecidas como Declaração de Direitos),
adotadas em 1791, garantem as liberdades civis. Entre 1795 e
1992, foram adotadas 17 emendas adicionais que, entre outras
medidas, aboliam a escravatura e estipulavam o sufrágio
universal para os maiores de 18 anos. O presidente é a máxima
representação do Estado e chefe de governo. Todos os poderes
legislativos são exercidos pelo Congresso, que é bicameral.
4.ECONOMIA
Desde o
início do século XX, é o principal país industrial do mundo.
O desenvolvimento mais importante da economia desde 1945 foi
o crescimento deste setor. A moeda é o dólar. O gado vacum é o
principal item das exportações agropecuárias. Os principais
cultivos são cítricos, feno, batatas, açúcar, beterraba,
cereais e uvas. No que se refere à pesca comercial, é a sexta
nação do mundo em toneladas capturadas. É um dos líderes
mundiais em produção mineral. Os três principais produtos
são: petróleo, gás natural e carvão. No final dos anos 80,
produzia aproximadamente 55% do molibdênio mundial, 51% da mica,
40% do magnésio, 30% do fosfato, 23% do alumínio, 22% do chumbo
e 20% do enxofre básico. As principais manufaturas são produtos
químicos, equipamentos de transporte, alimentos processados,
maquinaria industrial e equipamentos eletrônicos. No começo da
década de 90, a produção nacional bruta ocupava o primeiro
lugar mundial, com 6,4 bilhões de dólares, mais ou menos 24.700
dólares per capita (ver Sistema bancário; Finanças; Dinheiro).
5.HISTÓRIA
Antes da
chegada dos colonizadores, as culturas autóctones eram
seminômades e a densidade da população, baixa. A colonização
européia significou a destruição completa dessas culturas (ver
Povos indígenas americanos). As viagens, no final do século XV,
de Cristóvão Colombo e de Giovanni Caboto, constituíram o
início do descobrimento e da colonização do continente
americano. A fundação de San Agustín (na atual Flórida) pelos
espanhóis, em 1565, marcou o início da colonização européia.
O primeiro assentamento permanente criado pelos ingleses foi
Jamestown, em 1607. Em 1624, a colônia passou a ser província
real. Os franceses fundaram Quebec em 1608 e descobridores como
Jacques Marquette, Louis Jolliet y René-Robert Cavalier, senhor
de La Salle, garantiram à França vastos territórios no
interior, inclusive todo o vale alto do rio Mississippi. Os
holandeses alicerçaram suas pretensões sobre esses territórios
nas explorações de Henry Hudson, a serviço da Companhia das
Índias Orientais. Chegou à baía de Nova Iorque em 1609 e
explorou o rio que leva seu nome. Durante os anos seguintes, os
holandeses fundaram em Nova Holanda vários postos comerciais. Em
1625, foi fundada a Nova Amsterdam (hoje Nova Iorque). A
atividade colonizadora inglesa foi retomada em 1620, quando os
separatistas adquiriram o direito de assentar-se em Virgínia e
fundaram Plymouth, ponto de partida da colonização da Nova
Inglaterra, realizada principalmente por puritanos. A primeira
manifestação da autoridade parlamentar sobre as colônias foi a
Lei de Navegação, de 1651, que obrigava a que as importações
e as exportações das colônias fossem embarcadas em navios de
bandeira inglesa; leis posteriores proibiram as relações
comerciais entre as colônias e outros países. Em 1660, com o
reinado de Carlos II, ampliaram-se as leis de navegação. Em
1684, foi decretada a unificação das colônias em uma única
província real, o domínio da Nova Inglaterra. O governo inglês
desafiou o poderio militar francês, seu principal rival na
construção de um império colonial. A guerra que se seguiu
prolongou-se por quase um século, em distintas partes do mundo.
