ALBERT EINSTEIN
Albert Einstein nasceu em Ulm (Württemberg,
sul da Alemanha) no dia 14 de março de 1879. Seu pai,
Hermann Einstein, possuía uma oficina eletrotécnica e tinha
um grande interesse por tudo que se relacionasse com
invenções elétricas. Não obstante, seus negócios não
prosperavam e, logo que seu filho nasceu, viu-se obrigado a
se transferir para uma cidade maior, na esperança de que as
finanças melhorassem. Escolheu Munique, capital da Bavária,
porque já poderia abrir uma oficina em sociedade com irmão
Jacob.
Foi nessa cidade que Albert recebeu sua
educação primária e secundária. Quando criança, não
apresentava nenhum sinal de genialidade; muito pelo
contrário, seu desenvolvimento se deu de modo bastante
moroso até a idade de nove anos. No entanto, a sua paixão em
contemplar os mistérios da Natureza começou muito cedo - aos
quatro anos - quando ficou maravilhado com uma bússola que
ganhara de presente do pai. "Como é que uma agulha pode se
movimentar, flutuando no espaço, sem auxílio de nenhum
mecanismo?" - perguntava a si mesmo.
Na escola, Albert sentia grande dificuldade
para se adaptar às normas rígidas do Estudo. Os professores
eram muito autoritários e exigiam que os alunos soubessem
tudo de cor. Geografia, história e francês eram os seus
grandes suplícios; preferia mais as matérias que exigiam
compreensão e raciocínio, tal como a matemática.
Ao mesmo tempo, seu tio Jacob ia lhe
transmitindo as primeiras noções de álgebra e geometria. Aos
doze anos, ganhou um livro de geometria elementar e, a
partir daí, seu gosto pela matemática se ampliou cada vez
mais.
Um de seus professores mais exasperados,
chegou a dizer que Albert nunca iria servir para nada e que,
além disso, sua presença desatenta em classe era considerada
negativa, porquanto influenciava seus colegas, o que o levou
a ser suspenso várias vezes.
Quando estava no último ano do ginásio, seu
pai viu-se forçado novamente a mudar de cidade. Mais uma vez
os negócios haviam fracassado. Desta vez decidira emigrar
para a Itália e se estabelecer em Milão. Mas Albert
permaneceu mais um ano em Munique a fim de concluir seus
estudos secundários. No meio do ano, conseguiu uma dispensa
médica e foi passar uma temporada com a família na Itália.
Retomou os estudos na Escola Cantonal de Aarau e obteve o
diploma que lhe permitiu prestar exame para admissão na
Universidade.
Fez seus estudos superiores na Escola
Politécnica de Zurique e, em 1900, Graduou-se em Matemática
e Física. Durante esse período não chegou a ser um excelente
aluno - sobretudo pelo fato de já estar fascinado por
algumas questões que o absorviam completamente - enquanto
que o curso exigia um estudo mais superficial devido ao
grande número de matérias que eram ministradas.
Em suas notas autobiográficas, Einstein conta
que nessa ficou tão enfastiado das questões científicas que,
logo depois de se formar, passou um ano inteiro sem ler as
revistas especiais que eram publicadas. Isto possivelmente
pelo fato de já haver, durante o curso, feito a leitura de
todos os grandes cientistas da época - particularmente
Helmholtz, Hertz e Boltzmann - adiantando-se ao programa
estabelecido pela Faculdade. Preferia ficar lendo em casa a
ir assistir às aulas.
Um de seus professores de matemática, Hermann
Minkowski, que mais tarde foi o primeiro a interpretar
geometricamente a Teoria da Relatividade Restrita, quando
viu o artigo de Einstein publicado na revista Annalen der
Physik , em 1905, ficou estarrecido. "Será que é o mesmo
Einstein?" - comentou com um colega - "E quem era aquele meu
aluno há alguns anos atrás? Naquela época ele parecia
conhecer muito pouco do que lhe era ensinado!"
Depois de se formar, Einstein procurou
emprego durante muito tempo. Enquanto isso, dedicava algumas
horas do dia lecionando numa escola secundária. O emprego
que mais queria, o de professor-assistente na sua
Universidade, havia malogrado. Então, 1902, Grossmann, um
colega de faculdade, consegue-lhe um emprego como técnico
especializado no Departamento Oficial de Registro de
Patentes de Berna, onde Einstein permaneceu até 1909, quando
a Universidade de Zurique convida-o para o cargo de
professor.
