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Epistemologia e o Trabalho Pedagógico

Contribuições da epistemologia para a organização do trabalho pedagógico.

Existem várias teorias que tentam explicar a origem, a natureza e os limites do conhecimento humano. Essas teorias fazem parte de um ramo da Filosofia chamado epistemologia.

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A expressão epistemologia deriva de duas palavras gregas: episteme = conhecimento e logia = estudo. Epistemologia, portanto, é o estudo do conhecimento.

A epistemologia da origem do conhecimento pode ser dividida em três grupos: empirismo, racionalismo einteracionismo (HESSEN, 2007).

O empirismo valoriza a empiria (experiência) que a criança tem com o meio em que vive. Os empiristas consideram o conhecimento como algo externo; vem de fora, por meio dos sentidos. De acordo com essa corrente, as ideias entram pelos sentidos e ocupam um espaço na mente que ainda é vazio. Aos poucos, a mente vai se familiarizando com algumas dessas ideias e elas, então, entram na memória. Para os empiristas, portanto, a criança não sabe, pois o saber está com o professor. Cabe ao professor transmitir o conhecimento para a criança, que o recebe de forma passiva (BECKER, 1994).

EpistemologiaO racionalismo também é conhecido como apriorismo ou inatismo. Segundo o racionalismo, as fontes do conhecimento se encontram na razão, e não na experiência. Os racionalistas defendem que nossos sentidos muitas vezes nos enganam e, por isso, podem não fornecer o conhecimento verdadeiro. Os defensores desta posição acreditam que cada ser humano já traz consigo características definidas desde o nascimento, que só precisam ser desenvolvidas ao longo do tempo, com a maturação. Para os racionalistas, portanto, o ambiente em que a criança vive não interfere na sua aprendizagem. Destacam-se, entre os defensores desta corrente, Thomas Hobbes, Chomsky e Carl Rogers (BECKER, 1994).

Alguns estudiosos discordavam dessas duas correntes teóricas, pois as consideravam insuficientes para explicar o processo do conhecimento. Esses pensadores são chamados de interacionistas. De acordo com os interacionistas, o conhecimento não se dá nem nos objetos (empirismo), nem na bagagem hereditária (racionalismo).

Os interacionistas não concordam com os inatistas porque estes desprezam o papel do ambiente. Também não concordam com os ambientalistas porque estes ignoram fatores maturacionais. Os interacionistas levam em conta tanto os aspectos

inatos quanto as influências do ambiente no desenvolvimento humano. (LOPES; MENDES; FARIA, 2005, p.22).

Segundo a concepção interacionista, portanto, o conhecimento vem da interação entre o objeto do ambiente e o conhecimento que a pessoa já possui. Dentre seus teóricos mais recentes, destacam-se Piaget, Vygotsky e Ausubel.

Se a concepção de conhecimento do professor (ainda que inconsciente) for empirista, ele tenderá a seguir um determinado caminho didático-pedagógico. Partindo do pressuposto que a criança é uma “folha de papel em branco”, sua preocupação será transmitir o conhecimento para a criança, que o receberá de forma passiva, para que ele seja memorizado, pois em sua concepção a mudança de comportamento é resultado do treino e da experiência.

Por outro lado, se a sua concepção for racionalista, sua tendência será subestimar o seu papel de professor e do próprio conhecimento, por acreditar que o desenvolvimento da criança ocorrerá ao longo do tempo, com a maturação.

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Se, no entanto, sua concepção for interacionista, sua preocupação será desafiar as estruturas do aluno, criando conflitos cognitivos para que novos conhecimentos sejam produzidos.

Assim:

O docente precisa refletir, primeiramente, sobre a prática pedagógica da qual é sujeito. Somente então ele se apropriará de teoria capaz de desmontar a prática conservadora e apontar para as construções futuras. (BECKER, 1994, s/p).

A ciência contemporânea está pautada no método hipotético-dedutivo, permitindo a criação de teorias conforme a percepção dos problemas encontrados. Deixa de ser um acúmulo de verdades para, por meio de uma atitude crítica, identificar problemas, estabelecer hipóteses e buscar soluções.

Na ciência atual, portanto, há uma constante investigação, gerando uma contínua reconstrução de teorias que visam encontrar soluções para os problemas encontrados na contemporaneidade. Assim ocorre também na educação.

Segundo Aranha (1996, p. 128) “quando o professor seleciona o conteúdo da disciplina que vai ensinar durante o ano letivo, quando decide pelos métodos e procedimentos de ensino, quando enfrenta as dificuldades de aprendizagem de seus alunos, (…) está “pressupondo” estas questões epistemológicas.”

REFERÊNCIAS

ARANHA. M.L. de Arruda. Filosofia da Educação. 2 ed. rev. E atual. São Paulo:

Moderna, 2001.

BECKER Fernando. O que é construtivismo? Série Ideias n. 20. São Paulo: FDE, 1994. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_ p087-093_c.pdf.

HESSEN, Johannes. A origem do conhecimento. Publicado em: 10/06/2007. Disponível em: <http://falsidade.blogspot.com/2006/03/hessen-e-teoria-do- conhecimento.html.

LOPES, Karina; MENDES, Roseana; FARIA, Vitória. Livro de estudo: Módulo II Brasília: MEC. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação a Distância, 2005. 72p. (Coleção PROINFANTIL; Unidade 1).

Por: Iara Maria Stein Benítez em 15/09/2012

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