O tratado de Utrecht, em 1713, obrigava a França a entregar
numerosos territórios. A confrontação decisiva entre a
Inglaterra e a França pelo controle da bacia do rio Ohio
conduziu à fase final do conflito, a Guerra Francesa e Índia
(Guerra dos Sete Anos). De acordo com o tratado de Paris, a
França perdeu todas as suas possessões na América do Norte e a
Espanha entregou parte da Flórida, que passou às mãos da
Grã-Bretanha. Como resultado da guerra, o déficit britânico
foi duplicado, o que levou à promulgação de novas leis
impositivas, como a Stamp Act e as Townshend Acts, a que se
opuseram as colônias. Além disso, numa tentativa de evitar a
quebra da Companhia das Índias Orientais, o Parlamento
concedeu-lhe o monopólio da venda de chá às colônias, o que
provocou nova crise, representada na Festa do Chá de Boston. As
colônias celebraram em 1774 o primeiro Congresso Continental. O
movimento de protesto das colônias precipitou a Guerra da
Independência Norte-americana. No segundo Congresso Continental,
celebrado em 1775, George Washington assumiu as prerrogativas
próprias do poder executivo. Declarou-se a independência em
julho de 1776 e adotou-se uma declaração formal de princípios,
redigida por Thomas Jefferson. Entre 1776 e 1865, a
confederação norte-americana passou de 13 a 26 estados membros.
A jovem nação teve de enfrentar sérios problemas sociais,
econômicos e políticos. Os dois mais graves foram decidir se
prevaleceria a autoridade do governo federal ou a de cada um dos
estados e se continuaria a escravatura. A controvérsia sobre
ambas as questões dividiu o país em duas facções opostas: o
Norte e o Sul. Com a assinatura do tratado de Paris (1783), que
pôs fim à guerra com a Grã-Bretanha, o país enfrentou novos
problemas, o principal dos quais era estabelecer uma forma de
governo que mantivesse os treze estados em sólida e efetiva
união. De acordo com os Artigos da Confederação, aprovados
pelo Congresso em 1777, os estados membros conservavam sua
autoridade soberana e o Congresso era um órgão no qual estavam
representados os estados e o povo. A Constituição entrou em
vigor em 1788 e George Washington, primeiro presidente dos
Estados Unidos, iniciou seu mandato em 1789. Os debates
realizados no Congresso trouxeram à tona as distintas
concepções políticas e econômicas que existiam sobre a nova
nação: os federalistas lutavam pela existência de um governo
federal forte que defendesse os interesses nacionais; os
republicanos sustentavam, ao contrário, a limitação dos
poderes federais e a proteção dos direitos de cada um dos
estados, além de simpatizar com a ideologia da Revolução
Francesa, favorecendo a França em detrimento da Grã-Bretanha.
Os federalistas se inclinavam por estrita neutralidade. A Guerra
Anglo-americana e o tratado de Gante (1814), que pôs fim ao
conflito, criou forte sentimento de unidade nacional e destruiu a
influência política do Partido Federalista. Nos comícios
eleitorais de 1828, triunfou Andrew Jackson. A principal questão
foi a escravidão dos negros, que toldou qualquer outro aspecto
político. Durante o século XVII, aproximadamente 25.000 negros
africanos tinham sido levados para as colônias norte-americanas
e a escravidão era legal. A demanda de mão de obra barata para
trabalhar nas plantações de algodão provocou grande aumento no
número de escravos no sul. O norte, eminentemente industrial,
