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Barroco no Brasil e em Portugal
Este trabalho fala sobre o barroco no Brasil
e em Portugal. O estilo barroco nasceu da crise de valores
renascentistas ocasionada pelas lutas religiosas e pela
crise econômica vivida em conseqüência da falência do
comércio com o Oriente. O homem do Seiscentismo vivia um
estado de tensão e desequilíbrio, do qual tentou evadir-se
pelo culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de
figuras, como a metáfora, a antítese, a hipérbole e a
alegoria. O tempo barroco denomina genericamente todas as
manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos
1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura,
escultura e arquitetura da época.
Barroco em Portugal
O
Barroco desenvolveu-se dentro de um período que alternava
momentos de depressão e pessimismo com instantes de euforia
e nacionalismo. É uma época de crise, turbulência e
incertezas que serviu de inspiração para uma arte dinâmica,
violenta, perturbada, diferente da clareza, do racionalismo
e da serenidade desejados pelos clássicos.
É a
arte do conflito, do contraste, do dilema, da contradição e
da dúvida. Reflete o conflito entre a herança humanista,
renascentista, racionalista e clássica do homem quinhentista
(século XVI) e o espírito medieval, místico, religioso,
exacerbado pela Contra-Reforma Católica. Expressa, na
irregularidade de suas formas contrastantes, o conflito
espiritual entre: fé e razão, teocentrismo e
antropocentrismo, ceticismo e mundanismo, misticismo e
sensualismo, céu e terra, alma e corpo, espírito e carne.
É
expressão de um homem repartido entre forças e princípios
rivais: esta vida e a outra vida; o mundo daqui e o de além;
o natural e o sobrenatural. O corpo tenta a alma e quer
queimá-la com a paixão; a alma castiga o corpo pecador,
castiga-o com fogo porque quer purificá-lo e reduzi-lo a
cinzas.
Desse
espírito dualista decorrem: na Literatura, a sobrecarga de
antíteses, paradoxos e oxímoros; na Pintura, o jogo de luz e
sombra, de claros e escuros; na Escultura e na Arquitetura,
a exacerbação dos contrastes alto-relevo e baixo-relevo,
formas côncavas e convexas; na Música, os esquemas
polifônicos geradores do contraponto e da fuga.
A produção
seiscentista da Literatura Portuguesa privilegia como
gêneros literários a poesia lírica, a oratória seca, o
teatro de costumes, a prosa moralizante, a epistolografia e
a historiografia.
Apesar
dos extremos de preciosismo, de hermetismo, de afetação e de
frivolidade que caracterizam a produção das academias
poéticas de retórica (Academia dos singulares, Lisboa,
1628-1665; Academia dos Generosos, Lisboa, 1647 - 1717);
apesar da esterilidade e do rebuscamento artificial dos
poetas reunidos nas célebres antologias Fênix Renascida
(Lisboa, 1716 – 1762) e Postilhão de Apolo (Lisboa,
1761 - 1762), o Barroco em Portugal deixou algumas
contribuições importantes como o enriquecimento das
possibilidades expressivas e impressivas da imagética
(imagens, metáforas, símbolos, alegorias), a valorização de
analogias sensoriais ainda não exploradas pela Arte, o
aprofundamento dramático do sentimento da complexidade e do
mundo interior e da análise racional desse mundo.
Barroco no Brasil
Período artístico que, no
Brasil, iniciou-se nos séculos XVII e XVIII, a partir do
ciclo do ouro. Envolveu todas as atividades culturais e foi
a primeira escola artística que conseguiu formular
expressões tipicamente brasileiras, símbolos do nascente
sentimento nacionalista. O barroco brasileiro caracteriza-se
pelo movimento sinuoso das formas, pelo jogo dos opostos,
pela luz tangente e pela exuberância dos detalhes e de
ornamentos.
O Barroco, apesar de ter
sido iniciado na Bahia, com o chamado Barroco Açucareiro,
teve em Minas o seu ponto alto como arte, quer seja na
escultura, arquitetura, pintura ou música. Com o Barroco
Açucareiro, fica o mérito da literatura, com nomes como
Gregório de Matos Guerra (1633-1696), também conhecido por
Boca do Inferno, por sua poesia satírica, que condenava os
alicerces sociais da Bahia na segunda metade do século XVII,
e Pe. Antônio Vieira, maior representante da oratória sacra
em língua portuguesa.
O
barroco brasileiro apresenta peculiaridades que o
diferenciam do barroco europeu. A arte barroca de Minas
Gerais revela grande proximidade com a arte das cidades
portuguesas de Braga e do Porto. O barroco mineiro acabou
por sobrepujar ao da metrópole, especialmente nas obras de
Aleijadinho, em Congonhas do Campo e Ouro Preto. O Barroco
tornou-se a verdadeira expressão de liberdade, em uma fase
de dominação e opressão. Consistiu na possibilidade de
infringir as regras trazidas pelos europeus e criar soluções
inesperadas. A integração das artes, característica do
barroco mineiro, só foi possível com um trabalho sistemático
de equipe, experimentando materiais locais e suas aplicações
ideais. Os aperfeiçoamentos na arte de construir foram
sucessivos. As irmandades estimulavam o surgimento dos
artistas, especialmente na região das minas. A sociedade
tornou-se mais flexível, menos rígida e menos preconceituosa
com os artistas mulatos e caboclos. Criou-se uma consciência
profissional e nacional. Arquitetos e mestres estipulavam
regras e condições. As igrejas passaram a ser construídas
com duas torres cilíndricas nos flancos dos frontispícios e
a decoração interior sugeria a sinuosidade das pedras
entalhadas, fundamentando o novo estilo. As torres foram
coroadas de abóbadas de pedra.
