Bertrand Russell
Lógico,
filósofo e ativo militante político, Bertrand Russell
acreditava que a filosofia deve preparar o terreno para uma
ciência pragmática que permitirá ao homem dedicar-se ao
aperfeiçoamento do mundo em que vive.
Bertrand
Arthur William Russell, terceiro conde de Russell e descendente
de uma família de nobres liberais cujas origens remontam ao
século XIII, nasceu em Trelleck, País de Gales, em 18 de maio
de 1872. Órfão aos três anos, foi educado por preceptores e
governantas na casa da avó até matricular-se em Cambridge. A
partir de 1910, como mestre de conferências nessa universidade,
trouxe decisiva contribuição aos problemas de fundamentação
lógica da matemática que marcaram o início do século XX.
Obrigado a se demitir em 1916, em virtude da participação em
movimentos pacifistas, foi multado e preso. Após visitar a
União Soviética, fez ácidas críticas ao regime comunista.
Denunciou então a natureza totalitária do regime soviético e
predisse e condenou muitos aspectos do que seria mais tarde
chamado de stalinismo.
Bertrand
Russell enfatizou o caráter libertador da lógica e defendeu
pontos de vista neopositivistas e behavioristas. Dedicou-se a
três grandes áreas de estudo, com a premissa subjacente de que
a visão científica do mundo é certamente a visão correta: a
teoria do conhecimento, as relações entre lógica e matemática
e, finalmente, entre lógica e linguagem. Pertinentes a esse
último tema são a filosofia do atomismo lógico -- influenciada
pelas idéias de seu aluno Ludwig Wittgenstein, de quem mais
tarde discordaria -- e a chamada teoria das descrições.
A obra
filosófica mais lida de Bertrand Russell é a History of Western
Philosophy (1945; História da filosofia ocidental) que se tornou
um best-seller no Reino Unido e nos Estados Unidos. Seu último
grande trabalho filosófico, Human Knowledge, Its Scope and
Limits (1948; Conhecimento humano, seu escopo e limites), foi
recebido com certa indiferença. Essa decepção, aliada a suas
divergências em relação ao novo movimento lingüístico na
filosofia, levaram-no a desviar a atenção para a política
internacional. Recebeu o Prêmio Nobel de literatura em 1950.
Em 1954, fez
um polêmico pronunciamento em que condenava os testes da bomba
H. Essa posição se desdobrou mais tarde na declaração de
protesto Russel-Einstein e na Campanha pelo Desarmamento Nuclear,
lançada em 1958, da qual foi presidente. Renunciou em 1960 para
formar o Comitê dos 100, com o objetivo de incitar à
desobediência civil. Destacou-se também no combate contra o
totalitarismo e a intervenção americana no Vietnam. Bertrand
Russell morreu no País de Gales, perto de Penrhyndeudraeth, em 2
de fevereiro de 1970.