considerava a escravidão uma instituição deplorável; dessa
forma, no final do século XVIII, todos os estados ao norte de
Maryland, exceto New Jersey, haviam declarado a abolição da
escravatura. Em 1818 o território de Missouri, onde a
escravidão era legal, solicitou seu ingresso na União. Após
longa e violenta polêmica em todo o país, o Congresso promulgou
o Compromisso de Missouri. De acordo com essa lei, Missouri foi
admitido como estado escravocrata, embora a escravidão estivesse
proibida em todos os estados constituídos além de Louisiana. A
partir de 1820, cresceu o sentimento abolicionista em todos os
estados do Norte, enquanto o Sul via na abolição uma agressão
direta a seu tradicional modo de vida. Em 1836, habitantes do
Texas se sublevaram e estabeleceram a República do Texas, numa
tentativa de incorporar-se aos Estados Unidos. O Sul lutou
decididamente pela anexação do Texas, onde a escravidão era
legal. O Norte se opôs. Em 1845, o Texas foi admitido na União,
o que provocou a guerra entre os Estados Unidos e o México, que
nunca havia reconhecido a independência daquele território
mexicano. Consoante o Tratado de Guadalupe Hidalgo (1848), o
México, em troca de quinze milhões de dólares, cedeu a
Califórnia e o Novo México e reconheceu o rio Grande (ou Bravo)
como fronteira entre o Texas e o México. Resolução emitida em
1857 pelo Tribunal Supremo, sancionou a instituição da
escravatura, ao considerar que os escravos eram propriedade e
não cidadãos, e que ao Congresso não cabia o direito de
proibir a escravatura. Abraham Lincoln, que defendia que a
decisão sobre a escravidão fosse do Congresso, foi proclamado
presidente em 1860, ano em que a Carolina do Sul se separou da
União, seguida de outros dez estados, que se constituíram na
Confederação dos Estados da América em 1861. Era o início da
Guerra Civil Norte-americana. O Congresso aboliu a escravidão em
1862, após promulgar a Proclamação da Emancipação e, em
1854, a décima terceira emenda da Constituição a aboliu em
todos os estados. O primeiro tema que o país teve de enfrentar,
uma vez terminada a Guerra Civil (período conhecido como
Reconstrução), foi a reintegração dos estados separatistas à
União. O plano Lincoln consistia em readmitir os estados sem
impor-lhes excessivas represálias. O presidente Andrew Johnson
manteve inicialmente postura semelhante. No entanto, o Congresso
aprovou, em 1867, as Leis de Reconstrução, mediante as quais se
garantia, no Sul, o direito de voto à população masculina
negra e se proibia aos dirigentes políticos confederados fazer
parte dos governos estatais. Essa política provocou grande
ressentimento entre os sulistas, que tentaram influenciar os
governos federais por meio da intimidação, orquestrada pela Ku
Klux Klan. O Norte permitiu que, em 1867, os sulistas
conseguissem recuperar o controle do governo de seus estados. Em
1885, Grover Cleveland foi eleito presidente. Seu mandato foi
caracterizado pelo nascimento do movimento operário organizado,
com influência política e econômica. Os sindicatos adquiriram
dimensão nacional entre 1861 e 1866. Seu segundo mandato foi
marcado por um período de depressão industrial, com aumento da
inflação, desemprego elevado e numerosas falências e greves. O
último terço do século XIX foi caracterizado pela aquisição,
pelos norte-americanos, de privilégios portuários nas ilhas de
Samoa e pela anexação da ilha de Tutuila (ver Samoa Oriental).
