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Manuel Bandeira
Nome:
Manuel Bandeira
Nascimento:
19/04/1886
Natural:
Recife - PE
Morte:
13/10/1968
"...o sol tão claro lá fora,
o sol tão claro, Esmeralda,
e em minhalma — anoitecendo."
Manuel
Carneiro de Souza Bandeira Filho
nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886, na Rua da
Ventura, atual Joaquim Nabuco, filho de Manuel Carneiro de
Souza Bandeira e Francelina Ribeiro de Souza Bandeira. Em
1890 a família se transfere para o Rio de Janeiro e a seguir
para Santos - SP e, novamente, para o Rio de Janeiro. Passa
dois verões em Petrópolis.
Em 1892 a
família volta para Pernambuco. Manuel Bandeira freqüenta o
colégio das irmãs Barros Barreto, na Rua da Soledade, e,
como semi-interno, o de Virgínio Marques Carneiro Leão, na
Rua da Matriz.
A família
mais uma vez se muda do Recife para o Rio de Janeiro, em
1896, onde reside na Travessa Piauí, na Rua Senador Furtado
e depois em Laranjeiras. Bandeira cursa o Externato
do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II). Tem como
professores Silva Ramos, Carlos França, José Veríssimo e
João Ribeiro. Entre seus colegas estão Sousa da Silveira e
Antenor Nascentes.
Em 1903 a
família se muda para São Paulo onde Bandeira se matricula na
Escola Politécnica, pretendendo tornar-se arquiteto. Estuda
também, à noite, desenho e pintura com o arquiteto Domenico
Rossi no Liceu de Artes e Ofícios. Começa ainda a trabalhar
nos escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana, da qual seu
pai era funcionário.
No final
do ano de 1904, o autor fica sabendo que está tuberculoso,
abandona suas atividades e volta para o Rio de Janeiro. Em
busca de melhores climas para sua saúde, passa temporadas em
diversas cidades: Campanha, Teresópolis, Maranguape, Uruquê,
Quixeramobim.
"... - O
senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão
direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."
Em 1910
entra em um concurso de poesia da Academia Brasileira de
Letras, que não confere o prêmio. Lê Charles de Guérin e
toma conhecimento das rimas toantes que empregaria em
Carnaval.
Sob a
influência de Apollinaire, Charles Cros e Mac-Fionna Leod,
escreve seus primeiros versos livres,em 1912.
A fim de
se tratar no Sanatório de Clavadel, na Suíça, embarca em
junho de 1913 para a Europa. No mesmo navio viajam Mme.
Blank e suas duas filhas. No sanatório conhece Paul Eugène
Grindel, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Paul
Éluard, e Gala, que se casaria com Éluard e depois com
Salvador Dali.
Em virtude
da eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, volta ao
Brasil em outubro. Lê Goethe, Lenau e Heine (no sanatório
reaprendera o alemão que havia estudado no ginásio). No Rio
de Janeiro, reside na rua Nossa Senhora de Copacabana e na
Rua Goulart.
Em 1916
falece sua mãe, Francelina. No ano seguinte publica seu
primeiro livro: A cinza das horas, numa edição de 200
exemplares custeada pelo autor. João Ribeiro escreve um
artigo elogioso sobre o livro. Por causa de um hiato num
verso do poeta mineiro Mário Mendes Campos, Manuel Bandeira
desenvolve com o crítico Machado Sobrinho uma polêmica
nas páginas do Correio de Minas, de Juiz de Fora.
O autor
perde a irmã, Maria Cândida de Souza Bandeira, que desde o
início da doença do irmão, havia sido uma dedicada
enfermeira, em 1918. No ano seguinte publica seu segundo
livro, Carnaval, em edição custeada pelo autor. João
Ribeiro elogia também este livro que desperta entusiasmo
entre os paulistas iniciadores do modernismo.
O pai de
Bandeira, Manuel Carneiro, falece em 1920. O poeta se muda
da Rua do Triunfo, em Paula Matos, para a Rua Curvelo, 53
(hoje Dias de Barros), tornando-se vizinho de Ribeiro Couto.
Numa reunião na casa de Ronald de Carvalho, em Copacabana,
no ano de 1921, conhece Mário de Andrade. Estavam presentes,
entre outros, Oswald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda e
Osvaldo Orico.
Inicia
então, em 1922, a se corresponder com Mário de Andrade.