Em 1903, casou-se com uma antiga colega de
classe - Mileva Maric. Desse casamento nasceram dois filhos:
Hans Albert (professor de hidráulica em Berkeley,
Califórnia, USA) e Eduard. O casamento não foi bem sucedido,
resultando em divórcio em 1913.
Os anos que Einstein viveu em Berna foram
muito alegres e profícuos. Podia ele tocar seu violino, cujo
prazer imenso propiciava-lhe alegres momentos de
relaxamento. Contando com o salário do registro de patentes
para assegurar-lhe uma vida modesta, e com obrigações
profissionais pouco exigentes, sobrava-lhe tempo para a
contemplação. Liberto, então, de preocupações rotineiras,
seu raciocínio criador pôde se desenvolver a passos largos.
Seus três célebres enunciados de 1905 foram insuperáveis em
brilhantismo lógico e ousadia.
Juntamente com seus amigos Conrad Habicht
(matemático) e Maurice Solovine (filósofo), Einstein fundou
a Academia Olímpia, de cujas animadas reuniões ele ainda se
lembrava nostalgicamente no fim de sua vida. Solovine narra
com entusiasmo e episódio de quando ele resolveu faltar a
uma das reuniões para assistir a um concerto. A sua ausência
foi logo vingada. Ao retornar, encontrou seu quarto imerso
em fumaça e sua cama coberta de fumo barato de cachimbo, o
que lhe provocou imediatas náuseas, pois não tolerava de
maneira alguma o cheiro da fumaça de tabaco. As reuniões
eram centradas na discussão de livros filosóficos de Pearson,
Hume, Mach, Riemann, Spinoza e Poincaré, as quais,
freqüentemente, se estendiam até o amanhecer. Inversamente,
nos últimos anos de sua existência, Einstein raramente tinha
paciência para ler tratados científicos, e tinha de depender
de seus amigos para se manter informado acerca de trabalhos
desenvolvidos por outros cientistas.
Em 1907, Einstein tenta obter a Venia Legendi
( direito para magistrar em faculdades) na Universidade de
Berna. Como dissertação inaugural, apresentou o artigo de
1905 intitulado "Eletrodinâmica dos Corpos em Movimento"
(nessa época ainda extremamente controvertido), trabalho que
o professor de física experimental recusou e criticou
violentamente. Einstein se ressentiu com o fato que adiava
novamente seu ingresso no magistério universitário. No
entanto, meses mais tarde por insistência de seus amigos,
tenta novamente e, desta vez, é admitido.
Rapidamente sua reputação ultrapassa os
percalços iniciais, e Einstein começa a receber uma série de
convites de universidades importantes. No início de 1909, a
Universidade de Zurique convida-o para assumir uma cadeira,
como professor-assistente, por três semestres.
O seu superior no Registro de Patentes não
tinha a menor idéia das atividades que o cientista
desenvolvia para além dos domínios do Departamento, de modo
que, quando Einstein apresentou seu pedido de demissão, quis
saber o motivo. Einstein contou que haviam lhe oferecido um
cargo de professor na Universidade de Zurique. O superior
pediu para deixar de brincadeiras, pois ninguém jamais iria
acreditar numa história absurda como aquela. No entanto, o
absurdo era verdade, e Einstein deixou Berna e mudou-se para
Zurique.
Como professor, não era eloqüente em suas
exposições, em parte porque não dispunha de tempo para se
preparar, e em parte porque não apreciava desempenhar o
papel de dono da sabedoria. Alguns alunos sentiam-se
atraídos pela sua figura, devido à extrema simplicidade e
modéstia que possuía.
Em 1911, Universidade Germânica de Praga
(nessa época a capital da província austríaca da Boêmia),
convidou-o para a cátedra de Física Teórica, na qualidade de
professor-catedrático. A situação social e política de Praga
não o atraía muito, mas seus três semestres contratuais
estavam se findando. Foi quando a Escola Politécnica de
Zurique ofereceu-lhe o cargo de professor catedrático. Em
1912, deu início, então, às sonhadas aulas na universidade
onde estudara. Mas elas não prosseguiram por muito tempo.