Em 1893, uma revolta eclodiu nas ilhas do Havaí, que em 1898
foram anexadas aos Estados Unidos. O presidente seguinte foi
William McKinley. O principal acontecimento foi a Guerra
Hispano-americana, pela qual a Espanha perdeu suas últimas
províncias de ultramar, em 1898. Após a vitória, os Estados
Unidos adquiriram Cuba, as Filipinas, Guam e Porto Rico. Em 1901,
Theodore Roosevelt assumiu a presidência. O final da guerra com
a Espanha obrigou os Estados Unidos a se defrontarem com o
problema de organizar e governar Porto Rico, as Filipinas e Cuba,
ilha na qual manteve um protetorado até 1902. O Congresso
estabeleceu um governo civil em Porto Rico e, em 1917, a
cidadania norte-americana foi outorgada aos porto-riquenhos. Nas
Filipinas, os rebeldes dirigidos por Emilio Aguinaldo, em um
primeiro momento, resistiram à ocupação. A Lei Jones, de 1916,
prometia a independência, que não chegou até 1946. Em 1911, o
ditador mexicano Porfirio Díaz havia sido destituído por uma
revolução dirigida por Francisco Ingnacio Madero, cujos
esforços em prol de um processo de reformas haviam sido vistos
com bons olhos pelos Estados Unidos. Após o assassinato de
Madero, o General Victoriano Huerta foi feito ditador. Em 1914,
os Estados Unidos apoiaram o general Venustiano Carranza, que
liderou uma sublevação contra Huerta, que empreendera atos de
represália contra cidadãos norte-americanos. Os Estados Unidos
responderam ocupando Veracruz. A mediação da Argentina, do
Brasil e do Chile, a fim de evitar a guerra, teve como resultado
a demissão de Huerta e a chegada ao poder de Carranza, cujo
governo foi reconhecido pelos Estados Unidos em 1915. A maior
parte dos grupos depuseram as armas; o único a manter a revolta
foi Francisco (Pancho) Villa, que, em 1916, realizou uma
incursão sobre Colombo (Novo México). Em 1912, ganhou as
eleições o democrata Thomas Woodrow Wilson. Seu programa
político, de tendência progressista, ficou conhecido como
Nova Liberdade. Wilson conseguiu realizar, durante a
maior parte de seus dois mandatos, importantes reformas
legislativas que influenciaram a política aduaneira, o sistema
bancário, os trustes, o mundo operário e a agricultura. No
entanto, as questões mais importantes durante a presidência de
Wilson foram a I Guerra Mundial e a assinatura da paz em 1919,
com o tratado de Versalhes. Com as eleições celebradas em 1920,
inicia-se um período de domínio republicano, caracterizado pelo
estabelecimento de tarifas elevadas. O tema mais controvertido do
período 1920-1932 foi a proibição da fabricação e venda de
bebidas alcoólicas, que deu origem a um período de violências,
quando bandos organizados controlaram sua venda ilegal. Em 1929,
uma comissão presidencial determinou o fim das leis
antialcoólicas. O mandato do presidente Herbert Clark Hoover
viu-se marcado pelo desmantelamento do mercado de valores,
ocorrido em 1929. A derrocada da Bolsa precedeu uma depressão
econômica que adquiriu dimensões mundiais. Entre as medidas
adotadas, modificaram-se as normas do sistema da Reserva Federal,
a fim de permitir a obtenção de créditos, por parte de homens
de negócio e de produtores rurais, e a criação da Corporação
Financeira para a Reconstrução. Apesar disso, a depressão
econômica acentuou-se ainda mais, o que marcou a campanha
presidencial de 1932. Os democratas, liderados por Franklin
Delano Roosevelt, obtiveram esmagadora vitória. A política
exterior norte-americana, entre 1920 e 1932, centrou-se no
problema das dívidas de guerra e nas indenizações exigidas à
Alemanha (ver Ressarcimentos de guerra). A política econômica e
social de Roosevelt ficou conhecida como New Deal. Tinha duplo
objetivo: a recuperação da depressão econômica e a
estabilização da economia nacional, para evitar outras crises
graves no futuro. O governo também criou diversos organismos
para socorrer aos mais necessitados. A política exterior