Bandeira não participa da Semana de Arte Moderna,
realizada em fevereiro em são Paulo, no Teatro Municipal. Na
ocasião, porém, Ronald de Carvalho lê o poema "Os Sapos",
de "Carnaval". Meses depois Bandeira vai a São
Paulo e conhece Paulo Prado, Couto de Barros, Tácito de
Almeida, Menotti del Picchia, Luís Aranha, Rubens Borba de
Morais, Yan de Almeida Prado. No Rio de Janeiro, passa a
conviver com Jaime Ovalle, Rodrigo Melo Franco de Andrade,
Prudente de Morais, neto, Dante Milano. Colabora em
Klaxon. Ainda nesse ano morre seu irmão, Antônio Ribeiro
de Souza Bandeira.
Em 1924
publica, às suas expensas, Poesias, que reúne A
Cinza das Horas, Carnaval e um novo livro, O Ritmo
Dissoluto. Colabora no "Mês Modernista", série de
trabalhos de modernistas publicado pelo jornal A Noite,
em 1925. Escreve crítica musical para a revista A Idéia
Ilustrada. Escreve também sobre música para Ariel,
de São Paulo.
A serviço
de uma empresa jornalística, em 1926 viaja para Pouso Alto,
Minas Gerais, onde na casa de Ribeiro Couto conhece Carlos
Drummond de Andrade. Viaja a Salvador, Recife, Paraíba
(atual João Pessoa), Fortaleza, São Luís e Belém. No ano
seguinte continua viajando: vai a Belo Horizonte, passando
pelas cidades históricas de Minas Gerais, e a São Paulo.
Viaja a Recife, como fiscal de bancas examinadoras de
preparatórios. Inicia uma colaboração semanal de crônicas no
Diário Nacional, de São Paulo, e em A Província,
de Recife, dirigido por Gilberto Freyre. Colabora na
Revista de Antropofagia.
1930 marca
a publicação de Libertinagem, em edição como sempre
custeada pelo autor. Muda-se, em 1933, da Rua do Curvelo
para a Rua Morais e Vale, na Lapa. É nomeado, no ano de
1935, pelo Ministro Gustavo Capanema, inspetor de ensino
secundário.
Grandes
comemorações marcam os cinqüenta anos do poeta, em 1936,
entre as quais a publicação de Homenagem a Manuel
Bandeira, livro com poemas, estudos críticos e
comentários, de autoria dos principais escritores
brasileiros. Publica Estrela da Manhã (com papel
presenteado por Luís Camilo de Oliveira Neto e contribuição
de subscritores) e Crônicas da
Província do Brasil.
Recebe o
prêmio da Sociedade Filipe de Oliveira por conjunto de obra,
em 1937, e publica Poesias Escolhidas e
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase
Romântica.
No ano
seguinte é nomeado professor de literatura do Colégio Pedro
II e membro do Conselho Consultivo do Departamento do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Publica
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana e
Guia de Ouro Preto.
Em 1940 é
eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Luís
Guimarães Filho. Toma posse em 30 de novembro, sendo saudado
por Ribeiro Couto. Publica Poesias Completas, com a
inclusão da Lira dos Cinqüent'Anos (também esta
edição foi custeada pelo autor). Publica ainda Noções de
História das Literaturas e, em separata da Revista do
Brasil, A Autoria das Cartas
Chilenas.
Começa a
fazer crítica de artes plásticas em A Manhã, em 1941,
no Rio de Janeiro. No ano seguinte é nomeado membro da
Sociedade Filipe de Oliveira. Muda-se para o Edifício
Maximus, na Praia do Flamengo. Organiza a edição dos
Sonetos Completos e Poemas Escolhidos de Antero de
Quental.
Nomeado
professor de literatura hispano-americana da Faculdade
Nacional de Filosofia, em 1943, deixa o Colégio Pedro II.
Muda-se, em 1944, para o Edifício São Miguel, na Avenida
Beira-Mar, apartamento 409. Publica Obras Poéticas de
Gonçalves Dias, edição crítica e comentada. No ano
seguinte publica Poemas Traduzidos, com ilustrações
de Guignard.
Recebe o
prêmio de poesia do IBEC por conjunto de obra, em 1946.
Publica Apresentação da Poesia Brasileira e
Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos.
Em 1948
são reeditados três de seus livros: Poesias Completas,
com acréscimo de Belo Belo; Poesias Escolhidas
e Poemas Traduzidos. Publica Mafuá do Malungo
(impresso em Barcelona por João Cabral de Melo Neto) e
organiza uma edição crítica das Rimas de João Albano.
No ano seguinte publica Literatura Hispano-Americana
e traduz O Auto Sacramental do Divino Narciso de
Sóror Juana Inés de la Cruz.
