Cláudio Ptolomeu
O compêndio
de astronomia elaborado por Ptolomeu no século II foi adotado
pela igreja durante toda a Idade Média. Sua tese de que a Terra
ocupava o centro do universo foi aceita durante 14 séculos, até
ser desmentida pelas teorias de Copérnico e Galileu.
Cláudio
Ptolomeu nasceu no início do século II da era cristã em
Ptololemaida, Hérmia. Com base em certas observações
astronômicas por ele anotadas, sabe-se que trabalhou em
Alexandria, no Egito, entre os anos 120 e 145 da era cristã.
Personalidade das mais célebres da época do imperador Marco
Aurélio, Ptolomeu foi o último dos grandes sábios gregos e
procurou sintetizar o trabalho de seus predecessores. Por meio de
suas obras de astronomia, matemática, geometria, física e
geografia, a civilização medieval teve seu primeiro contato com
a ciência grega.
Cronistas
antigos mencionam várias obras de Ptolomeu hoje desaparecidas,
como Peri diastáseos (Sobre a dimensão), na qual tenta provar
que só pode existir espaço tridimensional, e Peri ropon (Sobre
o equilíbrio), em que trata de física mecânica. Geographike
hyphegesis (Introdução à geografia) apresenta as idéias de
que a Ásia se estendia muito mais a leste, o que levou Colombo a
acreditar ser possível alcançar este continente se viajasse
sempre para oeste, e da existência de um continente ao sul do
oceano Índico, afinal confirmada em 1775, quando o capitão
James Cook retornou de sua viagem pelo hemisfério sul. O tratado
geográfico apresenta, no entanto, algumas falhas, como
contradições entre mapas e textos, e omite informações sobre
clima, habitantes e aspectos naturais das terras que descreve.
Ptolomeu também escreveu um tratado de três volumes sobre
música, conhecido como Harmonica.
A principal
obra do autor, contudo, foi He mathematike syntaxis (A coleção
matemática), que se tornou conhecida como Ho megas astronomos (O
grande astrônomo) ou ainda Almagesto, título da tradução
árabe do século IX. Dividida em 13 livros, constitui a síntese
dos resultados obtidos pelos astrônomos gregos da antiguidade e
é a principal fonte de conhecimento a respeito do trabalho de
Hiparco, considerado o maior astrônomo da antiga Grécia.
Hiparco elaborou o primeiro catálogo estelar, com as posições
de 850 estrelas. Ptolomeu deu continuidade a esse trabalho e
registrou em seu catálogo 1.022 estrelas, das quais 172 ele
próprio descobriu. A obra explica também a construção do
astrolábio, instrumento inventado por Ptolomeu para calcular a
altura de um corpo celeste acima da linha do horizonte. A parte
final, dedicada aos planetas, é a contribuição mais original
do autor à astronomia.
Baseado nas
idéias de Hiparco, Ptolomeu adotou o sistema geocêntrico, que
situa a Terra no centro do universo e, girando em torno dela,
Mercúrio, Vênus, a Lua, o Sol, Marte, Júpiter, Saturno e as
estrelas. Todos esses astros descreveriam, em suas órbitas,
círculos perfeitos, conforme ensinavam Platão e Aristóteles.
Essa concepção foi adotada pelos teólogos medievais, que
rejeitavam qualquer teoria que não colocasse a Terra em lugar
privilegiado. Segundo a tradição islâmica, Ptolomeu morreu aos
78 anos.