concentrou-se em aumentar o comércio exterior, em especial com a
América do Sul, solucionar os problemas criados pela guerra
entre a China e o Japão (iniciada em 1937) e no irrompimento da
II Guerra Mundial, em 1939, à qual os Estados Unidos
aderiram em 1941. A Aliança entre a Grã-Bretanha e os Estados
Unidos parecia próxima, após o anúncio, em 1941, da Carta do
Atlântico, proclamação dos oito princípios da paz que ambos
os países desejavam. Esta carta foi engendrada por Roosevelt e
pelo primeiro ministro britânico, Sir Winston Churchill. O ano
de 1941 foi caracterizado por intenso debate nacional sobre a
intervenção na guerra. Os intervencionistas consideravam
essencial para a segurança norte-americana a vitória sobre o
Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Em dezembro de 1941, o governo japonês
lançou um ataque aéreo sobre a base naval norte-americana de
Pearl Harbor, no Havaí, e os Estados Unidos declararam guerra ao
Japão. Em dezembro, a Alemanha e a Itália declararam guerra aos
Estados Unidos. Os esforços diplomáticos de Roosevelt deram
lugar a uma série de conferências com Winston Churchill e o
líder soviético Joseph Stalin, nas quais foram adotadas medidas
de efeito militar e acordou-se a rendição incondicional das
potências do Eixo: a Conferência do Cairo e a Conferência de
Teerã foram celebradas em 1943. Na Conferência de Ialta,
celebrada em 1945, decidiu-se dividir a Alemanha em zonas de
ocupação e criar a Organização das Nações Unidas (ONU) (ver
Conferência de Bretton Woods). Em 1945, Roosevelt foi
substituído por Harry S. Truman, cujos primeiros problemas a
serem enfrentados foram a finalização da guerra e o
estabelecimento da paz mundial. A Alemanha se rendeu formalmente
ante os aliados em maio de 1945, embora a guerra continuasse no
Pacífico. As tensões entre os Estados Unidos e a União
Soviética tornaram-se evidentes no Acordo de Potsdam, onde se
celebrou um acordo relativo à divisão final da Alemanha. O
espírito de cooperação vigente nos tempos de guerra havia dado
lugar ao receio mútuo, origem da denominada Guerra Fria. Em
agosto de 1945, Truman autorizou o lançamento de bombas
atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. O Japão se
rendeu imediatamente. Apesar dos problemas internos, os Estados
Unidos continuaram sua intervenção nos assuntos internacionais,
realizando os julgamentos por crimes de guerra contra antigos
dirigentes alemães e japoneses. Também estabeleceu o Conselho
Nacional de Segurança e a CIA (Central Intelligence Agency),
para reunir informação estratégica do estrangeiro. Em 1947,
num esforço para deter o avanço do comunismo na Europa,
instituiu-se a chamada Doutrina Truman, mediante a qual os
Estados Unidos estenderiam ajuda militar e econômica aos países
ameaçados pela agressão comunista. Importante pilar desta
política foi o Plano Marshall, que consistia em vasto programa
de ajuda econômica para permitir a recuperação da Europa; foi
rejeitada pelos países do Leste, subordinados à União
Soviética. A União Soviética respondeu à Doutrina Truman e ao
Plano Marshall com a criação da nova Internacional Comunista
(Cominform). Em 1948, entrou em vigor um plano para a
unificação das zonas de ocupação britânica e
norte-americana. A União Soviética respondeu dando os primeiros
passos para a criação de um Estado alemão em sua área de
ocupação. Os Estados Unidos, o Canadá e outros dez países da
Europa Ocidental firmaram um acordo de defesa e ajuda mútua: a
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em 1951, na
China, o governo de Chiang Kai-shek, que havia recebido apoio
norte-americano, não conseguiu deter o avanço das tropas
comunistas de Mao Tsé-tung, que proclamou a República Popular
da China. Em 1950, Truman anunciou que os Estados Unidos
interviriam para ajudar a Coréia do Sul, invadida por tropas do
regime comunista do Norte. A ONU, em gesto sem precedentes,
