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  Conteúdo :: Personalidades

 
  Autoria: Yuri Anderson


 


Marco Pólo
 

explorador italiano

n. em Veneza, c. 1254
f. em Veneza, 9 de janeiro de 1324 

 

Marco Pólo provem de uma família de abastados mercadores venezianos. Quando ainda criança, seu pai Nicolau, e seu tio Mateus, partiram para o Oriente afim de abrir novos mercados.

 

Iniciaram a viagem em 1960, em um período estranho da história. Meio século antes, o mongol Gêngis-Cã havia começado uma brilhante carreira de conquistador, e pouco depois, seu neto Cubai-Cã, sagrado chefe dos inúmeros príncipes mongóis, passaria a governar imenso império, que, pela primeira vez colocava sobre a mesma lei grandes regiões da Ásia e da Europa, tornando possíveis as viagens em toda a área. 

Os venezianos foram ao palácio de verão de Cublai-Cã em Xangtu, na China (em seu famoso poema, intitulado Cublai-Cã, Coleridge chama essa cidade de Xanadu). Os ocidentais fascinaram o líder mongol, que os mandou de volta à Europa afim de trazer missionários capazes de ensinar-lhe, assim como a seu povo, o cristianismo. Infelizmente, os Pólo encontraram o papado no marasmo de um interregno, e os missionários jamais foram enviados, perdendo-se assim grande oportunidade de cristianizar o Extremo Oriente. 

Os pólo voltaram à China de 1275 e, desta vez, Marco os acompanhava. Este, em particular, galgou um alto posto, tornando-se diplomata acreditado junto à corte de Cublai-Cã. Contudo, durante a velhice do Cã, os Pólo sentiram que não podiam confiar nos favores de seu sucessor. Recebendo a missão de escoltar princesas mongóis até a Pérsia, aproveitaram a oportunidade para continuar em frente, até chegar em casa. Finalmente, atingiram Veneza em 1295. A Ásia Central não mais seria percorrida tão minuciosamente por nenhum europeu senão cinco séculos depois. 

As histórias de Marco Pólo sobre as maravilhas que viu na civilização do extremo oriente, no auge da dominação mongol, foram lidadas com muita descrença, sendo o autor ironicamente cognominado de Marco Milioni (Marco Milhões), porque lidava muito com esses números nas suas descrições. 

Em 1298 reavivou-se a guerra naval entre Gênova e Veneza, ocupando Marco Pólo um cargo de comando na frota veneziana. Pouco depois, entretanto, seria feito prisioneiro. Durante sua estada na prisão de Gênova ditou a história de suas viagens. Não tratou particularmente de assuntos pessoais, preferindo descrever regiões africanas e asiáticas com as quais estava razoavelmente familiarizado. Um ano depois, foi solto, podendo então regressar a Veneza. 

O livro tornou-se popular, embora considerável inverossímil e divertido: em suma, uma trama de contos irreais. Cinco séculos e meio depois, exploradores europeus finalmente penetraram no interior da Ásia e constataram que, à exceção de algumas histórias maravilhosas, Marco Pólo estava certo em suas descrições de substâncias sob o carvão, o asbesto e o papel. 

A importância do livro reside na descrição da riqueza das Índias. Colombo possuía uma cópia da obra, tendo anotado entusiasticamente as suas margens. Foi a grande viagem para  Oriente de Marco Pólo que incitou Colombo a viajar para o Oriente na esperança de chegar ao mesmo destino. Com isso, Marco Pólo contribuiu para ativar o fermento intelectual que se iria espalhar pela Europa dois séculos depois, ampliando-lhe os horizontes geográficos e intelectuais.

   

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