A pedido
de amigos, apenas para compor a chapa, candidata-se a
deputado pelo Partido Socialista Brasileiro, em 1950,
sabendo que não tem quaisquer chances de eleger-se. No ano
seguinte publica Opus 10 e a biografia de
Gonçalves Dias. É operado de cálculos no ureter.
Muda-se, em 1953, para o apartamento 806 do mesmo edifício
da Avenida Beira-Mar.
No ano de
1954 publica Itinerário de Pasárgada e De Poetas e
de Poesia. Faz conferência no Teatro Municipal do Rio de
Janeiro sobre Mário de Andrade. Publica 50 Poemas
Escolhidos pelo Autor, em 1955. Traduz Maria Stuart,
de Schiler, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em
junho, inicia colaboração como cronista no Jornal do
Brasil, do Rio de Janeiro, e na Folha da Manhã,
de São Paulo. Faz conferência sobre Francisco Mignone no
Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Traduz
Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale,
de Jean Cocteau, em 1956. É aposentado compulsoriamente, por
motivos da idade, como professor de literatura
hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia.
Traduz as peças June and the Paycock,
de Sean O'Casey, e The Rainmaker, de N. Richard Nash,
em 1957.
Nesse ano, publica Flauta de Papel. Em
julho visita para a Europa, visitando Londres, Paris, e
algumas cidades da Holanda. Retorna ao Brasil em novembro.
Escreve, até 1961, crônicas bissemanais para o Jornal do
Brasil e a Folha de São Paulo.
Em 1958,
publica Gonçalves Dias, na coleção "Nossos
Clássicos" da Editora Agir. Traduz a peça
Colóquio-Sinfonieta, de Jean Tardieu. Publicada pela
Aguilar, sai em dois volumes sua obra completa -- Poesia
e Prosa.
No ano
seguinte traduz The Matchmaker (A Casamenteira), de
Thorton Wilder. A Sociedade dos Cem Bibliófilos publica
Pasárgada, volume de poemas escolhidos, com ilustrações
de Aldemir Martins.
Em 1960
traduz o drama D. Juan Tenório, de Zorrilla. Pela
Editora Dinamene, da Bahia, saem em edição artesanal
Estrela da Tarde e uma seleção de poemas de amor
intitulada Alumbramentos. Sai na França, pela Pierre
Seghers, Poèmes, antologia de poemas de Manuel
Bandeira em tradução de Luís Aníbal Falcão, F. H.
Blank-Simon e do próprio autor.
No ano
seguinte traduz Mireille, de Fréderic Mistral. Começa
a escrever crônicas semanais para o programa "Quadrante" da
Rádio Ministério da Educação. Em 1962 traduz o poema
Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler.
Escreve
para a Editora El Ateneo, em 1963, biografias de Gonçalves
Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira
Freire e Castro Alves. A Editora das Américas edita
Poesia e Vida de Gonçalves Dias. Traduz a peça Der
Kaukasische Kreide Kreis, de Bertold Brecht. Escreve
crônicas para o programa "Vozes da Cidade" da Rádio
Roquette-Pinto, algumas das quais lidas por ele próprio, com
o título "Grandes Poetas do Brasil".
Traduz as
peças O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena
Ela Ser o Que É, de John Ford. Sai nos EUA, pela Charles
Frank Publications, A Brief History of Brazilian
Literature (tradução, introdução e notas de R. E.
Dimmick), em 1964.
No ano de
1965 traduz as peças Os Verdes Campos do Eden, de
Antonio Gala. A Fogueira Feliz, de J. N.Descalzo, e
Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho.
Sai na França, pela Pierre Seghers, na coleção "Poètes
d'Aujourd'hui", o volume Manuel Bandeira, com estudo,
seleção de textos, tradução e bibliografia por Michel Simon.
Comemora
80 anos, em 1966, recebendo muitas homenagens. A Editora
José Olympio realiza em sua sede uma festa de que participam
mais de mil pessoas e lança os volumes Estrela da Vida
Inteira (poesias completas e traduções de poesia) e
Andorinha Andorinha (seleção de textos em prosa,
organizada por Carlos Drummond de Andrade). Compra
uma casa em Teresópolis, a única de sua propriedade ao longo
de toda sua vida.
Com problemas de saúde, Manuel
Bandeira deixa seu apartamento da Avenida Beira-Mar e se
transfere para o apartamento da Rua Aires Saldanha, em
Copacabana, de Maria de Lourdes Heitor de Souza, sua
companheira dos últimos anos.
No dia 13
de outubro de 1968, às 12 horas e 50 minutos, morre o poeta
Manuel Bandeira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, sendo
sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no
Cemitério São João Batista.