patrocinou a ação militar dos Estados Unidos. A Guerra da
Coréia introduziu grandes modificações na sociedade americana,
expressas em profunda psicose anticomunista. Em 1952, o Partido
Republicano designou Dwight David Eisenhower e Richard Milhous
Nixon como candidatos, respectivamente, à presidência e à
vice-presidência. Eisenhower ganhou as eleições com
facilidade. O assunto mais destacado da política nacional deste
período foi a luta dos negros para pôr fim à segregação e
para assegurar todos os seus direitos de cidadãos. Liderados
pela Associação Nacional para o Desenvolvimento do Povo Negro,
buscaram incessantemente o amparo dos tribunais; a integração
racial foi lenta no Sul e muitos negros começaram a tomar parte
ativa no movimento dos direitos civis. Em 1955, Martin Luther
King liderou eficaz boicote que fez terminar a discriminação
que a população negra sofria nos ônibus de Montgomery
(Alabama). Este movimento contou com destacados dirigentes, como
Ralph David Abernathy, organizados em grupos como o Congresso
para a Igualdade Racial. Outros adotaram posturas mais radicais e
violentas, como Malcom X. Em 1959, o Alasca se transformou no
49º Estado da União e o Havaí, no 50º. John Foster Dulles,
Secretário de Estado (encarregado da política exterior), optou
por uma política mais dinâmica, de "represália
massiva", contra Moscou ou Pequim, no caso de nova agressão
comunista em qualquer parte do mundo. Uma das conquistas da
política exterior de Eisenhower foi o acordo de armistício na
guerra da Coréia (1957). Por outro lado, os Estados Unidos
incrementaram sua ajuda econômica e militar à França na
Indochina. Em 1954, foi criada a Organização do Tratado da
Ásia do Sudeste (OTASE) e reforçaram-se os laços
norte-americanos com a China Nacionalista (Taiwan). A colocação
em órbita do primeiro satélite soviético, Sputnik 1, em 1957,
provocou a imediata resposta norte-americana: em 1958, foi
lançado ao espaço o satélite Explorer 1. Em 1º de maio de
1960, um avião de espionagem norte-americano foi derrubado no
espaço aéreo soviético. Duas semanas mais tarde, em uma
reunião celebrada em Paris, Nikita Sergheievitch Kruschev exigiu
que Eisenhower pedisse perdão pela violação do espaço aéreo
soviético; diante da negativa, encerrou-se a conferência. Na
América do Sul, o crescente ressentimento contra a política
norte-americana fez-se evidente em Cuba, onde a revolução
liderada por Fidel Castro, que derrubou a ditadura de Fulgencio
Batista, terminou com o estabelecimento de um regime
marxista-leninista em 1961. Em julho de 1960, ganhou as
eleições o democrata John Fitzgerald Kennedy. Os direitos civis
constituíram o principal problema interno durante seu mandato. O
procurador geral do Estado, Robert Kennedy, pressionou
energicamente para que se pusesse fim à segregação racial nas
escolas e para que se defendesse o direito de voto das minorias.
Os negros e seus partidários brancos continuaram suas
manifestações contra a discriminação. Na esfera exterior,
Kennedy tentou aproximar-se do bloco comunista. Com a ajuda de
seu Secretário de Defesa, Robert Strange McNamara, substituiu a
política de represália massiva por outra de
resposta flexível. Em abril de 1961, Kennedy
autorizou o desembarque na baía dos Porcos, realizada por
exilados anticastristas e que resultou em fracasso. Enquanto as
relações com a União Soviética melhoravam, a situação no
Sudeste Asiático se deteriorava. A constante pressão do
vietcongue, grupo nacionalista vietnamita dominado pelos
comunistas, fez com que Kennedy aumentasse a ajuda militar ao
governo de Ngo Dinh Diem. O presidente Kennedy foi assassinado em
1963, em Dallas (Texas), e foi sucedido pelo vice-presidente
Lyndon Baines Johnson. Lee Harvey Oswald, suspeito do
assassinato, foi detido quase imediatamente, mas houve numerosos
rumores sobre uma possível conspiração (ver Comissão Warren).