Em 1913, o grande físico Max Planck e o
célebre físico-químico Walter Nernst visitaram-no
pessoalmente, convidando-o para o cargo de diretor de Física
do Kaiser Wilhelm Institute, em Berlim, sucedendo Jacobus
Hendricus Van't Hoff, que falecera em 1910. Einstein aceitou
seus trabalhos em Zurique em abril de 1914. Nesse novo
emprego, liberado do compromisso com as aulas, pôde
concentrar-se integralmente nas pesquisas científicas.
Começa então uma nova fase de realizações na
vida de Einstein. Berlim, nessa época era um dos maiores
centros intelectuais do mundo. A proximidade com Planck,
Laue, Rubens e Nernst teve efeito eletrizante nas idéias de
Einstein. Suas pesquisas sobre os fenômenos gravitacionais,
originadas em Zurique, puderam ser brilhantemente
finalizadas e apresentadas à Academia Prussiana de Ciências
em 4 de novembro de 1915, sob o título de Teoria da
Relatividade Generalizada.
Einstein solucionara o problema da harmonia
celeste. Segundo ele, todas as tentativas anteriores para
esclarecer a estrutura do Universo tinham se baseado numa
suposição falsa: os cientistas julgavam que o que parecia
verdadeiro a eles , quando observavam o Universo de sua
posição relativa, devia ser verdadeiro para todos os que
observavam o Universo de todos os outros pontos de vista.
Para Einstein, não existia essa verdade absoluta. A mesma
paisagem podia ser uma coisa para o pedestre, outra coisa
totalmente diversa para o motorista, e ainda outra coisa
diferente para o aviador. A verdade absoluta somente podia
ser determinada pela soma de todas as observações relativas.
Em oposição à doutrina newtoniana, Einstein
declarava que tudo se acha em movimento (e não que tendem a
permanecer em repouso). E explicava que as velocidades dos
diversos corpos em movimento no Universo são relativas umas
às outras. A única exceção a essa relatividade do movimento,
era a velocidade constante da luz, a maior que conhecemos,
constituindo o fator imutável de todas as equações da
velocidade relativa dos corpos em movimento. Além da
velocidade, a lei da relatividade aplicava-se também à
direção de um corpo em movimento. Por exemplo, ao deixar
cair uma pedra do alto de uma torre ao solo, para nós
parecerá que caiu em linha reta; para um observador
hipotético (pessoa ou um instrumento registrador) situado no
espaço, a pedra descreveria uma linha curva, porquanto se
registraria não só o movimento da pedra sobre o nosso
planeta, mas também o movimento do planeta em redor do seu
eixo; e para um terceiro observador, em outro planeta
sujeito a um movimento diferente da Terra, a pedra
descreveria outra linha diferente. Todas as trajetórias, ou
direções, de um corpo em movimento eram, pois, relativas aos
pontos de onde se observava o deslocamento desse corpo.
Ainda havia um terceiro fator na relatividade: o tamanho de
um corpo em movimento. Todos os corpos se contraem ao
mover-se: para um observador num trem em grande velocidade,
o trem é mais comprido que para um observador que o vê da
margem da via férrea; a contração de um objeto em movimento
aumentaria proporcionalmente à velocidade. Uma vara que mede
uma jarda em estado de repouso, ficaria reduzida a zero se
posta em movimento com a velocidade da luz. O espaço, pois,
era relativo. E o mesmo se podia dizer do tempo: o passado,
o presente e o futuro não passariam de três pontos no tempo,
como os três pontos do espaço ocupados, por exemplo, por
três cidades (Washington, New York e Boston). Segundo
Einstein, cientificamente falando, era tão lógico viajar de
amanhã para ontem como viajar de Boston a Washington. Se um
homem pudesse deslocar-se com uma velocidade superior à da
luz, alcançaria o seu passado e teria a data do seu
nascimento relegada para o futuro; veria os efeitos antes
das causas, e presenciaria os acontecimentos antes que eles
sucedessem realmente. Cada planeta possui o seu sistema
cronométrico próprio, diferente de todos os outros. O
sistema da Terra, longe de constituir uma medida absoluta do
tempo para toda parte, não passa de uma tabela do movimento
do nosso planeta em redor do Sol. O dia é uma medida de
movimento através do espaço. Nossa posição no tempo depende
inteiramente da nossa situação no espaço. A luz que nos traz
a imagem de uma estrela distante, pode ser a estrela de
milhões de anos atrás; um acontecimento ocorrido na Terra há
milhares de anos só agora poderia estar sendo presenciado
por um observador em outro planeta, que, por conseguinte, o
considera como um episódio anual. O que é hoje em nosso
planeta, pode ser ontem num outro planeta, e amanhã em um
terceiro, pois o tempo é uma dimensão do espaço, e o espaço
é uma dimensão do tempo. Para Einstein, o Universo era uma
continuidade espaço-tempo; um dependia do outro. Ambos
deviam ser encarados como aspectos coordenados da concepção
matemática da realidade. O mundo não era tridimensional -
consistia nas três dimensões do espaço e numa Quarta
dimensão adicional: o tempo.