Bibliografia:
Poesia:
-
A Cinza das Horas - Jornal do Comércio - Rio
de Janeiro, 1917
- Carnaval - Rio de janeiro,1919
- O Ritmo Dissoluto - Rio de Janeiro, 1924
- Libertinagem - Rio de Janeiro, 1930
- Estrela da Manhã - Rio de Janeiro, 1936
- Poesias Escolhidas - Rio de Janeiro, 1937
- Poesias Completas - Rio de Janeiro, 1940
- Poemas Traduzidos - Rio de Janeiro, 1945
- Mafuá do Malungo - Rio de Janeiro, 1948
- Poesias Completas (com Belo Belo) - Rio de Janeiro, 1948
- 50 Poemas Escolhidos pelo Autor - Rio de Janeiro, 1955
- Obras Poéticas - Rio de Janeiro, 1956
- Alumbramentos - Rio de Janeiro, 1960
- Estrela da Tarde - Rio de Janeiro, 1960
Prosa:
-
Crônicas da Província do Brasil - Rio de
Janeiro, 1936
- Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
- Noções de História das Literaturas - Rio de Janeiro, 1940
- Autoria das Cartas Chilenas - Rio de Janeiro, 1940
- Apresentação da Poesia Brasileira - Rio de Janeiro, 1946
- Literatura Hispano-Americana - Rio de Janeiro, 1949
- Gonçalves Dias, Biografia - Rio de Janeiro, 1952
- Itinerário de Pasárgada - Jornal de Letras, Rio de
Janeiro, 1954
- De Poetas e de Poesia - Rio de Janeiro, 1954
- A Flauta de Papel - Rio de Janeiro, 1957
- Itinerário de Pasárgada - Livraria São José - Rio de
Janeiro, 1957
- Prosa - Rio de Janeiro, 1958
- Andorinha, Andorinha - José Olympio - Rio de Janeiro, 1966
- Itinerário de Pasárgada - Editora do Autor - Rio de
Janeiro, 1966
- Colóquio Unilateralmente Sentimental - Editora Record -
RJ, 1968
- Seleta de Prosa - Nova Fronteira - RJ
- Berimbau e Outros Poemas - Nova Fronteira - RJ
Antologias:
-
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase
Romântica, N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana - N.
Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 1,
N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 2,
N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos,
N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia Simbolista, N.
Fronteira, RJ
- Antologia Poética - Editora do Autor, Rio de
Janeiro, 1961
- Poesia do Brasil - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1963
- Os Reis Vagabundos e mais 50 crônicas - Editora do Autor,
RJ, 1966
- Manuel Bandeira - Poesia Completa e Prosa, Ed. Nova
Aguilar, RJ
- Antologia Poética (nova edição), Editora N. Fronteira,
2001
Em
conjunto:
-
Quadrante
1 - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1962
(com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah
Silveira
de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem
Braga)
- Quadrante 2 - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963
(com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah
Silveira
de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem
Braga)
- Quatro Vozes - Editora Record - Rio de Janeiro, 1998
(com Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz e Cecília
Meireles)
- Elenco de Cronistas Modernos - Ed. José Olympio - RJ
(com Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga
- O Melhor da Poesia Brasileira 1 - Ed. José Olympio - Rio
de Janeiro
(com Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto)
- Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (seleção de
Francisco de
A. Barbosa) - Editora Global - Rio de Janeiro)
Seleção e
Organização:
- Sonetos
Completos e Poemas Escolhidos de Antero de Quental
- Obras Poéticas de Gonçalves Dias, 1944
- Rimas de José Albano, 1948
- Cartas a Manuel Bandeira, de Mário de Andrade, 1958
Sobre o
Autor:
-
Homenagem a Manuel Bandeira, 1936
- Homenagem a Manuel Bandeira (edição fac-similar), 1986
- Bandeira a Vida Inteira - Edições Alumbramento, Rio de
Janeiro, 1986
(com um disco contendo poemas lidos pelo autor).
Dados obtidos em livros de Manuel Bandeira, e nas
publicações "Homenagem a Manuel Bandeira" e "Bandeira a Vida
Inteira", na Academia Brasileira de Letras e sites da
Internet.
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
A poesia de Manuel Bandeira nasce parnasiana
e simbolista e, aos poucos, se distingue como "o melhor
verso livre em português". O poeta transita do Parnasianismo
ao Modernismo e experiências concretistas, conservando e
adaptando os ritmos e forças mais regulares.