Em 1964, os democratas tiveram grande êxito eleitoral com
Johnson, que conseguiu a presidência. Durante esses anos
aconteceram sérios distúrbios raciais em diversas cidades,
devido ao crescimento da polarização racial. No que diz
respeito à política exterior, a crise no Oriente Médio, que
culminou com a guerra entre Israel e vários países árabes, em
junho de 1967, (ver Guerra dos Seis Dias), deu lugar a intensas
manobras diplomáticas que tiveram seu ápice na reunião entre
Johnson e o primeiro ministro soviético Aleksei Kosiguin. Em
resposta à ajuda soviética aos países árabes e a sua
crescente influência no Mediterrâneo, os Estados Unidos
incrementaram a ajuda militar a Israel. O principal problema de
Johnson em política externa foi a Guerra do Vietnã. Durante o
ano de 1964, o Congresso aprovou resolução que autorizava
incrementar a participação militar no Sudeste Asiático. Em
1967, os Estados Unidos estavam bombardeando quase todo o Vietnã
do Norte e havia enviado tropas ao Vietnã do Sul. Este aumento
da intervenção norte-americana produziu grande debate nacional
que se intensificou em 1968. Johnson anunciou a suspensão dos
bombardeios sobre o Vietnã do Norte, a fim de iniciar
conversações que pusessem fim à guerra. O assassinato de
Martin Luther King, em Memphis (Tennessee), em 1968, originou
nova onda de distúrbios em Washington e outras cidades. Richard
Nixon, candidato republicano à presidência, obteve a vitória
apelando para a restauração da ordem social. Seu novo programa
pretendia limitar o poder do governo federal e ajudar as
autoridades estatais e locais a cumprir com suas
responsabilidades. Durante sua presidência, aconteceu a primeira
alunissagem, realizada pela tripulação da Apolo 11, em 20 de
julho de 1969. A crescente rejeição à guerra do Vietnã por
parte da população civil provocou numerosos protestos. Nixon
declarou sua intenção de conter progressivamente a guerra
mediante uma política de "vietnamização", que
implicava a substituição de tropas norte-americanas por
sul-vietnamitas, treinadas e equipadas pelos Estados Unidos. Em
1973, assinou-se em Paris um acordo de cessar fogo, que permitiu
a retirada das tropas estadunidenses. As relações com a União
Soviética melhoraram. As conversações sobre Limitação de
Armas Estratégicas, iniciadas em 1969, continuaram em 1972,
durante a visita de Nixon a Moscou; foram assinados dois acordos
com a União Soviética: um limitava o número de mísseis
balísticos e o outro restringia os sistemas de lançamento de
mísseis. O assessor de Nixon para segurança nacional, Henry A.
Kissinger, viajou a Pequim para agendar um encontro entre Nixon e
os dirigentes da República Popular da China, que aconteceu em
1972. Pouco depois de iniciar seu segundo mandato, em 1973,
apareceram as revelações sobre o chamado caso Watergate. As
investigações posteriores implicaram altos funcionários do
governo de Nixon. Os Estados Unidos tiveram que enfrentar uma
crise política e econômica nos anos seguintes. O
vice-presidente Agnew demitiu-se após acusações de suborno e
evasão de impostos, sendo sucedido por Gerald Ford. A política
de distensão entre os Estados Unidos e a União Soviética
continuou. Leonid Brejnev e Nixon trocaram visitas em 1973 e
1974. A distensão passou por um retrocesso em 1973, quando
explodiu novo conflito entre árabes e israelitas (ver Guerra do
Yom Kippur). Não obstante, ambas as superpotências cooperaram
para a consecução de um acordo de cessar fogo. Em 1974, diante
das provas de sua participação no escândalo Watergate, Nixon
renunciou. O vice-presidente Ford sucedeu-o. A Organização dos
Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia imposto, no
inverno de 1973, um embargo de petróleo aos Estados Unidos e a
outros países ocidentais, em resposta ao apoio que prestavam a
Israel, o que provocou uma recessão da qual começou a
recuperar-se em 1975. Em 1976, Jimmy Carter foi eleito
presidente. No âmbito da política exterior, o governo tentou