Mais tarde, concluiu ainda Einstein, sobre os
fenômenos gravitacionais, que não existe embaixo nem em cima
no Universo, no sentido de que os objetos caíam por serem
puxados para baixo na direção de um centro de gravitação. "O
movimento de um corpo se deve unicamente à tendência da
matéria para seguir o caminho de menor resistência." Os
corpos, no espaço, escolheriam os caminhos mais fáceis e
evitariam os mais difíceis; não havia mais motivo para
admitir a existência de uma força de gravitação absoluta.
Einstein provou, por meio de uma série de fórmulas
matemáticas, a curvatura do espaço, cujo ponto principal da
teoria é: a distância mais curta entre dois pontos não é uma
linha reta, mas uma linha curva, pois que o Universo
consiste numa série de colinas curvas, e todos os corpos do
Universo caminham em redor das ladeiras curvas dessas
colinas. Na verdade, não existe movimento em linha reta em
nosso Universo. Um raio de luz, que viaje de uma estrela
remota em direção à Terra, é desviado ao passar pela ladeira
do espaço que rodeia o Sol. Einstein calculou
matematicamente o ângulo reto desse desvio, que foi revelado
correto no eclipse de 1919.
Esse trabalho, fruto de anos de intensas
pesquisas, acabou por reafirmar o seu reconhecimento por
parte da comunidade científica do mundo todo. Sua influência
se fez sentir em praticamente todos os campos da física.
Tendo praticamente todo o seu tempo absorvido no
desenvolvimento de suas idéias, a tarefa de leitura de
escritos científicos ficou a cargo do "Physics Coloquium" -
organizado por von Laue, professor de Física na Universidade
de Berlim - , que acabou por se tornar a sede comum de
encontro de vários físicos acadêmicos e de laboratoristas
industriais de Berlim.
No início de cada semestre, Laue investigava
a literatura internacional sobre física, separava os artigos
mais importantes e enviava-os a alguns comentadores
voluntários que os representavam brilhantemente nas reuniões
que se davam semanalmente. Ninguém que participasse desses
encontros poderia se esquecer do espetáculo quase mítico de
ver entrando em cena homens como Rubens, Nernst, Planck,
Einstein, Laue - uma verdadeira tela onde se viam pintados
os maiores físicos da época - tomando seus lugares na
primeira fila.
Einstein estava sempre presente nesses
encontros e participava das discussões com grande
entusiasmo. Mantinha-se longe de qualquer dogmatismo e era
capaz de se colocar, às vezes, em posições completamente
opostas às suas próprias convicções, em marcante contraste
com Planck, que participava sempre de modo mais neutro,
sendo mais reservado em suas respostas.
A relação entre esses dois mestres do
pensamento físico era particularmente interessante. Einstein
sentia grande admiração e carinho para com seu colega mais
velho, mas sua abordagem filosófica em relação aos seus
objetivos de pesquisa era diferente. O entusiasmo de Planck
pela teoria originava-se de sua profunda convicção da
existência da harmonia fundamental entre o nosso pensamento
racional e a estrutura do mundo físico. Para Planck, a
observação aparecia como a confirmação da teoria, mais do
que como a premissa básica na qual a teoria deveria se
fundamentar. Em conseqüência, Planck foi radicalmente contra
o pensamento positivista de Ernst Mach, que considerava
primitivo e anti-intelectual. Einstein defendeu Mach perante
Planck e era inclinado a dar importância prioritária às
observações. Essa atitude mudou radicalmente sob o impacto
da relatividade generalizada, teoria que produziu profundo
efeito em seu criador. Apesar de sua conversão Ter sido
lenta, ela foi definitiva: de 1930 até o fim de sua vida,
Einstein adotou a visão platônica, que era, em sua essência,
idêntica à própria filosofia de Planck.
