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Escola, Saúde e Cidadania

A infância é uma época determinante na construção de hábitos e atitudes. Por isso, a escola assume um papel importante por seu potencial para o desenvolvimento de um trabalho sistematizado e contínuo.

Os valores que se expressam na escola em seus diferentes aspectos geralmente são apreendidos pelas crianças na sua vivência diária por meio de aspectos concretos, como a qualidade da merenda escolar, limpeza das dependências, as atividades propostas e a relação professor-aluno. Assim, nos espaços coletivos que se produz a condição de saúde para a comunidade e em grande parte para cada um de seus componentes. Deste modo é possível propiciar o desenvolvimento das atitudes de solidariedade e colaboração, incentivando para que estas se estendam no âmbito familiar e aos ambientes públicos, para que tal responsabilidade se transforme em prática de vida.

Escola e cidadaniaEm se tratando de educação e saúde, percebe-se que ambas estão intimamente relacionadas, em especial educação para saúde é resultante da confluência desses dois fenômenos.

Muitas iniciativas locais vêm sendo adotadas para implementar a educação para a saúde e o desafio, no momento, é construir referências que contemplem esse direito para todos os alunos.

Segundo Focesi, a maior responsabilidade do processo de educação em saúde é a do professor, cabendo a este colaborar para o desenvolvimento do pensamento crítico do escolar, além de contribuir para que as crianças adotem comportamentos favoráveis à saúde, desempenhando um importante papel nesse contexto, pois atuam diretamente com crianças em processo de formação intelectual e desenvolvimento de condutas.

Além disso, deve relacionar educação, cidadania e saúde infantil no seu trabalho pedagógico, estimulando a conscientização das crianças em relação aos cuidados com seu próprio corpo e vivenciando os aspectos relacionados à sociedade em que estão inseridos, motivar e introduzir os problemas presentes, buscar informações e materiais de apoio, problematizar e facilitar as discussões por meio da formulação de estratégias para o trabalho escolar.

Diante dessas perspectivas, o Ministério da Educação e do Desporto (1998), criou o Referencial Curricular Nacional para o Ensino Fundamental, no qual a saúde é tida como um tema transversal a ser trabalhado e assumido com responsabilidade no projeto de toda a escola; alunos, professores e o ambiente escolar tornam-se sistematicamente elementos chaves para essa realização.

Apesar das normas e orientações existentes, o professor em suas práticas diárias não vem cumprindo de maneira eficaz o que está proposto nos documentos oficiais, o que se pode atribuir ao processo de formação docente.

As escolas também não se sentem responsáveis pela prática da saúde em seus ambientes e geralmente reproduzem o paradigma de caráter assistencialista, priorizando o indivíduo e a doença, em detrimento da coletividade e da prevenção.

Conceição (1994), em seus estudos conclui que os professores não são adequadamente preparados para trabalhar com o ensino de saúde, idéia confirmada por Oliveira e Silva (1990), os quais caracterizam o processo de formação dos docentes como falho nessa área, geralmente centrado nas práticas pedagógicas transmissoras de informações desvinculadas da realidade. Por isso, torna-se necessário que a preparação docente seja adquirida no curso de formação de professores, pois atualmente na maioria dos cursos de licenciatura, é extremamente preocupante a ausência de disciplinas que abordem a dimensão saúde, ou ainda, a tentativa de algumas instituições de ensino superior de abordar toda a diversidade temática contida na área em algumas poucas disciplinas.

No âmbito de grande parte do material didático disponível (...) noções de higiene, sexualidade, corpo humano, primeiros socorros, preservação do ambiente, são tratados de modo fragmentado, descontextualizado e, não raramente, preconceituoso; isto é visto de modo acrítico e reproduzido indevidamente pelo professorado em geral (LOUREIRO, 1996).

Desenvolver o senso crítico, formar o cidadão de amanhã é tarefa da educação, sem dúvida (COLLARES E MOISÉS, 1989). A educação para a saúde é um instrumento viável que deve ser utilizado por educadores na promoção de qualidade de vida na sociedade brasileira (LOUREIRO, 1996). O autor destaca ainda que o profissional da área social possui maior domínio metodológico e compromisso ideológico na busca de articulação escola-comunidade-serviço da saúde, o que favorece a promoção da saúde no âmbito escolar.

Brito Bastos (1979), descreve como a integração dos conhecimentos pode ser feita: através da ação direta pelos os professores sobre os alunos, da ação direta sobre os pais e da ação indireta dos próprios alunos sobre os pais, o que propiciaria a difusão dos conhecimentos, beneficiando toda a comunidade. Desta forma, observa que a questão da saúde escolar precisa ser mais bem trabalhada com os professores – os quais ainda não concebem muito bem o real significado dessa prática – e com toda a escola.

É necessária a realização de capacitações e treinamentos para os profissionais do campo educacional, além de um maior envolvimento dos profissionais da área da saúde. Estes últimos devem dar uma maior contribuição para um bom desenvolvimento das ações de saúde no ambiente escolar, em especial fornecendo um maior suporte aos professores – elementos fundamentais no processo de construção e mudança de comportamento.

O processo de construção de vida saudável envolve as áreas de saúde e educação e fortalece o enfoque de saúde como qualidade de vida. Para que este processo tenha êxito, além da saúde e educação devem também ser envolvidos os demais setores sociais, buscando atender às necessidades das escolas e comunidades. Neste contexto, a educação para a saúde deverá ser aceita como parte integrante do processo educacional, devendo ter início praticamente na fase pré-escolar com um limitado número dos mais importantes assuntos e ser continuada através dos estágios da vida escolar reforçada na vida adulta de maneira acidental ou mesmo formal.

Portanto, educar para a cidadania envolve a formação de atitudes de solidariedade para com os outros, particularmente com aqueles em dificuldades de superação de atitutes egoístas, implica fazer gestos de cortesia, preservar o coletivo, responsabilizar-se pelas próprias ações e discutir aspectos éticos envolvidos em determinada situação, devendo ser divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação.

Assim, entende-se como educação para a saúde, como fator de promoção e proteção à saúde e estratégia para conquista dos direitos de cidadania. Sua inclusão no currículo responde a uma forte demanda social, numa conjuntura em que a tradução da proposta constitucional em prática requer o desenvolvimento da consciência sanitária e dos governantes para que o direito a saúde seja prioridade.


REFERÊNCIAS

ANDRADE. Fábio Goulart de. Educação, Cidadania e Saúde Infantil. Pedagogia. Fábio Goulart de Andrade, Rita de Cássia Resquetti Tarifa Espolador. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

BRASIL. MEC/SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais, vol. 8. Brasília, 1997.

BRITO BASTOS, N. C. Educação para a Saúde na Escola. Revista da FSESP, vol. XXIV, no 2, 1979.

COLLARES, C. A. L. & MOISÉS M. A. A Educação, Saúde e Formação da Cidadania, Educação e Sociedade, 10 (32), Abr. 1989.

LOUREIRO, C. F. B. A Educação em Saúde na Formação do Educador. Revista Brasileira de Saúde Escolar, vol. 4, no 3/4, 1996.

PERRENOUD. Philipe. Escola e Cidadania – O Papel da Escola na Formação da Democracia. São Paulo: Artmed, 2004. 184 p.

Por: Iara Maria Stein Benítez
Colaboradora do site Cola da Web

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