estabelecer a paz no Oriente Médio; em 1978, Carter presidiu uma
reunião em Camp David entre os dirigentes máximos do Egito e de
Israel, cujo resultado foi um tratado de paz entre esses dois
países, em 1979. Nesse ano, os Estados Unidos estabeleceram
relações diplomáticas plenas com a República Popular da China
e um grupo de revolucionários iranianos invadiu a embaixada dos
Estados Unidos em Teerã; o Governo norte-americano negou-se a
aceitar o pedido de extradição do xá Mohamed Pahlevi, feito
pelos invasores, e ordenou o resgate dos reféns, que resultou em
fracasso. No entanto, os Estados Unidos diminuíram suas
relações comerciais com a União Soviética, em sinal de
protesto pela invasão soviética ao Afganistão e se negou a
ratificar o Tratado SALT II com a URSS. Nas eleições de 1980, o
candidato republicano Ronald Reagan triunfou de forma arrasadora,
aproveitando o desprestígio do presidente Carter, devido à
crise dos reféns e à má situação econômica. O programa de
Reagan estabelecia a redução de impostos e dos gastos públicos
e o fortalecimento da defesa nacional; no entanto, durante os
anos de 1981 e 1982, aconteceu uma grave recessão econômica. Em
política internacional, Reagan e seu secretário de Estado,
Alexander Haig, abandonaram a política de distensão com a
União Soviética e adotaram uma política de linha dura. Na
América Central, Reagan apoiou as forças governamentais de El
Salvador e apoiou a atividade guerrilheira contra o governo
sandinista na Nicarágua. As relações com a União Soviética
se deterioraram em 1983 e Reagan anunciou a Iniciativa de Defesa
Estratégica, mais conhecida como guerra nas
estrelas. Em 1984, os soviéticos haviam manifestado seu
desejo de abrir novas conversações sobre controle de armamento
e dois encontros reuniram Reagan e o dirigente soviético Mikhail
Gorbatchov. Em abril, os Estados Unidos realizaram um bombardeio
aéreo sobre a Líbia, em represália a ataques terroristas
contra cidadãos americanos. George Bush, antigo vice-presidente
com Reagan, foi o candidato republicano nas eleições
presidenciais de 1988. Ao tomar posse do cargo, os principais
desafios com que se deparou foram o déficit orçamentário e
comercial e a ofensiva diplomática soviética na Europa. Em
dezembro de 1989, os Estados Unidos invadiram o Panamá, para
derrubar o regime do general Manuel Antonio Noriega. Em 1991,
soldados norte-americanos serviram com os aliados durante a
Guerra do Golfo Pérsico e intervieram no norte do Iraque, para
proteger os refugiados curdos das represálias do governo
iraquiano. A diplomacia norte-americana concentrou-se em
empenhar-se junto à União Soviética para alcançar a paz no
Oriente Médio. Bill Clinton foi o candidato democrata nas
eleições de 1992 e transformou-se no primeiro presidente
democrata desde 1976. Bush, presidente em exercício, enviou
20.000 soldados norte-americanos à Somália, sob os auspícios
da ONU, para manter a paz e colaborar na distribuição da ajuda
humanitária, e assinou o Tratado START II, sobre desarmamento
nuclear, com o presidente russo Boris Yeltsin, com o apoio de
Clinton. Clinton conseguiu que o Congresso ratificasse o Acordo
de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que estabelecia
um plano de redução de tarifas e eliminação de outras
barreiras alfandegárias entre os Estados Unidos, o México e o
Canadá durante quinze anos. Entrou em vigor em 1º de janeiro de
1994. Em política internacional, Clinton foi criticado por sua
indecisão, especialmente no caso do governo militar haitiano e
da guerra civil da Bósnia. No primeiro caso, no entanto,
conseguiu que as tropas norte-americanos restaurassem o poder
civil do deposto presidente Jean-Bertrand Aristide. Na Bósnia,
facilitou um acordo de paz entre as partes, assinado em novembro
de 1995, em Dayton. Também presidiu a assinatura de um
histórico acordo de paz entre Israel e a Organização para a
Libertação da Palestina (OLP), representados pelo primeiro
ministro israelense, Yitzhak Rabin, e o líder da OLP, Yasser
Arafat.