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Dalai Lama
Líder espiritual
tibetano (1935). Sua Santidade o 14.º Dalai Lama Tenzin Gyatso
nasce em uma família de agricultores na aldeia de Takster, no
leste do Tibet, com o nome de Lhamo Thondup. Aos 2 anos é
reconhecido por monges como a reencarnação do Dalai Lama,
autoridade máxima do Budismo Tibetano. Os dalai lamas são
tidos como reencarnações do príncipe Chenrezig, o
Avalokitesvara, o portador do lótus branco, que representa a
compaixão. Tenzin Gyatso é considerado a 14.ª reencarnação do
príncipe. Aos 4 anos é separado da família, muda-se para o
Palácio de Potala, em Lhasa, e é empossado como líder
espiritual do Tibet. Passa, então, a se chamar Jampel Ngawang
Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso. Após uma rigorosa preparação, que
inclui o estudo do budismo, de história e filosofia, assume o
poder político em 1950, ano em que o Tibet é ocupado pela
China. Em 1959, depois do fracasso de uma rebelião
nacionalista contra o governo chinês, exila-se na Índia.
Na época, Sua
Santidade foi seguido por 80.000 tibetanos. Hoje, há mais de
120.000 no exílio. Desde 1960, o Dalai Lama reside em
Dharamsala, Índia, conhecida como "Pequena Lhasa", a sede do
Governo Tibetano no exílio. Ganha o Prêmio Nobel da Paz de
1989, em reconhecimento pela sua campanha pacifista para
acabar com a dominação chinesa no Tibet.
~ Em 1989, o
Prêmio Nobel da Paz ~
A decisão do
Comitê Norueguês de outorgar o Prêmio Nobel da Paz de 1989 a
Sua Santidade, teve apoio e aplausos de todo o mundo, com
exceção da China. A citação do Comitê afirma o seguinte: "O
Comitê enfatiza que o Dalai Lama é merecedor desse prêmio por
sua campanha pacifista pela autonomia do Tibet. Ele sempre diz
que a solução pacífica baseada na tolerância e respeito mútuo
é a única forma de preservar a história e a herança cultural
de seu povo."
No dia 10 de
dezembro de 1989, Sua Santidade aceita o prêmio em nome dos
oprimidos e também daqueles que lutam por um mundo de Paz para
o povo tibetano. Ele disse na ocasião: "O prêmio reafirma
nossa convicção de que com a verdade, coragem e determinação
como nossas armas, o Tibet será libertado. Nossa luta deve ser
sem violência e livre de ódio."
~ Um simples
monge budista ~
Sua Santidade
costuma dizer, "Eu sou um simples monge budista, não mais, não
menos."
Sua Santidade
vive como um verdadeiro monge budista. Mora numa casa de campo
em Dharamsala, Índia; acorda às 4 da manhã para meditar, em
seguida põe em dia a sua agenda, dá audiências privadas e
inicia os estudos religiosos e práticas cerimoniais. Ele
termina o dia com muita oração. Falando de sua grande fonte de
inspiração, freqüentemente cita um verso favorito, retirado
dos ensinamentos seculares do sagrado Shantideva Budista:
Enquanto
existir o espaço
Enquanto persistirem os seres sencientes
Que eu também viva
Para dissipar as desgraças do mundo.
~
Budismo tibetano ~
O budismo
tibetano surge no fim do século VIII, da fusão das tradições
budista e hinduísta com o xamanismo. Seu chefe espiritual, o
dalai lama, é considerado um bodhisattva (em sânscrito, o ser
destinado à iluminação, o Buda da Compaixão).
~
Ensinamentos de Buda ~
Buda estabeleceu oito princípios ou Regras de Vida que devem
ser observadas pelos seus seguidores... e por todos:
Verdade é o guia do Homem;
A
Verdadeira Resolução: ser sempre calmo
e nunca fazer dano a nenhuma
criatura viva;
A
Verdadeira Palavra: nunca mentir, nunca difamar
ninguém e nunca usar linguagem
grosseira ou áspera;
O
Verdadeiro Comportamento: nunca roubar, nunca
matar, e nunca fazer nada de que uma pessoa possa mais tarde
arrepender- se
ou envergonhar-se;
A
Verdadeira Ocupação: nunca escolher uma ocupação
que seja má, tal como falsificação, manejo de coisas
roubadas e
coisas semelhantes;
O
Verdadeiro Esforço: procurar sempre o
que é bom e afastar-se do que
é mau;
A
Verdadeira Contemplação: ser sempre calmo e não
permitir-se pensamentos que
sejam dominados pela alegria
ou pela tristeza;
A
Verdadeira Concentração: consegue-se quando todas
as outras regras forem seguidas e uma pessoa tenha atingido
o nível da paz perfeita" .
sábio antigo;
Não
Creiais em coisa alguma com base na
autoridade de mestres e
sacerdotes;
Aquilo, Porém, que se enquadrar na vossa razão, e
depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa
experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas
as outras
coisas vivas:
A Isso
aceitai como verdade;
Por
Isso, pautai vossa conduta!
~ A
Arte da Felicidade ~
Por Sua
Santidade, o Dalai Lama
Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da
felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou
não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós
buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação
da nossa vida é a felicidade.