Antônio Francisco Pombal, tio de Aleijadinho, criou em
madeira, na Matriz do Pilar, em Ouro Preto, um espaço
ovulado em forma de decágono irregular. Este novo estilo foi
usado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Catas
Altas, e na Igreja de Santa Efigênia, também em Ouro Preto.
Devem ser assinalados o acentuado relevo das figuras dos
anjos e a modificação das estruturas dos altares.
Nas
regiões litorâneas, o barroco diferenciou-se do mineiro.
Ligado ao ciclo da cana-de-açúcar, o barroco nordestino
aproximou-se da aristocracia rural, exuberante e pomposa,
estilo que se refletiu na riqueza das construções
eclesiásticas e nas grandes varandas das casas-grandes e
santas casas.
No
Rio de Janeiro, uma nova linguagem artística surgiu com
características próprias: imagens de santos destacados da
formas arquitetônicas e mais leveza nos maiores espaços
lisos entre os ornatos. Francisco Xavier de Brito, autor da
talha dos seis altares laterais da Igreja da Ordem Terceira
da Penitência, e Manuel de Brito foram os introdutores das
modificações que diferenciam o barroco carioca do barroco
mineiro e nordestino.
Antonio
Vieira
Ninguém angariou tantas
críticas e inimizades quanto o "impiedoso" Padre Antônio
Vieira, detentor de um invejável volume de obras literárias,
inquietantes para os padrões da época.
Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia
cristã (por defender o capitalismo judaico e os
cristãos-novos); os pequenos comerciantes (por defender o
monopólio comercial) e os administradores e colonos (por
defender os índios). Essas posições, principalmente a defesa
dos cristãos-novos, custaram a Vieira uma condenação da
Inquisição, ficando preso de 1665 a 1667. A obra do Padre
Antônio Vieira pode ser dividida em três tipos de trabalhos:
Profecias, Cartas e Sermões.
As
Profecias constam de três obras: História do Futuro,
Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum. Nelas se notam
o sebastianismo e as esperanças de que Portugal se tornaria
o "quinto império do Mundo". Segundo ele, tal fato estaria
escrito na Bíblia. Aqui ele demonstra bem seu estilo
alegórico de interpretação bíblica (uma característica quase
que constante de religiosos brasileiros íntimos da
literatura barroca). Além, é claro, de revelar um
nacionalismo megalomaníaco e servidão incomum.
O
grosso da produção literária do Padre Antônio Vieira está
nas cerca de 500 cartas. Elas versam sobre o relacionamento
entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos
novos e sobre a situação da colônia, transformando-se em
importantes documentos históricos.
O
melhor de sua obra, no entanto, está nos 200 sermões. De
estilo barroco conceptista, totalmente oposto ao Gongorismo,
o pregador português joga com as idéias e os conceitos,
segundo os ensinamentos de retórica dos jesuítas. Um dos
seus principais trabalhos é o Sermão da Sexagésima, pregado
na capela Real de Lisboa, em 1655. A obra também ficou
conhecida como "A palavra de Deus". Polêmico, este sermão
resume a arte de pregar. Com ele, Vieira procurou atingir
seus adversários católicos, os gongóricos dominicanos,
analisando no sermão "Porque não frutificava a Palavra de
Deus na terra", atribuindo-lhes culpa.
Trecho do
Sermão da Sexagésima, no qual o padre critica seus
contemporâneos:
“Ter nome de pregador, ou ser
pregador de nome, não importa nada; as ações, a vida, o
exemplo, as obras, são as que convertem o mundo.”
Conclusão
O Barroco
desenvolveu-se em um período especial, época em que Portugal
passava por momentos de pessimismo, fato que tornou a
literatura barroca diferente dos clássicos conhecidos na
época.
No Brasil o Barroco
iniciou-se a partir do ciclo do ouro, e foi a primeira
escola artística que conseguiu criar expressões tipicamente
brasileiras, um fato muito importante para o começo de um
sentimento nacionalista.
Um dos nomes
luso-brasileiro mais destacados foi o do padre Antonio
Vieira com o seu Sermão da Sexagésima, no qual repreende os
pregadores de sua época por usarem o interesse dos homens ao
invés da vontade de Deus nas pregações.
Bibliografia
http://www.feranet21.com.br/dicas/portugues/literatura_portuguesa/barroco.htm
http://www.angelfire.com/linux/barroco/antonio.htm
http://www.falalingua.hpg.ig.com.br/barroco_brasileiro.htm
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