Esse dualismo peculiar explica a enigmática
abordagem que esses dois físicos tinham da teoria dos
quanta. Planck descobriu os quanta através da sua lei de
radiação, de 1900, mas essa descoberta, de certa maneira,
era contrária aos seus próprios desejos, porque a emissão
peculiar de energia, sob a forma de discretos pacotes não
podia ser explicada em bases racionais. De fato, a
descoberta de Planck continuou estéril até que Einstein, em
1905, percebeu que a derivação de Planck na sua própria lei
não estava errada e, efetivamente, deveria ser substituída
por uma suposição muito mais avassaladora. A partir desse
instante, Einstein ficou cada vez mais interessado na
estrutura da radiação e compartilhou com Bohr na indiscutida
liderança da teoria dos quanta.
Em 1919, Einstein casou-se com sua prima
Elsa, adotando as duas filhas do primeiro casamento dela:
Ilse e Margot.
A confirmação da Teoria da Relatividade
Generalizada por duas expedições inglesas que fizeram
observações durante um eclipse solar em 1919, tornaram-no
reconhecido mundialmente. Sua audácia de investigação o
tornou insuperável, e sua teoria revolucionária fez mudar os
principais conceitos físicos que explicavam o Universo até
então. Com tal feito, não havia dúvida de que Einstein era
um dos maiores gênios que a humanidade já havia produzido.
A residência de Einstein, perto da Bayrischer
Platz, tornou-se parada obrigatória de todos os filósofos,
artistas e cientistas de renome que se dirigiam a Berlim. A
publicidade não agradava Einstein, mas não havia maneira de
escapar a ela. Preferia se isolar no pequeno estúdio que
fora construído especialmente para ele, na parte superior da
casa. Era lá que ele recebia seus assistentes e
colaboradores, e ajudava a resolver os detalhes matemáticos
de suas idéias geniais.
Ocasionalmente, reunia-se com os amigos e
realizavam concertos, onde em geral tocava como segundo
violino. Isso constituía agradável entretenimento que o
relaxava e divertia bastante, fazendo-o esquecer por
instantes o mundo da fama e de muitas responsabilidades para
a ciência.
Nessa mesma época começavam a se organizar na
Alemanha grupos nacionalistas extremistas. O fato de
Einstein ser judeu, somado à sua posição contrária à toda
forma de nacionalismo e militarismo, e ainda à sua fama
mundial, aumentaram a inveja e o ódio dos imperialistas
reacionários, que se organizaram contra ele, sob a égide do
físico ultranacionalista Philipp von Lenard. E as ações
desse grupo se tornaram ainda mais ofensivas após 1921,
quando Einstein recebeu o prêmio Nobel. Ele foi ficando cada
vez mais alarmado, principalmente após o assassinato de
Walter Rathenau, ministro das Relações Exteriores da
Alemanha e seu amigo íntimo. Apesar de ter possibilidades de
mudar para qualquer outro lugar fora da Alemanha, decidiu
permanecer em Berlim para não se afastar do excelente clima
científico que lá existia. No entanto, a vitória do partido
nazista em 1933, compeliu-o a desistir de continuar em seu
país natal. Demitiu-se da Academia Prussiana de Ciências
através de carta datada de 28 de março de 1933. Suas posses
foram confiscadas e sua cidadania alemã (da qual ele já
havia renunciado voluntariamente) foi cassada e, quando a
situação se tornou insustentável, já não estava mais na
Alemanha.
Durante o ano de 1921, Einstein viajara aos
Estados Unidos, onde fora recebido com inigualável
entusiasmo. Nenhum monarca reinante havia recebido tão boa
acolhida quanto ele. Milhares de pessoas tinham comparecido
às ruas Nova York para saudá-lo, quando passara desfilando
em carro aberto. Dez anos mais tarde, as mesmas cenas se
repetiram em Los Angeles, quando Charles Chaplin foi à
estação para recepcioná-lo e levá-lo através das ruas de
Hollywood. Este, virando-se para Einstein, disse: 'Você vê,
eles aplaudem a mim porque todos me entendem; a você eles
aplaudem porque ninguém o entende.'