Quando você
mantém um sentimento de compaixão, bondade e amor, algo abre
automaticamente sua porta interna. Com isso, você pode se
comunicar mais facilmente com as outras pessoas. E esse
sentimento de calor cria uma espécie de abertura. Você
descobre que todos os seres humanos são exatamente iguais a
você e se torna capaz de se relacionar mais facilmente com
eles. Isso lhe confere um espírito de amizade. Então há menos
necessidade de esconder as coisas e, conseqüentemente,
sentimentos de medo, dúvida e insegurança se dispersam
automaticamente.
Na nossa vida diária, certamente aparecem
problemas. Os maiores problemas em nossas vidas são aqueles
que temos de enfrentar inevitavelmente, como a velhice, a
doença e a morte. Tentar evitar nossos problemas ou
simplesmente não pensar neles pode nos dar um alívio
temporário, mas acho que há um modo melhor de lidar com eles.
Se você enfrentar seu sofrimento diretamente, terá mais
condições de avaliar a profundidade e a natureza do problema.
Numa batalha, enquanto você ignorar as condições e a
capacidade de combate do inimigo, estará completamente
despreparado e paralisado pelo medo. No entanto, se você
conhecer a capacidade de luta de seus adversários, os tipos de
armas que eles têm e assim por diante, terá muito mais
condições de entrar na guerra. Do mesmo modo, se você
enfrentar seus problemas em vez de os evitar, terá mais
condições de lidar com eles.
~ O
Treinamento da Mente
~
O método de abordar nossos
problemas racionalmente e de aprender a visualizar nossos
problemas ou nossos inimigos de perspectivas alternativas sem
dúvida parece um objetivo interessante. Mas até que ponto isso
poderá realmente produzir uma transformação fundamental da
atitude?
Uma das práticas espirituais
diárias do Dalai Lama consiste em recitar uma oração, "Oito
versos sobre o treinamento da mente", composta no século XI
pelo santo tibetano Langri Thangpa. Em parte, diz a oração:
Sempre que me relacionar com
alguém, que eu me considere a criatura mais ínfima de todas e
que encare o outro como supremo do fundo do meu coração!...
Quando eu vir seres de natureza
perversa, oprimidos por tormentos e pecados violentos, que eu
considere de alto valor essas criaturas raras como se tivesse
encontrado um precioso tesouro!...
Quando os outros, por inveja, me
tratarem mal com insultos, calúnias e atitudes semelhantes,
que eu sofra a derrota e ofereça a vitória aos outros!...
Quando aquele, a quem beneficiei
com grande esperança, me ferir profundamente, que eu possa
encará-lo como meu supremo Guru!
Enfim, que eu possa, direta ou
indiretamente, oferecer benefícios e felicidade a todos os
seres; que eu em segredo possa assumir nos meus ombros a dor e
o sofrimento de todos os seres!...
Através de práticas espirituais, como a recitação dos "Oito
versos sobre o treinamento da mente", o Dalai Lama conseguiu
aceitar a realidade da situação de seu país e ainda assim
continuar sua campanha ativa pela liberdade e pelos direitos
humanos no Tibet por quarenta anos. Ao mesmo tempo, ele
manteve uma atitude de humildade e compaixão para com os
chineses, que inspirou milhões de pessoas no mundo inteiro. E
aqui estamos nós, pensando que sua oração talvez não fosse
aplicável às "realidades" do mundo moderno. Então ficamos
envergonhados sempre que nos lembramos do que ele passou e
passa juntamente com o povo tibetano.
~ Ética para um
Novo Milênio ~
Por Sua
Santidade, o 14.º Dalai Lama
Riverhead/Agosto
de 1999
Um
resumo:
Cada uma de
nossas ações conscientes e, de certa forma, toda a nossa vida
podem ser vistas como resposta à grande pergunta que desafia a
todos: "Como posso ser feliz?"
No entanto,
estranhamente, minha impressão é que as pessoas que vivem em
países de grande desenvolvimento material são de certa forma
menos satisfeitas, menos felizes do que as que vivem em países
menos desenvolvidos. Esse sofrimento interior está claramente
associado a uma confusão cada vez maior sobre o que de fato
constitui a moralidade e quais são os seus fundamentos.
A meu ver,
criamos uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais
difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da
noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo,
encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos.
O que gera essa situação é a retórica contemporânea de
crescimento e desenvolvimento econômico, que reforça
intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e
a inveja.
E com isso vem a
percepção da necessidade de manter as aparências por si só uma
importante fonte de problemas, tensões e infelicidade. O
descaso pela dimensão interior do homem fez com que todos os
grandes movimentos dos últimos cem anos ou mais - democracia,
liberalismo, socialismo - tenham deixado de produzir os
benefícios que deveriam ter proporcionado ao mundo, apesar de
tantas idéias maravilhosas.
Meu apelo por
uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução
religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada
com aquelas qualidades do espírito humano - tais como amor e
compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar,
contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia -
que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para
os outros. É por isso que às vezes digo que talvez se possa
dispensar a religião. O que não se pode dispensar são essas
qualidades espirituais básicas.
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