Em sua obra, o
aspecto biográfico, marcado pela tragédia e tuberculose, é
poderoso, constando até em obras nitidamente modernas, como
Libertinagem. Há, ainda, a marca da melancolia, da paixão
pela vida e das imagens brasileiras. As figuras femininas
surgem envoltas em "ardente sopro amoroso", enquanto outros
poemas tratam da condição humana e finita sem deixar de
demonstrar o desejo de transcendência como em Momento num
Café, Contrição, Maçã, A Estrela e Boi Morto.
PERÍODO DE DESTAQUE
Manuel Bandeira se destacou no
período de 1951 a 1971, quando a literatura brasileira vivia
uma fase brilhante. Na poesia, além de Manuel Bandeira,
Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral
de Melo Neto, Ferreira Gullar e Augusto de Campos foram
destque. Da mesma forma, na prosa, coexistem Jorge Amado,
José Lins do Rego, Raquel de Queirós, Érico Veríssimo,
Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Murilo Rubião, Lígia
Fagundes Teles, Dalton Trevisan e Antonio Callado, para só
mencionar alguns nomes.
POEMAS
ANALISADOS DE MANUEL BANDEIRA
Poema
tirado de uma notícia de jornal
João
Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da
Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu
afogado.
É um poema
curto, de seis versos livres, com uma única estrofe.
“Poema tirado de uma notícia de jornal” a
princípio não parece mais do que uma notícia de jornal
mesmo. Mas, analisando-o com mais cuidado, percebemos uma
sutil referência à miséria. João Gostoso vivia em um
barracão, o que simbolizava que era uma pessoa de poucas
posses. Ao longo da história contada no poema, podemos
conjeturar os motivos de João Gostoso (sem que em nenhum
momento o poema nos dê uma resposta definitiva): João era
pobre, devia estar sem perspectivas. Pode ter juntado seus
últimos trocados e foi para o bar, talvez beber para ter
coragem para fazer o que ocorreu posteriormente, ou talvez
apenas afogar suas mágoas e, num momento de embriaguez,
tomou a decisão de se jogar na lagoa. Vemos, então, uma
crítica implícita ao sistema, à miséria e a falta de
esperança.
Poema
de Finados
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
É um poema de três estrofes, cada qual com
quatro versos. Repare que o poema não é contado apenas na
visão do eu-lírico, mas também da personagem.
Nesse poema, o
autor coloca sua angústia na forma da perda de um parente.
Percebe-se que a personagem do poema, em um momento de
tristeza, vai ao cemitério rezar no túmulo de seu pai. Mas
não reza pelo pai, reza por si mesmo, por seus problemas. O
filho, imaginando o pai em melhor situação que a sua estando
morto, reza como um pedido de ajuda. Sem maiores
esperanças, o filho considera-se tão morto quanto o pai. É
uma transfiguração da dor própria, cotidiana, de um mundo
sem mais expectativas, em um túmulo, onde talvez esteja o
único amparo.
Teresa
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi
Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do
corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto
do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais
nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das
águas.
Teresa é um
poema sem preocupação estética, como podemos perceber pela
falta de divisão em estrofes. É um poema curto, de nove
versos livres.
Quanto a temática, percebemos que o autor
faz uma crítica à chamada “primeira impressão”. Nota-se que
a primeira vista, o eu-lírico acha a personagem Teresa um
ser estúpido e inadmirável. Em uma segunda visão, Teresa já
não é um ser tão repulsivo, apenas destacam-se os olhos. Já
na terceira visão de Teresa, os versos indicam que Teresa
tornou-se tão surpreendente e encantadora que faz o
eu-lírico perder a noção do espaço. O poema apresenta uma
mensagem implícita de desapego às aparências – uma pessoa
pode ser tão esteticamente feia e tão encantadora se a
conhecermos.
Irene no Céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
-
Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
“Irene no céu” é um poema de uma só estrofe
de sete versos livres.
Nesse poema, vemos Irene como
uma negra bem humorada, talvez uma escrava ou criada, que
apesar da opressão consiga manter a alegria, por isso
admirada. O autor faz uma referência a Irene entrando no céu
– o que simboliza que era uma pessoa de boa índole. Também
demonstra que no céu, a cor de Irene não importa, seja
negra, seja branca, seja parda, enfim, o que importa é que
Irene foi boa e que merece espaço no céu, pois no paraíso
não há discriminação.
Bibliografia
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Arquivo Manuel Bandeira – Casa Rui Barbosa:
www.casaruibarbosa.gov.br
?
Antologia Poética. Rio de Janeiro, Editora do
Autor, 1961. Ed. aum. Rio de Janeiro: Editora do Autor, s.d.
?
Literatura:
www.unicamp.br
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