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  Matérias :: Português :: Gramática

  Autoria: Norberto Gonçalves
 

 

Figuras de Linguagem

 

             As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.

            As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não- denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.

            As figuras de linguagem classificam-se em:

            a) figuras de palavras;

            b) figuras de harmonia;

            c) figuras de pensamento;

            d) figuras de construção ou sintaxe.

 

FIGURAS DE PALAVRA

 

            As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.

            São figuras de palavras:

             a) comparação       e) catacrese

             b) metáfora             f) sinestesia

             c) metonímia         g) antonomásia

             d) sinédoque          h) alegoria

  • Comparação

            Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem - e alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros.

 

                    Exemplos:

            "Amou daquela vez como se fosse máquina.

 

            Beijou sua mulher como se fosse lógico."

                                        (Chico Buarque)

 

            "As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, negros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas..."

                                        (Jorge Amado)

  • Metáfora

            Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.

 

                    Exemplo:

            "Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão."

                                        (Machado de Assis)

  • Metonímia

            Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:

 

            o continente pelo conteúdo e vice-versa:

            Antes de sair, tomamos um cálice1 de licor.

            1 O conteúdo de um cálice.

 

            a causa pelo efeito e vice-versa:

            "E assim o operário ia

            Com suor e com cimento 2

            Erguendo uma casa aqui

            Adiante um apartamento."

                                        (Vinicius de Moraes)

            2 Com trabalho.

 

            o lugar de origem ou de produção pelo produto:

            Comprei uma garrafa do legítimo porto 3.

            3 O vinho da cidade do Porto.

 

            o autor pela obra:

            Ela parecia ler Jorge Amado 4.

            4 A obra de Jorge Amado.

 

            o abstrato pelo concreto e vice-versa:

            Não devemos contar com o seu coração 5.

               5 Sentimento, sensibilidade.

 

            o símbolo pela coisa simbolizada:

            A coroa 6 foi disputada pelos revolucionários.

            6 O poder.

 

            a matéria pelo produto e vice-versa:

            Lento, o bronze 7 soa.

            7 O sino.

 

            o inventor pelo invento:

            Edson 8 ilumina o mundo.

            8 A energia elétrica.

 

            a coisa pelo lugar:

            Vou à Prefeitura 9.

            9 Ao edifício da Prefeitura.

 

            o instrumento pela pessoa que o utiliza:

            Ele é um bom garfo 10.

            10 Guloso, glutão.

 

  • Sinédoque

            Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:

 

            o todo pela parte e vice-versa:

            "A cidade inteira 1 viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos 2 de seu cavalo."

                                        (J. Cândido de Carvalho)

            1 O povo.

            2 Parte das patas.

 

             o singular pelo plural e vice-versa:

            O paulista 3 é tímido; o carioca 4, atrevido.

            3 Todos os paulistas.

            4 Todos os cariocas.

 

            o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum):

            Para os artistas ele foi um mecenas 5.

            5 Protetor.

            Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque.

  • Catacrese

            A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico."

                                        (Othon M. Garcia)

 

            São exemplos de catacrese:

            folhas de livro             pele de tomate

            dente de alho             montar em burro

            céu da boca               cabeça de prego

            mão de direção          ventre da terra

            asa da xícara             sacar dinheiro no banco

  • Sinestesia

            A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).

 

                    Exemplo:

            "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia [sensações táteis], quase irreal."

                                        (Augusto Meyer)

  • Antonomásia

            Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue.

            Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio.

 

                    Exemplos:

            "E ao rabi simples 1, que a igualdade prega,

            Rasga e enlameia a túnica inconsútil;

                                        (Raimundo Correia)

                1 Cristo

 

            Pelé (= Edson Arantes do Nascimento)

            O Cisne de Mântua (= Virgílio)

            O poeta dos escravos (= Castro Alves)

            O Dante Negro (= Cruz e Souza)

            O Corso (= Napoleão)

  • Alegoria

            A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos - um referencial e outro metafórico.

 

                    Exemplo:

            "A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente..."

                                        (Machado de Assis)

 

 

FIGURAS DE HARMONIA

 

            Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura "imitar"sons produzidos por coisas ou seres.

            As figuras de harmonia ou de som são:

 

            a) aliteração                c) assonância

            b) paronomásia           d) onomatopéia

  • Aliteração

            Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra.

 

                    Exemplo:

            "Toda gente homenageia Januária na janela."

                                        (Chico Buarque)

  • Assonância

            Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema.

 

                    Exemplo:

            "Sou Ana, da cama

            da cana, fulana, bacana

            Sou Ana de Amsterdam."

                                        (Chico Buarque)

  • Paronomásia

            Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes.

 

                    Exemplo:

            "Berro pelo aterro pelo desterro

            berro por seu berro pelo seu erro

            quero que você ganhe que você me apanhe

            sou o seu bezerro gritando mamãe."

                                        (Caetano Veloso)

  • Onomatopéia

            Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um ruído ou som.

 

                    Exemplo:

            "O silêncio fresco despenca das árvores.

            Veio de longe, das planícies altas,

            Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...

            Vvvvvvvv... passou."

                                        (Mário de Andrade)

 

            "Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno."

                                        (Fernando Pessoa)

 

 

 

 

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Português - Gramática - Redação

 

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