De 1930 a 1933, Einstein esteve em Pasadena,
no Instituto Tecnológico da Califórnia, onde trabalhou no
recém-fundado Instituto para Estudos Superiores de
Princeton. Tornou-se cidadão americano em 1940.
Sua participação no projeto Manhattan foi
inteiramente acidental e muito lamentada mais tarde, se bem
que o projeto teria se concretizado mesmo sem a sua
participação. Em 1939, foi persuadido a escrever uma carta
ao presidente Rooselvelt, recomendando a aceleração das
pesquisas que levariam à criação da bomba atômica. O
contexto histórico praticamente o obrigou a tal atitude: os
alemães estavam também desenvolvendo idêntico projeto e, se
viessem a produzir a bomba antes, os efeitos poderiam ser
muito mais trágicos. A destruição de Hiroshima pela bomba
atômica, porém, constituiu-se no pior dia de sua vida.
Suas convicções democráticas e sentimentos
humanitários foram freqüentemente desafiados pela incessante
onda de agressividade que caracterizou a atmosfera social e
política do pós-guerra. Mesmo assim, Einstein defendeu
abertamente todos os princípios da liberdade nos difíceis
anos do macartismo.
Os últimos 22 anos de Einstein foram vividos
em Princeton, em relativo isolamento. Lecionava na
Universidade e continuava seus estudos, que nessa época eram
integralmente dedicados à sua teoria gravitacional. Almejava
chegar à Teoria do Campo Unificado que permitiria englobar
todos os fenômenos gravitacionais e eletromagnéticos, como
emanações de uma única estrutura lógica. Depois de muito
insucesso nas suas tentativas, conseguiu elaborar um esquema
que era uma generalização formal das equações
gravitacionais. Seus contemporâneos, no entanto, longe de se
interessarem por esquemas de pesquisa e por modelos
matemáticos, que eram mais adequados a uma série de
fenômenos em estudo, acabaram por se afastar da linguagem
utilizada por Einstein, criando assim, um imenso abismo de
incompreensão entre eles e a novas gerações de físicos
teóricos, ao contrário dos tempos de Berlim, onde a sua
palavra era a de mestre absoluto.
Em 1952, o recém-fundado Estado de Israel
ofereceu a Einstein a honraria de ser o seu presidente, em
substituição a Chaim Weizmann, primeiro presidente
recém-falecido. Apesar de Einstein Ter sua origem em um meio
judaico assimilado, ele sempre manteve em sua vida os dois
preceitos básicos do judaísmo: Justiça e Caridade. O caráter
democrático e humanitário das Leis Mosaicas haviam penetrado
profundamente em sua consciência e a magnífica poesia do
Velho Testamento causava-lhe profunda admiração. Ele logo
reconhecera a urgente necessidade de se criar uma nação para
o seu povo já tão perseguido, e passara a acompanhar com
vivo entusiasmo os altos e baixos da nova nação. Todavia,
ele não podia aceitar a honra de ser seu presidente, porque
seu temperamento não se adaptava bem aos cargos e funções
sociais e administrativas exigidas. Nesta época, chegou a
declarar à viúva de Weizmann, que não podia aceitar o cargo
porque não entendia nada de relações sociais; entendia
apenas um pouco de matemática. Ademais não desejava se
dedicar a um só país, pois seu interesse era a humanidade.
Einstein sempre pareceu mais velho do que
realmente era. A efervescência intelectual esgotou
prematuramente suas reservas físicas. Mais de uma vez em sua
existência ficou gravemente enfermo, porém sempre com uma
boa chance de recuperação. Mas em 1954, o rápido declínio de
suas forças físicas se manifestou de forma alarmante.
Quando, em abril de 1955, ele foi transferido para o
hospital de Princeton, sentiu que o fim havia chegado. Na
manhã de 18 de abril, sua vida se extinguiu. Morreu com a
mesma simplicidade e humildade com que sempre viveu: calma e
imperturbavelmente, sem remorsos.
"A serenidade de sua morte ensina-nos como
devemos viver" - foram as palavras de sua filha adotiva
Margot.
"O homem livre em nada pensa menos que na
morte; e sua sabedoria não é uma meditação da morte, mas da
vida", disse o grande filósofo Baruch Spinoza, de quem
Einstein foi um grande admirador.
Einstein foi um homem livre.
Biografia retirada da página dedicada a
Albert Einstein